O tempo é relativo. Os relógios páram quando queremos que avancem e correm quando queremos um momento de eternidade; passamos os dias a trabalhar e chegamos ao final da semana sem saber bem como, parece que ainda foi ontem o primeiro dia de aulas, e já suspiro por férias outra vez. Am I normal or am I hopeless?
A minha Leonoreta faz quatro anos hoje e parece que foi ontem que a vi pela primeira vez, linda, que parecia desenhada à mão. Já estamos em Abril: parece que ainda ontem foi Dezembro... e, ainda assim, estas duas últimas semanas pareceram meses repletos de acontecimentos, de novidades, de zangas e gargalhadas, de aulas e reuniões, de férias e televisão, e noites de sono ao desvario e insónias bem aproveitadas, e pensamentos profundos, compras fúteis, conversas sérias, comentários surpreendentes, convites inesperados, sorrisos espontâneos, palavras duras, palavras cúmplices, desespero, paz, dúvidas, certezas.
Como diz Pedro Paixão, viver todos os dias custa.
Pela janela da sala, é tarde e ainda há luz. Se tudo na vida fosse assim, seria uma réstia de esperança, um toque de milagre no profano que é a agenda cheia de deveres e obrigações, tarefas e listas de assuntos a resolver.
A minha teoria, no carro com a minha amiga cá de casa, há uns dias, era a seguinte: todos os seres humanos, quando chegasse a hora de morrer, deveriam ter um bónus pelo tempo perdido. Quanto mais tempo tivessem perdido sem culpa, mais bónus teriam. Eu seria imortal. Tenho um problema sério com isqueiros, chaves, chapéus de chuva e o cartão da escola. Materializam-se e desmaterializam-se com o único intento de me fazer perder tempo precioso, e gozar com a minha cara, aparecendo sempre em sítios para os quais já tinha olhado milhares de vezes. Quando tenho alguma chatice com o carro, é certo e sabido que o meu telefone está sem saldo ou sem bateria. Quando estou atrasada, é óbvio que parto um salto da bota, entorno qualquer coisa sobre a camisa branca ou tenho que voltar atrás porque algo se evaporou instantaneamente da minha mala. Quando estou a entrar na biblioteca, o livro ficou na sala de professores; quando chego à sala de professores, trago comigo o dicionário que devia ter deixado na biblioteca. Estou quase em casa e o livro de ponto aparece misteriosamente no meio do monte de coisas que carrego ao colo, acabo de fechar a porta da sala, quero começar a aula e puf! o mesmo livro de ponto ganha perninhas e raspa-se para o armário da sala de professores...
Viver todos os dias custa. Não tenho tempo para perder tanto tempo. Pareço o coelhinho da Alice, permanentemente atrasado, permanentemente a correr.
Quando for a minha hora, quero um bónus grande como a vida que ficou para trás.
E quero que esse bónus seja livre de chaves, isqueiros, chapéus de chuva, cartões da escola, e, já agora, livros de ponto.
5 comentários:
Quanto às chaves... As tuas palavras fizeram-me recordar uma tarde de doideira, em que alguém que tu bem conheces te implorou ajuda na procurar um molhe de chaves que nunca encontraste, claro! Pois, estava (como nunca tinha deixado de estar!) dentro de uma mala da dona muito bem guardado a sete-chaves que nem ela encontrava! E aí tu não achaste piadinha nenhuma... A dona das chaves jura que não foi brincadeira de mau-gosto.
Pois, esquecia-me dessa!... as chaves são objectos de tal forma provocadores e poltergeist que até as dos outros me dão chatices a mim. Temos que convir que andar a fazer kms de um lado para o outro em botas de tacão alto... é dose! E depois, quando é para favores destes, não te lembras das tuas amiguinhas jet-set... lixa-se o mexilhão...
Sim, mais outra história das chaves (que não eram as tuas) mas claro que tiveste que ajudar a recuperar as minhas… . Mal fechei a porta, … as Chaves?? Estão dentro de casa… O telemóvel? Dentro de casa…a chave do carro e os documentos? Dentro de Casa… A Alexandra? Em Lisboa… mas mesmo assim conseguiste resolver o problema.
Minha keriduxa, a única amiga jet-set, oriunda da zona mais in da capital, que tenho é a menina! Por isso, não não m conseguia lembrar de mais ninguém... Só tu consegues entender estes meus extravios, nada acontece por acaso!
Vou mudar o meu nome de Jade para "salvadora de donzelas em risco de perder a cabeça juntamente com as chaves"!!!
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