quarta-feira, 19 de novembro de 2014
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Reconfortante
Quando alguém te conhece tão bem e há tanto tempo, que tu perguntas, por mensagem privada numa rede social, já em desespero por estares há horas a puxar pelos neurónios, "Como é que se chama aquele gajo que canta com um gorro?", e te responde, acto-contínuo,"Jamiroquai".
Lindo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Memória Futura
Sobre a minha epifania emocional, correu muita tinta. Não parece, porque os leitores aqui do estaminé há muito que o comentam off the record, não sei porquê. Mas correu. Houve alguém que me disse que o seu príncipe encantado foi atropelado por um camião. Outra pessoa disse que o meu já não deve tardar (se tardar muito, terá que me procurar num lar da santa casa). Houve quem me dissesse que eu tenho que abrir o meu coração, ser mais simpática, mostrar disponibilidade para... nem sei bem para quê.
Em tempos, houve um rapaz que fez quatrocentos quilómetros para vir almoçar comigo. Entre as duas viagens, de vinda e de regresso a casa, esteve na estrada o dobro do tempo que passámos juntos. E permanecemos sempre em sítios públicos, a conversar amenamente, a rir e a recordar tempos idos. Foi das melhores horas de almoço, senão a melhor, de toda a minha vida. E não lhe toquei, sequer, ou ele a mim. Mas acho que esse par de horas foi o maior abraço que alguma vez alguém me deu. Se morrer muito velhinha, ainda assim o vou levar tatuado no corpo, esse abraço. Depois disso, estive muito tempo sozinha. Anos. Um dia achei que já chegava e conheci uma pessoa que me interessou. Muito. Parecia mesmo feita à minha medida. Vivia a umas dezenas de quilómetros de mim e eu achei que merecíamos ambos o esforço. Detesto conduzir mas peguei no JadeMobile, máquina infernal, e fui várias vezes à terra dele, vê-lo, conhecê-lo melhor. As coisas pareciam estar a encaixar bem. Uma noite, estive com uns amigos umas horas num cafezinho, na conversa, à noite. Ele esteve noutro, a uns quinhentos metros. Não fez esse caminho para estar comigo.
Em tempos, houve um rapaz que fez quatrocentos quilómetros para vir almoçar comigo. Entre as duas viagens, de vinda e de regresso a casa, esteve na estrada o dobro do tempo que passámos juntos. E permanecemos sempre em sítios públicos, a conversar amenamente, a rir e a recordar tempos idos. Foi das melhores horas de almoço, senão a melhor, de toda a minha vida. E não lhe toquei, sequer, ou ele a mim. Mas acho que esse par de horas foi o maior abraço que alguma vez alguém me deu. Se morrer muito velhinha, ainda assim o vou levar tatuado no corpo, esse abraço. Depois disso, estive muito tempo sozinha. Anos. Um dia achei que já chegava e conheci uma pessoa que me interessou. Muito. Parecia mesmo feita à minha medida. Vivia a umas dezenas de quilómetros de mim e eu achei que merecíamos ambos o esforço. Detesto conduzir mas peguei no JadeMobile, máquina infernal, e fui várias vezes à terra dele, vê-lo, conhecê-lo melhor. As coisas pareciam estar a encaixar bem. Uma noite, estive com uns amigos umas horas num cafezinho, na conversa, à noite. Ele esteve noutro, a uns quinhentos metros. Não fez esse caminho para estar comigo.
Não tenho que mostrar disponibilidade, bom feitio, simpatia, nada disso sou eu. Eu sou uma gaja dura e difícil, como já me descreveram. Não sou cá de falinhas mansas e paninhos quentes. Não sou aconchegadora de egos alheios, ainda estou a aprender a aconchegar o meu. Eu sou assim, e não deixo de ser extraordinária, como também já me definiram. Não tenho que fingir coisa nenhuma para atrair quem quer que seja. Dou-me a conhecer, e o tempo logo se encarregará do que tiver que ser. As atitudes das pessoas comigo, essas, separam sempre, mas sempre, o trigo do joio.
domingo, 9 de novembro de 2014
Romantic Epiphany
Depois de um fim de semana inteirinho na companhia de Blue Bloods, quer-me parecer que descobri a pólvora: a minha cara metade é, certamente, das forças de segurança. De preferência, detetive. Muito provavelmente, americano, o que explica a relutância em aparecer. E nova-iorquino, porque não poderia ser de outra forma. Ah, e tem que saber dedilhar uma viola, porque é condição sine qua non. E como está uma década atrasado, já se sabe que tem que ser macho suficiente para tomar iniciativas, mandar sms amorosas, levar-me a jantar fora a sítios fantásticos e ler uns livros de jeito de vez em quando, que a idade apura o bom gosto. E gostar de cães. E de ver filmes. E ter super poderes, para me descobrir fechada em casa. Fácil.
sábado, 8 de novembro de 2014
Meanwhile...
... este é capaz de estar a ser um dos melhores anos de leituras da última década.
Neste momento estou a ler Vendedor de Passados, do Agualusa, Galveias, do Peixoto, Em Casa, do Bill Bryson, o Chalet da Memória, do Tony Judt e Porquê Ler os Clássicos, do Calvino. E a adorar todos. Se os acabar antes de 31 de dezembro, a relação quantidade/qualidade do que li este anos é astonishing, em bom. Já no parâmetro "novos autores, novos ídolos", parece-me existir um novo recorde absoluto. Com os portugueses em destaque.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Best ever
Best stress relieving remedy ever: my happy dog's mild snoring a couple of meters from me.
Breve Apontamento Regional
Ontem fui passar a tarde com uma amiga minha, para quebrar a semana, aprender um novo hobby, - ela ensinou-me a tricotar- pôr a conversa em dia, enfim, descansar e divertir-me. Às páginas tantas, ela diz que os homens daqui deviam ir tirar um curso de estilo ao Norte, porque são uma cambada de calhaus caídos de chaparros em bruto, incapazes de fazer um elogio, incapazes de tomar uma iniciativa, incapazes de demonstrar um sentimento.
É verdade. Não estarei sozinha por ser um estafermo em quem ninguém pega, ou por ser burra que dá dó. Muitos me dizem que estou assim por ser demasiado exigente. Também não será assim. Mas, de facto, não me consigo encantar pela frieza ou pela rudeza. Já lá vai o tempo em que achava piada a picardias ou em que estava disposta a fazer o trabalhinho todo. Aliás, está praticamente a fazer um ano, deixei-me dessas lides de vez. Foi a última vez que me apanharam a fazer viagens para estar com alguém ou para ver alguém, que me apanharam a mandar sms queridas ou a ligar, ou a apostar ou a ter alguma esperança no que quer que seja a troco de migalhas e um balde de água fria.
Não sei se será regional. Mas palavra bonitas, que me tenham dito... ouço-as sempre com pronúncia do norte. A várias vozes, mas sempre a trocar bs por vs.
Cair Mal
Quando uma pessoa passa a infância e a adolescência a ser comparada a outras e a ficar sempre aquém, é óbvio que na sua vida adulta se vai rodear de gente que acha que tudo o que faz é errado - não devias cortar o cabelo à rapaz, não, afinal não devias era pôr extensões, essas calças dessa cor parecem de um bobo da corte, o cabelo dessa cor parece não sei quê, a fulana de tal é que é gira, as louras é que são bonitas, as mulheres prendadas é que interessam, aquela outra é que é uma profissional competente, fulana de tal é de uma perspicácia...
Quando uma pessoa passa a infância e a adolescência a ser comparada a outras e a ficar sempre aquém, é óbvio que fica um bocado imune ao que pensam ou deixam de pensar sobre ela, porque é um jogo perdido à partida, faça o que fizer, estará sempre mal feito ou a vizinha terá sempre feito muito muito melhor.
Mas quando uma pessoa passou a vida inteira nisto, estes comentários caem cada vez pior. E as pessoas que não te dão valor e que passam a vida a apoucar-te, por muito que delas gostes, começam a caminhar uma estrada sem regresso para fora do teu mundo.
domingo, 2 de novembro de 2014
The Special One
Sei que o meu cão é especial quando são estas horas - e relaxo a ver uma série em frente ao computador, esparramada no sofá com a luz do teto acesa, porque quando me dei conta disso já me tinha deitado no sofá e não me apeteceu mexer-me até ao outro lado da sala... - e o vejo entrar, tic tic tic tic, cauda e orelhas caídas, aos tropeções da bebedeira de sono que traz, aterrar no puff, colado ao sofá, que é onde se deita para adormecer ao ritmo das minha cóceguinhas no lombo e... pôr a cabecita à sombra da cadeira onde assenta o portátil. Com o cancro de pele não se brinca, e o meu cão é obcecado por sombras. Nem que a luz venha de uma lâmpada elétrica, bem fraquinha, por sinal.
Na raiz
Quando procuro a causa de tanta raiva, descubro que, na raiz dela, está o facto de sempre a ter tentado calar. E essa coisa oprimida tantos anos, alimentada dos pequenos e grandes desgostos da vida, silenciada porque não se fala de boca cheia de misérias e frustrações e dores e desilusões, essa coisa cresceu, engordou e só não se reproduziu porque é árida e só e triste e amarga. Essa coisa lateja e estrebucha e já não há volta a dar-lhe. Agora é tirar-lhe a mordaça e deixá-la consumir-se, que um dia há-de morrer, como tudo o que existe.
sábado, 1 de novembro de 2014
O Direito à Indignação.
Acho uma imensa metafórica graça àquelas pessoas que te apontam o dedo por estares "a gritar" com elas e, na sua versão dos factos, estares "fora de ti", a agir "irracionalmente", e outros mimos com que te brindam no calor do momento, mimos esses que nunca admitem serem ofensivos e insultuosos quando, na realidade, tudo começou contigo a repetir, em voz baixa e calmamente, a mesma coisa que agora gritas, umas cinco ou seis vezes, quando estavam demasiado preocupadas com o seu ego e o seu discurso / monólogo semiautista, para te ouvir. Há certas pessoas que só te ouvem quando explodes, e depois te apontam o dedo porque o fazes. Dei comigo a pensar nisto hoje e a encontrar vários exemplos em conhecidos meus. Detesto esta nova moda de que a cólera é gémea da doença mental, como se nascesse de um desequilíbrio neuronal e não fosse tantas vezes deliberadamente provocada por terceiros que depois "não percebem a razão de tanto descontrolo". Muitas vezes, cobardes que só caem na real e saem do seu umbigo quando levam um par de berros e ficam cheios de medo do que os vizinhos ou as pessoas que estão a assistir "vão pensar". A esses cresce-lhes, de repente, uma enorme preocupação com os outros e uma imensa solidariedade com os frágeis sentimentos que uma porta possa ter, "não batas com a porta, se faz favor!". Gosto tanto da preocupação com as boas maneiras em situações de stress... que não consigo evitar sorrir, fechar a porta com cuidado e pensar, só pensar, porque nem me merecem o respeito que seria dizer-lhes "vai-te mas é fod*r!"
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