segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Isto promete...

Passamos tanto tempo na escola que já houve quem arranjasse uma cafeteira elétrica, há pessoas que levaram, para um armário, canecas, e há sempre quem leve saquinhos de chá e pacotes de açúcar para abastecer a "dispensa". Maçãs e bolachas vão aparecendo diariamente e, quando há reuniões, alguém desenrasca sempre "umas cenas" para o lanche.
Hoje à tarde, entrei na sala de professores e estava um colega meu de canequinha fumegante na mão. Eu, gulosa, dirijo-me a ele, "então, V. a beber um cházito?" Resposta pronta e imediata: "Não havia whisky!"

sábado, 20 de outubro de 2012

Animador

Ontem, ao jantar, um amigo meu dizia que estou completamente diferente. E que tinha sido exatamente isso que um amigo nosso comum lhe dissera há uns dias atrás. E, pasme-se!, não se referia ao meu corte de cabelo boyish.
Há meses, quase meio ano, que sinto essa diferença, nos acordares mais leves, na aceitação própria mais fácil, e nos desesperos (muito) mais espaçados. No modo como caminho pela rua, olho nos olhos das pessoas e até consigo sorrir sinceramente. Num jeito de ser tão, mas tão, mais meigo do que aquele que me acompanhou durante mais de metade da vida e pareço ter conseguido resgatar da infância e adolescência perdidas.
Todavia, durante esses meses, poucos foram os que comentaram ou se aperceberam. Houve até quem não entendesse por que motivo sórdido deixava eu tanto dinheiro no consultório do meu terapêuta. "Ainda andas nisso?". Nunca desmoralizei. Quanto mais não fosse, chorava naquele gabinete o que não chorava em mais lado nenhum, e dizia lá dentro coisas que evitava, sequer, pensar. Continua a ser uma hora sagrada e, sim, ainda ando nisso, e não, não tenho pressa de alcançar objetivos. Agora acredito na possibilidade do equilíbrio. 
Surpreendo-me a sonhar acordada com pessoas que não conheço e que possam estar a sonhar acordadas comigo. Continuo a achar que perdi alguém estupidamente, mas aceito e acarinho a ideia de que a estupidez, pelo menos nesta situação específica, não foi minha. Acredito que com ele é que era, que com ele é que poderia ter sido. Há momentos em que essa certeza me bate diretamente na alma como um raio, e a corta em dois como a uma árvore morta ainda de pé. Mas aprendi que as raízes debaixo da terra servem para alguma coisa, e essas são demasiado profundas para que seja possível arrancar-me àquilo a que me agarro, desde sempre. Dou comigo, finalmente, a tomar iniciativas, a adormecer quando me apetece sem culpas, a ligar para os meus amigos, a ir a espetáculos, a chatear a molécula aos meus colegas para organizarmos um jantar, a pegar no cão e fazer mais de duzentos quilómetros para ele ir ver a avó, a ler antes de adormecer, a dar aulas plenas de gritos e risos, sermões e regras de gramática, como gosto de fazer.
Dou comigo viva, e isso é animador.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E ainda digo mais

Eu, que sou mesmo pacífica a sério, começo a achar que em vez de bater tachos e panelas, deviam pegar nelas e fazer pontaria às fuças dos idiotas que estão no poleiro. Se, só uma que fosse, acertasse no alvo, já era lucro. Por isso, nem quero pensar no que passa pela cabeça da malta dada à violência.

IRS

Não digo que vá fazer parte dos novos pobres, decididamente não vou. Muito se fala de pobreza, muito tenho visto na televisão, e dá-me asco saber que há representantes eleitos a dizer "agora querem que eu ande de Clio, não?". Esse devia ter sido imediatamente deitado num contentor de lixo e coberto de estrume à saída do Parlamento, grande imbecil.
Mas custa-me muito estarem a cobrar-me um disparate de impostos para pagar uma dívida que dizem pública, quando continua muita gente a roubar e a dar-se bem. Custa-me muito trabalhar para não me sobrar dinheiro ao fim do mês para absolutamente nada, e muitas vezes ter que ir levantar da poupança para pagar supermercado e contas fixas. Custa-me muito que se discutam aumentos para os parlamentares e se gastem milhares em carros topo de gama. Custa-me muito ser considerada pelos impostos quase rica, quando os meus jeans andam a ficar ruços e rasgados e não posso comprar outros porque foi mês de fazer mudança de óleo ao carro. Custou-me muito ouvir o ministro das finanças dizer que não há margem de manobra possível a não ser lixar, mais uma vez, os mesmos.

Cinco minutos

Hoje devia ter torcido um pé, ou marrado de cabeça contra uma parede, quando entrei na escola. Talvez assim não tivesse ido à Direção ter uma conversa de cinco minutos que deu cabo do meu bom humor para o resto da semana.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ainda por cima...

... só me dá para reler coisas que me entristecem, e os bloggers de que mais gosto parecem meus pares em terapia de grupo para seres deprimidos. Todos por falta de amor, por secura cardíaca, por ceticismo crónico, já. 
E eu continuo na minha... um dia, hei de perceber, quando me der a epifania, por que razão a vida só me apresentou pessoas que não arriscam por amor. Mesmo quando as amarras não metem filhos à mistura, com que possam desculpar a cobardia de forma aceitável. E, principalmente, por que razão estou eu nos antípodas mentais dessas pessoas, e arrisco sempre tudo, para me espetar a grande velocidade num solo de betão armado e passar anos da minha vida em recuperação e gestão de danos.

Atropelada

Uma das minhas expressões favoritas quando me estão a chatear é "vai marrar com o comboio de Chelas!" Pois o comboio de Chelas decidiu vir marrar comigo. Ou assim parece. Que dia! Safou-se o jantar e o serão, com rojões e vinho tinto, "Herdade da Figueirinha", reserva de 2009. Mas se fosse vinho de mesa para temperar bifes também tinha marchado. Estou exausta.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Acentos gr´´aficos

Duas teclas do meu computador andam a gozar comigo. Carrego-lhes uma vez, e o resulltado ´´e a dobrar, como podem ver:`` ´´ ~~ ^^. Da´´i o t´´itulo est´´upido. Da´´i estas palavras est´´upidas. Ser´´a que andaram nos copos e eu ´´e que vejo a dobrar?
Assim n~~ao d´´a para escrever posts. E eu lamento. Tamb´´em n~~ao d´´a para trabalhar. Mas com isso posso eu bem.