segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Livros de Receitas é que não há.

Eu sou uma biblioteca. Seria esta a metáfora que usaria para me definir, se mo pedissem.
Sou uma biblioteca que inclui uma enciclopédia de conhecimentos inúteis, em constante actualização. Com paredes forradas de estantes ocupadas por inúmeros romances de final mais ou menos infeliz. Duas ou três tragédias e muitos folhetins de cordel. Alguns relatos de viagens a destinos pouco exóticos. Poesia onírica e pouco teatro, que não sei fazer, e quando tento, dá para o torto. Um ou dois simpósios terapêuticos. Vários livros de auto-ajuda, com o nome dos meus amigos por título. Aparentemente silenciosa, mas com milhões de palavras por dizer. Das mais absurdas às mais brilhantes, a que chamo epifanias. Também há por aqui um volume de anedotas e outro de anecdotes, profícuo, por exemplo, em gaffes, nas quais tenho um PhD. E alguns exemplares de pedagogia, para a área profissional, que nunca abro, porque o par de berros continua a funcionar melhor que todas as teorias que conheço.

sábado, 7 de agosto de 2010

Eu cá, desisto!

Depois de ter ganho algum respeito por Hemingway, ao ler a sua biografia em que conheci detalhes importantíssimos da sua vida, por exemplo, que um dia arranjou uma carraça no "little-hemingway" que só saíu com cera de vela quente (pois, pois, chama-lhe carraça, grande tarado!), resolvi ler um livro dele, finalmente. Peguei no livro que a Miss Covilhã e a Pêlo-Russo me deram num aniversário, Ter e Não Ter. Depois de três enormes capítulos de descrição da pesca ao espadarte em Cuba, desisti. Para isso, releio a Moby-Dick, que a estatura do peixe (Eu SEI que as baleias NÃO SÃO peixes, ok?) sempre impressiona, e o Ahab era obsessivo, característica que me encanta.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

What's new?

Tenho uma torre semelhante à de Pisa (antes fosse de Pizza, que, por causa de uma gastroenterite, ando a caldinhos há uma semana, e só me apetecem porcarias de todos os géneros...) de livros por ler, que trouxe da Cidade de Deus com a bela intenção "agora é que vai ser, vou vingar-me de todos os dias em que não li uma linha por ter trabalho para fazer". Uma torre alta e inclinada, e para o que é que me deu? Para comprar hoje uma revista sobre livros e literatura, suspirar pelas novidades e sublinhar o que quero ter, tipo puto agarrado ao catálogo da Toys'r'Us em princípios de Dezembro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ensinem-me!!!

Havia uma querida na escola anterior que me tirava do sério por ser sonsa, daquelas sonsas tão sonsas que insultavam toda a gente e depois diziam "não percebo por que estás a ser desagradável, és tão má"... só me apetecia esbofeteá-la, a sério.
Nesta escola em vez de uma há, que eu tenha dado conta, pelo menos três.
Ajudem-me, que é que eu faço? Perco sempre a razão com estas lindinhas. Porquê? Normalmente porque as mando para o caral*o. Sem grande habilidade diplomática, como se nota. Sou assim, dá-me para a chinela. Alguém sabe dizer palavrões em línguas esquisitas? Ou mandar para o caral*o com classe? Preciso de uma acção de formação urgente que, não tarda, estou de regresso ao trabalho.

Com Ç

Boçal e Boçalidade escrevem-se, pois claro, com Ç.
E eu a pensar que, apesar de a palavra não me "soar" bem, teria que vir da bossa, ou não fosse um boçal um verdadeiro camelo. Afinal a camela era eu.

Ainda Hemingway

Embirro com o homem desde sempre. O tipo era obcecado por quase tudo aquilo que me revolta o estômago e a sensibilidade. Caça grossa e touradas, por exemplo. São questões indiscutíveis como religião, futebol ou política. Para mim, com uma diferença: tenho amigos de todos os clubes, religiões (ok, isto não é bem verdade, mas só porque não conheço judeus nem budistas) e partidos. Pessoas de quem gosto mesmo. Já gente que goste de touradas ou de caçar... também conheço, sim, também convivo, pois, mas confiar confiar, assim absolutamente... não confio em ninguém que ache piada a ver um animal sofrer. Acho sempre que tem um instinto cruel mais ou menos refinado, mais ou menos civilizado, mais ou menos escondido. A caça, ainda engulo. Primário, primitivo, triste, mas ok, tiro certeiro, morte imediata. Tourada, não. Venham lá falar de tradições e de raça, e da extinção do touro bravo. Pois. Aqueles aficcionados que conheço são todos ambientalistas convictos, sem dúvida, é logo do que me lembro quando penso assim de repente, em dois ou três deles.
É muito por isto que sou uma ignorante de Hemingway. Por causa do preconceito. A bossalidade atrai a bossalidade, está provado. E, para que conste, a ignorância é tal que nem sei se bossalidade se escreve assim: vou ali já venho, verificar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Parece Ficção

Estou a ler a única biografia autorizada por Hemingway. Diz ele, sobre Por Quem os Sinos Dobram, que o bom romance tem que fazer com que a ficção pareça mais verdadeira que a realidade. A vida dele, contudo... faz a verdade parecer ficção.
Deus do Céu, aquele homem divertia-se. Imenso. Viajava. P'a caraças. Bebia. Como um desvairado. Estava sempre em fiesta. Teve dois desastres... de avião. Uma casa com uma torre em Cuba. E ainda escrevia. De pé, de manhã, e todos os dias. Ao que dizem, coisas fenomenais (o que li até agora não me convence nadinha) e pagavam-lhe para isso. Isto é que é uma vida como deve ser. Porque se terá matado?