quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Escrita direita em linhas tortas

No ano letivo transato, gostei muito da minha colega de Matemática de 3º ciclo. Fez-me lembrar e ter muitas saudades da Miss Covilhã, porque são ambas do mesmo género. Ela, a Camponesa, felizmente é daquelas pessoas que mantém os contatos e, volta não volta, lá se mete comigo no bate-papo, manda uma sms ou telefona. Anda possessa com a direção da minha escola, que não lhe manda o dossiê individual, e por causa disso há meses que diz que lá vai buscá-lo. Como a vida não está para graças, não tem tido tempo para o fazer, de modo que temos adiado cafezinhos vezes sem conta. Já me pediu para eu tratar do assunto com o meu subdiretor, mas a verdade é que este tem andado muito parvo, para dizer o mínimo, o que não é de todo surpreendente tendo em conta a confusão que aquela gente faz entre o pessoal e o profissional, que abona muito pouco no que toca à competência de cada um, mas isso é lá com eles.
Há meses a combinar encontrarmo-nos para pôr a conversa em dia e nada, vou dar de caras com a Camponesa à porta do Átrio Saldanha, inesperada e subitamente, como são todas as boas surpresas. E foi uma festa. E, como ela diz, antes assim, num lugar cheio de classe e a cheirar a fashion, que naquela escola que só nos dá é desgostos e motivos de arrelia.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Balanço #5

Ciclos.
Comecei o ano loira, entretanto voltei a ser morena, e hoje estou de novo loira.
Comecei o ano exausta, entretanto recompus-me, e hoje estou novamente estoirada.
Comecei o ano feliz, em grande autoestima, entretanto tive uma depressão, e hoje estou bem-disposta e com uma autoestima menos frágil.
Comecei o ano a ponderar mudar de vida, entretanto acomodei-me, e hoje estou de novo inquieta por um futuro em tudo diferente.
Comecei o ano a amar de novo, entretanto desisti do amor, e hoje parece-me que há que desistir é de forçar que ele exista em sítios que sabemos não serem para nós.
Muda o ano e estou exatamente na mesma, à vista desarmada, e tão diferente, no que à essência diz respeito.

Balanço #4

Depois de ruir no início do ano, agarrei-me ao que podia. Para além de fazer boas opções, como iniciar finalmente a psicoterapia, também fiz disparates dos grandes. Nada que o tempo não viesse remediar. Não sou por natureza desconfiada, de modo que quando as coisas não me cheiram bem, tendo a ficar de pé atrás, a não arriscar tudo, a não saltar no escuro. Sei, desde há muito, que o tempo acaba por me dar razão e calar as vozes críticas e venenosas. Na altura passo sempre por má, doentia, ressabiada... um sem número de injúrias de pessoas tão falsas quanto parolitas. Gosto pouco que me atirem areia para os olhos e que façam de mim burra, que é das poucas coisas más que jamais pensei de mim mesma e, como sou pouco diplomática, saio mal na fotografia. Mas o tempo é dono e senhor de tudo, juiz dos juízes, e é com um sorriso (meio dececionado, meio enojado) que vejo, mais uma vez, uma fraude materializar-se.
Há coisas e pessoas que, por mais que se lhes puxe o lustro, jamais brilharão, por lhes faltar o verniz. A grandeza está na fibra, não nos estudos, nas citações livrescas que fazemos, nas datas que sabemos de cor, na teoria político-económica que papagueamos a quem ainda tem pachorra para nos aturar. A grandeza está na alma, e quem nasce para cêntimo jamais chegará a euro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Balanço #3

Este ano comecei a ter sessões de psicoterapia. Foi o ano de viragem, do "vamos fazer alguma coisa para mudar o rumo da minha vida e parar de ir ao fundo ciclicamente". Foi uma decisão acertada. Tive sorte. Numa cidade em que não há nada de jeito e as pessoas são, no seu geral, como direi... muito diferentes de mim, sobretudo na forma de estar, nos valores e no modo de viver a vida, quando me meti nesta aventura, o meu maior medo foi não me entender com o meu terapêuta, achá-lo fraudulento, achar o processo um fiasco, não confiar num estranho, espetar-lhe com o rótulo que a própria cidade tem para mim: provinciana, hipócrita, intolerante, gabarolas, vazia.
Tive sorte. Gosto das nossas sessões e estou muito mais confiante e desperta para mim própria desde que lá vou. No outro dia o Doc dizia-me que não queria que os seus pacientes se transformasssem naqueles casos de "estou na terapia há vinte anos, e ninguém me conhece melhor que eu próprio." e depois, no fundo, continuam com os seus medos e tragédias, simplesmente sabem tudo sobre as suas sombras, de onde elas vêm e para onde vão. Mas continuam passivamente a observar-se de fora.
Não me parece que corra esse risco. Graças à terapia, consigo lidar muito melhor comigo mesma e com os outros, distanciar-me das pessoas que, contra todas as expetativas, não me fazem nada bem e apostar naquelas que realmente fazem.
Percebi que faço parte de uma minoria social que prefere a verdade à mentira piedosa, embora também a use, e prefere ser magoada a ser enganada, porque jamais engana. Assim sendo, embora numa minoria, resolvi respeitar-me em vez de me autoflagelar, e afastei da minha vida privada quem quer que fosse que me demonstrasse o que mais abomino, a deslealdade. Confio naturalmente nas pessoas porque sei que podem confiar naturalmente em mim. Quando descubro que, seja de que modo for, fui enganada, não há regresso. Há uns tempos atrás, havia regresso para tudo, por mais que me custasse. Deixou de haver. Tenho trust issues. E não pretendo resolvê-los, pretendo aceitá-los. Porque também há pessoas ao meu  lado há muitos anos que nunca traíram essa confiança. Elas existem, meia dúzia delas são minhas amigas e as outras, que andam por aí, se me cruzarem o caminho, também hão-de ser.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Balanço #2

Aos 35 anos ainda tenho a capacidade de fazer bons amigos. Mesmo deprimida. Mesmo irascível. Mesmo obsessiva. Mesmo doentia. Este ano de 2011 fiz dois. Uma mulher e um homem. São cultos, boa onda, giros, da minha geração e... pasme-se!, saem do seu caminho para me ajudar, agradecem a minha ajuda e abrem a boca para me defender! Dizem que sou boa gente, boa rapariga e... competente! Minha santa mãe, num mundo em que toda a gente se põe em bicos de pés para aparecer, é tão bom ver o meu trabalho reconhecido sem invejas e facadinhas nas costas! Conquistaram-me aos poucos, mas rendi-me. Contam comigo para o que der e vier.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Balanço #1

Boas ações de 2011, a nível sentimental:
1. Servi para apimentar uma relação quase extinta, I'm really hot. É claro que, para isso, deixei de ser o amor da vida de alguém para passar a ser uma grande vaca. E o moço em questão, um cão, ou um boi. Mas não faz mal, já que o seu par é especialista em animais. (a ironia não é minha, é dele, vi com os meus próprios olhos numa ligação desse mundo que é o facebook)
2. Juntei novamente duas pessoas que são amigas do peito, e que eu tinha separado. Uma delas passou dois anos a agradecer-me o facto de ter deixado essa relação "doentia". Agora, afinal, a doente sou eu, e a amizade é digna de uma reconciliação comovida, de quem nunca deixou de se preocupar, de querer estar, de querer procurar. (a reconciliação também não é invenção minha... e devo mais uma ao facebook).
Sou ou não sou uma linda menina?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Consequências

Passo mais tempo na escola do que em casa. Passo muito mais tempo na escola que com a minha mãe. Por um lado, é horrível, por outro sinto que os meus colegas são tipo família: não os escolhi, não gosto deles todos, mas tenho que os gramar, e vice-versa, e começam a conhecer-me bem. Ando com uma telha descomunal: ando com o telhado inteiro. Das hormonas, da depressão, ou porque ultimamente só penso em coisas tristes, a verdade é que vou para a escola e faço um esforço bem grande para estar apresentável e de humor equilibrado: sem explosões, é o objetivo, que a resmungar não é novidade.
Por isso, afaga-me a alma que os meus colegas já saibam lidar comigo quando estou virada do avesso.
Hoje, ninguém me chateou, ninguém me mandou bocas foleiras, e ainda ouvi, de mansinho, sussurrar "chateada já ela anda... deixa-a". Sinto-me respeitada no meu ser mais íntimo: ninguém me faz perguntas, e todos fazem os possíveis por ficar e me tornar a mim, transparente.
Hoje tive reuniões de EFAs. O meu mediador, o rapaz mais bonito da escola, lá conduziu a reunião, e me estendeu a folha da ata, para eu a escrever. Como era para ele, de quem gosto muito, e para aquela equipa, de quem também gosto muito, lá fui secretária sem resmungar. No fim da reunião, entrou um colega que se pôs a resmungar comigo, como é costume, na brincadeira. E encheu-me a alma de ternura, ouvir o giro dizer "não a maces, que ela costuma ser muito meiguinha mas hoje não está bem disposta". Eu? Muito meiguinha? Só se for dos seus belos olhos verdes. Mas gostei de ser defendida. E hoje reconheço que fui muito bem tratada, por todos. E senti-me em família. E muito grata.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Um Daqueles Dias

Hoje é um daqueles dias em que só me apetece fugir de mim própria. Não que as coisas me tenham corrido mal, nada disso. Eu é que me corri mal. Estou cheia de não-presta, de azedumes, de pensamentos negros. Só consigo pensar em todas as deceções do último ano, em todas as dores, em todos os cansaços, em todas as injustiças, em todo o trabalho, em todo o tempo perdido, no resto que sobrou. Hoje estou demasiado cansada para lutar contra mim e esta nuvem negra. Estou irritada, ansiosa, dececionada, triste. Hoje é um daqueles dias em que me apetecia ter dormido o tempo todo, vegetar e não fazer nenhum. Infelizmente não foi possível. E os deveres pesam-me toneladas, e estou muito farta do meu mundo, hoje.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E, como sempre,

Aqui fica o beijo de saudades ao meu avô, no aniversário da sua partida. Os que amamos continuam sempre vivos e, como diz Saint Exupéry, não passam em vão: deixam um pouco deles, e levam um pouco de nós.
Fazes-me falta, avô. Para onde estiveres vai um grande, grande, abraço, apertado com toda a força que tenho.

Vantagens

Comparando com a escola em que estive anteriormente, considero haver várias vantagens em estar colocada, agora, na minha. A maioria delas prende-se com o facto de ter turmas muito mais pequenas. Os alunos não são mais fáceis: o que têm de bom a nível disciplinar, têm de mau a nível de aproveitamento. São mais desmotivados, muito mais baldas e pouco trabalhadores. Não têm expetativas e estão cheios de vícios. Mas gosto de os conhecer com uma profundidade que seria impossível no contexto anterior. Gosto de conhecer os que não são meus alunos pelo nome. Gosto que esses venham ter comigo, me abordem, me deem os bons dias, sempre, e me sorriam.
Outra coisa a que não estava mesmo nada habituada é ao tipo de relação que tenho com os meus colegas: somos poucos, trabalhamos em equipa e somos solidários. Por uma questão temperamental, sempre fui assim. Mas não estava habituada a que me agradecessem a ajuda que dou, pelo contrário, estava habituada a que essa ajuda fosse dada como adquirida, que ma cobrassem quando não a podia dar, e que ainda me dessem facadas nas costas em retribuição. Por isso, hoje, quando passei os apontamentos de uma reunião a um colega que era o secretário para o ajudar com a ata e por auto-recriação, e ele me agradeceu, olhos nos olhos, a ajuda, estranhei. E essa estranheza por uma atitude tão natural quanto expectável no domínio simples da boa educação e da cortesia, fez-me questionar o quanto, anteriormente , e como diz uma amiga minha, preferia o muito pouco ao nada. Sem dúvida que, pelo menos agora, a minha generosidade é reconhecida em tempo, em vez de ser lamentada postumamente. E isso, para mim, é uma daquelas vantagens que justifica muito de tudo o resto.

domingo, 27 de novembro de 2011

Vícios

Em vez de me ver livre do tabaco, com a agravante de, agora, visualizar os meus pulmões pretos e cheios de porcaria, umas vinte vezes ao dia, desde que vi um video horroroso no you tube, adquiri dois novos vícios: Game of Thrones, uma série cuja primeira temporada vi de uma assentada, tipo Grey; e o jogo do facebook, CastleVille, dentro do género da série. Nos intervalos do trabalho - ou terá sido ao contrário? - passei o fim de semana todo rodeada de maidens, princesses, lords e castles. Nasci para isto, sem dúvida: call me Lady Jade.
(ou, à tuga: leide Jeide, que sempre rima)

About love...

This is my statement.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pride

É que foi uma semana santinha: para além das reuniões canceladas (que me vão lixar a próxima semana toda, mas enfim, quinta é feriado, que se lixe!), hoje a escola não teve alunos por falta de funcionários e passei lá a manhã a adiantar coisas que estavam na lista do a-fazer quase desde Setembro. A formação moodle, agendada para as cinco e meia foi antecipada para as quatro, de modo que estava despachada às sete, a tempo de vir para casa jantar calmamente e beber uma sangria feita pela Mzinha, com frutos silvestres, que estava de estalo. Ai, a canela no fundinho do copo, que delícia!

Assim, julgo que o meu bom humor já não será da moca dos comprimidos: quando as coisas correm bem, a pessoa anda mais leve. E também ajudou, claro, falar dos meus desastres amorosos e ouvir o Doc, há uns tempos, dizer “ a culpa não é tua, devias ter mandado esse gajo tratar-se”… e, desta vez, “mas esses tipos são uns filhos-da-mãe, como podes tomar histórias dessas como exemplo?”, ou algo neste sentido.

A verdade é que são as minhas histórias. Bem ou mal, estou envolvida nelas e não soube, eu também, proceder de modo diferente. O Doc diz-me que não me sei impor, definir um espaço e marcar limites que não podem ser ultrapassados. Eu digo que não sei agir como aquelas tipas que fazem ultimatos e conseguem tudo o que querem dos gajos. Eu dou-lhes liberdade e responsabilizo-os pelas suas ações: jamais vou à procura do prejuízo. Viro costas, se a coisa é mesmo grave. Na maior parte das vezes, engulo em seco e permito que me magoem. Ele diz que não há nada de errado comigo, mas que tenho que aprender a dar coices, mesmo quando tudo está bem. A não fazer concessões no que julgo importante, mesmo quando tenho borboletas no estômago e as pernas a tremer. Eu não sei se sou capaz. Mas também lhe disse que isso não é fundamental agora, não é prioridade, porque depois da última, não acredito que me volte a apaixonar tão cedo. Envolvimentos, então, longe! E o Doc ri-se, faz-me cara de dúvida e aposta no tempo. Eu aposto na sorte, que comigo nunca é muita, e prefiro dedicar-me a outras coisas que me divirtam e me façam rir. E em pessoas que gostem de estar comigo e me mostrem isso.

A verdade é que, assim, ando muito bem humorada e acho que já não é dos comprimidos. Assumir as minhas vontades e os meus limites, conviver com os meus caprichos e as minhas exigências, aceitar que tenho o direito de querer mais e que me deem mais, porque eu também dou e eu também cedo, e eu faço tudo para que não haja dúvidas e confusões e, como tal, dou o exemplo e não peço nada que não retribua, toda esta aceitação, está a fazer de mim uma pessoa muito mais saudável e serena. Quem está, está. Quem não está, estivesse. Esta segurança no que sou e no que dou é novidade para mim. E está a sair-me melhor que a encomenda.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mas também, convenhamos...

Estive duas semanas sem lá ir. Essas semanas não correram nada bem, entre trabalho, amigos e família, houve chatices e stresses para todos os gostos. Ando com uma memória de Dory. E as pessoas com quem convivo também andam um bocado a dar para o senil. A Mzinha ontem queria fazer um recorte e pediu à funcionária da escola uma cenoura...(???!!!!) quando queria dizer tesoura. Freud explica. Uma aluna minha, muito séria, referiu-se a uma marca de automóvel de luxo como "róis-róis", ficando eu a pensar se estaria a chamar-me roedor, e porquê. Esta deixo para o Jung analisar.
Posto isto, caramba... espero que o Doc não me dê alta, nem desista tão cedo de me tratar.

E a terapia?

Já lá não ia há duas semanas, porque o meu Doc entrou de férias e, na semana passada, ando tão boa da cabeça que aceitei a boleia de uma colega, esquecendo-me de que precisava do JadeMobile para ir à consulta. Entretanto, também me esqueci que os meus comprimidos estavam a acabar e não pedi receita por telefone. O resultado foi que andei dois dias a bater com a cabeça nas paredes, literalmente, que a interrupção dos comprimidos deu-me tonturas e vertigens, estragando-me o radar de morcego que, percebi agora, não é tão mau quanto eu pensava, estando operacional. Voltei aos comprimidos e o efeito foi tipo grande moca de felicidade. (O cancelamento das reuniões também ajudou).
Resultado: hoje fui à consulta armada em chica-esperta, super bem disposta e a pensar que o Doc me ia arregalar os olhos, cair de joelhos e dizer "MILAGRE, MILAGRE! Estás CURADA!". Pois.
Como sou muito honesta, disse-lhe logo que estava sob efeito da pedra, e andava bem-dispostíssima, para que ele não tivesse a tentação de me dar alta logo ali, nos primeiros cinco segundos. Mentalmente, ia-me dando palmadinhas nas costas, muito contente, o tempo a passar, e eu para mim "estás a ver? estás a ver? Hoje não choras, isto é um dia memorável, muito bem, vais no bom caminho, estás mesmo fixe"... enquanto uma das minhas outras personalidades dizia "cala-te, drogada. estás é drogada, grande ursa"... e outra personalidade dizia "tens que parar com os comprimdos mais vezes: o que são uns tombos e a sensação que estás em alto mar no Titanic a afundar depois do bater no calhau de gelo, se depois podes sentir-te tão leve e bem disposta?"... e ainda outra dizia, com escárnio, para o Doc, mentalmente "então, jovem? as férias fizeram-lhe mal, perdeu qualidades, então hoje, não há choro para ninguém? bem feito!".
Passados nem dez minutos, estava a chorar. Uma outra personalidade qualquer resolveu armar-se em parva. Ainda não foi hoje. O Doc não perdeu qualidades. E eu... não as ganhei.

Contudo...

... e como sou uma pessoa muito positiva, fiquei muito contente. (ou então, como diz o meu ser pessimista "alegra-te agora, que isto para a semana vai ser a doer: todas as reuniões canceladas vão ser feitas nessa altura, chiça!)

Será???

Hoje a reunião de Departamento foi cancelada, porque a minha coordenadora estava muito mal-disposta e foi para casa. A Mzinha diz que eu roguei uma praga poderosa aos convocadores de reuniões. Será???
Não quero ninguém doente por minha causa. Pronto. Pode tudo voltar ao normal. Abracadabra.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Finally home

Isto agora começou mesmo a doer. Chegar a casa perto da meia-noite, com uma espertina do piorio e congelada até aos ossos, engolir um balde de sopa de cenoura quente, passar os olhos pelas notícias, e serem mais que horas para me deitar que daqui a pouco começa outro loooongo dia... é dose.
Ainda assim, com montes de cenas por fazer, estou a produzir a uma velocidade razoável e as coisas têm-me saído com qualidade. Se isto de repente não resvalar, há boas hipóteses de me conseguir organizar mais ou menos esta semana.
Pôr as coisas em perspetiva ajuda, e este fim de semana em Lisboa, por conta exclusiva da minha mãe e da minha cama, deu os seus frutos. Contar as coisas da vida, rir da imbecilidade humana, tomar decisões profissionais prementes, e falar em silêncio com o nosso inner self, tem dias que funciona. Quando temos a razão do nosso lado, mesmo que seja apenas a nossa razão, pacificamos. E, se há coisa em que a terapia me tem ajudado, é em deixar de me sentir culpada de quem sou e dar-me ao direito de assumir que as razões dos outros não são motivo para engolir mágoas e aceitar o que não vai bem connosco. Angustiava-me demais com as razões dos outros e preferia convencer-me eu que estava errada, que eu é que não estava a ver as coisas como elas eram, que era uma exagerada. Aos poucos, estou a aprender que, exagerada ou não, se não gosto, não tenho que comer.
Isto devagar e com jeitinho, vai lá. Pela primeira vez em meses, vejo uma ténue hipótese de vir a gostar mesmo a sério de mim própria, e dos que, com as minhas razões, que são minhas e valem o que valem, considero gostarem mesmo de mim. Disseram-me, em tempos, no meio de uma argumentação, "essa é a TUA opinião". Tenho aprendido que, na grande maioria das vezes, é a que mais interessa. Porque é minha. E eu não sou completamente destituída de inteligência, perspicácia e sentido crítico. Pois: é a MINHA opinião. E, por isso mesmo, é a que conta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pensando bem...

Prefiro a lontra, que assim com'ássim tem uma camada adiposa que mete respeito e por aqui está frescote. Ou um frialho do caríu, como preferirem.

Páscoa em Vésperas de Natal

Li não sei onde que as amêndoas e as cenouras previnem e combatem o stresse. Bem ensinadinha como sou, já comprei resmas de ambos os produtos. Quer-me cá parecer que me vou transformar num Gigante Coelho da Páscoa Cor de Laranja, por estes dias. (ou numa lontra da Páscoa, que diz que o chocolate também tem resultados muitíssimo animadores e eu... pois)

Já me ando cá a passar…

Mas não sou a única.


Por um acaso infeliz para um dos meus colegas (o filho está doente), o dia para mim acabou por melhorar muitíssimo, já que a reunião a que ele presidia hoje foi cancelada. Pelos motivos que tenho enumerado nos últimos posts, uma tarde livre num dia em que ia estar quinze horas seguidas na escola (sim, leram bem), é motivo para dar vinte pinotes de felicidade. Ora estava eu, muito contente, no intervalo da manhã, a contar isto a uma colega, quando outra se mete na conversa e diz “Com reuniões amanhã e quarta, não percebo tanto contentamento…” Pois não, não era ELA que hoje ia estar quinze horas na escola, é compreensível…

Nem lhe respondi. Ainda a falar com a OUTRA, dizia eu que amanhã vou passar a manhã a prestar declarações em tribunal por causa de um aluno da minha Direção de Turma, que este ano só me saem duques e cenas tristes, e que não ia dar aulas de manhã, ao que a outra respondeu que, com um bocado de sorte, aquilo ainda se prolongava para a tarde e eu tinha o dia todo justificado. Ia rir-me, quando, nova intromissão: “Então e o que é que vou fazer com os teus alunos de nono ano? É que EU é que vou assegurar a TUA turma…”. Não tivesse sido o tom, completamente idiota, com que ela falou comigo, e a coisa tinha sido resolvida no mesmo instante. Mas como eu estou mais do que farta de gente parva, limitei-me a responder calmamente que era a última aula antes do teste, portanto, “assim só por acaso”, seria normal fazer revisões e tirar dúvidas. De resposta, levei com dois encolher de ombros: um da simpática e outro da amiga, por solidariedade, que é um sentimento muito bonito, não fosse estúpido de todo, desta vez.

Primeiro, detesto que me falem com ar de quem estou a dever uma batelada de dinheiro que insisto em não pagar. Segundo, supostamente estamos todas mais ou menos a par, já que a dita mocinha dá também Inglês aos nonos anos, e vamos fazer testes semelhantes e no mesmo dia, coisa que estamos carecas de saber e de fazer, porque as turmas fazem parte do Projeto Mais Sucesso, ou não estivesse eu numa escola de vanguarda. Terceiro, isto vem de uma pessoa a quem eu andei a chagar para me ensinar as melhores técnicas para dar aulas aos miúdos do quinto ano, porque me disponibilizou os materiais todos esperando que eu me desenrascasse a aplicá-los, como se fosse a mesma coisa que no terceiro ciclo, quando não é, nem de longe, o que ela, que dá aulas a ambos os ciclos há dois anos, já deveria ter percebido. Quando lhe perguntei pela quarta ou quinta vez “como é que vocês ensinam isto?” a amiga ainda me respondeu “não tiveste pedagógicas na Faculdade?”. Ao que eu respondi, mentalmente, que sou muito controlada quando a irritação é séria “Senhor, perdoai-lhes que elas não sabem do que falam… havia de ser bonito aplicar as pedagogias do terceiro ciclo aos putos acabados de sair da primária. Ainda se fosse ao contrário…” adiante. Quarto, esta menina específica anda há semanas de trombas comigo. Já lhe perguntei três vezes o que se passa. Nunca é nada. Santa paciência, mas não lhe pergunto o mesmo uma quarta vez. A partir de agora, faço-me de parva e finjo que não é nada comigo. Está chateadinha, tem dois remédios: ou se trata sozinha ou vem falar comigo de uma vez por todas. Se não, que continue a mostrar má cara, que é para o lado que eu durmo melhor.


Já agora, não? Era só o que me faltava. Quarenta e cinco minutos de aula. Um teste de compreensão de leitura e audição na aula seguinte. Que tal, “abram os livros na página xpto e leiam o texto. Respondam às perguntas. Que tipos de perguntas existem? Quais são os pronomes interrogativos? Que significam? Sabem o vocabulário sobre o tema? Há dúvidas?” Qual é o drama? Enfim, se calhar também queria um plano de aula.


Mas como não sou de deixar ninguém pendurado (e numa aflição, pelos vistos, ‘tadinha), avisei os meus alunos de amanhã que lhes vou mandar por mail uma ficha de trabalho para fazerem nos 45 minutos e ma reenviarem para a corrigir. Também a avisei a ela, que nem se dignou a olhar para mim e virou costas. E aí fui eu que encolhi os ombros. E agora vou fazer a fichinha, para não haver mais stresses… e porque não tenho mais nada para fazer, não senhora. (estaria a treinar para Santa, não fosse a quantidade de vezes que já a mandei para sítios muito, muito, feios… tudo mentalmente, claro).

domingo, 20 de novembro de 2011

E ainda acrescento que...

... estou a menos de um mês de entrar em countdown para os "entas".
E depois de um dos piores anos da minha vida, em que mês após mês, tudo oscilou entre o péssimo e o menos mau, entre o pânico e o alívio, entre uma frágil estabilidade e a deceção absoluta, entre a esperança e a completa desilusão, e ainda assim levei tudo à minha frente tipo trator... há que recordar que fui operada, entrei em terapia, houve a suspeita da minha mãe ter cancro, estive várias vezes para cair para o lado, e me deram tudo, mas tudo, o que podia haver para fazer por uma única pessoa numa escola, desde oito turmas de vários níveis a dois cargos, fora as merdas que algumas pessoas que contavam para as estatísticas fizeram, depois disto, dizia, e a meio de um mês que supersticiosamente para mim sempre foi de perdas e danos, acho que está na altura de rodar a baiana e arcar com as consequências, sozinha, como sempre.
A nível pessoal, já me armei de vassoura e pá e comecei a limpeza de Inverno. Fora com o que só dá chatices, só dá preocupações e só nos magoa. Detesto mentiras. Detesto ilusões. Detesto acreditar seja no que for para depois ter que ver que não existe. Detesto que a minha confiança seja traída porque demoro muito tempo a confiar. Assim sendo, fora com tudo o que não é real. E segue-se a escola. Não vou entrar na segunda metade dos meus "intas" em modo de escravatura. Não vou ser mais escrava nem da minha ingenuidade com as pessoas, nem da mesma ingenuidade com as chefias.
Passei o ano inteiro a ser abordada por amigos que não me veem há meses, que telefonam, que escrevem, que insistem, que se preocupam, e a insistir, chamar para o pé de mim, abordar e preocupar-me com outros que, se não fosse eu, nem se lembrariam da minha existência. Para quem servi de segunda opção, companhia fácil, sobresselente ou substituição para quando nada mais existe de interesse maior, seja outras pessoas, outras festas, outros jogos de futebol, outros cafés.
Chega. Eu não sou a única pessoa da escola, nem sou a última hipótese de quem não tem mais nada para fazer ou levou negas do resto do mundo que convidou para sair. A Jade deixou, formal e finalmente, de se por a jeito.

Pelos cabelos!

Estou fartinha desta questão das semanas a fio de escola-casa, casa-escola. Sendo que, em casa, estou menos tempo que na escola. Estou farta das dez horas de reuniões semanais, mais coisa menos coisa. Reuniões que não trazem nada de novo, eficaz, eficiente ou produtivo e que cheiram a estratégia para prender pessoas no local de trabalho a pretextos obscuros.
Não é que a minha vida pessoal tenha algo de emocionante ou extraordinário, longe disso. Cada vez mais parece um deserto de emoções positivas. Só chatices, só desgostos, só decepções. Mas, como na vida de toda a gente, e eu não fujo à regra, a vida privada das pessoas tem uma parte, não muito atraente, é verdade, mas muito importante, que é a parte da organização. É aquela parte em que as pessoas vão ao supermercado, arrumam gavetas, põem roupa para lavar, dão um adianto à semana, passando a ferro ou arrumando a loiça que está na máquina, limpando o pó ao quarto ou tirando os cabelos do lavatório do WC. Aquela parte que nos permite viver mais ou menos civilizadamente. E, depois, há a parte do descanso, da saúde: aquela parte em que a pessoa faz opções, tipo ir ao ginásio ou fazer uma sopa em vez de comer outra vez um prato de cereais. Em que precisa de tempo para ir à farmácia, ou ir buscar o édredon de penas que pôs a limpar a seco há mais de um mês atrás. Aquela parte em que se deita numa cama feita de lavado a ler um livro que nada tenha a ver com escola.
Essas partes da vida têm-me sido roubadas semana após semana. E eu não admito mais isto. Se, ainda assim, levo com todas as chatices de uma vida privada, com problemas profissionais, sacanices de pessoas próximas e partos de amigas do peito, peço imensa desculpa, mas tenho que ter vida para me organizar, conhecer pessoas novas para voltar a acreditar na humanidade, comprar presentes para os novos bebés que aí estão não tarda, e dar os presentes de aniversário e Páscoa, antes do Natal, aos meus sobrinhos.
Lamento, mas isto tem que acabar. Dê lá por onde der. Medidas drásticas impõem-se. Para já, para ontem.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Blending



Disto é que eu gosto. Remaining unnoticed, blending with the environment.
Did you?
I didn't. Got pissed off by wishes that never came true. Ran out of hoping.
But good luck for you all!!!

Surpresas

Não gosto de surpresas. Nem boas, nem más. Mas hoje teria gostado muito de ser raptada para ir jantar a um sítio giro, com pessoas divertidas. Estou a precisar de me rir. Por outro lado, o cansaço é tanto, tanto, que nem pensar em pegar no telefonne para desafiar seja quem for para um Licor Beirão depois de jantar. Sou assim. Uma grande chata contraditória vencida pela inércia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

É verdade...

... também vai ser maravilhoso deixar o telemóvel na sala, e não ao meu lado na cama, a fazer de despertador, como nas últimas semanas, fins-de-semana inclusivé. Cheira-me que amanhã vou acordar de noite...  por motivos diferentes dos costumeiros, quando o telemóvel toca às sete da manhã.

PDI

Tenho mesmo saudades dos tempos de faculdade, em que depois de uma ou duas semanas de stresse e pressão com avaliações, o que apetecia era ir beber copos e dançar para as discotecas até de madrugada, sextas e sábados. Hoje, depois destas semanas, estou uma cota mimalha. Se tivesse namorado, enroscar-me-ia no sofá e adormeceria com a cabeça no seu peito, a ver um filme da treta. Como não tenho, a conversa é a mesma, com a minha almofada da Kitty a fazer de peitorais masculinos. O sorriso e o ronronar, ainda assim, são os mesmos. E a maravilhosa ilusão de só descalçar as pantufas dentro de três dias, e me alegrar finalmente com o som da chuva a bater nos vidros.

Temos Porras?

Andei três semanas... três!, a sonhar com a quinta-feira à tarde em que não estaria ocupada e poderia ir dormir uma bela sesta depois de quarenta e tal horas de escola em três dias e meio de aulas. Era para ter sido hoje. Acontece que uma das intercalares não foi terminada no tempo regulamentar, e teve que ser adiada quarenta e oito horas. É hoje a segunda parte, às 16.30. Sesta, nicles, mas depois de três semanas seguidas a fazer doze horas de escola por dia, quatro dias por semana, achei que hoje já chegava. E estou na sala de professores, sim, mas com pacotes de caramelos de frutas e M&Ms de chocolate à frente, fones nos ouvidos com um álbum de Pink em altos berros, e, no écran, só blogues e facebook. Estou como os trabalhadores da Fábrica das Caldas: "Ai tenho mais uma reunião que me vai estragar a primeira sesta em condições que teria em semanas? Então não faço nem mais um cara*ho!!!"

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ternurinhas

Gosto quando os meus pintos do 5º ano me encontram no pátio ou na escada ou no bar e me puxam por uma manga, me obrigam a inclinar-me até aos cinquenta centímetros que medem, me passam uma mão à voltam dos ombros e com a outra escondem a boca porque é "secreto", - nunca, mas nunca, dizem segredo - e me murmuram ao ouvido: "não fiz o TPC". É que fico sem palavras. E nem para lhes ralhar as encontro.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lei de Murphy

Numa semana em que ando desnorteada, cheia de trabalho até ao tutano, com pesadelos do reino do horror, e sem tempo para me coçar, eis que fico na escola a trabalhar de tarde, em vez de ir à bomba pôr gasóleo, como as pessoas normais. Graças às reuniões intercalares, sôdôna Jade sai da escola já a noite vai alta e bomba... vistezia. Fico apeada, apanho boleia de uma colega, chego a casa, a minha companheira de lar foi dar aulas à noite e chave... vistezia. Depois de muitos palavrões, com um frio da coisa d'avó, descubro o estuporado do porta chaves, entro em casa e tabaco... visteziu.
Má semana para o DOC estar de férias. Muito má semana. Quando ele voltar, já eu estou numa camisa de forças, a babar-me, de boca ao lado e olhos no sim-senhor do infinito.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tenho dito.

A todos os que se queixaram, Outubro inteiro, do calor e do sol, e que não era normal, e que isto e que aquilo, enquanto eu andava toda feliz da vida, de alcinhas e saias e vestidos e afins, agora que estou enchouriçada em casa, de patas e nariz gelados, quero dizer que podem ir todos dar uma volta ao bilhar grande, porque se for ao pequeno, não apanham chuva suficiente nesses chocalhos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cá se fazem...

Hoje, um quarto de hora passado da minha hora de terapia semanal, ainda sem as lágrimas com que brindo sempre o simpático que me atura no gabinete, ele pergunta-me: é esta a parte fundamental da tua vida, o trabalho, não? quero dizer, começamos as conversas sempre por aqui...
Ó diabo! Comecei-me a rir e contei-lhe a história do meu círculo de amigas da Faculdade, e dos nossos jantares de gajas, que na altura éramos mesmo um gajedo do pior, e os nossos jantares eram uma versão hardcore dos das meninas d'"O Sexo e a Cidade": desfiávamos um rosário de pormenores escabrosos dos nossos namorados, dos nossos ex, dávamos palpites do piorio para consubstanciar vinganças do arco-da-velha e, no fim... aturávamos uma amiga virgem que só falava de trabalho e gozávamos com ela. Quero dizer, não era bem gozar, porque nós gostávamos realmente umas das outras, mas chateávamo-la qb, mandávamos bocas foleiras e machistas, dizíamos-lhe as últimas e ríamos todas muito, incluindo ela. Afastei-me entretanto de algumas delas, dessa rapariga inclusivamente, mas a dura realidade é que o afastamento não impediu que me transformasse nela.
O meu terapêuta riu-se, mas não me gozou. E eu tive pena que ele não o fizesse, porque cá se fazem, cá se pagam, e eu não me admirava mesmo nada se essa miúda, a quem eu chateei o toutiço tantas vezes, estivesse agora casada, mãe de filhos, e feliz, enquanto eu sou a paciente que lhe entra pelo consultório uma vez por semana, lhe fala de trabalho e, quando o assunto muda para as coisas do coração, chora como uma madalena arrependida.
A terapia serve para nos auto descobrirmos. Descobri que tenho o karma de uma rameira, que estou a pagar nesta vida com um feitiozinho da treta num corpinho desminliguido e uma atitude de grande tansa. O nome científico que consigo dar a isto é que sou A Ursa Maior da Constelação Não-Te-Trates,-Não,-Que-Vais-Longe...
(e o meu terapêuta ainda me diz, sessão-sim, sessão-não, que quando achar que não pode fazer mais nada por mim, me diz de imediato, que não gosta de enganar ninguém. Belo consolo... no dia em que ele me disser isso, e me estampar no focinho o rótulo de "doida varrida incurável", ou me explode uma veia, ou trato logo de cortar os pulsos... mentirinha, shrink, mentirinha, que gosto pouco de javardeira e depois lá vinha o CSI Cidade-de-Deus investigar as pistas no meu quarto que não é limpo há quinze dias, e isso era uma vergonha... até para uma leide-cadáver! (leide que é leide não perde a pose nem MORTA!))


Onde se lê "hoje", leia-se "ontem", que só agora dei conta que já passa da meia-noite, porque me parece que ainda agora cheguei e jantei, o que não está muito, muito, longe da realidade.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dias Difíceis

Eu peso menos de cinquenta  quilos, pá. Meço mais de um metro e sessenta e cinco. Pareço um pauzito de virar tripas. Ainda assim, na segunda-feira trabalhei das nove e um quarto às vinte e três e trinta; Ontem pouco tive de feriado, a não ser levantar-me mais tarde e passar umas horas a jogar no facebook. Hoje, é das oito e meia ao meio dia, depois terapia, a vinte e cinco quilómetros da escola, do meio dia e meia à uma e meia; às duas, tenho que estar novamente na escola para uma ação de formação, até às seis, hora a que começa um conselho de diretores de turma que, se acabar antes das nove, já me dou por feliz.
As quartas-feiras são sempre dias infernais, por causa das consultas à hora de almoço, que me deixam de rastos, olhos inchados e estômago a roncar, mas costumam acabar às quatro e pouco da tarde. Isto, no meu horário oficial, aquele que estabelece as horas que me pagam. Normalmente, nunca chego a casa antes das seis, mas isso são pormenores sem grande interesse para chefias e estado.
O que interessa mesmo é que amanhã é outra vez das oito e meia às vinte e trinta, porque tenho outra ação de formação e, por isso, rio-me histericamente quando me dizem que o governo vai passar os horários dos professores das vinte e duas para as vinte e quatro horas letivas. Pergunto eu, mas em quantos dias? É que eu faço-as, já habitualmente, em dois, mais coisa menos coisa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Inconsciente

Como não podia deixar de ser, depois de vários meses de sentidos adormecidos, seguidos de uns últimos dias de saudosos suspiros inexplicáveis, hoje sonhei outra vez contigo. Já não acontecia há muito, e foi quanto bastou para  serem ainda dez da manhã e já me ter surpreendido meia dúzia de vezes a olhar pela janela da sala de professores, à tua procura, tipo milagre materializado, príncipe cavaleiro salvador de princesas enclausuradas em torres.
Só eu mesmo, triste imbecil, para esperar por milagres em Dia de Bruxas.

domingo, 30 de outubro de 2011

Saudades

Estou há dois dias mesmo em baixo. Cheia de saudades. De um passado que não foi, de um futuro que não chega. Tenho saudades de estar feliz. E ando mesmo, mesmo tristita. O que me vai levando em frente é o trabalho que tenho por fazer. E os mimos da mãe e da mana. Só isso. Mas hoje, a caminho de casa, não chegou. E aqui, sozinha, agora, também não chega. Tenho pena que o que para milhões é tão fácil, para mim pareça cada vez mais inatingível. Boa noite a todos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Exigência

Estou farta do deixar andar. Farta de cobranças de tudo quanto é lado. Farta que me façam exigências. Fartinha. A nível pessoal e profissional. Não me lembro do momento em que o meu saco encheu. Só sei que de há umas semanas para cá (eu disse que a cena da minha mãe me fez mudar um pouco, mas esta sensação já vinha de antes e intensificou-se durante e depois) ando eu numa fase de exigência de que não me lembro haver outra, ao longo da vida.
Deixei de ter paciência para engolir certas coisas, para ouvir certo tipo de discursos, para relevar atitudes que me caem mal. Acabou-se a compreensão e a tolerância. Muitas vezes disfarcei aquilo que julgava ser hipersensibilidade e não me livrei do epíteto de "mau-feitio". So be it, quero lá saber. Para andar amargurada com as pessoas e ter que fingir que está tudo bem, poupa-se o trabalho do fingimento e bola para a frente. Estou muito melhor assim, evito estar com quem não me apetece, faço com o meu tempo aquilo que julgo ser mais útil e produtivo, e chateio-me muito menos. Focus and avoidance. Let's learn a new way of living.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Venenosa

Hoje acordei cedo, preocupada, como agora é novidade, com o sem fim de coisas que tenho por fazer. Lá fui ao supermercado, arrumei compras, tirei da máquina e arrumei loiça, pus dois sacos de cenas na reciclagem, estendi umas quantas peças de roupa, rezando para que não chova e para que o vento que está as seque. Tudo com uma má disposção interior, um veneno poderoso que se escoa em irritação e pensamentos irados, não sei, não estou nada pura.
Dei por mim em pensamentos de revolta.
Sou uma excelente pessoa. Não se riam, que se isto não é a verdade, é a minha verdade. Sou generosa, sou altruísta, sou solidária, sou justa, sou franca, sou leal. Quem conhecem vocês que seja isto tudo nos dias que correm?
Não me meto na vida de ninguém, não comento maliciosamente vidas privadas, não atiro a primeira nem pedra nenhuma, não desfaço no trabalho dos outros, não engraxo chefias, não quero saber de poder, não sou manipuladora, não ligo a aparências, não me impresssionam os grandes luxos, e não sei o que é a inveja podre, só aquela que me permite alegrar-me pelos outros, suspirando inocentemente por não ter o mesmo. E invejo relações e modos de vida, não invejo bens materiais.
Sei, porém, que no meio de tanta qualidade, sou arrogante. Sou arrogante porque a estupidez e a ignorância humana proliferam e me tiram do sério. Sou arrogante porque nasci inteligente e sinto que isso neste país é um pecado capital, e que a mediocridade dominante gosta de pisar, ressabiada, tudo o que seja um bocadinho acima da média. E irrita-me que uma dúzia de gente estúpida consiga levar a sua avante, e fazer de mim idiota, arrastando uma cambada de ovelhas com a velha máxima da "ela tem a mania que é boa mas a gente baixa-lhe a grimpa". Tenho passado a vida a dizer que sim a imbecis para que o resto do mundo deixe de achar que "eu tenho a mania que sou boa", para me camuflar e diluir capacidades e potencialidades em troca de simpatias.
E depois, de vez em quando, acordo assim, envenenada e venenosa, por não me reconhecerem esforços, por não me elogiarem conquistas, por não me verem como eu sou e me aceitarem assim.
Sinto-me completamente sufocada neste momento, nesta sociedade, por tudo aquilo que gosto de fazer, desde ler livros uns atrás dos outros sobre coisas tão diferentes como psicologia, ciência ou história, até ver exposições de arte contemporânea, passando por devorar filmes europeus, até gostar, realmente, de aprender, e dizer bem das ações de formação, ser, dizia eu, mal visto, mal interpretado ou invejado pelos comuns mortais que partilham comigo a nacionalidade. Ser encarado como cagança e elitismo.
Sinto-me completamente sufocada por aquilo que sei fazer bem, como escrever, dar aulas, conquistar simpatias adolescentes, motivá-los, fazê-los gostar de mim, seja motivo de despeito ou escárnio, e criticado à primeira oportunidade.
Hoje estou mesmo, mesmo venenosa. Mais vale acordar tarde, quando posso. Uma sestinha, provavelmente, viria a calhar, para voltar ao meu modo "o mundo é que tem razão, eu não passo de uma idiota, os outros é que são bons."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Workaholism

Durante o meu percurso escolar, incutiram-me em casa que aquele era o meu trabalho e se devia dar o máximo de nós para o cumprir como deve ser. Foi o que fiz. Na Faculdade, a coisa patinou um bocado, houve cadeiras que fiz sem pôr os pés nas aulas mas, ainda assim, em momentos de avaliação a coisa sempre foi levada muito a sério, e se fosse preciso fazer diretas ou começar a estudar com um mês de antecedência para uma prova de um cadeirão, lá estava eu, de nariz metido em livros, fotocópias e fichas de trabalho. No estágio, não me lembro de ter tempo para me coçar, quanto mais de procrastinar fosse o que fosse, e levei tudo certinho e organizado até ao fim. O mestrado foi o descambar total dos níveis de empenho e força de vontade, isto na fase da dissertação, que não falhei um seminário nem um trabalho curricular, e em nenhum tive menos que a nota máxima da turma.
No que diz respeito ao ganha-pão, contudo, e à exceção do ano de estágio, sinto que sempre dei de mim o máximo em contexto de sala de aula com os garotos e os mínimos em tudo o resto. Fiquei completamente traumatizada com papéis, computadores e pesquisas, com a criatividade à força e aulas preparadas com imagens de obras de arte de portugueses contemporâneos.
Chego a uma aula e puxo pelos miúdos, faço-os escrever, falar e ler Inglês até o vomitarem por todos os poros, mas há muito que me deixei de mais fichas de trabalho ou ceninhas para corrigir em casa.
Até agora, em que o trabalho se me deparou como um instrumento muito útil de escape, e meio de exaustão física e mental que não me desagrada de todo. Este ano não sei para onde me virar com a treta dos cargos e, talvez por isso, porque não gosto de coordenar, chego a casa e só me apetece trabalhar para os alunos, inventar atividades giras, fazer mais aquela ficha de gramática ou ler a quantidade de alarvidades que escrevem nas composições, para lhes poder chamar todos os nomes de que me lembro, enquanto o faço.
Tem sido terapêutico e tem melhorado bastante a minha autoestima, já que, na maioria das vezes, a trabalhar para os órgão pedagógicos, me sinto tão inútil como imbecil. Para além dos lugares de coordenação, naquela escola, serem sinónimo de muitas chatices e poucos amigos.
Há uns dias, dizia ao terapêuta que jamais serei uma workaholic porque não tenho pelo trabalho uma compulsão, apenas adquiri um novo hábito de alienação. Ou isso, ou entrei definitivamente no mundo dos adultos, e ao contrário do que dizem os idealistas "mantém a criança que há em ti", estou muito melhor assim, thank you very much.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

No news...

... is good news.
Às vezes precisamos de um tremor de terra que nos abale as estruturas para dar valor ao que temos e de que tantas vezes nos queixamos. Foi o que me aconteceu no final de setembro. A possibilidade concreta de a minha mãe poder estar gravemente doente, o pesadelo dos exames, das intervenções cirúrgicas, a espera, as biópsias, os resultados, tudo isso me fez entrar num whirlpool de medo denso e escuro.
Passou tudo para segundo plano. A minha vida foi trabalhar como uma louca, de semana, e ir para Lisboa ajudar a minha mãe, acompanhá-la e dar-lhe mimos, ao fim de semana. E quando vieram os resultados, "tudo em ordem, tudo bem", senti os ombros, o pescoço e as costas literalmente relaxar, quando já nem os sentia tensos, do hábito de andar em compressão muscular. E dormi pela primeira vez como deve ser, de segunda para terça, depois de vinte e seis dias de insónias intercaladas de pesadelos.
Foi um mês que, de certa forma, mudou um pouco a minha vida, o meu modo de pensar, de agir e de estar. Dediquei-me de alma e coração ao trabalho e aos alunos... porque precisava muito de ter no que me concentrar e ao que me agarrar, precisava muito de afastar a cabeça do pânico e de encontrar para onde escoar carências, carinho, revolta e agressividade. Os alunos permitem-nos todos estes estados, num único bloco de noventa minutos. E, por outro lado, retribuem, interessam-se e não nos deixam parar, puxam por nós. Para além disto, este ano tenho cargos de que depende o bom funcionamento de parte dos órgãos pedagógicos: coordeno diretores de turma e professores de inglês de terceiro ciclo, por exemplo.
Também tenho muito que ler em casa, e muitos episódios das minhas séries favoritas, novinhos em folha, para ver.
No meio do pesadelo, fui ver o espetáculo da Rita Redshoes com alguns colegas de escola e jantar fora duas ou três vezes com eles porque quem sai da escola depois das oito da noite dias e dias seguidos, às tantas só quer mesmo comer e beber uns valentes copos de sangria de frutos vermelhos. E ainda tive tempo para arranjar o JadeMobile, que está trnsformado numa máquina infernal que facilmente dá os 160 não se atrevendo a dar mais porque a dona não deixa.
Depois do alívio, olho para trás e vejo que o susto me deu responsabilidade acrescida, sensibilidade triplicada, força de vontade para trabalhar e cumprir tarefas em dobro e... uma indiferença total aos assuntos do coração. Parece, finalmente, que estou bem sozinha, me basto a mim própria e consigo cuidar de mim e dos que amo sem precisar de namorado, marido, amigo colorido ou qualquer outra nuance relacional.
Basto-me a mim mesma: tenho trabalho que me chegue e sobre, tenho com quem sair, se me apetecer, e com que me entreter, se quiser estar em casa; já não tenho cabeça, nem paciência, nem vontade, nem disposição, para aturar outro ego que me contradiga, me coloque em segundo plano, me troque por um modelo mais giro, me pretira, ou me partilhe com outra tipa qualquer.
Não. Há coisas bem mais importantes para fazer na vida que dar com a cabeça nas paredes por pessoas que nunca viram em nós uma prioridade, mas um acessório que se usa quando tudo o resto nos falha. Está bem que é mais fácil ficarmo-nos a lamentar, eternamente presos aos Fantasmas dos Natais Passados, de Dickens, do que reagir à perda sem dramas e seguir em frente com a nossa vida, menos uma... preocupação, ou chatice, ou amargura.
Dizem que, com o tempo, a deceção acaba por passar e dar lugar à indiferença ou, no máximo, a um sentimento ácido e arrogante de "your lost". Mas eu lido muito mal com o tempo, e esse momento para mim sempre tardou muito em chegar. Foi preciso materializar-se à minha frente a possibilidade de uma perda real, para que as perdas ficcionais de que me lamentava ocupassem o seu verdadeiro lugar, que é nenhum, no meu espírito. 

domingo, 18 de setembro de 2011

Está difícil

Não sei o que se passa comigo, que ando com um sono terrível. Daquele tipo de sono incontrolável que, a qualquer hora do dia e faça eu o que fizer, cabeceio, bocejo, sinto as pálpebras pesadas. Bolas! Ver testes tem sido um inferno e ainda falta o resto...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A tradição...

... continua a ser o que era.
Para variar, sexta feira livre, montes de planos para adiantar trabalho, são cinco e meia da tarde, trabalho "visteziu", cheguei agora do ginásio, vou tomar um duchinho, dormir uma sestinha (que para sexta feira me levantei de madrugada: ainda não eram onze da manhã!) e vou jantar fora com uma amiga.
Para quando, uma sexta feira produtiva???

Fim de Semana

Mais uma vez, o meu horário de luxo permite-me não ir à escola às sextas. Desta vez, contudo, o fim de semana está tão cheio de trabalho para fazer que até me dói o corpo todo só de pensar nisso. E pior é saber que não vei ser caso único... a minha vida está transformada em dias a apagar fogos uns atrás dos outros, e o trabalho reproduz-se como coelhos taradões. (suspiro)
Não me apetece. Apetecia-me um banco de jardim, um fim de tarde fresco, um livrinho interessante ou apenas o silêncio.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Se houver mais alguém com a mesma dúvida...

Alguém muito próximo perguntou-me recentemente: "Olha lá, Jade, como é que tu soubeste que era finalmente altura de procurar terapia?"
A pergunta tem razão de ser. Com tanta bagagem podre emocionalmente, muitos achavam que eu já o devia ter feito há muito, e que era uma questão de teimosia, de capricho e de preconceito. Como tal, pensaram também que mais depressa me suicidaria do que tomaria essa iniciativa. E era vista como um rochedo resistente a todas as tempestades. Uma rocha que colapsaria muda, sem pedir ajudas a ninguém, orgulhosa.
Não quer dizer que estas assumpções fossem erróneas, pelo contrário. Como disse ao meu terapêuta, quando ele me perguntou sensivelmente o mesmo, não o tinha feito até então por preconceito e falta de dinheiro. São tratamentos longos, com progressos pouco evidentes e custam uma pipa de massa. Nesse caso, por que mudei eu de ideias? Não ganhei prémio nenhum no euromilhões e estamos em tempos de crise, é verdade.
Procurei ajuda porque deixei de ser funcional. Funcional nos meus exigentes parâmetros. Ia para a escola e só não chorava nas aulas. Chorava o caminho todo, chorava nos intervalos, metida na casa de banho, chorava no bar e na cantina. Inventava alergias que me justificassem o péssimo aspecto e não conseguia desligar o cérebro do que me entristecia, do que me deitava abaixo. Martirizava-me com pensamentos circulares. Tremia por todos os lados. Quando e se adormecia, exausta, sonhava sobre o assunto. Não tinha paz. Andava esgotadíssima e entupia-me de vitaminas.
Procurei ajuda por medo. Por medo de ir para um sítio escuro da mente e de não haver regresso. Por medo de dar em doida. Por medo de deixar de fazer sentido. Por medo de perder o meu lugar na profissão, no Mundo. Por medo de fazer definitivamente a passagem para o lado de lá, para as margens, para o limbo. Assustei-me. E ainda bem. O medo é uma força poderosa, um beco escuro, húmido e mal-cheiroso. Às vezes, esse beco nojento é a nossa salvação.
Por outro lado, achava que antidepressivos não iam resolver o ponto a que me tinha deixado chegar. Considerei que era preciso uma mudança mais profunda e a verdade é que, hoje e agora, agorajá, como diria o O'Neill, se deixasse os comprimidos iria, sem dúvida,  regredir imenso, mas já teria algumas armas psicológicas a que me agarrar, já teria percorrido algumas veredas do meu labirinto pessoal, e já teria aberto algumas portas. Só por isso, já me sinto mais forte. Só por isso, quero continuar, para descobrir até onde tudo isto me pode levar. Oxalá seja a um porto bem mais seguro que o cenário a que estou, há tanto tempo, mal acostumbrada.

Estratégias

Eu gosto de partilhar truques. Aqui vai o desta semana: pus ao serviço um saco preto que eu tenho, muito fofo, com dúzias de Hello Kittys, e que dá para roupa suficiente para um fim-de-semana. (dos de Inverno, vá, mas só roupa). Enfiei-lhe lá dentro meia dúzia de t-shirts, dois pares de calças, uns quantos sacos de plástico, uma daquelas garrafas de alumínio ou o raio (não é Suiça, não, foi mesmo oferta de um produto qualquer da Dove) e os meus ténis (sapatilhas, para os puristas do Norte). Resultado: estou sempre pronta para pegar no saco e ir para o ginásio. Até o posso deixar no carro de uns dias para os outros, é só meter a roupa suja num saco de plástico e trazê-lo para cima. E, já agora, lembrar-me de encher a garrafa de água também dava o seu jeito: a técnica é um work-in-progress, claro está, ou não me chamasse eu Jade do despistanço, ao seu dispor.
Esta semana já fui ao ginásio dois dias... e seguidos! Estou inscrita há mais de um ano e acho que foi a primeira vez. O facto da treinadora me ter dito que eu faço pescoçais em vez de abdominais é apenas um pequeno pormenor de ordem técnica, que não interessa nada, já que a barrigada de riso lá servirá de abdominal, quer se queira, quer não.

Competição Pessoal

Este mês, ando a ver se ganha o número de posts, ou o número de idas ao ginásio. Por enquanto, o blog anda às moscas... e mesmo assim vai à frente.

Pérolas do Malato

Não vou falar do episódio do Malato de hoje porque... não.
Mas no de ontem, ele às tantas disse "eu não sou uma pessoa nada feliz. Sou bem-disposto, o que é completamente diferente". Grande verdade. Os meus mais próximos (família, amigos, colegas, alunos) dizem que eu tenho muito mau feitio. Mas a verdade é que, no meio de tanta resmunguice, sou muitíssimo boa onda e o pessoal tende a estar sempre a rir ao pé de mim, porque vou do doutoral ao brejeiro num microssegundo, porque emprego expressões muito peculiares, porque, como dizem os meus meninos, eu estou séria mas os meus olhos estão quase sempre a rir-se.
Digamos que quem acha que eu sou mal-disposta, sombria, fúnebre, amarga, me deveria ter conhecido em Março. Isso sim. Andei muitos meses sem conseguir rir com vontade, ou dizer uma piada parva que fosse. Agora, às custas de muito trabalhinho, estou outra vez uma moça bem disposta. Quase como era. Quanto ao feliz... isso, Malato, só nós dois é que sabemos, são outros quinhentos.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro

Passaram dez anos e tanto eu como toda a gente que eu conheço, cujos artigos leio ou nos depoimentos televisivos que vejo, se lembra exactamente de onde estava e a fazer o quê. Acho que isso diz tudo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Setembro

Novo ano escolar.
Este ano vou dar Inglês a uma turma de 5º ano. Pois. Se eu quisesse dar aulas às crianças do 2º ciclo, teria ido para uma ESE. Não tenho jeitinho nenhum para estes seres acabadinhos de sair dos cueiros. Um deles tem por hábito fugir da escola e ir para casa quando as coisas não lhe agradam. Ora como eu lhes vou dar o segundo bloco da manhã, acho que o puto vai almoçar mais cedo. Isto, para dizer o mínimo. Isto, para não entrar em detalhes. Isto, para não começar já a estrebuchar. Que, sejamos sinceros, vontade não me falta. Vai haver um aumento notável de crianças nos pedopsiquiatras da cidade. É isso e processos judiciais contra a bruxa de Inglês. O ano promete, lá isso...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ah, já me esquecia...

... neste final de férias, acabei por ler, apenas, A Companhia de Estranhos, thriller histórico; O Céu Existe Mesmo, depoimento; umas páginas de 1 Km de Cada Vez, crónicas de viagens. O meu livro de cabeceira, agora, é O Assédio, romance histórico, que não sosseguei enquanto não tive na mão, depois das maravilhas que ouvi no Câmara Clara. E estou a gostar bastante.

Pois que foi muito bom...


...mas acabou-se.
Acabaram-se os dias de praia e piscina, e leitura e cinema, e passeios e jantares... e compras, pulseiras, livros, sandálias... chuif!
Não tarda, o relax dará lugar ao stresse de reuniões e aulas e miúdos barulhentos e graúdos um bocado parvos, e ginásio e supermercado, e levantar cedo e tarefas domésticas, e trabalho de casa e correcção de testes. É melhor pensar que também vem aí a época do chocolate quente, senão vou deitar-me e pôr o despertador para a Primavera.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Back to School

Ontem fui apresentar-me à escola com um tipo de náusea e a sensação de que um mês passou em dois dias. E eu gosto do que faço, quero dizer, gosto muito da parte das aulas. E depois, encontro alunos e ex-alunos no Face e a náusea passa-me. Até fico com algumas saudades, confesso. Ainda assim, embora esteja bastante melhor da cabecinha e do corpinho, muito mais relaxada e funcional, não consigo deixar de me sentir apreensiva por estar um novo ano à espera. É que, caramba, tenho um bocado de medo de não me aguentar à bronca com a correria que aí vem. Não me sinto preparada, não me sinto a cem por cento. Mas acho que deve ser como aquelas pessoas que esperam pelo momento certo para ter filhos e ele nunca vem, por um motivo ou outro. Se calhar, depois de seis meses de férias, ainda assim, sentiria não estar à altura. Tenho que trabalhar nesta minha insegurança mental, que surgiu com a depressão, sinto-me sempre demasiado vulnerável para o meu gosto. Estou habituada a que o lado profissional seja sempre aquele que salva a minha auto-estima porque, convenhamos, sou boa no que faço e os meus alunos retribuem em carinho aquilo que lhes dou em sermões, missas cantadas e pares de berros.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Reverso da Medalha #1

Tenho para mim que toda a Bela tem o seu Senão. A propósito disto, o Pedro Rolo Duarte tem um post no seu blogue muito bem escrito, como sempre, sobre as sardinhas e a temperatura da água do mar este Verão, em que defende que quer a Bela e o Senão. Pois é, Pedro... querias que fosse Natal todos os dias, já agora?
Uma das grandes provas de que nada de bom vem sem consequências é a minha enoooorme lista de qualidades, que vêm, todas elas, com um grande "mas" à frente.
Hoje escolhi uma das minhas melhores qualidades, a seu tempo postarei outras: sou uma mocinha muito pontual. É raríssimo não chegar a horas, seja ao que for. Qual é o reverso da medalha? Não espero mais de dez minutos por ninguém e, se a isso for obrigada, tenho o dia estragado e estrago o dia ao idiota que me deixou pespegada. É fatal como o destino.

domingo, 14 de agosto de 2011

(Des)culpas esfarrapadas

A Susi é uma das minhas melhores amigas. Também é uma das mais antigas, diga-se, em abono da verdade, que sou péssima a manter contactos e falo com pouquíssima gente dos meus tempos de escola, e apenas por facebook. A Susi e a V., guardo-as dos tempos de Faculdade, quase há vinte anos. E sabem tudo o que de importante se tem passado na minha vida desde aí.
Acontece que a Susi, ao contrário da V., mora na mesma cidade que eu. Uma cidade tão grande que, cada uma morando na sua ponta, a minha casa fica a sete minutos de carro da dela, mais coisa, menos coisa. E a Susi não me vê há seis meses. Nem falava comigo por telefone aí há uns quatro. Culpa minha, que não lhe retribuía as chamadas, nem lhe respondia às sms. Numa cidade como a nossa, ela sabia que eu estava viva: havia sempre alguém que me via no supermercado, na bomba de gasolina, ou num desses sítios por onde me arrastei obrigada nestes últimos tempos. Houve sempre alguém que lhe disse "eu vi-a, parece bem.".
Ao longo destes meses, pensei em telefonar-lhe milhares de vezes, em mandar-lhe sms, centenas, e em ir a casa dela, umas dezenas. Desisti sempre, por razões várias e, sobretudo, por não me apetecer mexer-me para lado nenhum. As pessoas que vi neste período de tempo foram as que me bateram, literalmente, à porta de casa e me arrastaram, (quase) literalmente, porta fora. Disse muitas vezes que a minha depressão não era politicamente correcta, e que lamentava: os mais próximos, incluindo a minha mãe, pareciam achar que eu tinha todas as razões para me enfiar em casa a dormir, desde que isso não afectasse a relação que eu tinha com cada um, em particular. Infelizmente, afectou todos, sem excepção.
Como me forcei a funcionar profissionalmente, e o que faço exige comunicação constante, energia qb e muito auto-controlo, de cada vez que saía da escola instalava-se-me um silêncio poderoso. Vindo da alma, do cosmos, de Deus, sei lá de onde. E isso não mudou, melhorou, mas não mudou. Habituei-me a um conforto isento de palavras, de sorrisos, de trocas. Habituei-me a tudo aquilo que a maior parte do Mundo diz ser contraproducente num estado depressivo, mas que a mim me faz bem, me recompõe e me dá algum estômago para continuar.
A Susi é uma das minhas melhores amigas, e telefonei-lhe esta semana. Disse-lhe, estou viva, ela respondeu, eu sei; logo a seguir, disse-lhe, desculpa, e ela disse, não sejas parva, onde é que nós ficámos? Pusémos a conversa em dia, expliquei-lhe como pude, em vinte minutos, as andanças de seis meses, e disse-lhe, à despedida, eu telefono-te (à espera, pelo menos neste instante, de um comentário mais sarcástico). Ela respondeu, até breve. Também por isto, a Susi é uma das minhas melhores amigas.

E como acho que é pouco...

... ter livros por ler desde a feira do livro de 2010, que este ano nem tempo nem disposição tive para lá pôr os pés (é a chamada anadonia, aprendi recentemente...), hoje fui à FNAC e tive que trazer mais uns quantos, que sou ursa. Incluindo o segundo livro sobre desenho e pintura, que não tenho talento, mas tenho vontade, e desenhar tem sobre mim o mesmo efeito que os puzzles têm sobre a Mzinha. Se trocássemos de hobbies, acho que já tínhamos partido o estaminé todo, de frustração.

sábado, 13 de agosto de 2011

Literatura de Férias

Já marcharam O Deus das Moscas, romance; A Rapariga que Inventou um Sonho, short-stories; o Eduquês (...), ensaio/educação; Depressivos Somos Nós, tese/psiquiatria; Passos Coelho, Um Homem Invulgar, biografia; Netherland, romance; A Avaliação no Quotidiano de Sala de Aula, tese / pedagogia; Ninguém Escreve ao Comandante, Novela;

(Alguns, foi questão de terminar de os ler, que comecei-os e abandonei-os vezes sem conta ao longo do ano lectivo; mas tendo em conta o calibre do dito ano, pelo menos consegui resistir à idiotia da literatura de cordel, tipo MRP ou Nicholas Sparks, o que já não é mau de todo. Em espera: A Companhia de Estranhos, thriller histórico, Movimentos de Arte Contemporânea: o Pós-Modernismo, ensaio / artes plásticas e A Língua como Projecto Didáctico, ensaio / didáctica).


Acho que sou uma pessoa, para dizer o mínimo, eclética.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um Épico

Tenho só a dizer que fui ver o último da saga de Harry Potter com tudo o que tive direito: écran gigante, dolby surround e óculos 3D, tipo moscardo. E A-DO-REI! Ainda há filmes que valem o dinheiro do bilhete. (O hamburguer da Portugália também não esteve mal, não senhor... mas era escusado ter perdido a cabeça com pulseiras e colares, que são lindos, são, e vão lindamente com o meu tom de pele, mas bolas: a crise, cacete, a crise...)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Just for the record...

... são estas belas horas, acabei há pouco o último relatório, amanhã tenho que estar na escola das 10 às 19.30, e com um LM azul a arder-me entre os dedos, o que me ocorre pensar é que nada disto faz sentido. As nossas opções não traçam tanto o nosso destino como a vida que vai acontecendo para além delas. O que nos cai em cima é que nos define, a verdade é essa. Em tudo o que não depende de nós reside a maior das felicidades e o arrasar de todas as estruturas emocionais que construímos. Assim sendo, o meu mantra, ultimamente é "que se lixe". Just for the record.

Shame on you, Miss Jade!

Em dia de entrega de avaliação docente lá na escola, tenho vergonha de ser professora. Nestes dias, gostava de ter seguido uma carreira que não tivesse como missão, entre outras, servir de exemplo às gerações vindouras, a sério: com exemplos destes, o que aí vem não augura nada de bonito. Só vejo coisas que me chocam, só ouço comentários que me deprimem, só leio coisas ridículas, só se me deparam absurdos.
O meu terapêuta diz que é a natureza humana, mas que eu saiba não nasci amiba e não me reconheço na falta de escrúpulos, na facadinha nas costas, no compadrio, na cambada de gente que passa o ano inteiro em biquinhos de pés a tentar aparecer. Não me revejo no sistema, sendo parte dele, e estou muito satisfeita com a minha menção de bom, porque é o que me considero: boa professora. Estou em paz com o meu trabalho, com a minha avaliação, com o meu desempenho, esse bom desempenho que agora, e de repente, toda a gente acha ofensivo, quando andaram anos a levar com um "satisfaz" que os satisfazia porque requerer o "bom" dava muito trabalho.
Deveria eu ter, também, vergonha, do meu bom desempenho. Mas não. Eu tenho mesmo é vergonha de fazer parte de uma classe profissional que cada vez mais acha que quanto mais papéis sem interesse nenhum escreve, apresenta, organiza, preenche e superlativiza, melhor é. Quanto mais festas e fantochadas, mais comemorações e visitas de estudo, mais "projectos" e mais "actividades" promove, mais competente se torna.
Eu gosto de dar boas aulas e ensinar Inglês. Num ano, costumo dar bastantes aulas boas e cada vez ensino menos, que os gaiatos aprendem só o que lhes apetece e poucos estão virados para as Línguas, é um facto. Mas é disso que eu gosto, é por isso que eu luto e, de vez em quando, venço.
Na profissão de professora, mereço um bom. Na de burocrata, um regularzito. Mas na de animadora de tempos livres, relações públicas e celebridade de jet-set a aparecer em tudo o que é foto e jornal, nessa não me apanham: faço questão do insuficiente e venha o plano de acompanhamento, que me falta o papel higiénico já que, na última semana, nem de ir às compras tive tempo, tanta foi a idiotia do eduquês.

terça-feira, 12 de julho de 2011

É melhor, é...

Depois de horas ao computador a validar competências com o CSI NY e o NCIS em pano de fundo, o melhor é ir deitar-me, que amanhã e dia de terapia e se a coisa já vai mal quando durmo o suficiente, amanhã, com cinco horas de sono... devo ser internada numa casa de repouso. O que até nem era mal pensado, não senhor. Ainda assim, prefiro guardar-me para Novembro, ou Maio do ano que vem. Cheira-me que vou precisar.

Dúvida Existencial

Se estamos na era da informática e da velocidade, dos carros, dos electrodomésticos e da internet, se poupo tanto tempo na cozinha, nas deslocações, em todas as outras tarefas domésticas em geral, se já não preencho papéis para levantar dinheiro, se pago com cartão e não tenho que esperar por trocos... por que raio é que não tenho tempo para nada?
E, já agora, se é tudo em formato digital, por que diabo é que os papéis se multiplicam cá em casa?

Regresso às Origens

Quando era pequena, fiquei estrábica: estrabismo convergente. Contra a opinião do meu avô, na altura, por ser ainda pouco mais que uma bebé, a minha mãe optou por me pôr nas mãos de um oftalmologista de renome, que me operou aos dois olhos, e me corrigiu o estrabismo, sem sequelas, felizmente.
É disso que me lembro, depois de horas ao computador que me deixam de olhos em bico. É disso que me lembro quando as atitudes dos colegas me deixam de olhos em bico. E disso que me lembro quando a ignorância dos gaiatos me deixa de olhos em bico. É disso que me lembro quando a idiotia da burocracia do que parece o terceiro mundo, me deixa de olhos em bico.
Esta escola é um regresso às origens.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

News from Therapy

Sento-me numa cadeira e respondo à pergunta "então, como é que te sentes?" com um "muito melhor, obrigada" para, dez segundos depois, estar a chorar copiosamente. Depois, digo à criatura que me fita muito séria que faço lembrar aqueles malucos que decoram coisas para dizer só para ter alta dos manicómios e acabam sempre por se trair das maneiras mais idiotas e "toma lá mais um século de internamento que estás cada vez mais tolinha". A criatura que me fitava séria começa a rir-se. E eu também, lavada em lágrimas.
Arre, que sou estúpida.
Resumindo e concluindo, na mesma não estou, que toda a gente diz "quem te viu e quem te vê". Toda a gente à excepção, claro, do terapêuta. Era suposto que fosse ao contrário, mas parece que escolho de propósito aquela hora para me ir abaixo e fazer figuras tristes, quando passo o resto da semana airosamente a dizer as piadinhas do costume, a resmungar como antigamente e sereníssima no alto das minhas tamanquinhas de doze centimetros. Não choro, não me desespero, não entro em ansiedades com o trabalho, raramente sou agressiva e até já pinto as unhas dos pés de cores espampanantes. Parece-me, muito seriamente, que, se não fosse "the gym-issue", estaria praticamente em forma. Depois chego ao consultório e dizem-me que tenho uma patologia. Neat!
Agora a sério: quando comecei as sessões, fi-lo porque me tinha tornado no derradeiro e mais triste cliché de todos. Agrada-me bem mais a ideia de ser agora semelhante a uma das personagens freudianas dos filmes do Woody Allen, que muito admiro. Seriously. Não me deito num sofá, sento-me numa cadeira, mas de resto é quase igual. Ainda me abisma a forma como consigo estar tanto tempo a falar de mim própria sem o Doc adormecer e sem me repetir, que já lá vão muitas horas de monólogos dramáticos. E sim, noto a diferença em mim. E, se não fui clara, esclareço: sinto a diferença para melhor. Apesar dos pesares e das figuras de parva que faço, semanalmente, sensivelmente à mesma hora.

Isso...

... e o editor do blogger que me andou a trocar as voltas um mês inteiro, que sou preguiçosa e não me apeteceu ir ver whatahell was wrong with the morde-a-foca. Hoje dispus-me a isso, so here I go again, que cada vez estou menos info-excluída, aprender até morrer. (mas também não tinha nada de interesse para dizer, como se vê nos presentes posts)

Junho e Julho

Meses de muito trabalho. Na escola e em casa. De semana e não só. That's it. Trying to survive the tsunami of paperwork.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"O" SPA

Não houve dia desta semana em que me deitasse antes das duas da manhã mas, ao contrário do que é costume, não foram insónias, nem "Mentes Criminosas", que me tiraram horas aos lençóis, foi trabalho. Foi trabalho acumulado que não fiz no fim-de-semana, que nesse tive mais em que pensar. De modo que, nestas noites, enfiei o focinho contrariado na correcção de testes, no preenchimento de grelhas, na redacção de actas e na validação de competências.


Não estive sozinha: entrei madrugada dentro com dois dos meus vários mosqueteiros de serviço, que fingiram ter muuuuuuuito que fazer para, simplesmente, fazer companhia, que sabem que a melhor ajuda que me podem dar é estar, apenas isso, para não me dar o sono ou a tentação de largar tudo e me ir deitar.


Na madrugada anterior, cá estávamos os três, cada um com seu portátil dedilhando, eu e a Mzinha na mesa, o Zeca no sofá, eu a trabalhar, eles a passar o tempo, a Mzinha a jogar na sua fronteira americana, o Zeca a informar-se sobre as novidades na sucessão das chefias do partido.


A páginas tantas, a Mzinha conta uma anedota sobre o Sócrates, eu rio-me e o Zeca amua. Atiro-lhe à cabeça com um maço de LM azul vazio. Ele resmunga, e começa a desfiar impropérios contra o Portas. Eu suspiro, mas a Mzinha faz-lhe pontaria e atira-lhe com o nosso baralho de cartas da bisca com força e precisão extraordinárias (felizmente estava quase vazio, só com jokers e 10, 11 e 12s) que, depois de o atingir com grande espalhafato em cheio no toutiço, aterrou (onde repousa ainda neste momento) na estante de livros atrás dele. Seguiu-se um coro de gargalhadas incontrolável, quase às duas da manhã.


E diz a Mzinha, já muito séria: porra, pá, estamos mesmo a precisar de um SPA para o cérebro! E eu pus-me a imaginar um líquido de neurónios jet set, que se pudesse inalar ou injectar ouvido dentro, com neurónios massagistas, neurónios expert em aromoterapia, outros personal trainers, outros com taças infinitas de caipirinhas, outros mestres de reiki e shiatsu e, os últimos, os melhores contadores de histórias de embalar existentes à face da terra.


A verdade inconfessável, contudo, é que um SPA para o cérebro... são os melhores amigos do Mundo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nova Estação

Abriu a época. Não a da caça, mas a do restlessness. E quando é assim, não sossego enquanto não me meto em sarilhos. Desta feita, o meu santo orientador de mestrado resolveu desinquietar-me via facebook para doutoramento. Lá lhe disse que sim. Nunca mais aprendo que a treta das redes sociais só nos dá é desgostos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dia da Criança

Eu e algumas meninas da minha DT...



Eu a rir-me dos quarenta ou cinquenta alunos a tentar acompanhar o fabuloso instrutor de hip-hop...



Paparazzi... dizem que as melhores fotos são tiradas por quem gosta de nós...






Paparazzi... rest my case!





Pose peso-pesado, mas em levezinho...





Coisa mai'linda, a minha fotógrafa de serviço!





O rascunho, antes da obra-prima anterior. Estávamos felizes, a gravar a primeira aula de equitação de muitos alunos, e uma professora. Eu, para variar, não me atrevi... achei que afocinhar no picadeiro e ficar cheia de areia nas orelhas não ia bem com o meu tom de pele!





A minha escola e a Câmara Municipal organizaram uma manhã de actividades para comemorar o Dia da Criança. Não sei quem se divertiu mais, se eles, se nós, os professores. Eu adorei todas as aulas, desde a equitação, ao hip-hop, passando pelo karaté e pelo mini-golf, foi tudo perfeito. As minhas meninas fizeram-me serenatas ao microfone com "the only exception" e "just breathe", e, para além de ficar toda babada, deu-me umas saudades destes nonos anos que me fizeram a cabeça à razão de juros... enfim! Ficam as imagens da paparazzi de serviço, para a posteridade!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fim de semana?


Entre as horas de voluntariado no Banco Alimentar, as tarefas domésticas, as escolares, e as idas ao supermercado... foi-se o fim de semana. É segunda-feira e estou fartinha disto. E cheia de soninho. E com uma semana toooooooda pela frente.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Shadow Genial

"Querido amor, tenho o coração em pedaços, volta, por favor, apenas quando a super-cola secar. De preferência, com a pessoa certa. Caso contrário, não voltes nunca".

Há comentários que dão posts.
Agora isso da pessoa certa... se calhar, é melhor estar caladinha, estou numa "fase má", é o que dizem. Mas das duas, uma, ou há demasiados sapos vestidos de Príncipes, ou de facto os Príncipes que existem já partilham os lençóis com as Cinderelas desta vida. Seja qual for a opção, eu de Princesa Disney tenho pouco, e de sapos não gosto mesmo nada. Bichinhos viscosos, pá.
Tenho que reconhecer que a minha vida tem sido um verdadeiro conto de f*das. E a vogal que falta não é o "a". E estamos a falar metaforicamente, que se fosse na onda do literal, algum proveito se tirava da cena. O que vale no meio de tanta decepção, de tanto abandono, de tanto salve-se quem puder e eu deixei, até, de me conseguir salvar sem comprimidos e terapia, o que vale, dizia eu, é que os santos caem dos pedestais e os pecadores vão ganhando calo. Não acho que haja pessoas certas. Eis Jade, a iconoclasta. Venha a realidade e que se lixem Hollywood, H.C.Andersen e as novelas.

Esclarecimento

Ao reler o texto anterior, fica a ideia de que sou assim uma mescla entre Gandhi e a Madre Teresa de Calcutá. Fica o esclarecimento: não sou. Quando digo que perdoo o imperdoável e me coloco na posição dos outros, na verdade, nada disto abona muito em favor da minha inteligência e é resultado, sobretudo, de uma fraca auto-estima.
Mas também é verdade que, embora não tenha por hábito andar a denegrir a imagem de quem me tenha magoado ou decepcionado muito, tenho uma lista razoável de proscritos. E por proscritos leia-se pessoas de quem não reza a (minha) história, mortas e enterradas nas suas atitudes cobardes, invejosas ou simplesmente maldosas. Não gosto, pronto. Não gosto de gente que para safar a própria pele lixa a vida aos outros, não gosto de gente que não pode ver os outros brilhar, e detesto, sobretudo, gente má porque sim. Quando tenho provas taxativas de que determinada pessoa sofre de um desses males deixo, pura e simplesmente de a conhecer, fazendo do meu mundo um lugar melhor, sem ela. Nunca me dou, sequer, ao trabalho de a informar do sucedido: um dia estou lá, no dia seguinte, deixei de estar. For good.

Bad Deeds

Não sou nada vingativa.
No que diz respeito a ex-relacionamentos, por exemplo, há até quem diga que sou bastante banana, que demoro eternidades a fazer lutos, que perdoo coisas imperdoáveis, que assumo culpas que não são minhas, que defendo pessoas que são autênticas bestinhas, e por aí fora. Está na minha natureza compreender atitudes, ver as duas faces da moeda e, sobretudo, perspectivar se não poderia ser eu a fazer aos outros as merdas que me fazem a mim. Quase sempre chego à conclusão de que poderia, sim, nas mesmas circunstâncias fazer as mesmas coisas. Mas há casos raros, em que se ultrapassam os limites. Não guardo ressentimentos por ser preterida, mas detesto ser maltratada gratuitamente. Fico possessa, magoada, mesmo triste. Depois as pessoas caem no esquecimento, na indiferença.
Hoje tive uma oportunidade de ouro de dar o troco a determinada pessoa. Caiu-me no colo, de presente, a oportunidade. E desta vez dei o troco sem hesitação e sem pestanejar. Ah, como dei! Anos depois de mas terem feito, pagaram-mas. E amanhã, tinha uma lista de assuntos para debater com o Doc, muito na onda de me estar a sentir frustrada, parada, sem iniciativa, de mal com a vida, comigo, com o Mundo. Depois do que fiz hoje, acho que não se justifica. Há muito tempo que não me sentia tão bem. Entrei em casa a rir-me e a apetecer-me cantar, literalmente.
As más acções, afinal, é que compensam. Ou então é o inchaço de fazer finalmente justiça pelas próprias mãos, sem arrependimento absolutamente nenhum, e muito satisfeita por ter sido tão cabra.

domingo, 22 de maio de 2011

Preciso Urgentemente

de férias.
Duas semanas, pelo menos, de praia, piscina, gelados, petiscos, morangos e caipirinhas.
É oficial, estou de rastos e não quero semanas de trabalho. Amanhã começa outra e não sei onde me esconder.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quanto ao Jogo de Ontem

Sempre fui a favor dos pe-que-ni-nos. Claro que fiquei triste com o resultado. Claro que adoraria que tivesse ganho o Braga. Claro que ninguém, a não ser os próprios, já tem paciência para tanto pedantismo, mesmo concordando e levando em conta que cada vitória é merecida. Mas o que é mesmo, mesmo triste, é ouvir conterrâneos meus dizer que foi uma vitória do "Norte contra o centralismo". Nunca ninguém ouve o contrário, "ai, e tal, o Benfica este ano ser campeão é uma vitória de Lisboa contra os grunhos... é a clara supremacia da Capital sobre os bimbos". Claro que se ouvem insultos ao Pinto da Costa. Claro que se fala da corrupção. Mas ninguém grita "Nós só queremos ver o Porto a arder, o Porto a arder." A malta do Porto não desanca no Benfica ou no Sporting, desanca em Lisboa e nos lisboetas. E eu acho que isto é triste, mesquinho e clara dor de cotovelo, da parte de quem, ainda por cima, está em primeiro lugar. Pior que não saber perder é não saber ganhar. E eu, que sempre gostei das gentes (e) do Norte, começo a achar que este país é mesmo um país de gente invejosa, mesquinha e triste.
Cada um tem os políticos que merece, e o nosso primeiro, benza-o Deus pela sua competência, é de uma cidade pequena e de interior, bem a Norte de Lisboa. Devemos então o quê? Implodir a Covilhã? (Ou o Fundão?... que a bem dizer nem sei ao certo de onde é o cromo... como se isso fosse importante, e as pessoas se rotulassem pelo lugar onde nasceram, ou as cidades se limitassem a ser espelhos de dois ou três escroques que lá soltaram o primeiro grito sem ninguém ter a presença de espírito de os afogar como tanta gente faz aos gatos, pobrezinhos, pois).

Free at last

A citação é de Martin Luther King, referindo-se ao fim da opressão do negro americano, e é excessiva e politicamente incorrecta quando comparada ao meu privilegiado e pequeno mundinho, mas foi o que me ocorreu à saída da escola depois de mais um dia infernal.
A vida não espera por quem não está bem, e parece-me injusto que alguém como eu não se possa teletransportar para baixo de um coqueiro a trinta graus à sombra, de frente para um mar azul esverdeado. O mais provável seria cair-me um côco nas trombas, ainda assim.

Detesto...

as quintas-feiras, este ano. São dias que nunca mais acabam, que começam sempre mal depois da costumeira noite mal dormida, em que vejo putos a entrar e a sair das minhas aulas tipo tapete rolante de uma fábrica de parafusos, e em que me apetece sempre fugir. Na semana passada, faltei. Hoje, estou cá. Mas com uma vontade louca de me pôr a mexer. É muita hora rodeada de muita gente. E eu não estou para o social. Apetece-me um cobertor para pôr em cima da cabeça. Ou um quarto escuro para me esconder. Em vez disso, encaro as mais de seis horas ao serviço que ainda me restam com uma neura insuportável.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Singularidades...

... de uma rapariga com madeixas.
Não estou loura nem morena, estou assim como a entremeada, mas com menos gordura. Ultimamente sou tão assim-assim que nem a cor de cabelo escapa ao morno e ao indefinido. Logo eu, pois. Tenho andado a pairar num tanto-faz, não me chateiem, não fervo, nem em muita, nem em pouca água, e os dias arrastam-se iguais e pesados, como anda o tempo antes da trovoada.
Simplesmente hoje, depois de exactamente três meses disto, D. Jade trovejou. Costumava chamar a estas trovoadas o momento em que "via tudo preto" mas, na verdade, conviver com uma depressão como esta que tenho agora, mostrou-me que não, que afinal o que vejo nestes momentos é a luz. Vejo tudo preto quando não vivo, quando sobrevivo indiferente. Costumava dizer que "me passava". Quando realmente "me passei", as coisas foram muito diferentes. Hoje trovejei e senti-me viva, ou melhor, reconheci-me por uns breves instantes. Pisaram-me os calos e eu, finalmente, senti. E aquilo que eu achava antes ser sintoma de desequilíbrio (as explosões, a minha intempestividade, a minha agressividade) é uma singularidade minha, e sintoma de que tudo está exactamente onde deveria estar.
Não quero dizer com isto que esteja curada. Nada disso. Muito, muito longe disso. Dependo de comprimidos para funcionar e funciono nos mínimos e mal. Não há dia nenhum que não me lembre de tudo o que me faz infeliz. Não há dia nenhum em que não lute para mudar o que depende de mim. Não há dia nenhum em que ganhe essa batalha. Como disse ontem, sinto que os progressos são insuficientes, lentos e pouco dignos de orgulho. Na maior parte do tempo, sinto-me frustrada, fraca, estúpida e muito infeliz. Embora esses sentimentos sejam, como tudo o resto, mornos e indiferentes. Mas hoje, pela primeira vez, senti o morno afastar-se por breves instantes. Preferiria que tivesse sido por um bom motivo. Preferiria ter tremido por uma enorme alegria ou um nobre sentimento. Preferia que tivesse sido um sorriso, ou uma gargalhada, ou um corar de orgulho. Mas a fúria fez o mesmo servicinho e para quem é, bacalhau basta. A Jade deu um ar da sua graça, apareceu e desapareceu, mas trouxe a confiança de que nada é definitivo.