Hoje, estava no bar depois da reunião de departamento a deitar, literalmente, conversa fora com uma colega de Espanhol que acumula horário noutra escola, precisamente a primeira em que dei aulas quando vim parar à Cidade de Deus. Já lá vão dez anos ou quase.
Estive nessa escola apenas um ano e entrei lá com um tal aspecto que muitas vezes os funcionários olhavam para mim confusos, tentando avaliar se era professora ou aluna. Ora tendo em conta que os alunos mais velhos têm 15 anos, tal não abonaria muito a meu favor. O Presidente do Executivo tratava-me por "cachopa" ou "cachopita". Os senhores da secretaria falavam comigo como se eu fosse uma miúda com Necessidades Educativas Especiais. Quando de lá saí, e rumei ao Norte, nas vezes em que me recordava desses tempos, achava sempre que tinha feito a maior figura de parva da história da docência em Portugal.
E hoje a minha colega que lá dá aulas, e que foi colocada na nossa escola já tarde, e pouco lá parou, sempre de um lado para o outro, e que por isso mal me conhece pelo nome, saiu-se com esta pérola: “Pois, tu chamas-te não-sei-quantas... agora é que estou a associar, fulano-de-tal (meu antigo coordenador de Departamento, e nessa altura Presidente do Pedagógico e membro do Executivo) é teu amigo?”, e eu, "Amigo? Não diria amigo, já não falo com ele há anos… mas sim, damo-nos bem”. E ela “é que ele disse-me, quando lá entrei e ele soube que também dava aulas aqui, que tu eras espectacular, muitíssimo competente e uma excelente colega. Para eu não me deixar impressionar com o teu ar (presumo eu, um ar arrogante, antipático e temível), que te dissesse duas ou três larachas, ou pedisse ajuda frontalmente, que tu tinhas a mania que eras má mas só não fazias pelos outros aquilo que não pudesses mesmo!”
Há ironias filhas-da-puta. Não pude deixar de sorrir e de agendar um telefonema ao cromo que me anda a descobrir a careca pela Cidade-de-Deus. Mas não deixa de ter muita graça ver o meu trabalho reconhecido dez anos depois, por colegas da primeira escola alentejana em que dei aulas, quando rezo, todos os dias, para que a presente seja a última e, diga-se de passagem, não me sinto por ela lá muito bem tratadinha, ah pois não.
E hoje a minha colega que lá dá aulas, e que foi colocada na nossa escola já tarde, e pouco lá parou, sempre de um lado para o outro, e que por isso mal me conhece pelo nome, saiu-se com esta pérola: “Pois, tu chamas-te não-sei-quantas... agora é que estou a associar, fulano-de-tal (meu antigo coordenador de Departamento, e nessa altura Presidente do Pedagógico e membro do Executivo) é teu amigo?”, e eu, "Amigo? Não diria amigo, já não falo com ele há anos… mas sim, damo-nos bem”. E ela “é que ele disse-me, quando lá entrei e ele soube que também dava aulas aqui, que tu eras espectacular, muitíssimo competente e uma excelente colega. Para eu não me deixar impressionar com o teu ar (presumo eu, um ar arrogante, antipático e temível), que te dissesse duas ou três larachas, ou pedisse ajuda frontalmente, que tu tinhas a mania que eras má mas só não fazias pelos outros aquilo que não pudesses mesmo!”
Há ironias filhas-da-puta. Não pude deixar de sorrir e de agendar um telefonema ao cromo que me anda a descobrir a careca pela Cidade-de-Deus. Mas não deixa de ter muita graça ver o meu trabalho reconhecido dez anos depois, por colegas da primeira escola alentejana em que dei aulas, quando rezo, todos os dias, para que a presente seja a última e, diga-se de passagem, não me sinto por ela lá muito bem tratadinha, ah pois não.
Todos os génios são homenageados, de facto, postumamente.

