quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E não se prevêem melhoras

Não é do tempo que vou falar nesta madrugada do último dia de 2009. É de mim. Já sei, bo-ring! (com aquele tom do Animal nos Muppets)
É só para dizer, a quem ainda não percebeu, que sou esquisita. Sou cheia de esquisitices. Sou desenquadrada. A sério. Tenho um amigo que diz que tem DOC (Distúrbio Obsessivo-Compulsivo), porque organiza tudo febrilmente, desde livros a t-shirts, por cores. Infelizmente, disso não sofro, ou a minha mãe seria muito mais feliz sem ter que conviver com uma praticamente slob em casa dela por mais que três dias seguidos. Não tenho disso, mas tenho muitas esquisitices.
E isto é para uma amiga minha, gosto de lhe chamar amiga, que ainda hoje me dizia que como não lhe tinha dado o meu messenger tinha achado que eu não queria confianças com ela. Nada disso. A verdade é que... não tenho messenger. E agora está meio mundo blogger a ler isto entre o atónito e o sarcástico: Pffff! Não tem msn...
É verdade, pessoal, nem toda a gente que tem um blogue domina a informática, ou sequer gosta de computadores. Sou estranha, não gosto de computadores. Para dizer a verdade, detesto-os, e eles sabem. O meu, por exemplo, odeia-me, e já me demonstrou isso em alturas bem más, em que precisava mesmo que não me deixasse ficar mal... adiante.
Há certas coisas sobre mim que o resto do mundo real não entende, e eu aceito que não entenda.
Sou assim, e sei que no mundo de hoje há muita presunção mascarada de esquisitice, tipo, olhem para mim que sou tão original, odeio best-sellers porque toda a gente os lê, não vejo blockbusters e não ouço música comercial, não vou ao McDonald's e só bebo água. Acreditem ou não, não é esse o meu caso.
Sou diferente das grandes maiorias porque sim, e porque infelizmente, por mais que me esforce, não consigo ser igual às pessoas ditas normais.
Sou esquisita. Já disse que não tenho partido político, deixei de ter religião e não percebo nada, nem quero, de futebol, embora seja simpatizante do Sporting, nem sei bem porquê. Isso afasta-me de muita gente que conheço, e que olha para mim de esguelha.
Não gosto de festivais de talentos nem de reality shows. Mas gosto de telenovelas, embora não com o entusiasmo que dediquei ao Roque Santeiro ou à Tieta.
Não me rio com comédias, nem com os contemporâneos, já nem com os gato ou com os simpsons; mas rio-me muitas vezes sozinha com coisas a que ninguém acha graça. E ainda me rio com o Markl, na rádio, e com o TV Rural e a Conversa da Treta.
Não tenho msn nem facebook, não sei trabalhar com a plataforma moodle e são os meus alunos que me explicam, todos os dias, como usar os quadros interactivos, pasmados por a stôrinha ser tão burrinha que nunca mais aprende. Ora com isto tudo junto, já não deve haver muita gente que não me olhe de esguelha. Mas continua.
Detesto conduzir. (O verdadeiro ultraje no país dos tugas...)
Não sei cozinhar nada de jeito. Sou o antípoda de uma dona de casa, esposa e mãe: desorganizada, impaciente, preguiçosa e irascível. E continuo solteira sem perceber porquê... cof, cof, cof! (pois, porque será?)
Não gosto do Natal e deixei de gostar da Passagem de Ano. Detesto o Carnaval e não posso com o Halloween e com o Valentine's Day. (Queimem-na que é uma bruxa herética!)
Ah, e fumo. (e estúpida, ainda por cima!)
Ah, e não gosto do Herman, mas até acho graça ao Malato. (completamente estúpida, diria mesmo...)
E detesto estar sozinha embora raramente mexa o rabo para combinar seja o que for com alguem, porque me deixo levar pela inércia. (deixa-te estar sozinha que com esse feitiozinho, só estragas uma casa!)
E detesto receber flores, noventa e nove por cento das vezes. (eu não dizia?)
E não faço fretes outras noventa e nove, o que significa que sou "uma tipa com muito mau feitio", porque aprendi a dizer um "não" redondo na cara seja de quem for. (na mouche, grande mal-educadona!)
E nunca alinho em maiorias se não concordar com elas. Mas numa coisa a maioria tem razão: sou esquisita. (ao menos isso, vá lá)
E não se prevêem melhoras, a sul do Cabo Carvoeiro. (temos pena)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Next Decade,

New York, the man of my dreams, my mother nearby, my own house, a better car, health and wealth, all my friends around, a job to do and a mission to accomplish.


Happy New Decade.

Farmácia... já!

Adoro farmácias. É uma cena estúpida, mas gosto. São lugares amigos, limpos, iluminados, arrumados. Nesta aqui do bairro, conhecem-me de pequena e desenrascam-me muitas vezes, dada a minha propensão ao fanico.
Mas agora ando um bocado aborrecida com elas. Porque a nova publicidade às farmácias portuguesas é enganosa. Diz que tudo o que faz bem, a farmácia tem. E eu fico a pensar na cara que faria o Sr. Pereira se eu lá chegasse e dissesse, bom dia, cá estou eu mais uma vez sem receita, mas tenho tanta urgência... pode fazer-me uma venda suspensa? e ele, ai, esta menina... que se passa, diga lá, vamos já tratar disso... e eu, quero um pacote, dos grandes, de concentração, um tubinho de força de vontade, meia dúzia de pastilhas de bom humor, mais uma caixa, não, duas, de paciência para mim própria e, já agora que aqui estou, dê-me lá uma injecção de espertina, que tenho um sono que não se aguenta!
Dada a publicidade enganosa, o mais provável era o Sr. Pereira me dar um bilhete expresso para o manicómio mais próximo.

Não se vão arrepender

Qualquer pessoa que já tenha feito, ou tentado fazer, um trabalho de pesquisa maiorzito, sabe que uma das melhores estratégias para ler bibliografia-que-interesse-mesmo é ler a lista bibliográfica das obras que o gajo que escreveu "aquele" artigo fundamental, a bíblia das bílblias, usou. E a partir daí, a mesma cena: gostaste do que leste? aponta a bibliografia.
Isto para dizer que com os blogues é a mesma coisa, excepção para mim, (se gostarem deste) que sou praticamente info-excluída: se gostarem do blogue, vão ver que blogues esse blogger lê. Não tardarão as excelentes surpresas. Desde já aconselho as listas da Teia e da Gaja. A minha não é má, mas está muitíssimo incompleta. E divirtam-se que, não tarda, diz que está aí um novo ano... não está um todos os dias? Enfim...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Alerta Amarelo - II

Uma grande amiga minha, que não dá confiança ao blogue, embora o leia, mandou-me um mail logo a seguir ao post anterior, com uma única pergunta: "Sabes, finalmente, o que tens a fazer nesses dias?" Ri-me.
Durante muito tempo, deixei-me ir, como se a tristeza não fosse apenas um estado de espírito mas um ser animado muito mais poderoso que eu. Deixava-me ir e ainda ajudava à festa. Achava que me "fazia bem chorar". Depois de dois ou três sustos de saúde agravados directa ou indirectamente por factores psicossomáticos comecei, gradualmente, a deixar-me disso.
Sim, P., sei finalmente o que fazer. Por isso, quando hoje senti picadas familiares nas linhas da pestanas, engoli em seco, evitei gavetas de cartas, bilhetes, fotos e lembranças, agarrei-me a uma caixa dos meus bombons favoritos, liguei o computador e só entrei em blogues que sei que são boa onda, evitando outros de que também gosto muito mas que podem ser perigosos em caso de tristeza aguda; ri-me, claro, depois abri o mail e fui dar com a tua pergunta. Agora, vou escrever, mas nada de pessoal, nada de introspecções, hoje. Vou escrever texto científico para um artigo que me pediram. E eu sei que é fútil, mas das coisinhas que mais me animam nestas alturas de tristeza sem motivo, é olhar para coisas bonitas. Por isso, expus aqui pelo quarto os presentes de Natal que a família me deu este ano... e é impossível não sorrir.
Cada um tem as suas estratégias. Uma amiga minha há uns anos dizia-me: vai ao campo apanhar flores e enfeita o teu quarto!... Nunca resultaria comigo, porque odeio passear sozinha, detesto exercício físico e não tenho paciência para sair de casa quando estou assim. O resultado seria que quando chegasse a casa com as flores, provavelmente arrancar-lhes-ia as pétalas com gargalhadas sádicas, tal a fúria.
Comigo funcionam cheiros, sons, sabores e futilidades. Respectivamente: o meu creme hidratante da Lancôme seguido do Code de Armani, que a minha mãe me ofereceu; os U2 a bombar no computador; a boca cheia de Mon Chéris, e a minha nova lingerie preta linda, linda, (e ainda na caixinha de cartolina hiper delicada) a piscar o olho ao futuro.

Alerta Amarelo

Há dias em que adormeço e acordo com a chuva a cair com força, de tal forma que deixo de distinguir se é lá fora que chove ou dentro de mim. Acabo sempre a chorar sem motivo, nesses dias. como o de hoje.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

I'm the best of the best

A deitar validação de competências por todos os póros, resolvi desistir e deixar para amanhã, vulgo, daqui a bocado, o que não posso, vulgo, poder podia, mas já estou pelos cabelos, fazer hoje, vulgo, já.
E então, para relaxar, que eu não consigo, pronto, sou assim, ir para a cama dois minutos depois de estar a trabalhar, pus-me a ler todos os posts que publiquei este mês.
E pensei, bolas (não foi nada disto que eu pensei, quem me conhece sabe que eu usei the f word) Jade, tu és mesmo o máximo! No meio do caos que tem sido a tua vida profissional, ainda tiveste pachorra e discernimento para escrever uma data de textos. E alguns até têm a sua qualidade. Bolas (yeah, yeah...) Jade, sim senhora, good girl.
Se eu gostar de mim, quem não gostará?
(Isto depois dos eventos do dia que passou, é apenas uma pergunta retórica, descaradamente roubada a uma publicidade de gosto duvidoso, tá? Não é para responder. E agora sim, vou-me deitar e dormir umas horas, muito contente comigo própria. Bolas!...)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Porque isto contado...

...ninguém acredita, e ainda assim ou falo ou expludo, impludo, vaporizo-me, desfaço-me em pó e cinzas, enfim, morro.
Entrei na escola às oito e meia da manhã e saí às dez e pouco...da noite. Isto dá... treze horas e meia em três reuniões de avaliação, duas horas de trabalho posterior e quarenta e cinco minutos de almoço.
Dormi duas horas esta noite.
Cheguei a casa e a Mzinha não está, porque foi à Ceia de Natal da escola dela. Eu faltei à minha, na quinta-feira passada, para vir para casa preencher grelhas de avaliação. Ou terá sido para acabar de corrigir trabalhos? Talvez tenha sido para escrever relatórios, já não sei.
Constipada até à quinta casa, passei o fim-de-semana a chá, paracetamol e portátil ao colo. Isto quererá, provavelmente, dizer, que fiz todo o trabalho, literalmente, em cima do joelho.
Na última reunião de Conselho de Turma de hoje, que já decorria há três horas e meia, tive um dos meus ataques de má-educação do costume e berrei com toda a gente. A reunião durou mais cinco minutos, claro, mas a Directora de Turma, que não tinha culpa absolutamente nenhuma do atraso, ficou quase lavada em lágrimas, enquanto todos os outros, nas costas dela, davam palmadinhas nas minhas, não tendo previamente aberto o bico para me apoiar. Lá tive que pedir imensas desculpas à mocinha, e desfazer o mal-entendido, que eu cá fervo e sou bruta nas horas mas detesto magoar seja quem for, e fico pior que as pessoas que por mim se sentem agredidas. Uma merda de todo o tamanho para a minha hipersensibilidade nervosa e emocional que ninguém conhece sem que eu deixe, e que eu não deixo que muita gente conheça.
Chego a uma casa vazia, sem nada no estômago desde o almoço e enfio quatro cigarros no buxo.
Depois disso, sento-me ao computador e escrevo de rajada o que assim, contado, ninguém acredita, enquanto considero enfiar dois copos de vinho tinto goela abaixo, antes de ir jantar e de enfrentar as quatro horitas de trabalho, bem medidinhas, que ainda tenho pela frente.
(e amanhã há mais, a partir das oito e meia da manhã. Se me contassem a mim, eu não acreditava.)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Futebol e outras parvoíces

Costumo dizer que muito mais que Sportinguista, sou anti-benfiquista. E não, não me enganei no uso das maiúsculas. Nasci e cresci em Lisboa, no meio das mete-nojices mútuas entre verdes e encarnados, e sempre achei ridículas as horas de discussão de sexo dos anjos, em que cada qual defende a sua cor, culpa a arbitragem e vê coisas onde elas não existem. Sempre detestei fundamentalismos de gente que, quando perde, é sempre roubada, e quando ganha, é sempre a maior. Odeio arrogâncias. Odeio pavões armados, e em Lisboa... bem, há-os de parte a parte, mas os benfiquistas são mais numerosos e, por evidência estatística, também são mais numerosos os benfiquistas cretinos-a-dar-com-um-pau. Ganhei-lhes um pó muito especial.
Por outro lado, sempre fui fã da malta do Porto. Desde pequena que tenho um carinho muito especial pela parte da família que lá tenho e nunca, nunca, na casa deles ouvi dizer mal dos lisboetas. Nunca tinha dado conta que havia, sequer, essa divisão, até à adolescência tardia. O primeiro namorado que apresentei à minha família era do Porto, e foi com ele que aprendi os meandros da picardia. Deixou-me abismada. O tempo que ele passava a dizer mal da capital, da forma como nós falávamos, do modo como nos comportávamos, das facilidades que tínhamos, do trabalho que nós não fazíamos, porque no Porto é que se trabalhava... não fazia, até então, ponta de chavelho de ideia de tal mentalidade bairrista que, mais do que evidenciar as suas próprias qualidades, batia nas do so-called adversário.
Acontece que sempre achei ridícula esta atitude, até porque todos os meus amigos lisboetas são unânimes em dizer que "adoram o Porto", as gentes, os sotaques, enfim.
Cheguei há muito tempo à convicção de que os portuenses brigam sozinhos contra lisboetas que nem disso se apercebem. E esqueci o assunto. É triste para as gentes do Norte, mas em Lisboa esta luta é totalmente ignorada, não existe.
Estive para escrever um post aquando da cena da corrida do Red Bull, mas a Kitty Fane e a Pipoca fizeram-no por mim, e muito melhor. A celeuma que aquilo deu, que ridículo... faça-se um referendo em Lisboa, a ver se alguém está para arranjar chatices nacionais por causa de uma data de aviões a ameaçar a Torre de Belém e o Mosteiro! Ide lá despenhar-se contra a D. Luís, cacete, que gente parva! Levem também as Marchas, já agora, que é para o lado que eu durmo melhor.
Isto porque a malta do Porto, a malta ressabiada que eu só conheci tarde na vida, faz surgir o que os lisboetas têm de pior, que são os galões de que puxam, quando lhes pisam os calos.
Onde é que eu quero chegar? Com a palermice toda do Air-Race, e não só, que tenho lido por aí, hoje fiquei MESMO contente por o Benfica ter ganho o estupor do jogo.
Mesmo contente.

Cheira bem, cheira a Lisboa.

Brittany Murphy, 1977-2009

Não é nada meu, esta cena de postar óbitos e comentar as ditas mortes. Não o fiz pelo Michael Jackson, não o fiz pelo Solnado, não o tenho feito por tanta gente tão conhecida e válida... então porquê a Brittany Murphy? Porque simpatizava com o ar clean e despretensioso de girl-next-door, sem aquelas merdas de vedeta teen hollywoodesca. Porque gostava da expressividade que ela tinha no olhar. Porque a achava doce, tipo a sucessora mais jovem da Meg Ryan. E porque, como nunca se ouviu o nome dela metido ao barulho nos grandes escândalos de álcool e drogarias de LA, fiquei mesmo chocada, e tive mesmo muita pena. Parece que em Hollywood também se morre de causas naturais. E quando é assim, sabe sempre a injustiça.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pensamento do dia

A certa altura da vida, uma pessoa deveria ter o direito de ver, tipo num filme, o que aconteceria se a dada altura tivesse tomado uma decisão importante contrária à que definiu o seu destino. E, se lhe agradasse mais o desenlace, poder fazer emendas e escolher o outro caminho. Nem que fosse uma única vez. Nem que tivesse o direito a mudar apenas uma das suas escolhas.

Tortura

Tenho para cima de 2000 páginas para ler em livros emprestados, todos super tentadores, e nem tempo tenho para preencher todas as grelhas de avaliação a tempo e horas.
(fora os livros que eu própria tenho comprado... porque sou compulsiva)

Será pecado?

Nesta época de presépios iluminados, árvores de Natal que vão para o Guiness e milhares de luzinhas a piscar, eu só me lembro de Copenhaga, do dinheiro que me tiram de IRS, e do que eu gostaria, isso sim, que ele não servisse para estourar em decorações de Natal.
Nesta época de paz e amor pelo próximo, eu só me lembro de ter pensamentos homicidas em relação à maior parte da gente que me rodeia.
Nesta época de solidariedade e interajuda, eu só me lembro de olhar para o livro da Popota com desgosto, e não o comprar por achar um escândalo que só uma terça parte reverta para as tais obras de caridade.
Nesta época de felicidade e auto-indulgência, em que toda a gente aproveita para engordar uns quilos, eu só me lembro que, logo eu, que preciso tanto deles, fico completa e irremediavelmente enjoada pelo prato típico ser o bacalhau.

Sejam bem-vindos ao meu mundo. My name is Jade, and I'm a sinner.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se é chato...

... coça!
Pois... e o que faz uma gaja que não tem, de repente, tempo para se coçar? Aguenta? Não se queixa?
Eu cá não tenho lá muito bom feitio e cheira-me que o próximo colega que se lembrar de me dizer que, afinal, em vez de trezentos e cinquenta e sete documentos, cada professor vai ter que entregar trezentos e cinquenta e oito, em cada reunião de conselho de turma de avaliação, vai levar um valente estalo no focinho.
Epá, é que para comichões, vá, ainda vou tendo pachorra, agora para trabalhar para aquecer só porque um grupo de imbecis tem fêtiches com grelhas de excel...não.
Só me apetece começar a largar daqueles palavrões a que a malta do ano passado estava tão habituada que já nem se chocava... só que, este ano, sou capaz de provocar uma data de ataques cardíacos... o que até nem era mal pensado, f*da-se!!!


(e agora vou ali já venho, pôr números em tabelas, acabar de ver testes, ponderar níveis, preparar actas de conselho de turma de avaliação, justificar a atribuição de todos, sim, leram bem, todos os níveis 2 atribuídos... e cortar os pulsos!)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Desafios

À medida que vou crescendo, vou ficando mais... cautelosa? cobarde? não sei, das duas uma. A verdade é que nunca fui daquelas pessoas corajosas e optimistas, que levam tudo à frente com a convicção de que, o que quer que se proponham a fazer, sairá brilhante. Não. Nunca me meti em grandes cavalgadas, nunca pratiquei desportos radicais, nunca me arrisquei a fazer loucuras, sempre medi consequências previamente. Muitas vezes é a gente assim, certinha, que acontecem as piores tragédias e, quando ouço histórias dessas, sinto-me infinitamente revoltada. Infelizmente, a vida muitas vezes se assemelha ao tema já velhinho da Alanis, o Ironic.
Arrisco pouco em todas as áreas da vida: para não me habilitar a ficar sem emprego, acabei por assentar arraiais bem longe de Lisboa e da minha mãe. Para não me habilitar a ser completamente humilhada por rejeições directas, perdi alguns possíveis namorados. Para não me habilitar a ficar sem dinheiro para um rainy day, como tenho tantos na minha vida, continuo sem ter casa própria ou o carro que gostaria de conduzir.
Admiro as pessoas que encaram os desafios com tenacidade. Admiro as pessoas que, todos os dias, são felizes a lutar pelos seus próprios impossíveis, porque só essas os conseguem desmistificar e fazer jus ao termo da nike "Impossible is nothing". Admiro as pessoas que sonham alto, sem medo da queda de Ícaro. Admiro.
Porque eu detesto desafios. Detesto pôr-me à prova. Detesto falhar.
Em fases piores da vida, naquelas fases em que "não tinha vida", diziam-me muitas vezes, estabelece objectivos e vai atrás deles, e as listas que eu fazia eram simplesmente ridículas, com objectivos de fasquia embaraçosamente baixa e, ainda assim, rasgadas e atiradas ao lixo, como se apenas as palavras me pressionassem e empurrassem para o fracasso.
E agora, eis que me impingem um desafio. O desafio. Talvez aquele que mais me aterroriza e que me faz estar, desde sexta-feira, petrificada, sem que o congelamento advenha das baixas temperaturas e do frio polar que há quem diga que veio em vaga e eu não sei, porque não saí de casa. E, sozinha em casa durante o fim-de-semana, ouvi a voz do meu amigo D., que não vejo há anos, a repetir até ao expoente da loucura a sua máxima, em voz grave e séria, "Enfrenta o elefante, Jade!"
Há desafios pelos quais preferia não ter que passar. E há notícias às quais tenho que aprender a reagir com celeridade. Porque quando está tudo tão perdido que caíu no esquecimento e uma voz me diz, é agora ou nunca, convém começar a fazer por isso. Ontem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Garça-Real

Ontem, no dia do meu aniversário, calhou não ter aulas nem reuniões à tarde, o que é quase inédito e, tendo calhado na data em que foi, é praticamente prova de milagre. Pouco depois do meio-dia, peguei no carro para me vir embora e, ao passar a ponte sobre a ribeira, atravessou-se-me à frente, em vôo baixo, uma garça-real que, diz quem sabe, é espécie ameaçada de extinção. Lembro-me de ter considerado este momento um bom augúrio, ontem, no dia do meu aniversário.
Depois esqueci-me disso, e fui à minha vida. Cumpri alguns compromissos e rituais. A Mzinha tinha-me mandado umas sms a desafiar-me para ir jantar ao nosso restaurante favorito mas, convenhamos, estava um frio do cacete, e disse-lhe que ficava para outro dia. Não estava para aí virada, sou gato de lareira. Por isso, dormi a minha sestinha à tarde. Ainda pensei: fónix, Jade, és mesmo uma triste, não tens melhor para fazer na tarde dos teus anos que te ires enfiar na cama? E disse o gato Garfield, dentro de mim, não, não tens, e quê? É pouco bom, queres ver?
Ronronava eu muito quentinha, já a tarde ia avançada, batem-me à porta e era um amigo, para me dar um beijo de Parabéns. Ouço a Mzinha a falar baixinho "ela está a dormir...", e um cagaçal de todo o tamanho "ACORDA-A! PARABÉNS A VOCÊ!!!" Saltei estremunhada da cama, e a sorte dele foi não me ter, de facto, acordado.
Olhei para o telemóvel, e fiquei pior que estragada. Nenhum, repito, nenhum dos meus amigos mais próximos do ano anterior, a malta aqui do burgo, nem um sequer, me tinha mandado sms. Não havia deles chamadas não-atendidas.
A Mzinha fez uma lasagna deliciosa, e eu disse-lhe várias vezes. "aquela gente... fulano, sicrano, senhora e beltrana, ninguém disse ponta de corno, acreditas nisto?"
A Mzinha não tinha culpa, e eu não adiantei mais. Pus cara alegre e fui atendendo chamadas do resto do pessoal, da malta que está longe, da malta do costume e até... de novos amigos bloggers, que me fizeram surpresas irresistíveis "adivinha quem é..." Brutal! Claro que aproveitava para dizer à Mzinha, já viste isto? Até as amizades feitas na net desencantam o meu número de telemóvel ou me mandam os parabéns pelo blogue e "aquela gente...". Estava piursa.
Depois das dez, refastelada no sofá e na palhaçada com a Mzinha, tocam à porta. E eu, ah, estava a ver... é o Pastorinho, de certeza! Vai levar nas orelhas! E lá me aparece o Pastorito, todo contente, enquanto eu estrebuchava, se não viesses cá nunca mais te falava! Parvo! Estava furiosa...
No meio desta ladainha, que eu não sou boa de assoar, nem falo propriamente baixo entra-me, sala adentro, a restante seita. Todos em peso. Todos sem excepção. Uns a rir, outros a resmungar, outros a dizer, vá lá, chora lá, uma com um bolo na mão, outra com um presente, outro com uma lembrança de uma viagem...
Toda eu me iluminei. Uma luz que veio, indiscutivelmente, de dentro. Abracei-os com força. Nem lhes levei a mal que me cantassem os parabéns. Perdoei-lhes tudo. A Mzinha, metida ao barulho, lá disse que a ideia do restaurante tinha sido da seita e eu, bicho-do-mato, lhes tinha estragado os planos. Mas foi muitíssimo melhor assim. Num milionésimo de segundo, esta sala virou um caos, com tudo a falar ao mesmo tempo, a rir, a contar histórias, a entalar o parceiro do lado, conta lá, vá, conta lá as coisas como elas foram, ou queres que conte eu? a discutir os novos rankings, a elaborar teses políticas, a chatear o próximo por causa dos resultados do futebol, a gritar disparates e a mandar calar toda a gente, à vez, épá, deixa-me falar, que isto assim ninguém se entende... cala-te, tu, ora essa! calam-se todos que quem manda aqui sou eu, porque eu é que sou a... olha-me esta, isso é que era bom, já viste isto? Está com a mania, agora...
O pandemónio do costume. De um costume a que já estava desacostumada, e do qual sentia mesmo falta. Não há nada mais reconfortante, para mim que sou esquisita, que ter um gajo a dizer-me com um ar muito cómico, tu cala-te e desculpa lá estar a mandar-te calar na tua casa mas...
Intimidade. Há coisas que não têm preço, e melhor do que lhes poder perdoar o silêncio, foi tê-los ouvido falar, gritar, rir, provocar, insultar, transformar o éter em som... como se o tempo não tivesse passado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Secretly

Não gosto de ser o centro das atenções. Não sei reagir bem a demonstrações de ternura. Odeio que me cantem os parabéns. (Agora que penso nisso, devo ter algum trauma de infância com cantorias: ainda há uns dias barafustava contra tudo o que é festival da canção e afins, lembram-se? Deve ser por cantar mal todos os dias...).
Mudei de escola. Não disse a ninguém que fazia anos, mas tenho lá gente que me conhece de outros carnavais e alguém se descaiu. No entanto, foi tudo muito sóbrio e discreto. Beijinhos e abraços dos colegas e nenhum chavascal, o que eu adorei. A coisa não transpirou muito, e os alunos andaram na santa ignorância. Só uma, espertíssima, se apercebeu e mandou umas bocas ao primeiro tempo da manhã. Eu abri-lhe os olhos, ela calou-se. Ficou para o fim, na sala. Depois do último colega sair, disse-me: "A stôra tem é sorte: esta gente (os colegas) é tapadinha de todo!" Eu ri-me e nem tive tempo para lhe responder, já ela estava abraçada ao meu pescoço a dizer baixinho "Muitos parabéns, stôra, muitas felicidades". Deu-me um beijinho na bochecha e saiu aos saltinhos, deixando-me estupefacta, com as lágrimas a correr cara abaixo, e um sorriso de orelha a orelha.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Lista da Mzinha

Pedi ajuda à Mzinha, que o post anterior deixou-me desconfortável: "O que é que aconteceu de bom este ano?" E ela, (que parece que anda sempre com uns óculos de lentes cor de rosa, mar, estrelas cadentes e arco-íris... e girassóis, bolas de sabão e algodão doce) então, olha, mudou a ministra, eu vim cá parar outra vez (é modesta, a minha amiga), efectivaste, fomos colocadas em escolas com bom ambiente... E eu, um bocado envergonhada, ah...pois foi.

Arrivederci!

Bye bye, Idade de Cristo.
Feitas as contas, o saldo é positivo: todos nós temos uma cruz para carregar e, pelo menos, não me espetaram lá mãos e pés. E quando isto é a única coisa optimista que me ocorre dizer sobre o ano que passou... estou apresentada!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Podem insultar-me

Eu devo ser a única portuguesa - alien, absurda, marginal, elitista, armada ao pingarelho, - que detesta concursos que metam cantorias à mistura.
Acreditem se quiserem (eu acredito que as pessoas achem que estou a mentir, tal a febre tuga por concursos de talentos) mas não suporto estes programas. Detesto. Desde pequenina. Já aos três ou quatro anos odiava os festivais da canção. Depois era a eurovisão, com os júris dos outros países a nem sequer votar na canção de Portugal: uma noite inteira naquilo para um enxovalho final de todo o tamanho... que graça é que aquilo tinha? E quando metia miúdos da minha idade? Ainda gostava menos. Havia uma cena chamada... como é que era? Sequino d'Oro? Bem, era um programa italiano e já não me lembro bem do nome, só sei que morria de pena de uma desgraçada de uma miúda, a Maria Armanda, que passava a vida a cantar que via um sapo. Milhares de vezes. E o sapo não se ia embora, e a infeliz criança até com o sapo sonhava, certamente... bom, estes festivais ainda tinha eu que papar porque, quando eu era pequena, quem mandava na televisão (e em tudo o resto) eram os adultos lá de casa (e era igual em todas as casas, pelo menos nas que eu conhecia). Actualmente, quando vou a casas em que vivam crianças pequenas, só se vê o Canal Panda e o Disney Channel, mas isso, adiante, que os tempos mudaram muito e agora os putos traumatizam-se se respirares para cima deles, que dirá se tomares conta do comando.
Isto para chegar ao facto de que, felizmente, hoje em dia já ninguém me obriga a levar com os programas de que não gosto. E sinto-me um bocado estúpida, quando ando pelos blogues, ou entro na sala de professores, ou vou jantar com amigos, e não percebo patavina das conversas sobre os Ídolos, e as Canções-Não-Sei-Para-Quem, mais os Não-Sei-Quantos-em-Patins-no-Gelo. Sinto-me estúpida, é verdade, calo-me bem caladinha e finjo-me de transparente, para ninguém me fazer perguntas... epá, mas ver, ver, só para me manter informada... não, a isso não me convencem, nem me obrigam.
Prefiro vê-los depois, em concerto, se cantarem mesmo bem e singrarem, como a Sara Tavares, que "diz que" veio de um desses programas que eu nunca vi, nem tenho pena.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Lonesome, not lonely

Dos trinta e tal professores da minha escola pequenina, cerca de um terço mora na cidade onde eu vivo, a vinte e tal quilómetros da vila. Isto faz com que se combinem boleias diárias, para poupar gasóleo, pôr a conversa em dia e preservar o ambiente.
Acontece, porém, que eu levo sempre o meu carro. Porque sou do turno da noite, metade da semana, e é óbvio que ninguém fica especado à minha espera até às dez da noite; e saio cedo, nos restantes dias, já deito escola pelos poros e não também fico especada à espera de ninguém. A sexta-feira seria o único dia em que eu poderia partilhar carro. Acontece que às sextas nunca sei como o meu dia vai acabar, e sou uma moça de venetas. Pode dar-me para vir directamente para casa, mas também pode acontecer que me dê para a vadiagem, ou para ir directa a Lisboa, sei lá, gosto de ter a minha independência ao bater do primeiro segundo do fim-de-semana.
Tenho um colega que é muito bom moço, mas ao qual a emancipação feminina faz um bocado de espécie. Meteu na cabeça que às sextas tinha, porque tinha, que partilhar boleias comigo, apesar da restante dezena de seres que se desloca nas mesmas direcções às mesmas horas, e ficou muito vexado porque eu lhe disse categoricamente que não e, ultraje!, não me justifiquei sequer...
Andou a berrar aos sete ventos que eu tinha mau feitio e, como ninguém lhe ligou pevide, a novidade agora é insinuar que eu tenho uma vida dupla facto que, confesso, me lisonjeia sobremaneira. Por isso, apressei-me a dizer que não era dupla, era tripla como as tomadas. E que ninguém tinha que se meter em nenhuma das três.
Já em desespero, o rapaz perguntou a uma colega "que raio se passava com a Jade"... ao que ela respondeu: "A Jade é o lobo solitário da matilha. Não deixa de ser da matilha, contribui, está presente. Simplesmente só faz o que lhe dá na telha, e não presta contas da vida dela a ninguém."
Sorri. De facto é isso. Sou até muito sociável. Simplesmente escolho a quem contar o quê sobre a minha vida. Não sou um livro aberto, nem tenho que o ser. Uns acham que tenho coisas sórdidas a esconder. Eu chamo-lhe privacidade e independência.
Eu estou convencida de que tenho uma vida. Há quem ache que, no fim das contas, tenho duas. Nesse caso, faço alarde de que são três. E é deixá-los especular. Porque se há coisa que tira do sério as ovelhas de um rebanho, é haver uma que é preta.

... ad aeternum

E podia continuar a postar textos idiotas noite fora, sabem porquê? Por um pequeno e muito útil e simpático pormenor do meu fantástico metabolismo: o sono é directamente proporcional ao trabalho que tenho para fazer para ontem. Como tenho tudo organizado para amanhã, e entro de madrugada, é óbvio que estou com uma espertina filha-da-mãe, e só me apetece ir para a night bombar. Há-de dar-me o sono meia-hora antes de ter que me arrastar para o duche.
Se tivesse alguma coisa muito importante para fazer para a escola, já tinha adormecido em cima do teclado.
Awesome.

É já a seguir

Agora que o governo vai dar 5000 euros de incentivo a quem comprar um carro eléctrico, pensaria nisso muito seriamente... não fosse a sorte que tenho com tudo o que me cai nas mãos e tem baterias recarregáveis:
  • Se for tipo o meu telemóvel, estou a ver-me ao volante de uma máquina infernal que vai parar a meio da auto-estrada e... o carregador? ficou em Lisboa... olha, liga-se ali a ficha a um chaparro!
  • Se for tipo o meu portátil, há um dia que pára à entrada de uma rotunda e diz, quer reiniciar em modo windows? (aconselhado). E eu fico até anoitecer a carregar em todos os botões, tipo mentecapta, desligo e volto a ligar, que o equipamento tem sempre razão... e sou tirada do carro com uma camisa-de-forças, enquanto um qualquer informático me diz que o arranja em troca de dez mil euros e eu grito "VENDIDO!"
  • Se for tipo a minha máquina fotográfica, vai-se abaixo no melhor da festa. Seja lá isso o que for, tratando-se de um carro... e estão a passar-me muitas imagens idiotas pela cabeça.

Espera aí que eu já compro um carro eléctrico.

What else?

Que tal um par de chifres, Mr. Clooney?
Parece que o solteiro mais cobiçado do Mundo afinal já não casa num iate ao largo de Portugal.
Parece que o solteiro mais cobiçado do Mundo levou com um valente par de chavelhos.
E eu não consigo ter pena. E não é por o tipo continuar available. É mesmo para perder um bocado a pose do ai-que-eu-sou-tão-bom-e-as-mulheres-andam-todas-atrás-de-mim-e-eu faço-delas-o-que-me-apetece...
Toma lá.
(pode ser que a tipa que lhe enfeitou a testa não seja lá muito boa da cabeça, a probabilidade disso é alta... mas não deixa de ser irónico, e eu cá gosto de ironias. Há muito Clooney por aí que anda mesmo a pedi-las...)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Filha de Peixe...

A minha mãe é um fenómeno. Não conheço ninguém que faça dos seus desastres pessoais comédias hilariantes com tanta facilidade, chega a ser de bradar aos céus.
Há uns tempos, resolveu mudar a instalação eléctrica lé de casa. Coisinha simples, achava ela. Eu, na altura, pensei seriamente em emigrar, já imaginando uma capricorniana que, mal a senhora que limpa a casa vira costas, se dedica a empurrar dois milímetros para o lado todos os objectos da sala, "porque não estão no sítio, que chatice", com dois homens a furar paredes e a esticar fios pela casa inteira.
Para ela, foi um pesadelo que durou tempo demais, fez barulho demais e custou muito mais do que estava previsto. Durante mais de uma semana, vociferou impropérios ao telefone e armou-se de esfregona e pano do pó para, no dia seguinte, estar tudo no caos anterior. Pensei que seria o fim da sua sanidade mental, ou o fim da vida dos incautos electricistas, das duas uma.
Trabalho feito, a minha progenitora andaria como se nada fosse... não fossem as piadinhas em que transformou uma semana de agruras: quando a chateiam, agora, diz que ignora e faz a sua cara de "curto-circuito". Genial! Como se não bastasse, no outro dia dizia-lhe que precisava de roupa, que estava frio aqui, e se ela não seria senhora de me oferecer umas camisolas felpudas no aniversário. Respondeu-me:"Para isso não há dinheiro, depois das obras. Mas, se quiseres, dispenso-te umas quantas tomadas das antigas, para lá enfiares os dedos ou a língua, e garanto-te que aqueces num instante!"
De onde é que vem o meu sentido de humor canino? Pois. Eu sabia que, se não emigrasse, qualquer coisa daquelas obras ia sobrar para mim...

A Foot in My Mouth

Há uns dias, gozava um amigo meu, muito dado às culturas, por este se atrever a dizer que se tinha rido imenso com um dos filmes da saga "Onde é que pára a polícia". Arqueei uma das minhas sobrancelhas, com o meu ar mais atónito, e disse "Não posso crer que gostes dessa treta. É que é mesmo muito mau, muito fraquinho...", e ele, "'tás parva? Tem piadas da primeira divisão! Tu, que és tão instruída no pós-modernismo, deves reconhecer as colagens, os pastiches, as citações...." e eu, "reconheço, reconheço, só não lhes acho é piadinha nenhuma... é tudo tão idiota!", e ele, "Isso tem muita graça, vindo de uma gaja que adora as comédias românticas de Hollywood..."
A esta altura do campeonato, achei por bem engolir o que tinha para dizer e mudar de assunto, antes que fizesse mesmo como "as gajas" e deixasse de lhe falar pelo próximo milénio... era só o que me faltava, ouvir dizer mal da minha Julia Roberts, do meu Richard Gere e do meu Hugh Grant, da minha Meg Ryan e do meu Billy Cristal, and so on and so on, tão fofinhos, todos! Como se se pudessem comparar à parva da Priscilla Presley com aquela vozinha de sonsa irritante, tipo namorada do Dexter que só apetece partir-lhe a cara, mais o outro parolo com cara de energúmeno e cabelo branco, não-sei-quantos-Nielsen... é que nem de longe, nem com pastiches nem com pós-modernismos!

Cojones

Não há muito que me relaxe numa segunda à noite, porque é o primeiro dia da semana, e porque chego a casa tardíssimo e pelos cabelos.
Mas uma coisa que nunca falha é a visita aos meus blogues favoritos. Hoje, dois registos: um post da Paddy, que anda a estudar na faculdade e diz "Fuck this, I'm going to Hogwarts", que eu achei absolutamente brilhante; e o post da Teia, que desafia os leitores a fazer-lhe uma pergunta, uma qualquer, que ela responde...
Fónix, Teia, é preciso ter cojones... nunca, nunquinha nesta vida, hei-de aceitar esse desafio. Era o fim da picada (e imagino que de muito mais coisas. A minha vida dava um diário secreto, daqueles que se guardam nos confins do Vaticano. Espera, o Vaticano foi um péssimo exemplo, que isto de santidade tem muito pouco...)
E agora, adeus, que vou ali cumprir o último ritual da noite: Investigação Criminal seguida de Mentes Criminosas. Como é que alguém relaxa a ver crimes e assassinos em série? Pois é, é também por causa desta mente pecaminosa que jamais vos direi para me perguntarem o que quiserem. Muahahah!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Identidade Nacional

Há coisas que nos identificam, queiramos ou não, gostemos ou nem por isso, como Portugueses que somos. Não vou falar do Fado, porque não gosto, do Futebol, porque só me dá preocupações e decepções, nem de Fátima, porque não acredito. Não vou falar do bacalhau, que abomino, nem dos coentros, que detesto, nem das touradas, porque sou contra.
Então qual é a verdadeira identidade nacional? A forma como um Português prefere tudo, mas tudo, a ter que trabalhar. E com isso identifico-me eu bem.
Se não, vejamos esta pérola de diálogo que tiveram hoje comigo:
-Jade, vais a Lisboa no próximo fim-de-semana?
-Vou, porquê?
-Vais a algum shopping?
-De certeza, que queres que te traga?
-Um saquinho de gripe A.
No meio de uma histeria colectiva a nível mundial, por entre o pânico e o terror ao vírus, o tuga mostra toda a sua coragem: há que agarrar o H1N1 pelos cornos... desde que isso signifique sete dias a coçar a micose.
Vou ali já venho, beijar o primeiro ser que se atravesse à minha frente a espirrar...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Hábitos e Costumes



Previsibilidade.
Sou uma pessoa previsível. Na maior parte do tempo, cada ser que me rodeia, conheça-me bem ou nem tanto, sabe com o que pode contar, sabe o que esperar, e sabe, principalmente, que não pode esperar muito ou contar comigo por aí além. Não sou dada a passar a mão pelo pêlo, não tenho feitio para grandes lamechices e sou um zero à esquerda quando se trata de exprimir sentimentos nobres. Também os sinto, também os tenho, mas sou pouco efusiva nos afectos, salvo raríssimas excepções.
Claro que há o reverso da medalha. As pessoas de quem gosto sabem que não se passa muito tempo sem que eu lhes telefone a dar ou pedir sinais de vida. Sabem que as procuro, que lhes mando mails, nem que sejam apenas forwards com uma frase “das minhas”, como diz a Mzinha. Que tento não deixar passar em branco os dias dos seus aniversários. Que retribuo chamadas perdidas. Que não me desleixo nas amizades.
É costume. É costume alimentar amizades a quilómetros de distância, é costume ir a casa das pessoas, é costume parar para ouvir a resposta a um “como estás, está tudo bem?”. É costume ter tempo para deitar conversa fora ao telefone, e paciência para estar horas a ouvir alguém desabafar. A ouvir mesmo, e não a fingir que oiço, enquanto penso noutras coisas. Há muita gente que se admira, tempos depois “eu disse-te isso? Eu contei-te isso? Ainda te lembras disso?” Sou assim. Sou previsível. Estou atenta.
Novembro não é um mês agradável. Começa o frio, chove, não há feriados, o tempo aperta, o trabalho cresce exponencialmente e, não sei porquê, há sempre problemas, chatices e surpresas desagradáveis. Há sempre rotinas a descarrilar, merdices a correr mal, cansaço acumulado, pormenores sem fim a anotar na moleskine. É o ponto mais negro da noite, que antecede a madrugada das coisas boas que vêm de seguida, em Dezembro. As férias, o descanso, os mimos, os presentes, as festas, o tempo para ter tempo.
Este Novembro não foi excepção, e a rotina foi a perda do que em mim era rotina e costume, a perda da previsibilidade. Abandonei blogue. Quase abandonei e-mail e telefone. Pus amigos em stand-by. Vivi para o trabalho. Dormi nos intervalos. Não foi nem fácil, nem simpático. Nem sei se foi, sequer, útil. Mas era necessário. Tive que me organizar, que parar, sem de facto o fazer. Tive que recomeçar. Tive que me ambientar a muita coisa nova, e em algo de novo em mim, cá dentro. Uma novidade que se prendeu num olhar em frente, num soltar de amarras, numa recusa em vivências nostálgicas. Fiz um grande esforço. Vivi de forma minimalista, reduzi o meu mundo ao essencial: trabalho, horas de sono e alimentação disciplinada, pouquíssimos ou nenhuns cigarros por dia. Poucas chamadas telefónicas, só à progenitora e ao cumprimento dos aniversários dos amigos. Pouca vida social. Pouca gente à volta. Ninguém a quem prestar contas ou dar justificações. Só a Mzinha e o H., porque uma vive comigo e é como se fosse minha irmã, por isso posso estar em silêncio, ou falar sem parar horas a fio, que não há cobranças nem intromissões, nem desconfortos nem juízos de valor; o outro porque me conhece quase desde sempre, lê nas entrelinhas e me oferece riso e chocolates, me empresta livros e me pergunta por eles, obrigando-me a ler e a evoluir, esteja eu dentro do poço lá no fundo, ou com o melhor dos humores.
E no fim de um Novembro com uma rotina sempre igual, mas tão diferente das rotinas dos últimos anos, sinto-me quase, quase em forma, para regressar à base, voltar a procurar outras pessoas, voltar a conversar e a deitar conversa fora. Sinto-me quase, quase pronta, para sossegar os que me ligaram “que se passa contigo?”, “preocupa-me que não escrevas”, “estás bem?”, “não é nada teu costume”…
Estou quase, quase pronta. O que se passou comigo, não sei. Se estou bem, acho que se não estou, para lá caminho. Sinto-me centrada, ou concentrada. Sinto-me em paz. Tenho andado em stress, mas sem ansiedade. Pouco efusiva, como sou por natureza, mas sem dramas interiores, o que também era costume. Pouco palavrosa, mas com a dose de parvoeira natural e suficiente para ainda me reconhecer. E, na escola onde toda a gente me trata pelo diminuitivo e os putos estão, finalmente, a começar a entender-se com a profe de Inglês, tal como na vida privada, e anormalmente recatada, que tenho levado, a minha pele, aos poucos, começa a servir-me à medida. Começo a sentir-me realmente confortável com ela. E, se Novembro raramente traz algo de bom, este, pelo menos trouxe-me isso: uma pele feita à medida das minhas necessidades.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Caíu a ficha

Andava quase há um mês com uma sensação de estranheza. Qualquer coisa não batia certo e eu não conseguia perceber o quê. Era, isso eu sabia, um sentimento peculiar e indistinto e prendia-se com a escola, com o ambiente, uma espécie de comichão de fonte indefinida. Hoje caíu a ficha:
Somos poucos. Almoçamos juntos muitíssimas vezes. Saímos frequentemente depois do sol se pôr. Entramos de manhã cedo. Tratamo-nos pelos nomes próprios. A mim, toda a gente me trata pelo diminuitivo, até a Directora. Por tu, todos e sempre. Comunicamos por mail e sms. Falamos aos fins-de-semana. Sabemos moradas e telefones, nomes de maridos, mulheres, namorados, namoradas, filhos, filhas, netos, netas e animais de estimação de toda a gente. Vamos ao supermercado da vila em excursão, porque não há tempo de fazer compras onde residimos. Assaltamos os cacifos uns dos outros, que estão sempre abertos, em busca de pastilhas e chocolates, agrafadores e tubos de cola. Às vezes passamos o tempo a rir. Outras insultamo-nos de tudo. Há alturas em que já nem nos podemos ver. Outras, temos a sensação que dormimos todos juntos.
Caíu a ficha. O que eu estranho é que aquilo tem a dinâmica de uma grande família. Da grande família que eu nunca tive: pessoas que não são escolhidas por nós, mas que temos que gramar. Pessoas que mesmo que nada nos digam, conhecemos, e conhecemos melhor que muita gente com quem convivemos há anos. Pessoas com quem é impossível mantermos grandes ódios, porque vamos levar com elas durante muito, muito tempo, e isso pesa nas nossas atitudes e nas nossas predisposições inconscientes.
É diferente do que se passava no ano passado. No ano passado era possível darmo-nos apenas com meia-dúzia de escolhidos. Era possível fazermos amigos, ter confidentes, arranjar namorados, criar grupos. Aqui, não. Qualquer relação íntima dá ideia de incesto. O grupo é geral, uma cambada de primos e primas e tios e tias, e mães e pais e irmãos e irmãs. Uma amálgama de gente virada para o trabalho e para as boleias, para os horários dos filhos e dos ginásios, a reunir e a comer bolachas, a esvaziar pacotes de sumo e leite com chocolate à medida que se controla a própria agenda e a dos outros, e se diz, não está na hora de ires buscar o teu filho? ou, hoje vou eu buscar a tua filha e depois aproveitas e jantas lá em casa quando saíres da reunião, ou ainda, e no meu caso, a deixa da semana, o xpto do teu médico já te ligou ou temos que fazer uma excursão a Lisboa para lhe partir as trombas? Enquanto não liga, toma lá um chocolate, que és linda...
E isto, para mim, é do reino do incrível. Mas não deixa de ser um grande consolo. E de me dar alguma paz interior. Uma paz que nunca tive, descontextualizada e desenraizada como sempre estive ao longo de tantos anos nesta terra.
Agora, só tenho que ter cuidado e não ir para a escola de pijama e roupão, já que vou, muitas vezes, dar aulas de chávena de café ainda em punho.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

PQP...

... este calor de Verão de dia e frio de rachar à noite, mais as mangas curtas quase em Novembro. Se o tempo, que é o tempo, anda desgovernado e doentio, como é que eu, que sou só e simplesmente eu, hei-de andar melhor?
P*ta-que-pariu!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Metafísica de Domingo

Ele houve tempos em que o maior pesadelo do mundo era chegar a sexta-feira e encarar o fim-de-semana. Literalmente quarenta e oito horas a dar com a cabeça na parede, sem apetecer fazer nadinha, desde ir ao supermercado a limpar o pó à casa, passando pelas obrigações escolares e a dissertação de mestrado.
Ele houve tempos em que passava dois dias deitada, entre a cama e o sofá, tendo como amigos íntimos de cabeceira o comando da TV,e o trio maço de cigarros, isqueiro e cinzeiro.
Ele houve tempos em que passava muitas dessas horas de solidão a chorar, que é o que faz quem não tem força para fazer o que quer que seja, e acredita que, se a tivesse, não haveria sentido para tal.
Esses tempos, felizmente, são parte de um passado que, apesar de recente num percurso de quase trinta e quatro anos, parece estar a milhares de anos-luz de distância.
E, embora me sinta, finalmente, equilibrada racional e emocionalmente, e considere que faço parte agora da grande maioria de gente funcional, é sem dúvida outro grande busílis chegar a domingo à noite desertinha que chegue a próxima sexta-feira à tarde.
Haja normalidade. E alegria no trabalho, onde quer que essa gaja ande.

sábado, 24 de outubro de 2009

Alma presa por uma corda a um pé da mesa

Em dias como o de hoje, sinto-me uma autêntica prisioneira. Detesto sentir-me assim, num calabouço de obrigações, de tarefas por cumprir, de coisas para fazer, de deadlines a respeitar. Detesto. Sou, desde sempre, um espírito livre. Gosto de fazer o que bem me apetece. Tenho uma vida muito privilegiada, no que toca a opções, a decisões, a venetas. Tenho até, aquilo a que chamo muitas vezes, a maldição da independência quase total.
Às vezes penso que se tivesse mais âncoras, que não a do trabalho e a preocupação constante com a única pessoa do meu sangue que existe no meu mundo, que é a minha mãe, se tivesse mais âncoras, dizia, talvez me sentisse mais equilibrada, mais normal. Mas a verdade é que não tenho, e já há muito aceitei a minha alienação do mundo adulto convencional.
E em dias como o de hoje, em que esse mundo adulto me cai em cima da cabeça como um piano de cauda, acabo por me sentir completamente sufocada.
Está sol e eu estou cheia de maus sentimentos.
Tenho coisas para fazer durante todo o fim-de-semana, coisas que me tiram tempo para as minhas sestas e os meus livros, e a minha internet e os meus jogos, e a minha preguiça e os meus amigos.
Talvez por isso, hoje tentei ligar a duas ou três das minhas amigas do núcleo duro da escola anterior. E nenhuma me atendeu o telefone. E com isto, pensei que as mudanças, mesmo que para melhor, trazem sempre com elas perdas irrecuperáveis, que em certos momentos, como agora, nos angustiam. Porque tenho que trabalhar e me apetecia queixar-me disso a quem estivesse na mesma situação. Porque me apetecia regressar a um mundo, não físico, mas emocional, em que o meu local de trabalho fosse também o espaço das minhas amizades femininas. E isso, de facto, já não é.
Nesta escola, as mulheres são simpáticas, são divertidas, são boa-onda, são inteligentes e agradáveis, não me posso queixar, não. Simplesmente, não vejo em nenhuma delas sementes de cumplicidade. Não me parece que lá vá encontrar pessoas que me digam tanto como a Mzinha, a MissCovilhã, a PêloRusso, a Li ou a T. A cumplicidade feminina em nada está relacionada com a empatia. É uma fórmula equilibrada de interesses partilhados e formas de estar na vida. É, sobretudo, uma elo inquebrável que nasce de modos de rejeição idênticos. Nada aproxima tanto as mulheres como um objecto que ambas detestam. E nesta escola é tudo muito morno, muito politicamente correcto, muito superficial.
Sinto falta das minhas meninas, da má-língua, do corte e costura, do modo tão catártico que tínhamos de desabafar irritações e venenos, à mesa de uma esplanada, ou numa sala de professores de sofás dispostos em U. Sinto falta de ter com quem partir a loiça toda, e depois rir-me. Sinto mesmo falta de fazer uma chamada para me queixar da merda das planificações e ter alguém que me atenda na hora, por estar em frente a um computador, a fazer a mesmíssima coisa.
Sinto falta, nestes dias em que a minha alma está presa por uma corda a um canto da mesa, de ouvir alguém resmungar, do outro lado do telefone, contra o mesmo tipo de cárcere.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Des.ilusão

Tenho para mim, tipo mantra, que devo manter baixas expectativas em relação a tudo. A tudo o que mexa, por um lado, a tudo o que está por vir, por outro.
Tenho para mim que castelos construídos no ar, à espera de milagres, resultam apenas para aqueles, que os há, que neles, milagres, acreditam.
Tenho para mim que todos os seres humanos são falíveis, por um lado, e não são espelhos que devolvem a nossa imagem, por outro. Não devolvem absolutamente nada, melhor dizendo. Nem o nosso afecto, nem os nossos sonhos, nem as nossas esperanças, nem a nossa boa-vontade. Não devolvem. Podem dar-nos isso tudo, mas sempre independentemente dos nossos quereres. Independentemente de nós.
Por isso, des.iludo-me pouco, e cada vez menos, nesta vida.
Porque tenho para mim que quem muito se desilude, no fundo, tem um problema sério, isso sim, consigo próprio. Quando nos desiludimos, em última instância, somos sempre nós quem não está à altura, não o outro, seja ele de carne e osso, pele e cor, ou uma mera fantasia de um futuro risonho, ancorado na areia movediça da inércia.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Eu tentei...

... mas não sou capaz.
Enquanto toda a gente normal está a começar a ver a 5ª temporada da Grey na 2, gente menos normal já a viu na FoxLife. E, depois, há os perfeitos anormais, como eu, graças aos CTT e a uma amiga sempre em cima do acontecimento, que vão acompanhando a 6ª temporada quase em directo, semana a semana, à medida que cada episódio vai saindo nos States.
E o meu amigo Pan, que viu a estreia da 5a temporada na 2, resmunga que aquilo está "fraquinho". E eu, que vi a temporada toda de enfiada num CD recebido na caixa de correio, aconselho-o a não desistir, a morder-me toda de impaciência para não lhe dizer o que se vai passar, do género "Don't be an ass-hole!!!".
Mas confesso que isto de esperar pelo episódio da próxima semana, depois de estar habituada a ver tudo sem respirar, comer e dormir, me está a tirar do sério. É que a nova temporada, por mais que alguns digam que "O House, o House é que está a bombar!...", a mim, está a enervar sobremaneira.
Eu tentei, juro, mas não consegui: My name is Jade and I'm an addict.
Estou doidinha para ver no que isto vai dar. E deserta por vos contar... mas não posso, apre!

Um dia, inesperadamente, compensa.

É como aquela ideia brilhante dos pacotes de açúcar de uma marca de cafés conhecida: Um dia...Este é o dia. Ou Hoje é o dia.
Um dia vou sair mesmo feliz de uma aula de Inglês de nono ano. Hoje foi o dia.
Estou a dar uma unidade temática que se prende com Music and Cinema. Só por si, é motivante para eles e para mim. A escola obriga a uma data de projectos ditos transversais e comemorações das festividades mais absurdas. O Halloween não poderia faltar, claro. Então pus-me a pensar num modo de juntar tudo, perder pouco tempo com palhaçadas e não repetir o que aqueles desgraçados adolescentes fazem todos os anos. Nada de concursos de abóboras, nada de trick or treating.
Filmes, música e Halloween? Levaram com o espectacular "Nightmare Before Christmas", do Tim Burton, na versão original e sem legendas em Português. Passei-lhes vezes sem conta a canção inicial. Propus-lhes um duplo trabalho, cada um escolhe uma personagem e faz-lhe a caracterização escrita em Inglês. Para além disso, faz também a sua interpretação artística, como quiser. Surgiram ideias do arco-da-velha. Um vai montar, em cartolina, uma cena do filme em 3D. Outra vai fazer a Sally. Vai fazê-la mesmo, a boneca do vudu, à mão, cosida com a ajuda da avó. Outros vão fazer o boogie-man em plasticina, com direito às minhocas a sair lá de dentro e tudo. Há uma proposta de apresentação do Jack Skellington em tela pintada a óleo. Um grupinho ficou de redigir, em Inglês, o plot do filme, para contextualizar o que será, no caso de haver trabalhos de qualidade, uma exposição na biblioteca.
Os resultados, não sei. Mas não serão decepcionantes, porque já valeu, e de muito, o entusiasmo, os olhos brilhantes, os grandes sorrisos, e as vozes em coro a cantar "This is Halloween, this is Halloween". Surrealista, por tudo. Por serem adolescentes e, ainda assim, cantarem em coro sem vergonha, e sem eu lhes pedir, num Inglês quase perfeito. Por interromperem o filme para perguntar "o que é que ele disse, stôra?", por me responderem em coro, quando eu lhes perguntava, "o que é que ele disse agora, meninos?", por repetirem frases conhecidas, à medida que elas iam surgindo "What is this?", "This seems fun!", "Trick or treat!" Quem diria? Do reino do incrível...
E o meu sorriso aberto? Pespegou-se-me no rosto quando uma das minhas alunas, que não percebe nadinha de Inglês, me diz no fim da aula, ó stôra, afinal percebi o filme, percebi muitas frases... temos que fazer isto mais vezes!
Haja imaginação da minha parte, que a deles está boa e recomenda-se! E hoje fingiram que sabiam muito mais Inglês do que à partida parecia. E fingiram tão bem que eu resolvi, só hoje, só desta vez, acreditar neles.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sobre a Paciência

Há gente muito paciente. Eu sou tolerante o suficiente, o que não é o mesmo que dizer que sou paciente o suficiente. De facto, um dos meus defeitos é a impaciência. Um professor impaciente é, por norma, um professor incompetente. Ainda assim, contradição das contradições, não me considero incompetente. Isto porque sofro de impaciência selectiva: eu sou aquela que explica trezentas mil vezes a mesma regra a um aluno com a sensibilidade linguística de um calhau, mas dá um par de berros a um aluno que, por mais brilhante e dotado que seja, me pergunta pela terceira vez "que lição é hoje?", "é em que página?" ou "isso é para passar?"
Impaciência profissional selectiva.
E no que diz respeito à vida privada?
Aí, sou coerente. Com a selectividade, bem visto. Aturo tudo à família e amigos. Aturo muito a colegas e desconhecidos. Os meus níveis de atenção são elevados quando toca a ouvir histórias, historietas e desabafos, lamúrias, lamentações e conversas parvas, sérias ou desconversas divertidas. HOWEVER... não tenho pachorra nenhuma, repito, nenhuma, para gente má.
Hoje, na minha escola, havia uma acção de formação sobre "Educação Sexual". O tema é importante, não o nego. Até poderia lá ter estado, não fosse um conjunto de circunstâncias que desenhou um contexto específico no qual a minha presença seria um verdadeiro sacrifício. E eu evito, ao máximo, fazer fretes, porque não consigo disfarçar o desagrado, lá está, fico impaciente, sou como as crianças, mexo-me, bocejo, sopro, reviro os olhos. A acção de formação era um convite a todos os professores. Como ninguém se inscreveu, houve uma ameaça velada a que seria o convite transformado em convocatória. Ai, o que eu adoro ameaças, não vem nos livros. Diz-me a minha inteligência mediana que Formação Profissional, por enquanto, cada um ainda escolhe aquela de que mais precisa. Se sou uma expert em Educação Sexual? Claro que não sou. Precisarei de o ser a curto prazo? Não, de todo, não sou DT, não dou Área de Projecto, não estou em nenhuma equipa de Educação para a Saúde. Escolhi declinar o convite, o tal que nunca chegou a convocatória.
E hoje, à hora de almoço, vim-me embora, com colegas a vociferar nas minhas costas, então mas afinal não era obrigatório? E eu, desculpa, vês alguma coisa nas convocatórias? ai, e tal, não, mas disseram-me... Marimbei no que disseram. Parece que as estou a ouvir "A Jade tem a mania que é esperta, que é mais que os outros, ainda se lixa, vai ter falta, vamos lá nós, ovelhinhas, cumprir, mas no entretanto dizemos mal da acção, da formadora, dos que nos obrigam a ir e, claro, da Jade."
A Jade não tem a mania que é esperta, a Jade pensa por si própria e está-se nas tintas para o que pensam dela.
Aqueles idiotas que lá ficaram contra-vontade, em vez de me insultarem com toda a invejazinha que lhes enche as almas pequeninas, seriam mais saudáveis se fossem menos cobardes e dissessem, não vou porque não quero. Não vou porque não me interessa. Não vou porque não sou menos professor ou menos competente por isso. Mas são pessoas cheias de medo, de preconceitos, de chico-espertice, de maquiavelice, de comparação de estatutos, de análise pela rama que validam de absolutos.
E, para gente assim, não tenho mesmo paciência nenhuma.
E se, amanhã, gente assim me tiver valido uma falta, coisa que não me surpreende mesmo nada, pelo menos não me valeu um grande frete, e mais um prego para o caixão, que eu ando doente. E a paciência, que já é pouca, é inversamente proporcional às dores do corpo. Com as outras dores, as de cotovelo dos coleguinhas, posso eu bem.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Engole já o que disseste!

Passo a vida a azucrinar os meus colegas de informática que, de cada vez que há chatice com algum computador, dizem, com um ar muito entendido, desliga e volta a ligar...
Passo a vida a insultá-los de tudo, a resmungar que ninguém precisa de quatro ou cinco anos numa universidade para aprender duas frases, "desliga e volta a ligar" e "o equipamento tem sempre razão".
Passo a vida a olhar para eles de cima, do alto do meu metro e quase setenta, com um ar arrogante e intelectual, de quem estudou coisas importantes e muito úteis, como Literatura, que toda a gente sabe que é fundamental, dá dinheiro com'ó caraças e desenrasca tudo no dia-a-dia, desde mudar uma lâmpada a alardear soluções práticas para qualquer problema existencial e material.
Passo a vida nisto, nesta atitude simpática e solidária, com aqueles a quem chamo "licenciados de terceira categoria", "engenheiros da tanga" ou "geeks do teclado".
Hoje, um deles acabou por me poupar mais de mil euros num computador novo. Ou, a duas amigas minhas, a chatice de sairem das suas vidinhas para tentar fazer o mesmo.
Por isso, a partir de hoje, quem percebe de informática passou a constar da minha lista de heróis.
E engulo tudo o que disse. A seco. E em silêncio, que é como eu devia estar muito mais vezes, para não dizer asneiras.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cavalo de Tróia

O meu computador andou a ameaçar algum tempo. A queixar-se. A gemer. A destemperar-se. A perder a pachorra. A fechar a meio de trabalhos. A mandar-me à outra parte. A dizer que estava doente, que tinha vírus, que não podia lavar as mãos e precisava de descanso.
Hoje foi o dia. Finalmente, desisitu. Recusou-se a arrancar.


Eu ando a ameaçar há algum tempo. A queixar-me. A gemer. A destemperar-me. A perder a pachorra. A fechar a meio de raciocínios e frases. A mandar meio mundo à outra parte. A dizer que estou doente, apesar de lavar as mãos 2834 vezes ao dia, e preciso de descanso.
Amanhã será o dia. Considero seriamente desistir e recusar-me a arrancar e ligar para a escola a dizer que estou de cama com um Trojan Horse. E é favor de não fazer piadas porcas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Acho um bocadinho ridículo...

... chamar "Estadunidenses" aos Americanos. Sim, eu sei que os Canadianos, os Argentinos, os Mexicanos e os Chilenos, mais os Brasileiros e os Cubanos, e os restantes povos todos desse Continente, também são Americanos. Eu sei, e alguém tem dúvidas disso? Mas acho pedante, a do estadunidense. E sintoma de complexo de inferioridade, trauma de infância, dor de cotovelo, ressabiamento, e antiamericanismo (Antiestadunidensismo????), tudo junto, e já démodé, na era Obama. Acho pseudo-intelectual. Acho poucochinho, o preciosismo politicamente correcto. Além de tal ideia ter que vir da cabeça de um tuga, como raio é que isso se diz em Inglês? United Statese? United Statish? E, pela mesma ordem de ideias, não se deveriam rebelar depois os Brasileiros, nacionais de outra confederação de Estados Unidos? Pronto, eu calo-me. Mas não sem antes acrescentar que...
...acho um bocadinho ridículo, vá.

Ok, ok, nem tudo é mau...

Enquanto espero pelos meus adultos, e vou escrevendo uns posts e soltando um veneno, resolvo fumar um cigarro ao portão da escola semi-assombrada, que não está cá ninguém.
Passa por mim, durante a meia-dúzia de minutos que a cena leva, meia-dúzia de pessoas que não conheço de lado nenhum. Todas me dizem, boa tarde, professora.
E eu acho isto simpático. Embora um pouco constrangedor.

E um beijo na boca, não?

Estive três horas numa reunião de Conselho de Turma. Às tantas, passei-me e disse que me ia embora, que estava mais que farta daquilo. Que estava na escola desde as oito e meia da manhã. Responderam-me "Jade, estamos todos na mesma situação". Pedi o direito a três interpelações à geral. "Levante o braço quem ontem esteve mais de dez horas na escola". Nada. "Levante o braço quem esteve, entre ontem e hoje, menos de doze horas em casa" Nada. "Levante o braço quem vai estar, hoje, treze horas na escola" Nada. "I rest my case. Todos na mesma situação? Não me parece". E a reunião acabou ali.
Não acrescentei que no bloco de noventa minutos das dez e meia da manhã, que era suposto estar em co-docência à conta de um projecto "mais sucesso", a minha coleguinha se pirou num "vou ali já venho" muito astuto, e me deixou a hora e meia pendurada sozinha com a turma. Uma atitude muito simpática e muito profissional, como é óbvio.
Só não tive direito ao beijo na boca. É que quando me f*dem, gosto que me beijem na boca.

Pois, não sei.

Não faço a mais pequena ideia do que me faz mais comichão: se a Maitê Proença armada em parva num vídeo que anda no youtube e nas caixas de e-mail de todo o país, a dizer mal de Portugal e dos Portugueses; se os comentários xenófobos de muitos Portugueses ao dito, numa alarmante onda anti-Maitê alargada e confundida com uma onda anti-Brasil/eiros; se uma alergia que tenho no pulso por causa sabe-se lá bem do quê.
As três hipóteses são fenómenos aos quais, julgo eu, o melhor é dar pouca importância. Coisas pequeninas e desinteressantes facilmente se tornam graves quando se lhes dá confiança. Faz comichão, faz... mas não coce, ou faz ferida.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Seja lá isso onde for...

Hoje, como já deu para notar, estou piursa.
Por isso, e depois de dez horas na escola, non-stop, mais as treze que me esperam amanhã, mais o trabalho que ainda trouxe para acabar ao serão, que é como quem diz, boa piada, chamar serão ao tempo entre as dez e as onze e meia, sem sequer jantar decentemente, depois de tudo isto, tenho duas coisas a dizer, ou melhor, a BERRAR...
1- Vou-me deitar, e como dizia agora numa sms à Shadow, fazer força para sonhar que sou a Rainha do Sába (ou Sábá? epá, não sei, não sei quem é o gajo ou, se é lugar, onde é que essa trampa fica, só sei que a essa rainha toda a malta é obrigada a prestar vassalagem, que a fulana não faz um chavelho...) e que tenho trezentos gajos bons a abanar-me com plumas, a meter-me uvas na boca e a mudar-me os canais da TV Cabo, enquanto são insultados por não ser suficientemente competentes... ai que está aqui demasiado vento, ai que as uvas são amargas, ai que não me apetece o CSI Miami mais o cenoura de cara à banda, SEUS IMBECIS!...
2- O PRIMEIRO CRETINO QUE SE ATREVER A DIZER-ME QUE SE GANHAR O EUROMILHÕES CONTINUA A TRABALHAR, MORRERÁ ÀS MINHAS MÃOS DE MORTE MATADA LENTA E DOLOROSA. Muahahahah!!!...
Pronto, já disse.

Quem foi?

Quem foi a rematada estúpida, para não lhe chamar muitíssimo pior, que armada em madre teresa, na semana passada, se pôs a fazer permutas porque tinha uma consulta médica na segunda-feira, e não se apercebeu que estava a permutar tudo para o mesmo dia?
Adivinharam... é a rematada estúpida que amanhã vai estar na escola das oito e meia da manhã às nove e meia da noite, non-stop.


Esta é uma a acrescentar, e logo no ponto um, à lista de situações em que apetece largar um grand'a "f*da-se!!!". Daqueles do tamanho de um camião. "Atrabexado".

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ah, então é isso...

Ando a ler um livro interessantíssimo de um filósofo francês, Bernard-Henri Lévi, chamado Vertigem Americana. É a visão francesa sobre a América Contemporânea, ou melhor, sobre os EUA da actualidade. Estou a adorar, claro.

Há uma frase deste livro que me anda a ecoar nas orelhas desde que a li: "A ditadura desse novo senhor, não menos feroz que o outro, que é "a maioria" ou a "opinião"... a "pressão" do espírito de todos sobre a inteligência de cada um".

Tenho sentido isto de forma avassaladora, em muitos domínios da minha vida, na idade adulta. Foram muitos os que me tentaram tutelar as atitudes e, pior que isso, os valores, as vontades, o percurso de vida.

Familiares tentaram fazê-lo no sentido das convenções, de um casamento que me proporcionasse o estilo de vida de classe média-alta a que sempre estive habituada. E foi por um triz. Nessa altura, a hipnose era de tal ordem que, se não fosse a providência divina de uma grande paixão politicamente incorrectíssima, poderia estar hoje casada e cheia de filhos. Mas profundamente infeliz, de certezinha. Depois, foram as amiguinhas a querer mandar na minha vida, a troco de favores antigos. Não durou muito, a cegueira. Em três tempos, mandei tudo ao ar e comecei novamente. Com menos amigos e menos família. Com menos maiorias de tolos a ditar as leis dentro da minha cabeça. Com menos fazedores de opinião a impor-me leis alheias de conduta.

Isto passou-se já lá vão mais de três anos. E foi uma fase traumatizante, como, dizem os neurologistas e os pedo-psiquiatras, traumatizante é nascer.

Desde aí, o que me entristece, confesso, é ver adultos ditos equilibrados agarrados às ideias dominantes, e incapazes de as questionar. Colegas de trabalho inteligentes que não usufruem do seu raciocínio, paralisados pela ideia "quem manda, manda assim, a gente desenrasca, a gente cumpre, a gente obedece". Às vezes, palavra de honra, pergunto-me se quem manda já se apercebeu disto. Porque eu acho que sim, e que tomam o pulso do absurdo a que a multidão de parvos chegará, até onde irá, até onde cumprirá. Porque há coisas mesmo idiotas a ser feitas nas escolas, e toda a gente parece estar de acordo com elas. E eu recuso-me a, por estar contra, ser etiquetada de imbecil. Recuso-me a que me chamem idiota por achar que não tenho bases para dar Contabilidade e Informática, quando sou Licenciada em Línguas e Literaturas. Sou eu que sou estúpida, ou são estúpidos os que me obrigam a formar pessoas sem ter eu formação para isso?

Recuso-me a que me chamem cretina, por exemplo, por achar que não devo votar num partido que me fez a vida negra quatro anos, enquanto representante de uma classe profissional que foi desacreditada, ignorada e enxovalhada. Um amigo meu disse-me "tu não podes falar porque não tens consciência política". E eu admito, não tenho. Ai, e tal, porque "ao meu partido deves a democracia". Será verdade. Mas até quando vai esta classe política viver à sombra de quem fez a revolução? Até onde irão, pondo e dispondo da vida e das carreiras das pessoas "sem consciência política", é certo, mas com um mínimo de perspicácia, a suficiente para verem os anos que empenharam numa Universidade a ir água abaixo, e a ser caladas com arrogância e manipuladas como robots?

De facto, não tenho consciência política. Sou ignorante. Sou apartidária. Mas ignorância não é burrice, e recuso palas nos olhos e cabresto nos dentes. Não me venha uma maioria qualquer dizer o que pensar. Não me venha uma maioria absoluta dizer que sou eu que estou mal, por achar que são todos uns imbecis, esses senhores dos gabinetes que acham que uma professora de Línguas deve ensinar adultos a preencher formulários do IRS, dar-lhes noções de gestão e linguagens informáticas e ainda se sentir muito satisfeita com o sistema, e consigo própria.

Ironicamente, o partido do meu amigo cheio de sabedoria e consciência política, e arrogância suficiente para achar que nós, os outros, "não podemos falar", perdeu as eleições. É que a malta não pode falar mas, por enquanto, ainda pode votar.

I'm a free thinker. Arrest me.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Twilight Zone

Hoje estou virada para posts com nomes de programas de televisão do tempo da Maria Cachucha. Este foi traduzido por "A Quinta Dimensão" e é um antepassado do X-Files, "Ficheiros Secretos". Basicamente, era uma série de episódios sobre fenómenos paranormais.
Paranormal é o cenário que se instala de cada vez que olho para o dossier dos temas que é suposto abordar nos Cursos EFA.
Eu bem tento explicar ao meu grupo de auto-ajuda (a equipa de formadores EFA e sua mediadora) que sou professora de Inglês e dou uns toques no Português. Que percebo razoavelmente de Literatura e de Língua. Que há 90 e tal por cento de probabilidades de saber a resposta a uma pergunta de Gramática. Que nos restantes dez por cento, há cem por cento de hipóteses de saber onde ir procurar a informação pretendida e ignorada. Que arranho Prosa, Poesia e Teatro. Que até me desenrasco no que toca a Cultura Cinematográfica. Que sei a quem recorrer se precisar de dissertar sobre música pop, rock, folk, country e até clássica. Isto é o que eu domino ou posso dominar, com alguma pachorra e empenho, porque não me falta motivação para aprender mais, e as bases estão lá.
Não, senhora. Querem que eu fale de Gestão e Economia, Orçamentos e Impostos, Organogramas Empresarias. E eu, suspiro, e depois, encolho os ombros. E, no fim, rio-me. A seguir, querem que fale de Micro e Macro Electrónica, Linguagem binária, Visual Basic e ASCII. E eu penso, ASCII? ACHI, PATRÃO! Que raio de merda é essa? Finanças e Computadores, não deve haver muito mais neste mundo que me diga tão pouco e áreas nas quais seja mais ignorante! Só uma: arquitectura, urbanismo e sustentabilidade. Adivinhem qual é o terceiro módulo que vou ter que dar, e no qual vou participar num projecto nacional? Pois...
E dizem-me, tem que ser, desenrasca-te, não és uma pessoa com falta de capacidades para aprender, pois não? E eu entro em pânico, depois irrito-me e barufusto, a seguir enfureço-me e argumento, e para quê? Para voltar a suspirar, a encolher os ombros e, no fim, acabar a rir-me. Era esta a desculpa que me faltava para, mais uma vez, não almejar a menção de "Muito Bom" ou "Excelente" na minha brilhante carreira docente. É irem assistir às minhas aulas de EFA para me correrem logo a Não Satisfaz, pois se não faço puto de ideia do que é suposto ensinar! Nunca, em dez anos de ensino, tal me aconteceu...
...Twilight Zone.

Agora, escolha!

Não, não é um revivalismo ao programa da Vera Roquette, que faz parte da minha infância, como o Verão Azul e os Três Duques. Isto porque não estou para ouvir a Shadow, depois, em plena dissertação dos ideais do generation gap.
O título é mesmo para mim.
Ontem um colega meu chamou-me mal-educada. Diz que passo por ele montes de vezes na rua sem o cumprimentar, com aquele ar arrogante que diz "conheço-te de algum lado, ó exemplar triste?"
Apanhou-me desprevenida e corei até à raiz dos cabelos.
Agora escolha, sôdôna Jade: admite que é uma grande mal-educadona, ou explica que é míope e despassarada, anda sempre no mundo da lua e de olhos no traseiro do infinito, não vê um boi a não ser que ele lhe caia em cima, e está farta de fazer figuras tristes a falar a pessoas que confunde com gente que conhece, mas que nunca viu mais gordas? Entre as duas opções, não sei em qual fico menos mal na fotografia.

Algo está pôdre...

... no reino da escolas portuguesas.
Uma colega minha, que eu conheço há vários anos, aceitou um horário de quatro horas na minha escola. Ontem, desistiu. Hoje encontrei-a no supermercado:
Jade, não dava, pá. Quatro horas de aulas não compensavam 29475638 papéis que tinha de fazer e entregar para ontem, nem 27464 horas de reuniões semanais. Com tanta burocracia, as quatro horas de aulas, irrisórias, nem sequer eram preparadas como deve ser.
E fiquei eu efectiva num Vaticano mais papista que o Papa. Cada um tem o que merece. Ou não.

Como disse?

Ontem falava-se de idades, e cheguei à conclusão que até a idade é muito subjectiva. Como é que alguma coisa que é traduzida em números pode ser subjectiva?
Aluno Gonçalo (que saudades) para mim, no ano passado: Ó professora, quando era nova...
WHAT????
Aluno XPTO para uma colega minha, ontem: A professora já é muito cota, tem para aí uns... quê? 25 anos?
Excuse me, are you crazy? Or just an idiot?
Não posso deixar de acrescentar a melhor de todas...
Colega "recém-colocada" para um amigo meu, "recém-quarentão" e muito bem conservado: tratá-lo por tu? não posso, não sou capaz, é que o professor é muuuuito mais velho que eu!...
Eu cá, batia-lhe. Juro.

Miau...

Notícias Sapo: "David Fonseca adora gatos".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ironias

A tempestade tropical ao largo dos Açores, que nos tem dado tão bom tempo, chama-se Grace.
Agora digam lá... que Grace é que ela tem?

Será da água?

Hoje, entre o estupefacta e o morta de riso, vi a Mzinha sair da estação de serviço onde tinha ido pagar o gasóleo, de olhos postos na factura, e dirigir-se ao carro do lado onde, no lugar do pendura, um gajo, atónito, a observava em pleno acto de tentar entrar no carro. Quando ela deu pelo engano, já eu não aguentava de dores de estômago e maxilares.
Ela entra no carro - no certo, desta vez, bem visto - e diz: não te rias!, o que foi uma coisa muito útil de se dizer à alarve, que sou eu, que foi num berreiro incontrolável até ao supermercado.
Quando me recompus, consolei-a "deixa lá, isto deve ser da água".
Ao jantar, lá tivémos uma discussão filosófica, de que será, será da água? do vinho? ou do ar? É que isto não é normal!...
Na semana passada, muito compenetrada, eu tentava pôr o carregador da bateria do Nokia a carregar o computador; numa manhã destas, entre mim e a Mzinha, a mesma pastilha de Nespresso deve ter ido parar cinco vezes ao chão; já numa noite da semana passada, a Mzinha entra na sala a rir-se por ter arregaçado as mangas antes de lavar a loiça. Não tem assunto? Tem, tem, porque ela estava de t-shirt de manga curta; hoje ela tentou raptar um gajo num carro, por car-jacking, e, ao jantar, eu ainda a gozava por pôr três ou quatro medalhas de gordura na toalha de mesa quando, eu própria, lhe espetei mais três.
Pelo sim, pelo não, só bebo água do Luso e vou deixar de beber vinho desta região. Quanto ao ar... hei-de pensar numa solução, quando me passar a taulada do tinto que bebi ao jantar.

Não é Sádico?

A minha Directora está de... férias.
Epá, também é filha de Deus, e se as tirou é porque tem direito a elas. Pronto, direitos são direitos e são inalienáveis.
Só que eu, que ando a pedir batatinhas para permutas na segunda-feira, (epá, não me dá jeitinho nenhum, Jade, é que vou de fim-de-semana, e vou comemorar a vitória nas eleições, e o cacete), que tenho uma consulta médica e perco aulas com turmas que só tenho uma vez por semana, fico um bocado irritada com isto.
Qualquer professorzeco-sem-padrinho tem que pôr um requerimento à ministra (qual ministra, ao papa!) para faltar um dia, e a directora, no início do ano escolar, com a malta toda a ponderar cortar os pulsos... vai de férias.
E isto a mim, faz-me espécie.
Deve ser da inveja.

Quem é que me explica...

... as minhas próprias contradições?
Se virem à venda o livro "Jade para tótós", comprem e mandem-mo, que eu pago.
Só alguém profundamente perturbado diz que adora a chuva e detesta molhar-se. Tal não seria totalmente despropositado se um dos objectos a que eu tenho mais aversão não fosse, precisamente, o guarda-chuva.
Só alguém profundamente perturbado resmunga com falta de tempo para trabalhar e quando chega a casa vai direitinha ao sofá.
Só alguém profundamente perturbado tem um sentido de humor aceitável mas passa a vida com cara de má.
Só alguém profundamente perturbado não tem filhos aos trinta e três anos, entre outros motivos, por falta de paciência para os aturar, e escolhe aos seis anos passar a vida a aturar os filhos dos outros, aos vinte de cada vez.
Só alguém profundamente perturbado chega à idade adulta a gostar da Hello Kitty, de bolas de sabão, de andar de baloiço, da secção de brinquedos do supermercado e de gelados como o perna-de-pau e o epá (especialmente da pastilha, que é horrorosa mas sabe a prémio). Toda a gente sabe que os adultos só gostam de magnum e cornetto. Se forem radicais, um calippo, de vez em quando.
Só alguém profundamente perturbado, depois do parágrafo anterior, se vira para os alunos de sétimo ano e lhes chama "infantis".
Preciso de um livro de instruções de mim mesma, máquina diabólica. Os meus botões estão todos em chinês.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Jararaca está fumando...

Esta é uma das minhas expressões favoritas do Sai de Baixo, uma das poucas séries cómicas que me fez, ao longo da vida, ir às lágrimas e ficar com falta de ar com ataques de riso. Significa que uma das personagens mais mal-humoradas da série está a micro-segundos de ter um ataque de fúria.
Assim estou eu. Que sou jararaca, no feitiozinho ruim, e estou fumando, sem tabaco. Deito fumo pelas orelhas e tento acalmar-me mentalmente, mas não está a resultar.
Era suposto... era suposto muita coisa. Por exemplo, ter ficado na Cidade de Deus, a pôr a minha vida em ordem. Mas valores mais altos se levantaram, a minha mãe precisou de mim, e lá fui para Lisboa, adiando as 1001 coisas que tinha para fazer por aqui. (que se lixe, há que cuidar de quem cuida de nós, como diz uma amiga minha, e as minhas prioridades nunca foram outras). Depois era suposto regressar ontem, mas mais uma vez não fui capaz, não tive coragem. Lá fiquei, a fazer companhia a uma progenitora exausta e aborrecida com o que lhe calhou em sorte. A sorte é daquelas coisas que passa muitas vezes ao largo da porta lá de casa, e a malta com o meu sobrenome e sangue já a isso se habituou, tentando fazer o melhor com aquela que se vai tendo, e gerindo a coisa como se de tostões se tratasse.
Resultado, só vim hoje.
E, sendo dia do Professor, lá me pus a trabalhar. Calmamente, organizadamente, sem stress, que a ansiedade é inimiga de um trabalho bem feito.
É a ansiedade e o Microsoft Office, que resolveu "encontrar um problema" e fechar-se deitando para as cucuias três meses de planificações. Filho-da-p*ta!
A impressora, por seu lado, está a levar a Mzinha aos limites da loucura: até já lhe ouvi ameaças verbais explícitas "queres ir janela fora já?". Quando olhei para ela, não fosse a ameaça ser comigo por estar com um mau humor infernal, vejo-a, muito séria, a falar com a dita HP.
Dia do Professor? O cacete!
Parece que tudo que faço pelos outros corre bem. O pior é quando trato de fazer alguma coisa por mim, tipo pôr duas semanas de trabalho em ordem, visto que as passei a dar aulas nos intervalos de reuniões do reino do inconcebível.
Já percebi que não vou ter nada pronto a tempo dos prazos exigidos, mas se querem saber... marimbei. Vou jogar mahjong, jantar e esquecer que é suposto ter TPCs para fazer. Vou fingir que sou a professora que o meu governo proclama aos sete ventos que somos todos e... não vou mexer mais uma palha. Pelo menos, até amanhã. Ainda assim...
... a Jararaca está fumando.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tem mesmo que ser

Este post impõe-se. Depois do dia que tive, só me faltava acabar Setembro com o número treze nos arquivos. Cruz-Credo, lagarto, lagarto, lagarto...
Começou logo bem, o dia. Trocaram-me as voltas e ia levando com uma falta nas trombas por não ler como deve ser as merdas que estão no placard. Resultado: cheguei esbaforida à apresentação de motas e cães dos senhores da Guarda Nacional Republicana, meia hora atrasada e porque enfim, fui mais cedo dar a minha primeira aula.
Lá estive toda a santa manhã, e até gostei. Primeiro, porque os Guardas eram giros, e tanto homem junto parecia saído de um anúncio da Hugo Boss, tudo a trajar preto integral em corpo musculado e olhos escondidos por Ray-Bans muito fashion. Segundo, porque havia cães. Muitos cães lindos e fofos. Finalmente, por causa das motas. E como bónus, um acidente entre motas, muito espalhafatoso, com a bombeirada toda a acorrer em grande estilo e um dos GNR motociclistas a levantar-se, muito combalido, no meio de uma chuva de aplausos, qual Cristiano Ronaldo a simular pénalti no minuto oitenta e nove. E os putos a perguntar, ó professora, aquilo foi de propósito? e eu, foi, foi, é uma aula viva de prevenção rodoviária! (enquanto pensava, estes gajos são um perigo, grandes maçaricos, assentar na moleskine "desviar-me de todas as motas da BT daqui para a frente...")
Pois, ainda me ri. Não me tinha rido tanto se soubesse que me esperavam seis (sim, leram bem) horas de reuniões à tarde. Seis. Dois Conselhos de Turma. Sim, dois. Eu não sou uma gaja que prime pela paciência. Não fiz o meu mestrado por falta de força de vontade, não estou interessada em fazer agora outro em "encher chouriços". A estupidez deprime-me. E eu, agora que tenho vida, fico verde (verde, não, azul, que verde é uma cor linda...) com reuniões onde se discute o sexo dos anjos. E tive que me passar e dar um par de berros àquela gente. Teve que ser.
Por isso, hoje, impunha-se um post. Depois de uma tarde para esquecer, não podia ir deitar-me com o peso de um treze redondo no blogue. Não, isso é que não. Que amanhã entro às oito e meia da manhã, e com isto vou estar menos de doze horas fora da escola. E isso é mesmo muito ruim. Preciso de toda a sorte do Mundo, eu. Primeiro a minha sanidade mental. Primeiro Eu. Eu. O resto... p*ta que os PAREU! Para rimar.

Bloqueador de Conversa

O post anterior fez-me lembrar uma cena. De utilidade pública, diga-se de passagem. Pública porque, aprendi há pouco tempo, há mais seres semelhantes a mim, pessoas que, por muito bem que a vida lhes corra, acordam mal-dispostas. Pronto, acordar é uma violência, e quando é para ir trabalhar, a violência torna-se ainda mais agressiva.
Hoje inventei o contraponto aos fantásticos "desbloqueadores de conversa" do Markl.
Quando cheguei à escola, perguntaram-me "que cara é essa?"
Em vez da resposta do costume à pergunta mais idiota da história da humanidade, respondi "É a da Penélope Cruz, e se não se nota vou processar o cabrão do cirurgião plástico". Magnífico bloqueador de conversa. Uma cara estupefacta entre um coro de gargalhadas dos espectadores.
Há dias em que me levanto a odiar o Mundo e me vou deitar satisfeitíssima comigo própria.
(e amanhã tenho que cá vir, que também não gosto do número treze e este é o décimo-terceiro post. Vida de blogger é canina)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Numerologia, superstição e parvoíces do género

Este post tem apenas um propósito: o de evitar que fiquem no arquivo onze posts escritos em Setembro. É que "11" e "Setembro" são duas realidades que não se misturam. Juntas, arrepiam-me. As minhas torres gémeas estão muito bem de pé, e não me apetecem aviões metafóricos.
A numerologia e a superstição são assuntos muito parvos, mas diz que eu sou uma gaja muito parva. E a verdade é que a minha vidinha me tem corrido bem. Por isso, e porque yo no credo a brujas, pero que las hay, l'ASAE (e quem sou eu sem um trocadilho infame?), aqui fica o décimo-segundo post do mês de Setembro. Só para que conste que o meu WTC firme e hirto é para ficar. De pedra e cal.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cerebrum

Ontem o parvo do Marco Horácio miava em pano de fundo no Salve-se Quem Puder que andava a Cerebrum. Alguma coisa havíamos de ter em comum. (e quem rima sem querer, é amado sem saber... onde é que andas, McDreamy? perto, perto...).
Anyway, eu e a Mzinha, demasiado ocupadas para mudar de canal, ainda tivémos uns ataques de riso à conta da palhaçada decadente que é aquele programa. Ataques de riso esses que a mim me custaram um recorde no Mahjong, mas enfim, ninguém é perfeito. A verdade é que entre Cerebrum e caminhadas à tarde, as sestas para compensar as poucas horas dormidas por noite por causa da terceira temporada de Dexter, e o tempo em que estive a trabalhar, continuo de rastos. Acho que, em vez de Cerebrum, devia era hibernar o fim-de-semana inteiro. Mas, cacete, são as eleições, e professor que se preze não perde estas.
Lá vou eu, de malas e bagagens, para a Capital, a ver se, para além de exercer o meu direito cívico, dou uma vista de olhos ao Museu da Paula Rêgo e compro umas calças de ganga e uns sapatos fechados, que isto de andar de sandaloca é muito bonito mas na semana passada apanhei uma chuvada valente e constipei as patas.
Entretanto, ofereceram-me uma nespresso... e nunca bebi tanto café na minha vida. Verdade seja dita, há muito tempo também que não tinha tanto sono. Definitivamente, ando com o mundo ao contrário. Quando até com o Marco Horácio me identifico, o céu deve estar prestes a tombar. Ou o céu, ou eu.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Para quem se pergunta...

...que treta é esta, nove posts escritos no mês de Setembro, quatro em Agosto... que decadência é esta? Jade responde, que não quero cá dúvidas que vos tirem o sono: ando com a vida aos trambolhões.
Mas isso é bom, reparem, é sinal de que tenho uma vida. Isto para responder aos amiguinhos que passavam o tempo a chatear-me com a frase "Get a Life!". Pois é, got one.
E mete vícios do cacete, tipo ver de empreitada as temporadas do Dexter (ai, merda, são três da manhã... só mais este), ou jogar Mahjong (Fónix, Mzinha, que espécie de batota fazes tu?), ou passar horas a rir-me alarvemente com o meu melhor amigo, (e já te contei aquela vez em que...) ou outras tantas na conversa ao telefone com a outra-que-não-é-minha-amiga-mas-imita-bem (faz-me companhia no regresso a casa... ok, tás fixe? ouve lá, deves estar a gozar comigo: são tantas da noite e estou a ir para casa, achas que tou fixe? Fuod*-se!).
Isto são coisas que consomem o tempo livre de uma pessoa. Tempo livre que, aliás, anda escasso, que chego a fazer cem quilómetros por dia para não ficar no enclave três horas e meia seguidinhas. Fora o tempo em que estou a ensinar a catraios de nono ano a diferença entre "How are you?" e "How old are you?". Detalhes, pormenores. Coisas de somenos importância, na avaliação adolescente da língua inglesa. How are you? I'm fifteen. Depois desta resposta só me apetece dizer "Me too. I'm fifteen times depressed. And a hundred years old".
E é assim que me falta o tempo para posts. Até para escrever coisas idiotas é preciso ter inspiração. E tempo. E vontade. E eu não tenho. É que agora tenho uma vida. E, por falar nisso, vou ali já venho, papar uns Dexters e tentar fazer mais cem pontos no Mahjong. Não páro, é uma maluqueira! Até... um dia destes.

É um pássaro? É um avião?

Não... é SuperJade no Lava-Mão!!!
Sempre me transcendeu a rapidez, a perícia e a acutilância requeridas para lavar as mãos como deve ser com a bendita solução alcoólica: aquela treta evapora antes de teres tempo sequer para entrelaçar os dedos, que dirá para fazer todo o ritual de contingência...
Depois de apanhar várias pedradas com o cheiro do álcool, e andar aos tropeções pela sala de aula com uma bebedeira do cacete, assumindo todas as deficiências que tenho ao nível da motricidade fina, lá me fui orientando. Practice makes perfect, e agora é ver a SuperJade a desinfectar-se em tempo recorde, lembrando, e superando, McDreamy scrubbing for surgery. (Facto a que não será alheia a minha verdadeira obsessão por ganhar à Mzinha no Mahjong do hi5. Ando a mexer os dedos mais rápido que a própria luz...)
Quanto ao jogo, népias, acho que ela tem algum truque que eu desconheço. MAS... sou recordista nos dois-segundos-dez-dedos. Ah, pois sou. É lindo, lindo de se ver. Very impressive, indeed. E digo-vos, se, depois desta, apanhar gripe A, temos o mundo ao contrário.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

PDI

É uma sigla. Toda a gente acima dos trinta a conhece. Dá para muitas situações. Quando engordas:PDI! Quando emagreces:PDI! Quando tens que comprar uns óculos: PDI! Quando te esqueces do que ias dizer, fazer, buscar, comprar:PDI!
E, depois, há PDIs privados.
O meu ficou hoje bem definido.
Entrei, receosa e insegura, às sete da tarde, numa sala de informática a fim de conhecer o meu "grupo de adultos". Entrei com ar cool, mas as pernas bambas, a pensar "Que cara*ho vou eu dizer que preste a esta gente sobre orçamentos e impostos? Eu que, se não fosse a Mzinha, mandava a aplicação electrónica de preenchimento do modelo 1 do IRS com os porcos? Isto vai ser bonito, vai... vai ser um enxovalho! Esta malta vai logo perceber que não faço a mais pequena ideia do que é suposto ensinar-lhes! Grand'a ursa..."
Ainda estava a passar a ombreira da porta quando noventa por cento dos adultos dizem, em coro, estupefactos: STÔRA?????!!!!
PDI.
Os meus adultos foram meus alunos de Inglês, nos bancos desta mesma escola, há seis anos atrás. Tinham, na altura, entre catorze e dezasseis anos.
Educação e Formação de Adultos? Foram meus alunos de oitavos e nonos anos! Serão para sempre GAIATOS!!!
P-D-I!!!
(mas com grande alívio, confesso, porque estes, decididamente, ainda sabem menos do que eu.)

domingo, 13 de setembro de 2009

Borboletas no Estômago?

Hoje passei o dia com uma amiga a trabalhar em matrizes e testes de diagnóstico. Antes de sair de casa, à conversa com outra, referia-me a ela como "um híbrido entre colega e amiga". Isto porque fomos muito próximas no ano em que dei aulas nesta escola em que agora efectivei, mas apesar de morarmos pertíssimo uma da outra, afastámo-nos completamente quando mudámos de escola. Por nada. Porque é a vida. Sem simpatias ou antipatias, sem cobranças, sem telefonemas no aniversário e no Natal, sem cafezinhos ao fim-de-semana.
Hoje, depois de cotações, competências e parâmetros, começámos a pôr em ordem a vida. Seis anos de novidades, por esta altura transformadas em velhos trapos que cheiram a bafio. Recuperou-se a cumplicidade perdida. Falou-se das escolas, das famílias, da saúde, dos amores.
Este último assunto deu, obviamente, pano para mangas. Para a camisola inteira, para ser mais precisa, com um longo cachecol a condizer. Dei por mim a contar-lhe as minhas desventuras e a desencadear ataques de riso incontrolável nesse processo. Dei comigo a fazer piadas e trocadilhos parvos à conta das relações estranhíssimas que tenho tido desde há seis anos para cá. E sempre com ela aos risinhos em pano de fundo, a dizer, não te podes queixar da monotonia; e eu a recalcitrar, ora obrigadinha, só me saem duques e cenas tristes, cacete, achas isto normal?
Já era noite cerrada quando ela remata, muito séria, e não tens saudades das butterflies in your stomach? Calei-me um milionésimo de segundo, a ponderar. Não é assunto em que me apeteça muito pensar, nesta fase da minha vida. Veio-me à cabeça dizer-lhe "In my stomach? Antes queria uma lasagna ou um chao-min com gambas". Em vez disso, respondi-lhe "E se fôssemos jantar ao chinês?'"
No meu estômago, de momento, prefiro alimentos que me dêem boas digestões a insectos coloridos e alados. Seriously. Definitely.