terça-feira, 8 de abril de 2008

Fita Multicor

Talvez tenha descoberto a resposta àquela questão de ontem, aquela sobre esquecimento selectivo, talvez.
Encerra-se a porta do passado, não o procurando, muito simplesmente. Ele está lá, morto e enterrado, porquê ir no seu encalço? não. É mais fácil do que parece, ele há coisas que só por si põem pedras sobre assuntos; domina-se a vontade de chorar com um livro, um exercício que se tem que corrigir; trava-se a obsessão das más memórias aceitando um convite para o quinto café do dia, que se transforma num chazinho à chegada do bar da escola; chora-se, nesse mesmo bar, em frente a uma amiga abismada e aterrada, todos os stresses dos últimos meses.
E depois, fim.
Regressa-se à sala de professores, de olhos inchados e alma limpa, e o sorriso é, finalmente, verdadeiro, e a mente já não é, de repente, bússola de tristezas.
A solução não está em esquecer, está em lembrar, encolher os ombros, tentar entender, desistir de o fazer, aceitar que há pessoas que são mesmo assim, pobres, situações que são mesmo assim, tristes, e fases que são mesmo assim, chatas como a chuva de Abril. E depois de aceitar, largar: atirar à sétima onda como a pulseirinha do Nosso Senhor do Bonfim, e ficar à espera que os três desejos se realizem.

2 comentários:

Anónimo disse...

Toda a chuva deste Abril levou só mais uma camada, uma pele. Tirada de vez, ficando apenas a experiência para nos ajudar a levantar e voltar à luta.

Jade disse...

Desta vez, voltar à luta vai ser mais difícil. Farto de lutar, o gladiador cai, enfim, de joelhos no pó da arena.