Agosto foi um mês amigo.
Em Agosto recolhi-me ao carinho maternal, expresso em quatro refeições diárias, muitas sobremesas e risos, muitas séries de culto a duas, algumas idas ao cinema, infindáveis cafezinhos, horas perdidas em shoppings, muita brincadeira com as mascotes da família. Em Agosto apaziguei saudades da cidade-berço, sem as matar, que as saudades do que está longe são imortais. Vagueei pelas ruas a pé, senti o cheiro próprio do metro, ouvi os ruídos familiares do trânsito, dos aviões, das ambulâncias, sons que não se ouvem por aqui. Os sabores da fast-food, e daquele bitoque específico, dos melhores croquetes do Mundo, dos pastéis de nata verdadeiros. Porque será que os sabores que nos marcam a infância jamais são superados por nada de novo que apareça?
Agosto foi um mês amigo.
Reconciliei-me com as minhas paixões. Li até ter que ir ao optometrista comprar uns óculos fashion por me doer a cabeça de modo infernal. Li, e li coisas brilhantes. Redescobri Marguerite Duras. Fui apresentada a Siri Hustvedt. Emocionei-me com o deserto do Miguel Sousa Tavares. Voltei a dar sonoras gargalhadas com o perspicaz Bryson. Entrei em vários mundos desconhecidos, fiz amizades com personagens estranhas e neuróticas, aventurei-me em estranhas paisagens e outros tempos. E vi filmes, fui ao cinema, abandonei-me ao DVD. Vi dois de que gostei muitíssimo, nenhum no cinema: “Seven Pounds” e “Into the Wild”. Sobre eles nem vou falar, por achar que qualquer coisa que diga fica aquém. Aconselho ambos vivamente, e a banda sonora de “Into the Wild” a duplicar.
Agosto foi um mês amigo.
Depois de sair da escola do ano passado zangadíssima com muita gente e decepcionadíssima com outra tanta, depois de ser testemunha e vítima de deslealdades que não consigo adjectivar de outra forma senão nojentas, e de ter ficado literalmente doente à conta do que a personagem de “Into the Wild” chama “Sociedade” ou a tendência que o ser humano tem de fazer mal aos outros naquilo que pensa, iludido, ser para benefício próprio e só o diminui, empobrece e apodrece, eis que, em Agosto-Amigo, um amigo com quem me tinha desentendido umas semanas antes, me dá provas da sua lealdade e integridade, num momento em que não tinha que o fazer nem eu o esperava. Saiu das suas férias e do seu mundinho, para me defender por escrito e em relatório, de uma acusação pouco justa a uma nota por mim atribuída. E depois de tanta traição, facadinha nas costas ou silêncio desleal por parte de tantos, o meu mundo emocional esboçou um sorriso. Não, nada está perdido enquanto não for eu a única a defender aqueles de quem gosto e houver outros a fazer o mesmo por mim sem precisar de lhes pedir.
Agosto foi um mês amigo.
E foi um mês de amigos. Depois de quase dois anos sem falar ao melhor de todos, depois de muito empenho e luta da minha parte, que sou uma tipa pouco dada a orgulhos e preconceitos, quando os fins são bens maiores, consegui o meu melhor amigo de volta, incondicionalmente. E parte do meu prédio, aquela parte que se assemelhava à Torre de Pisa, a vergar de um dos lados, endireitou, quando o alicerce que lhe faltava se reconstruiu e solidificou. Todo este blogue foi escrito na sua ausência e foi espelho dela, da falta que ele me fez em períodos difíceis. Apesar dos pesares, considero que, por muito errado que seja projectar o nosso equilíbrio em seres extrínsecos à nossa essência, a felicidade só é real quando partilhada, outra frase do “Into the Wild”. E a minha vida é mais colorida e muito mais saborosa com o seu sorriso familiar, o seu mau humor cáustico e a sua visão céptica do mundo e das pessoas, características essas que encontro decalcadas em mim e abolem o meu permanente sentimento de otherness, de alienação.
E foi um mês de amigos. Passei uma semana no Algarve com uma das melhores amigas que tenho, e toda a sua família. Convivi com crianças e adolescentes num plano distinto do ambiente escola. Fez-me bem à sensibilidade, à capacidade de sonhar, à imaginação e ao riso espontâneo, aquele que não tem laivos de ironia ou amargura, e que foi meu companheiro exclusivo durante tanto tempo.
E foi um mês de amigos. E against all odds, saiu-me o euromilhões nos concursos de professores. A Mzinha está de volta a casa. Quem diria? Se cada um tem o que merece, eu devo ser uma gaja mesmo especial.
Agosto foi um mês amigo.
Em Agosto recolhi-me ao carinho maternal, expresso em quatro refeições diárias, muitas sobremesas e risos, muitas séries de culto a duas, algumas idas ao cinema, infindáveis cafezinhos, horas perdidas em shoppings, muita brincadeira com as mascotes da família. Em Agosto apaziguei saudades da cidade-berço, sem as matar, que as saudades do que está longe são imortais. Vagueei pelas ruas a pé, senti o cheiro próprio do metro, ouvi os ruídos familiares do trânsito, dos aviões, das ambulâncias, sons que não se ouvem por aqui. Os sabores da fast-food, e daquele bitoque específico, dos melhores croquetes do Mundo, dos pastéis de nata verdadeiros. Porque será que os sabores que nos marcam a infância jamais são superados por nada de novo que apareça?
Agosto foi um mês amigo.
Reconciliei-me com as minhas paixões. Li até ter que ir ao optometrista comprar uns óculos fashion por me doer a cabeça de modo infernal. Li, e li coisas brilhantes. Redescobri Marguerite Duras. Fui apresentada a Siri Hustvedt. Emocionei-me com o deserto do Miguel Sousa Tavares. Voltei a dar sonoras gargalhadas com o perspicaz Bryson. Entrei em vários mundos desconhecidos, fiz amizades com personagens estranhas e neuróticas, aventurei-me em estranhas paisagens e outros tempos. E vi filmes, fui ao cinema, abandonei-me ao DVD. Vi dois de que gostei muitíssimo, nenhum no cinema: “Seven Pounds” e “Into the Wild”. Sobre eles nem vou falar, por achar que qualquer coisa que diga fica aquém. Aconselho ambos vivamente, e a banda sonora de “Into the Wild” a duplicar.
Agosto foi um mês amigo.
Depois de sair da escola do ano passado zangadíssima com muita gente e decepcionadíssima com outra tanta, depois de ser testemunha e vítima de deslealdades que não consigo adjectivar de outra forma senão nojentas, e de ter ficado literalmente doente à conta do que a personagem de “Into the Wild” chama “Sociedade” ou a tendência que o ser humano tem de fazer mal aos outros naquilo que pensa, iludido, ser para benefício próprio e só o diminui, empobrece e apodrece, eis que, em Agosto-Amigo, um amigo com quem me tinha desentendido umas semanas antes, me dá provas da sua lealdade e integridade, num momento em que não tinha que o fazer nem eu o esperava. Saiu das suas férias e do seu mundinho, para me defender por escrito e em relatório, de uma acusação pouco justa a uma nota por mim atribuída. E depois de tanta traição, facadinha nas costas ou silêncio desleal por parte de tantos, o meu mundo emocional esboçou um sorriso. Não, nada está perdido enquanto não for eu a única a defender aqueles de quem gosto e houver outros a fazer o mesmo por mim sem precisar de lhes pedir.
Agosto foi um mês amigo.
E foi um mês de amigos. Depois de quase dois anos sem falar ao melhor de todos, depois de muito empenho e luta da minha parte, que sou uma tipa pouco dada a orgulhos e preconceitos, quando os fins são bens maiores, consegui o meu melhor amigo de volta, incondicionalmente. E parte do meu prédio, aquela parte que se assemelhava à Torre de Pisa, a vergar de um dos lados, endireitou, quando o alicerce que lhe faltava se reconstruiu e solidificou. Todo este blogue foi escrito na sua ausência e foi espelho dela, da falta que ele me fez em períodos difíceis. Apesar dos pesares, considero que, por muito errado que seja projectar o nosso equilíbrio em seres extrínsecos à nossa essência, a felicidade só é real quando partilhada, outra frase do “Into the Wild”. E a minha vida é mais colorida e muito mais saborosa com o seu sorriso familiar, o seu mau humor cáustico e a sua visão céptica do mundo e das pessoas, características essas que encontro decalcadas em mim e abolem o meu permanente sentimento de otherness, de alienação.
E foi um mês de amigos. Passei uma semana no Algarve com uma das melhores amigas que tenho, e toda a sua família. Convivi com crianças e adolescentes num plano distinto do ambiente escola. Fez-me bem à sensibilidade, à capacidade de sonhar, à imaginação e ao riso espontâneo, aquele que não tem laivos de ironia ou amargura, e que foi meu companheiro exclusivo durante tanto tempo.
E foi um mês de amigos. E against all odds, saiu-me o euromilhões nos concursos de professores. A Mzinha está de volta a casa. Quem diria? Se cada um tem o que merece, eu devo ser uma gaja mesmo especial.
Agosto foi um mês amigo.