quinta-feira, 17 de abril de 2008

City of Angels

Os anjos não são seres etéreos, que não conseguimos ver. Não têm asas nem se empoleiram nos telhados da Cidade de Deus. Alguns vestem preto integral, sim, outros às vezes vêm o nascer do sol na praia, mas a maioria trabalha, tem filhos, lava a louça, tem insónias, vai ao médico e paga impostos.
Os anjos estão no meio de nós. São espíritos diletantes que nos falam pela boca da família, dos amigos, dos alunos, dos colegas e dos desconhecidos. Sempre presentes, sempre na altura certa, sempre quando precisamos deles.
Hoje foi um dia perfeito. Muitos anjos me falaram hoje, ou sempre o mesmo, por inúmeras bocas.
Cá ando eu, a percorrer o meu caminho, muito cool, muito na minha, sem nada que me irrite ou nada que me perturbe, mas com um cansaço muito, muito grande, e desejosa de tempinho para descansar...
Os primeiros anjos sorriram-me. Outros, deram-me os parabéns, ah grande Sporting, dá cá mais cinco!, outros comentaram o meu look, ai stôrinha, está tão bonita hoje; eu quando crescer quero ser como a professora; preciso de falar consigo no fim da aula; almoce aqui ao pé de nós, vá lá!..., outros mandaram sms com saudades, outros comentários ao meu hi5... tudo perfeito, excepto o tempo, claro.
E uma pessoa não tem sequer direito às suas neuras. Há aquele anjo alto de olhos azuis e sorriso reguila, que adora mandar beijos quando não mos pode dar, que me faz sempre ganhar o dia, sempre. Ausente, presente, semi-presente, semi-ausente, é sempre um calor docinho, um sorriso permanente da alma. Há aquele outro, de olhar breve mas que me perscruta o ser num décimo de segundo sem palavras, e me diz, estou aqui, moça. Há aquele outro que me arrasta sempre para um lanche no bar da escola e se ri enquanto eu digo palavrões entredentes. Há ainda outro, muito importante, que me telefona sempre à mesma hora e me dá notícias da minha gente e da minha cidade.
Os anjos estão entre nós. E os meus são os mais competentes do Mundo. Fizeram o sol brilhar hoje, muitas vezes, por entre a chuva torrencial, e nos locais mais recônditos do universo da Cidade de Deus. Bem hajam, meus amores, meus queridos, meus anjos.

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