Falei na cena de ontem ao DOC. Ele explicou-me que o tal sexto sentido para a desgraça não se deve a males do cérebro - tipo, não, não estou demente, - nem a superstições - não, não atraio desgraças. Simplesmente, pessoas ansiosas e habituadas a que as coisas deem para o torto e corram mal, pessoas a quem as desgraças realmente acontecem, estão muito mais despertas para microexpressões faciais (alguém aqui vê "Lie to Me"?). Assim sendo, detetam e interpretam sinais que mais ninguém vê, e têm premonições de desgraça... sempre certas. Não sou um detetor de mentiras humano, mas o adágio "só me faz de parva quem eu deixo", aplica-se. E eu respiro fundo por não estar louca nem com a mania da perseguição. Mas sinto-me triste, por ser uma dessas pessoas que veem de longe o perigo. E, ainda assim, e estupida e infelizmente, continuam a esperar pela confirmação para chorar sozinhas as suas mágoas.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
Pink Unicorns
Tenho disto, de quando em vez. Uma sensação de estranheza e superioridade em relação ao mundo em geral. Quase sempre quando me decepciono, o que não acontece frequentemente, convenhamos, que isso é coisa para gente dada a muitas ilusões, não para mim. Mas sinto-me completamente ludibriada, quando, por exemplo, se confirmam as minhas suspeitas ou piores expetativas em relação a pessoas ou situações. Sim, sinto-me enganada, traída pela verdade que adivinhei antecipadamente. É esta, a minha maldição: ter maus pressentimentos que se verificam corretos quando os bons nunca passam disso, ter um sexto sentido que só funciona para o que é desagradável. E aí, gelo, petrifico. É tão diferente deixar sair o ar de um balão até ele murchar, ridículo, e rebentá-lo, com pompa e circunstância, fazendo barulho e atirando bocados por todo o lado, superlativo, hiperbólico, assustador. De cada vez que me encontro de alma vazia e encolhida, desejo que ela tivesse explodido majestosa, rebentasse com estrondo e espalhasse bocados coloridos e peganhentos de si na cara do mundo. But fuck it, I'm a pink unicorn.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Alive, not kicking
Estes meses vão para a história como a fase mais estúpida da minha vida.
Um imenso espaço temporal em que não fiz nada, não construí pevide, não criei momentos para recordar, não agi, não li, não escrevi. Limitei-me a apagar os fogos que apareceram por ter de ir tantas vezes para Lisboa ao médico, deixando a escola, o trabalho e os alunos num mundo a girar apesar de mim ausente.
Ficou tudo imperfeito, inacabado, standing by.
As férias da Páscoa foram a ode final a esta inércia e incluiram cinco dias sem ligar o computador.
Mal me reconheço. Tenho que arranjar rapidamente dois ou três projetos que me façam vibrar, que este papel de Dama das Camélias não vai nada bem com o meu tom de pele. Que abril que agora começa seja o mês da revolução do meu espírito que, como está, não serve.
Que diabos, I'm Once in a Lifetime Kind of Woman, caneco!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

