quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Balanços? No, thanks


Este ano recuso-me a fazer balanços, embora com a minha provecta idade ainda adore andar de baloiço e sonhe com uma casa onde haja baloiços "para as filhas".
Não faço balanços porque vejo sempre o copo meio vazio (venha outro! Tinto ou branco? Cheio!) e até a mim já me chateia ter de me lamentar porque me falta isto, porque não tenho aquilo, porque perdi para sempre o outro. (Neste caso, o outro que tanto lamento é o meu kikas, porque Deus sabe, a existir, que só não há remédio para a morte).
E 2010 teve coisas muito boas. Como diria a Shadow houve uma viagem, houve uma dissertação concluída against all odds, houve... mais o quê? Bem, houve perder, apenas, o kikas, que eu não tenho estofo para mortes. Para isso é que não. Mantenham-se cá aqueles que amo e o resto, vai-se levando.
2010 tem uma coisa a seu favor. Não deixa de me surpreender. Para o melhor e para o pior, este ano tem enguiço. Estamos mesmo no fim e ainda dou comigo de queixo caído, a pensar "não é possível, isto não está a acontecer".
Porque há coisas do camandro, e as boas surpresas, quando são mesmo, mesmo boas, acabam por compensar, pelo menos, duas ou três das outras, as que são mesmo, mesmo más.
By the way, tenham um excelente 2011. O que quer que isso signifique, que eu já desisti de me pôr a imaginar cenários.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Chiça, já passou um ano

Ora dizia eu, neste estaminé, a 30 de Dezembro de 2009:


Next Decade:

New York, the man of my dreams, my mother nearby, my own house, a better car, health and wealth, all my friends around, a job to do and a mission to accomplish.


Ainda bem que mãe é mãe e a minha continua comigo para o que der e vier, que o resto... cacete!...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

N'a pas de resoluções

Mas há vontades. Muitas. Várias.
Há pouco, na palhaçada que é o facebook, publiquei que em 2011 vou dedicar o tempo às futilidades, passar a vida na rambóia, sair, viajar, comprar roupa, assistir a espectáculos.
É verdade que tenho passado o tempo na morrinha, à espera de um príncipe encantado que me leve a conhecer o Mundo, cheio de energia e iniciativa, adivinhando os meus desejos, agora praia, depois Nova Iorque, no intervalo compras, shoppings, coisas inúteis. Tenho passado o tempo obcecada por um trabalho que já nem sequer me agrada, rodeada que estou de gente mal educada, de chefes loucos ou simplesmente cobardes, num barco que não afunda porque flutuará para sempre num status quo que cheira a esgoto.
E quando o trabalho não agrada e os tempos livres são cada vez mais decadentes, o que faz Jade? Espera. Num Sebastianismo bafiento que não melhora nada, antes exponencia o tédio à razão da loucura.
No need for Prince Charming, e estou fartinha de esperar.
No próximo ano ninguém me apanha em lado nenhum.
Estou em trânsito, como os planetas. E mato quem se me atravessar no caminho. Não me aborreçam, que aborrecida ando eu há demasiado tempo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

May I?

E agora que se encerram os festejos do Natal, e se põe cobro à época de paz e amor e solidariedade e bons sentimentos, já estou autorizada a estar furiosa? Já posso dizer que quero que determinadas pessoas vão morrer longe, de preferência de morte lenta e dolorosa, para terem tempo para expiar as suas maldades, e pedirem desculpa por elas com o seu sangue suor e lágrimas? Já posso afirmar que se pudesse, ou se ganhasse o euromilhões, haveria duas ou três tareias que iria mesmo ter que (mandar) dar, nem que estivesse depois o resto da vida a pagar a advogados? Não? É politicamente incorrecto em qualquer altura do ano? Pronto, ok, então eu não digo.

Xmas Hangover

sábado, 25 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Jade Sweet Moments #7


Ainda que sós, façam questão de dormir sempre bem acompanhados. Eu faço. Sweet dreams.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Esperamos sentadas


Há meses que o ouvimos dizer que a culpa de estar gordo é nossa, e que para "a semana começa a correr". Tal como o Malato, diz que "padece um udso". Na semana passada foi buscar os papeis com os preços do ginásio. A imagem acima demonstra bem a figura que lá irá fazer, quando decidir inscrever-se.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não há palavras

Hoje o Kikas morreu ao colo da minha mãe.
Ela, a soluçar-me ao telefone, com o corpinho dele sobre as pernas, pediu-me que lhe escrevesse um texto no blogue e eu disse-lhe, revoltada, agressiva, quase a gritar, que não ia escrever nada.
Ela disse que metade da vida dela se foi embora com ele.
Eu não disse nada.
Eu não sei o que dizer.
Era um papagaio, sinto-o como um irmão pouco mais novo. Morreu com 27 anos no dia em que eu devia ter ido a Lisboa e não fui, porque não tenho dinheiro para a viagem, porque calhou não ir.
E agora, longe, nem sei se foi melhor ou pior para mim assim. Se tivesse ido, teria sido ao meu colo, provavelmente. Teria sido, pelo menos, na presença das duas. Nem sei se sinto culpa por isso, se não. Não sei nada. Não sei definir a perda de uma ausência distante, de uma voz meiga ou estridente que se calou, de todas as brincadeiras diárias, das pedinchices em que era doutorado, dos olhos que lhe rolavam quando comia guloseimas, do biquinho que eu acariciava por entre as grades.
Não, não vou escrever um post bonito.
Não sou dos que escrevem belos textos quando estão de luto.
Morreu-me o meu amigo mais antigo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Com as mais sinceras desculpas...

... aos leitores, dou-vos neste post uma prova clara da minha má-educação: uma private joke, tão private, tão private, que acho que só eu e outra a percebemos. E muito pouco joke, infelizmente.
E reza assim:
PAM, ponto único, by Jade: "DITCH THE BITCH".
É tudo o que me apraz dizer sobre o assunto. Mas ficar caladinha é que não dava.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sweet Jade Moments #6


Weekend. Autorização para beber. Felizes bebedeiras.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sweet Jade Moments #5

Há coisas que me dão uma alergia, que não tenho outro remédio senão coçar-me. Mas continuo sweet...

Sai de Baixo

Foi uma das minhas séries de culto, numa altura em que estava em estágio e a única televisão que via era esse stress-relieving-super-remedy, às tantas da noite. Devo-lhe, e ao Seinfeld, a minha sanidade mental de tempos muitíssimo trabalhosos, mas em que ainda valia a pena e compensava moralmente pensar em materiais novos, puxar pela criatividade e deitar-me às tantas da madrugada. Numa época em que quem me assistia às aulas sabia mais do que eu, era muito mais competente e experiente, apresentava alternativas eficazes quando me apontava falhas, e me avaliava com seriedade.
Lembro-me agora, muitas vezes, da Magda, ou melhor, da "Má-gui-dá" do Sai de Baixo, e da expressão fétiche, "Cal'á boca, Má-gui-dá!", transformada, ultimamente, na ordem hilariante "Cala-te, Jade!", dos meus colegas na sala de professores, quando começo a vociferar que o rei vai nu. Esta ordem, desde o Halloween, foi substituída pela pergunta, não menos cómica,"Queres fiozinho de côco para coser essa boquinha?"
Adoptei a filosofia da Má-gui-dá. Agora, quando me apetece -tantas vezes- denunciar a idiotia do status quo, abro a boca e em voz bem alta... ZURRO. E sinto-me muito menos burra.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Temos pena...

Na sexta-feira passada, à interpelação "e família? e fins-de-semana? e descanso, pais, amigos? não existem?" de uma colega revoltada por andarem a gozar com a nossa cara enquanto profissionais, outra colega, "spé" excelente, respondeu com arrogância "estou disponível para a escola 24h/dia".
E agora não me fala, porque eu disse a quem quisesse ouvir que ela era uma enorme vergonha, um embaraço horroroso para a classe docente deste país e para a seriedade duma profissão que se quer representada por gente cumpridora e organizada. Só está disponível 24h/dia para uma profissão quem não a leva a sério e se está nas tintas para o trabalho efectivo que ela dá. Ou quem quer impressionar chefias e acha que estas coisas soam bem. Ou quem é um rematadíssimo mentiroso. Ou quem acumula todas as anteriores, e ainda por cima não tem vergonha de passar por uma prostituta da educação, a vender-se por uma classificação e disposta a tudo para a obter. Não sei.
Só sei que quis parecer muito bem e se tornou a anedota da semana. E culpa-me a mim. E não me fala. E tenho uma pena que nem durmo.

domingo, 7 de novembro de 2010

Dorothy


There's no place like home. Toca a bater calcanhares com sapatinhos vermelhos calçados e ala que se faz tarde para Lisboa, passar a tarde com a mãe. E marimbar nesta terra e neste trabalho que só me dá chatices, ultimamente. Quanto menos me pagam, mais me exigem. Ah, é? Então tomem lá: xau, fui.

sábado, 6 de novembro de 2010

We're Soulmates


True happiness exists. ZZZZZZZZZ

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Receita


Hoje estou de bem comigo mesma. Hoje sou o meu próprio herói. Disseram-me "Numa situação bem complicada conseguiste manter o sangue-frio e sair por cima, muitos parabéns." E foi. A minha receita de super herói é esta: se tiverem razão, lutem por ela. Ah, e "Get cape, Wear cape. And then, FLY!"
No fear.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não me parece

Os dois conselhos que mais tenho ouvido nas últimas semanas são "não leves a escola para casa" e "não ligues, não faças ondas".
Foi a isto que chegou o nosso país medíocre e provinciano.
Costumava achar que era por estar no interior, já que sou de Lisboa, e na minha cidade não há como andares a meter-te na vida alheia. A velocidade é tal, o stress tanto e as vidas tão complicadas que não sobra tempo para te preocupares com outra vida que não seja a tua. Daí dizerem que Lisboa é muito impessoal e fria. E eu agradeço que assim seja. Mas apesar de tudo, tenho que reconhecer que isto não é um problema das berças. É um problema dos tugas.
Ontem não queria crer na cara do nosso primeiro-ministro a falar na assembleia da república. Mais do que a falar, a sorrir cinicamente. Mas que país é este, em que um estado goza descaradamente com o contribuinte da função pública, o rouba, protegido por leis inventadas à pressão, e cujo chefe máximo do governo ainda se ri na cara dos representantes eleitos pelo povo e não há ninguém - NINGUÉM - que lhe cobre vergonha na cara? Pelo menos vergonha na cara. É uma república de bananas. Não das bananas, mas de bananas. De gente sem tomates, sem brio, sem orgulho.
Hoje, quando me disseram para não fazer ondas por assuntos escolares, protegidos pelo argumento de que "isto a mim só já me dá para rir", senti-me noutro planeta.
Aos meus colegas professores, andar a esfregar o chão de pavilhões às duas da manhã, ser convocados para reuniões pós-laborais às sextas-feiras "porque é um dia igual aos outros", serem-lhes impostas metas de 98% de sucesso independentemente da qualidade e da vontade dos alunos que apanham pela frente, serem-lhes exigidas a participação e a organização de pelo menos três actividades transversais e extra-curriculares por ano, tudo isto e muito mais, dá-lhes vontade... de rir. (???)
A mim, quando me pisam, quando me magoam, quando me desrespeitam, me insultam a inteligência ou me enxovalham, dá-me vontade de tudo, menos de rir. E sou eu que não devo fazer ondas? Ou estou rodeada de cretinos subservientes, muito hipócritas ou muito cobardes?
Acho que a opção é a terceira: estou neste momento a viver num país de merda. E não culpem a crise.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mas só por via das dúvidas...

... desta vez, no dia do meu aniversário, não levo bolos para ninguém. Não vá um dos colegas comer duas fatias e outro não comer nenhuma... ainda sou despedida por justa causa.
Apre!

A Mania da Perseguição

Hoje cheguei à triste conclusão de que são necessários dois factores conjugados, quando se trata de ter a mania da perseguição: um ego do tamanho de um elefante e uma consciência pouco tranquila.
Levei uns bolos para umas colegas que na noite do Halloween ainda ficaram a limpar a escola de esfregona (sim, são professoras como eu, mas ultimamente tudo cabe na profissão docente) quando eu me vim embora, eram duas da manhã. Achei que como a actividade também era minha, era um gesto de agradecimento por terem feito "parte da minha parte". Pois houve uma, que nem sequer lá esteve, que ficou muito ofendida por não haver bolo para ela. E eu pergunto: devia ter levado bolos para a escola inteira? Se tivesse levado só mais um já não passava por mal-educada?
Acho que fama por fama, proveito por proveito, a devia ter mandado levar onde levam as galinhas. Mas, em vez disso, calei-me, porque, como de costume, nada me foi dito frontalmente, e o que a gente finge que não sabe, é como se não soubesse.
Às vezes sinto-me mesmo na twilight zone.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sweet Jade Moments #4


Lá por darmos umas quantas picadas, não quer dizer que não sejamos uns amores. Já agora, vale a pena pensar nisto.

Que coincidência, Calvin...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Miss You

De vez em quando, tenho mesmo saudades de estar sentada ao teu lado, simplesmente a descansar da vida.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mzinha...


Estamos longe, mas de olho em ti. É só dizeres.

domingo, 24 de outubro de 2010

Nem sempre,

mas às vezes, assim, de vez em quando, depois de uma semana horrorosa, estás mesmo bem contigo própria e um bom filme na televisão, um lanche abrutalhado e a lista de entregas ao domicílio da tua pizzaria favorita.
Muito, mas muito melhor que o ruído, que a discussão, que o monte de chatices que o simples facto de estares acompanhada pode trazer.
Nem sempre, mas às vezes, e hoje em especial, é bom não ter que ver ou ouvir ninguém a não ser quem me apeteça, e quem eu escolha. Há muito que o alívio não vinha com a solidão e eu prefiro de longe assim.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sweet Jade Moments #3


Hoje sou eu que preciso. Da doçura e da caminha. Lazy Saturday. Shhhhhh

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Finding Faith in Something: A Cat's Prayer

Now I lay me down 2 sleep,

I pray dis cushy life 2 keep.
I pray 4 toys dat luk like mice,

& sofa cushions, soft&nice.
I pray 4 gourmet kitty snacks,
&sum1 nice 2 scratch my back,
4 windowsills all warm&bright,
4 shadows 2 explore at night.
I pray I'll always stay real cool
& keep da secret feline rule
2 NEVER tell a human dat
da world is really ruled by CATS!


(recebido por mail na hora exacta. e eu que estou sempre a dizer que a religião é o ópio do povo, acabei de encontrar a minha)

Explicações e Justificações

Detesto dá-las seja a quem for. Mas esta é mesmo imperativa: estou aqui a largar veneno em posts porque a net no FrontierVille está sempre a ir abaixo. Ah, e porque gosto de me ouvir gritar. Só não escrevo em maiúsculas porque é indelicado, e eu sou uma pessoa muitíssimo educada. Exceptuando no vocabulário e no volume de voz. O que é que sobra? Vou ali já venho, pensar nisso. (e ver se consigo finalmente ir ao mercado comprar amendoins, que na minha vida virtual estou milionária e não consigo gastar moedas, que a net está sempre a cair... já vos tinha dito?)

Gosto, pronto, e quê?

Segunda epifania do dia:
Quando me exalto nunca tenho razão nenhuma: eu gosto é de me ouvir gritar. Deve ser porque a cantar nem no duche me aguento. Ou porque estive afónica três dias. Vocês escolhem a razão. Tenho um timbre lindo quando grito. Melódico. Adoro.

Welcome to reality

Epifania do dia:
nove décimos das palavras que me passaram nos últimos dois dias pela cabeça foram palavrões cabeludos. Tenho que levar o meu vocabulário a um cabeleireiro.

Ora, em bom Português...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sweet Jade Moments #2


Há sempre alguém que caminha contigo de mãos dadas.

domingo, 17 de outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Saga Continua...


E mais não digo, que estou sem pio.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sweet Jade Moments #1


Nova rubrica no blogue. Todos nós precisamos de um momento de ternura. Este estaminé está a tratar disso. De vez em quando, passem por aqui que pode ser que tenham sorte. Como hoje. Gimme a smile.

Já não morro estúpida...

... or so I thought.
Isto porque Sôdôna Jade, quase sem pio de uma constipação que dá de tudo menos febre e desculpa para não ir trabalhar, raciocinou do seguinte modo: se estás em condições para dar aulas, estás em condições para ir ao ginásio.
E fui. Mas a meio do caminho reconsiderei, e achei que talvez fosse boa ideia não me meter nas máquinas de fitness e ir finalmente experimentar a aula de Pilates, que pelo menos já não morria estúpida a falar do que não conheço, como tanta gente (estúpida) que para aí anda. Também tenho que confessar que, embora ande sempre num misto de alienação e arrogância, ouço muito mais o que me dizem do que aquilo que parece, e houve quem me dissesse que, para a minha condição física e mental, "Pilates é que era!".
Pois era. Ou seria.
Uma das minhas colegas tinha experimentado e dito que aquilo é "muito parado." Parado por parado, o que eu gosto mesmo é de não fazer ponta de corno, por isso, pareceu-me bem.
E não fiz mesmo ponta de corno. Ponta de corno do que era suposto, quero eu dizer. Aquilo fez-me lembrar uma vez que a minha mãe me arrastou para uma sessão de meditação e eu meditei de tal maneira eficazmente que adormeci em cima de um interruptor e acendi a luz da sala que estava na penumbra para criar ambiente.
Bem feitinho, bem feitinho, aquilo deve fazer muito bem à coluna, mas eu sou como as louras: ou respiro como deve ser, ou penso na força do centro, ou ponho a coluna neutra, ou contraio os abdominais, ou levanto a perna. Tudo ao mesmo tempo, está visto, está de chuva.
Senti-me uma idiota de uma sardinha a esbracejar no convés de uma traineira, e continuo sem saber o que é Pilates, porque deve ser tudo menos o que eu fiz no ginásio durante 45 minutos. (E não tenho mesmo feitio para a cena do "concentrem-se, posição de cisne" ou de gato ou do raio que parta o zoo inteiro... aquilo é para mentes avançadas perto do estado zen. Para mim... não me parece.)

Agora é tarde


domingo, 10 de outubro de 2010

Batota

A Mzinha acusa-me de escrever muitos posts pequeninos só para ver se não chego ao fim do ano com um número de publicações humilhante. Mas não, não é batota. É mesmo falta de paciência, e falta de palavras. Há fases para as quais não há palavras.

1 em cada 5?

"Diz que" 1 em cada 5 portugueses tem um problema mental, sendo que a grande maioria sofre de ansiedade. Não disseram quem é responsável pela estatística, mas seja quem for, está convidado a passar uns dias na minha escola. De preferência, antes das reuniões de avaliação. Umas quaisquer. E vão ver se é 1 em cada 5.

Venha a Máxima

Hoje li a Visão. Já não tenho paciência. Ou as notícias mudam ou vou deixar de ser uma pessoa informada. Ignorance is a bliss.

E para os que não podem comigo...

Sou modesta, que é que querem?


domingo, 3 de outubro de 2010

O copo meio cheio

Numa noite de Domingo em que vou estar agarrada ao PCT, que não é nenhum partido político, mas cuja inutilidade faz lembrar, até vejo as coisas pela positiva: podia estar em Coimbra a olhar para o Bono, sim, mas gelada até aos ossos, com dores nas pernas e nas costas, e a levar encontrões de milhares de outros tristes como eu.

Grande Verdade

Uma amiga minha diz que ouviu na Oprah que nunca se conhece bem uma pessoa até se separar dela. Eu diria que isso só é verdade quando somos nós a dar-lhe com os pés. Mas, quando somos, não é apenas verdade, é fatal como o destino... as coisas que são capazes de fazer e dizer, surpreendem. E chocam. E pasmam até as almas mais insensíveis. Como a minha, por exemplo.
(E antes que venham para aqui os anónimos sugerir vibradores e chamar-me mal-amada... epá, deixem lá isso, que a figura triste que fazem não compensa, acreditem.)

Eu tenho o teu número

Fiquei bastante triste, o que em bom Jadês significa resmungos e lamentações durante vários dias, por não conseguir bilhetes para os U2. Também é verdade que vitória é sinal de esforço e não me esforcei nadinha para os obter, deixando isso nas mãos de uma amiga e das novas tecnologias. Não sou menina de me levantar às seis da manhã ou passar a noite à porta de uma FNAC por desporto. Sou muito comodista. Por isso mesmo, hoje até estou contente: é que nem o Bono justificava ir ver um concerto ao ar livre com um tempo destes. Desculpa lá, filho, eu depois ligo-te a justificar-me, que sei que vais sentir a minha falta.

sábado, 2 de outubro de 2010

(Outra) Grande Noite

Depois da formação - interessantíssima - em quadros interactivos, que tem o melhor horário do Mundo, - 6as feiras das 18 às 21, 5 semanas seguidas - fui ao Auditório do Centro Cultural, assistir a um concerto de Jazz/Bossa Nova, que foi fenomenal.
Não fosse o baixista ser alguém com quem partilho sala de professores, cantina escolar, conversas parvas e ordinaronas e muitas gargalhadas, nada teria a etiqueta do "estranho". Mas já me começo a habituar a um sítio em que toda a gente se conhece, e até uma celebridade do Mundo Artístico me vem cumprimentar depois do concerto com toda a naturalidade, e nem um autógrafo lhe peço, já que isso pode esperar por 2ª feira, para ter o prazer de o ouvir mandar-me à merda com a mesma voz lindíssima com que cantou "Eu sei que vou te amar". E pensar que, nem há dois anos, o David Fonseca esteve no mesmo palco...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Outubro será melhor

Este mês começou com uma jantarada de arroz de marisco, que estamos em contenção, regado a bom vinho, que estamos em contenção. Não foi num restaurante, que estamos em contenção, e foi restrito e íntimo, que estamos em contenção. Houve suecada sem apostas a dinheiro, que estamos em contenção e a minha equipa perdeu, mas não desarma, que é uma dupla dinâmica e estamos em contenção.
Já o Sporting ganhou sem contenção nenhuma.
Toma lá.
Outubro começa bem.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ainda por cima...

... esta semana eu e os meus colegas estamos todos a dar horas extraordinárias à causa, devido a conselhos de turma de avaliação diagnóstica. Saímos da escola vários dias depois das oito da noite. Resultado: não houve episódio do Glee para ninguém e Setembro acaba em beleza.
Estou com uma neura do tamanho de um "camiõ atrabexado", o mesmo veículo que, se me viesse parar às mãos, atiraria para cima do Sr. Engenheiro que ontem discursou à Nação com a carinha de idiota que Deus lhe deu.

Ah, e já agora...

... não acho a menor graça às piadinhas que os tugas estão a aproveitar para fazer sobre o assunto "medidas de contenção". É por estas e por outras que continuamos a ser comidos por parvos. Um golpe de estado é que era.

Desculpem, mas tem que ser

Também eu tenho que deixar aqui o meu protesto contra o dinheiro que me vão roubar ao ordenado, mais o congelamento da progressão na carreira, para pagar dívidas de um Estado com um governo incompetente que nem sequer ajudei a eleger. E sei que a dívida não é fruto só deste governo e ainda assim não ajudei a eleger nenhum dos últimos. E não comprei, ultimamente, nenhum submarino, nem pertenço às águas de Portugal., nem tenciono apanhar o TGV, a não ser que seja para o raio que me parta. O meu carro anda sem turbo porque não tenho dinheiro para o arranjar e, por isso, o máximo que dá é os 120, e a descer. É assim que faço o par de centenas de kms que me separam da casa da minha mãe, e é se não quero pagar quase o mesmo de bilhete de Expresso para levar quatro horas a lá chegar.
Por isso, estou completamente contra estas medidas de contenção, e não me venham perguntar o que sugiro em vez destas, que eu não sou Economista nem Gestora. Mas também não sou totalmente idiota e sei quando sou roubada descaradamente.
Já estou como a minha mãe, que nestas férias, por tudo e por nada, de cinco em cinco segundos, especialmente no meio dos noticiários, vociferava "Presos! Deviam ser todos presos!"
Grandes chupistas, pá!

Ahn?

Este ano sou directora de uma turma de nono ano. Metade do meu horário é à conta deles, já que para além do Inglês e da Formação Cívica, ainda lhes dou Projecto. Atendendo às comemorações do Centenário da República Portuguesa, o projecto deles é um álbum de memórias intitulado "100 rostos que mudaram o Mundo". Ontem acabámos a selecção das figuras a trabalhar. Eu fiz uns papelinhos com nomes e respectivas fotografias de personalidades nacionais e estrangeiras de diferentes áreas e distribuí os papéis aleatoriamente.
Era quase tudo gente que eles não conheciam, mas tenho visto de um tudo e pouca coisa me espanta ou choca, no que se trata de desconhecimento adolescente de coisas que me eram básicas, com a mesma idade. Confesso, todavia, que a minha cara deve ter sido "de momento Kodak" quando uma das artistas tira o papelinho com o Saramago e diz, muito aliviada, "Boa, este conheço... é o pai da Júlia Pinheiro".
E não, não estava a gozar com a minha cara.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Just in case...

Hoje o JadeMobile trouxe-me em piloto automático, mas em pano de fundo julgo ter ouvido algo na Comercial que se assemelhava a uma notícia. Pelo menos percebi que tinha algum fundo de verdade, apesar de se poder esperar tudo daqueles artistas que fazem o programa da manhã: ninguém com o juízo todo tem aqueles horários, pois. Pareceu-me, então, ter ouvido que a NASA contratou uma tipa para um cargo criado de propósito: o de Relações Públicas da Humanidade em caso de Contacto Alienígena.
Pára tudo.
Alguém me explica o que é que a moça faz enquanto o ET não descer do espaço? E porque é que me cheira que a rapariga vai ganhar um ordenadão?
Tanta gente ressabiada com a minha sexta-feira livre... ai, ai, ai, toca a ressabiar em grande, tá? Isto sim, são grandes vidas. Também quero ter um emprego fixo em que me paguem todos os meses milhões de notas para comunicar com o Elvis, no caso de ele aparecer em Graceland: falo Inglês, conheço as músicas e tenho experiência em zombies, dadas as horas a que acordo todos os dias este ano.

ME-DO

Claro que no meio de um tornado depressivo, a vomitar veneno por todos os póros, a insónia e a falta de gasóleo no carro fizeram com que bem antes das oito já estivesse porta fora (daí, também, as unidades de cafeína a mais). O resultado foi ver caras conhecidas que já não via há anos. Só agora voltámos a trabalhar nos mesmos turnos. E parecia o desfile de Halloween: eu, zombie; tu, bruxa; ele, monstro.

E de mais um ou dois não me safo

São onze da manhã e já vou no quarto café. Estou piursa comigo mesma. Basta a vida derrapar um bocadinho, as coisas correrem um pouquinho ao lado do que é suposto e descambo logo numa espiral de loucura que inclui fumar um maço de tabaco por dia, baldar-me ao ginásio, não ir à sessão de cinema para a qual tinha bilhete comprado há uma semana, dormir três horas e tomar quatro cafés só nas primeiras horas da manhã. Shame on you, Jade-Marie.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Gosto!

From facebook, esse mundo: "If you're talking behind my back, you're in a good position to kiss my ass".
Nem mais.

Vejo tudo preto

É só para registar os direitos de autor desta expressão. Não conheço mais ninguém que a use, e as minhas colegas de escola, quando a usam, acrescentam "Já estou como diz a Jade..."
Mas é muito útil:
Vejo tudo preto quando os alunos são mesmo insolentes, quando os adultos me levantam a voz sem razão aparente, ou se tentam meter na minha vida privada, ou insistem em fazer-me de parva, ou ameaçam a minha segurança na estrada. Há muita coisa parva que me irrita (por exemplo a net falhar a meio da alimentação dos meus gansos do Frontier, ou da publicação de um post) mas pouca coisa me tira mesmo do sério. Aí vejo tudo preto, e quando vejo tudo preto, tudo é possível. Muahahahahah...
Quer-me parecer que este ano escolar que se avizinha vai ser profícuo em explosões coléricas da minha parte mas, depois de hoje, há uma coisa que me sossega, já não levo o prémio por ser a primeira a passar-me. O que é bom. E inédito.

Não sou lá muito Católica, mas...

... cada vez me convenço mais de que Deus não dorme.
Uma das minhas "irmãs" foi a uma entrevista de emprego. A entrevista foi, para dizer o mínimo, do reino do incrível: se não fosse trágico, seria hilariante. Nesse dia, fiquei pior que estragada. Vociferei, disse palavrões, insultei mentalmente meio mundo, o sistema, as cunhas, e a idiotia das pessoas em geral.
Hoje foi colocada numa posição muito, mas mesmo muito, melhor. A todos os níveis. Ora, se retirarmos o facto de a minha opinião ser parcial e irrelevante, e ainda assim eu a considerar uma das melhores profissionais que conheço, e conheço o trabalho dela quase há vinte anos, toda a gente ficou a ganhar à excepção da instituição que a rejeitou.
Com tanto sinal, qualquer dia sou cliente assídua da missa de Domingo.

Epá, a sério.

Gostava mesmo de ser como os meus colegas de escola, aqui espalhados em mesas à minha volta e a trabalhar sozinhos ou em conjunto. Eu olho para a minha lista de tarefas e só me apetece ir apanhar o calorzinho deste primeiro sol de Outono que nos entra pela janela.

As saudades que eu já tinha...

... dos anónimos, esses peçonhentos!!! Cá beijinho, môri.

sábado, 25 de setembro de 2010

Os Dramas dos Famosos

Sinto-me uma celebridade do jet-set na Cidade de Deus. É que aqui também fico a saber das novidades da minha vida privada pelos tablóides. Só não acho desagradável. Como sou esquisita, acho hilariante. Jade-Hilton, that's me, mas sem cheta.

Gajas (d)e Ginásios

Com a idade que tenho, e que já é mais do que suficiente para começar a ter juízo, resolvi inscrever-me num ginásio, por vários motivos, e nenhum é estético, convenhamos. Por acaso, e pela primeira vez na vida, tenho um pneuzito de bicicleta à cintura, mas até nem acho que me fique mal, tantos foram os anos em que convivi com comentários maldosos e desagradáveis à minha excessiva magreza.

Inscrevi-me, sim, rendida às evidências de que moro num segundo andar alto e sem elevador e ainda não consegui meter na cabeça que fumar me faz mal; com a pdi comecei finalmente a sentir no pêlo a falta de resistência física e pulmão, e pensei, isto não pode continuar, se não aos cinquenta não me mexo.

E pimba, inscrevi-me.

Nesse dia, dei muitas palmadinhas satisfeitas nas minhas próprias costas. Sou tão madura, tão consciente, tão responsável, bem-vinda ao Mundo dos Adultos, Jade-Maria… e passei um mês sem lá pôr os pés. Quem me conhece, neste momento, suspira: tell me something I don’t know, how surprising….

Sou uma preguiçosa veterana. Levei anos a aperfeiçoar a preguiça, a alimentá-la e a cuidar dela como se fosse uma filha muito mimada. Além disso, o dinheiro é coisa a que não tenho respeitinho nenhum. As minhas colegas de escola (e de ginásio), massacraram-me semanas a fio “não te custa a ganhá-lo? Vai às aulas, cacete!” e eu, “pois” (uma das palavras mais úteis do dicionário, quando se trata de evitar assuntos e conversas que não agradam).

Este mês, ganhei juízo. Estou quase a pontos de fazer disto um hábito. Até estou quase, diria mesmo, a achar isto giro.

“E gajos bons, há?”

Não senhora. É um ginásio só para mulheres. As minhas amigas mais próximas olham para mim de lado: como é que queres arranjar motivação para ires à tortura se nem tens com que consolar a vista? Bom, a verdade é que não me parece que um sítio onde vou para ficar despenteada, roxa, suada e com cara de morta-viva, seja o melhor lugar para encontrar um príncipe encantado.

(E acrescento que os gajos que conheço que frequentam ginásios regularmente são todos uns completos imbecis, que eu sou mesmo assim, arrogante, com a mania, e um bocado parva. Daí ser também uma “solteirona”, como diriam alguns desses gajos musculados que não interessam nem ao menino Jesus… nem a mim)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

De volta!

Já vi o primeiro episódio da segunda temporada de Glee!!!Estou tão cunteinte! Eu, sem as novas temporadas das minhas séries favoritas, ainda me sentia de férias. Agora é que vai ser começar a trabalhar, que o Outono está aí and so is Mr Shuester. (Vai ser cá uma energia... vou ali já venho, arrochar no sofá a enfardar bolo de bolacha)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Crucifiquem-me, pronto!

Sim, é verdade que a minha semana de aulas termina (até ver) à quinta-feira. Sim, também é verdade que muita gente não se pode gabar do mesmo.
Querem saber a terceira verdade? Quero que toda a gente que neste momento está a dizer, com ar ressabiado, "grandes vidas!", vá levar onde levam as galinhas. É que a quarta verdade é que a Jade encontra SEMPRE o lado NEGATIVO das coisas, e está fartinha de ouvir gabar o horário que a faz entrar TODOS OS DIAS às oito da matina e andar feita zombie de segunda a quinta, a pensar que cada dia é um mês.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Isto é que está a ser um ano...

2010.
Estranho. Muito estranho.
A nível de blogue, fraquinho, muito fraquinho... suponho até ser possível ter perdido 90% dos clientes habituais do estaminé. Dos 5 clientes habituais, quero eu dizer.
Acontece que não tenho novidades nem inspiração. Por outro lado, não faltam sarna para me coçar e trabalho.
Acho que este ano não chego aos cem posts. Logo no ano do centenário. Rats!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Livros de Receitas é que não há.

Eu sou uma biblioteca. Seria esta a metáfora que usaria para me definir, se mo pedissem.
Sou uma biblioteca que inclui uma enciclopédia de conhecimentos inúteis, em constante actualização. Com paredes forradas de estantes ocupadas por inúmeros romances de final mais ou menos infeliz. Duas ou três tragédias e muitos folhetins de cordel. Alguns relatos de viagens a destinos pouco exóticos. Poesia onírica e pouco teatro, que não sei fazer, e quando tento, dá para o torto. Um ou dois simpósios terapêuticos. Vários livros de auto-ajuda, com o nome dos meus amigos por título. Aparentemente silenciosa, mas com milhões de palavras por dizer. Das mais absurdas às mais brilhantes, a que chamo epifanias. Também há por aqui um volume de anedotas e outro de anecdotes, profícuo, por exemplo, em gaffes, nas quais tenho um PhD. E alguns exemplares de pedagogia, para a área profissional, que nunca abro, porque o par de berros continua a funcionar melhor que todas as teorias que conheço.

sábado, 7 de agosto de 2010

Eu cá, desisto!

Depois de ter ganho algum respeito por Hemingway, ao ler a sua biografia em que conheci detalhes importantíssimos da sua vida, por exemplo, que um dia arranjou uma carraça no "little-hemingway" que só saíu com cera de vela quente (pois, pois, chama-lhe carraça, grande tarado!), resolvi ler um livro dele, finalmente. Peguei no livro que a Miss Covilhã e a Pêlo-Russo me deram num aniversário, Ter e Não Ter. Depois de três enormes capítulos de descrição da pesca ao espadarte em Cuba, desisti. Para isso, releio a Moby-Dick, que a estatura do peixe (Eu SEI que as baleias NÃO SÃO peixes, ok?) sempre impressiona, e o Ahab era obsessivo, característica que me encanta.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

What's new?

Tenho uma torre semelhante à de Pisa (antes fosse de Pizza, que, por causa de uma gastroenterite, ando a caldinhos há uma semana, e só me apetecem porcarias de todos os géneros...) de livros por ler, que trouxe da Cidade de Deus com a bela intenção "agora é que vai ser, vou vingar-me de todos os dias em que não li uma linha por ter trabalho para fazer". Uma torre alta e inclinada, e para o que é que me deu? Para comprar hoje uma revista sobre livros e literatura, suspirar pelas novidades e sublinhar o que quero ter, tipo puto agarrado ao catálogo da Toys'r'Us em princípios de Dezembro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ensinem-me!!!

Havia uma querida na escola anterior que me tirava do sério por ser sonsa, daquelas sonsas tão sonsas que insultavam toda a gente e depois diziam "não percebo por que estás a ser desagradável, és tão má"... só me apetecia esbofeteá-la, a sério.
Nesta escola em vez de uma há, que eu tenha dado conta, pelo menos três.
Ajudem-me, que é que eu faço? Perco sempre a razão com estas lindinhas. Porquê? Normalmente porque as mando para o caral*o. Sem grande habilidade diplomática, como se nota. Sou assim, dá-me para a chinela. Alguém sabe dizer palavrões em línguas esquisitas? Ou mandar para o caral*o com classe? Preciso de uma acção de formação urgente que, não tarda, estou de regresso ao trabalho.

Com Ç

Boçal e Boçalidade escrevem-se, pois claro, com Ç.
E eu a pensar que, apesar de a palavra não me "soar" bem, teria que vir da bossa, ou não fosse um boçal um verdadeiro camelo. Afinal a camela era eu.

Ainda Hemingway

Embirro com o homem desde sempre. O tipo era obcecado por quase tudo aquilo que me revolta o estômago e a sensibilidade. Caça grossa e touradas, por exemplo. São questões indiscutíveis como religião, futebol ou política. Para mim, com uma diferença: tenho amigos de todos os clubes, religiões (ok, isto não é bem verdade, mas só porque não conheço judeus nem budistas) e partidos. Pessoas de quem gosto mesmo. Já gente que goste de touradas ou de caçar... também conheço, sim, também convivo, pois, mas confiar confiar, assim absolutamente... não confio em ninguém que ache piada a ver um animal sofrer. Acho sempre que tem um instinto cruel mais ou menos refinado, mais ou menos civilizado, mais ou menos escondido. A caça, ainda engulo. Primário, primitivo, triste, mas ok, tiro certeiro, morte imediata. Tourada, não. Venham lá falar de tradições e de raça, e da extinção do touro bravo. Pois. Aqueles aficcionados que conheço são todos ambientalistas convictos, sem dúvida, é logo do que me lembro quando penso assim de repente, em dois ou três deles.
É muito por isto que sou uma ignorante de Hemingway. Por causa do preconceito. A bossalidade atrai a bossalidade, está provado. E, para que conste, a ignorância é tal que nem sei se bossalidade se escreve assim: vou ali já venho, verificar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Parece Ficção

Estou a ler a única biografia autorizada por Hemingway. Diz ele, sobre Por Quem os Sinos Dobram, que o bom romance tem que fazer com que a ficção pareça mais verdadeira que a realidade. A vida dele, contudo... faz a verdade parecer ficção.
Deus do Céu, aquele homem divertia-se. Imenso. Viajava. P'a caraças. Bebia. Como um desvairado. Estava sempre em fiesta. Teve dois desastres... de avião. Uma casa com uma torre em Cuba. E ainda escrevia. De pé, de manhã, e todos os dias. Ao que dizem, coisas fenomenais (o que li até agora não me convence nadinha) e pagavam-lhe para isso. Isto é que é uma vida como deve ser. Porque se terá matado?

sábado, 31 de julho de 2010

Demasiada Tolerância

Uma amiga minha, também muito amiga do salero, da noite, das saídas, dos cinemas e das exposições, daquelas pessoas tão activas que até fazem impressão com tanta energia, costumava meter-se comigo, quando eu dizia que vinha para Lisboa. Vais para lá fazer o quê, dizia, sarcástica, meter-te em casa e ver televisão por cabo? Para isso ficas cá e vens sair comigo! É um ponto de vista e, concordo, o ponto de vista socialmente aceite, nesta era de velocidade e de hiperinformação. O que está a dar é, como diria o querido António Feio, aproveitar. Como ele fez, espremer ao máximo do que a vida tem para dar.
O bem sucedido é, assim, o que trabalha muito, produz muito, se cultiva muito, sai muito, não pára. Diz o povo que parar é morrer.
Alguém que, como eu, se mete em casa e dorme muitas horas, se levanta da cama e vai para o sofá, do sofá para o frigorífico e do frigorífico para a cama, só pode estar deprimido. E a depressão, mais do que uma doença mental é uma fraqueza, uma vergonha. Pois.
Só que eu acho que quem está doido é este mundo metido num fastforward ridículo, toda a gente a querer provar que tem mais energia e faz mais e melhor com o seu tempo que o seu semelhante. Essa necessidade de constante auto-afirmação, esse orgulho em dizer "estive até às cinco da manhã a trabalhar, sou mesmo excelente".
Não há paciência, não tenho mais pachorra para esse tipo de competição idiota. Há uns dias, a aboborar em frente à SicMulher, vi uma entrevista com a Joana qualquer-coisa, aquela deputada que esteve envolvida numa escandaleira qualquer entre partidos. E tenho a dizer que lhe achei muita graça. A tipa é tesa. Dizia, a dada altura que o tuga é muito tolerante, e a sua maior qualidade é também o seu maior defeito, visto que é demasiado tolerante com más políticas, maus governos, más pessoas. Assino por baixo.
Somos demasiado tolerantes todos os dias, com injustiças cometidas ao nosso lado que não denunciamos, em prol da nossa vidinha, de não querermos arranjar chatices, do deixa andar.
Aqueles que são tão enérgicos para trabalhar, para ver todos os filmes que passam no cinema e ler todos os livros que estão na berra são, afinal, os mesmos que se calam quando têm que falar ou se aproveitam de lugares e pessoas em benefício próprio. São os que aceitam elogios imerecidos e cargos que não são seus por direito. Os mesmos que se acham o máximo mas não vão a jogo, com medo de falhar, e preferem arranjar esquemas de conforto a competir com os seus pares de forma leal.
A Joana tem razão. Enquanto isto for um país de demasiada tolerância, de interesses mesquinhos e cobardia medíocre, há demasiado espaço para um oportunismo de que depois não somos senhores para nos queixar.
Prefiro parar e sossegar, deprimida ou não, a entrar neste tornado de podridão desenfreada.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Gimme a break

Atão, pá, nunca mais escreveste, o teu blog tem teias de aranha (desculpa lá, Teia, refiro-me ao pó e à penumbra das casas fechadas e não ao brilhantismo do teu estaminé...), já lá nem vou, que se passa contigo, tens que actualizar a cena, escrevias tanto e tão bem...
Gimme a break.
Passei muitas horas, muitos dias, muitas semanas... de empreitada ao computador, a teclar palavras, a imaginar sinónimos, a refazer discursos, a preparar powerpoints e sumários, a copiar citações. Esgotei-me. Resolvi mergulhar, a seguir, nas palavras dos outros.
Ando por aí, nos vossos blogues. Ando por aí, de volta de alguns livros, muitos ao mesmo tempo, para não dar verdadeira confiança a nenhum, não me vá dar vontade de voltar a estudar este ou aquele autor. Ando por aí, a auto-hipnotizar-me na minha vila do Oeste Americano do Facebook, em que afugento ursos e dou cabo de cobras, o que na vida real me é bem mais difícil. Ando por aí, a sorrir convosco ou a abanar a cabeça. De vez em quando, reconheço, tenho ataques de arrogância, leio posts ou vejo fotos, ou dou com determinados comentários ou citações e penso "mais um que descambou em cretino, tão espertinho que parecia e é mais um possidónio...". Ando por aí, a ver filmes que tenho guardados há meses, para "quando tiver tempo". E agora tenho. Tenho tempo para estar na esplanada, para ir a casa dos amigos, para mimar os sobrinhos, para ler, ver televisão, ouvir música, fazer compras de supermercado, ir ao banco, ir ao ginásio, ir a Lisboa. Tenho tempo para isso tudo e ainda nem de férias estou realmente. Alguma coisa teria obrigatoriamente que falhar. É o blogue, é a escrita, a imaginação, a opinião, a piadinha.
Prometo voltar. Nem que seja com uma ou outra crítica enfadonha a um livro ou um filme. Recuso-me é a vir para aqui estragar dois anos de blogue sincero e transparente por obrigação, só porque sim, só porque enfim. Mais depressa encerro este e começo um novo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Conta-me como foi

Tenho uma directora que é uma imbecil. Quero dizer, não é bem isto exactamente, mas não sei bem que adjectivo melhor se lhe coaduna, a verdade é essa. Por outro lado, ela também não lê o blogue, e detesto dizer mal dos outros nas costas. Coisas que não lhes disse previamente no focinho, claro está. E nunca me virei para ela e lhe disse "Sra Directora, a senhora é uma imbecil", não. Não lhe disse. Até porque, como afirmei, não será exactamente imbecil. É prepotente. É autoritária. É megalómana. Egocêntrica. Má como as cobras. Muitíssimo provinciana. Enfim, capaz de tudo para levar a dela avante, por mais absurda que a dela seja. Claro que não me suporta, o que é mútuo.
Quarta-feira fui defender a minha dissertação de Mestrado. Foi um sucesso, mas não é pelo grau de Mestre que me sinto mais inteligente. Um bocadinho mais culta, realizada e feliz, sim. Mais inteligente, nada. Senão, vejamos: recebi nesse dia uma sms que dizia que a minha nota a um aluno tinha sido alterada de dois para três "e não havia nada que eu pudesse fazer em relação ao assunto". Ora eu, que tinha levado essa classificação à consideração do Conselho de Turma no dia anterior, deduzi, com a minha inteligência, que toda a gente gaba, que a Sra Directora tinha imposto a sua vontade, sem reunir novo Conselho de Turma, visto eu não ter sido convocada para nenhum, sem dizer água-vai.
Burra como sou, fiquei possessa. Pensei logo em meter-me em alhadas jurídicas e em escrever até ao Papa, se preciso fosse. Garanto-vos que movia mundos e fundos, e que não deixava a coisa barata.
Hoje explicaram-me que reuniram o Conselho de Turma sem mim (ora se eu estava a prestar provas públicas e tinha posto a minha nota à consideração do Conselho de Turma, para quê incomodarem-me?), um pró-forme para subir a minha nota. E eu, dadas as circunstâncias, assenti. Resta-me saber que terão eles dito de importante para mudar também a nota de Matemática ao mesmo aluno, de dois para três. É que essa nem tinha sido posta à consideração. E que terá dado na cabecinha de uma dezena de alminhas para mudar de ideias em menos de 24h. Mas, quanto a isso, abstenho-me. O Conselho de Turma é soberano.
Enquanto perdia o respeito pelos meus colegas todos, ganhei um bocadinho mais dele pela Directora. Cada escola tem, realmente, a Directora que merece; não me venham agora dizer mal dela, quando na hora da verdade se acobardam como ratos.
Uma escola que tem tudo para ser de excelência nunca passará de uma escola de fachada, porque o corpo docente não sabe, de facto, o que anda a fazer. Posto isto, "nada a fazer sobre o assunto", essa é que é essa.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Feeling like Mandela

It matters not how strait the gate
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate
I am the captain of my soul.

(William Henley)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Disseram influente?

Um estudo de uma revista norte-americana apurou que a personagem de ficção mais influente das últimas duas décadas em televisão é o ... Homer Simpson.
Trágico.
Como igualmente trágico teria sido um resultado que desse Archie Bunker ou Dexter. E atenção, são apenas três das minhas séries de culto. Mas influentes? O Homer é o anti-tudo aquilo que deve influenciar alguém. O Archie, um racista da pior espécie. O Dexter, um serial-killer. Não estaremos a confundir boas séries com boas influências? É que me parecem personagens-tipo do que há a evitar nesta vida.
A não ser que seja exactamente a psicologia da inversão: ai, filho, aí sentado nesse sofá com essa barriga pareces o Homer Simpson! ou, isso foi mesmo um comentário à Archie Bunker... (espero que ninguém tenha motivos para dizer a algum amigo que parece o Dexter, mas nunca fiando.)
Com tanta Christina Yang, Miranda Bailey, Gregory House, Gil Grissom ou Seinfeld... esta gente escolhe o Homer Simpson! Ainda se fosse a Lisa! (ou o MacGyver, que sempre era desenrascado, e jeitosito de mãos...)

terça-feira, 1 de junho de 2010

É isso!

Hoje uma colega minha dizia-me, sobre um colega nosso, amoroso, que foi acompanhar alunos às actividades do Dia da Criança: "O fulano-de-tal" vinha pior que uma chouriça!
Epifania. Páre o Mundo que se fez luz!
Então é isso que eu ando, há mais de um mês: ando "pior que uma chouriça!"
Venha mais malta do Norte para chamar as coisas pelos nomes e diagnosticar as nossas doenças mais íntimas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

My New Mania

Glee.

Com L de Loser.

E de Lindo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lições

Aprendi muito em pouco tempo.
Aprendi que, com esforço pessoal e ajuda e motivação dos nossos, impossible is nothing.
Aprendi que quem nos quer bem pode muito mais que forças invejosas e contrárias.
Aprendi que a sinceridade e a frontalidade só são bem empregues com gente boa, e que, por muito que o mundo mude, vão sempre existir ditadores, e estes serão sempre estúpidos. Não me venham falar na mente brilhante deste ou daquele que ficou na história. A intolerância e a ignorância andarão sempre de mãos dadas. A estupidez humana é directamente proporcional à falta de auto-consciência, à falta da noção de que toda a gente erra, incluindo nós próprios.
Aprendi que a hipocrisia se paga na mesma moeda.
Aprendi que um bom líder dá exemplos, e um mau líder jamais passará de um chefe que temos que engolir a custo e jamais respeitar.
Aprendi que mais fácil que apoiar os outros nas suas derrotas é alegrarmo-nos com as suas vitórias.
Entreguei finalmente a minha dissertação de mestrado. Nunca pensei que o simples facto de a entregar me ensinasse mais do que tudo o que aprendi na investigação científica que nela está contida. É fantástico como o ganhar de uma simples batalha, pessoal e intransmíssivel, nos pode dizer sobre a natureza humana. A nossa e a dos outros.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fónix!

Tentem escrever um texto científico esmerado, seríssimo, que ilustre toda a vossa sapiência, com a merda da tecla-vírgula a funcionar só à terceira vez e a murro, e manter o bom humor. Tentem. Se conseguirem, parabéns, estão na minha categoria de heróis. Se não, têm toda a minha solidariedade.
A solidariedade do meu orientador, esqueçam, que ele, depois de me acrescentar cinco mil duzentas e setenta e três vírgulas ao texto que lhe enviei, deve estar com vontade de me matar de forma lenta e dolorosa. Mas como eu já fumo, ele confiará na sorte.

Saúde...

... é que não pode faltar. Nem numa revista feminina de terceira categoria.
A minha mãe convenceu-me de que é possível que eu tenha uma pneumonia, dado que ando há semanas com uma tosse que mais parece a gosma de um cão-de-fila. E porque também ando mais cansada do que o costume. E porque me farto de impar (não sabem o que é? paciência, que eu também só aprendi há umas semanas), logo eu que nunca me queixo.
Diz ela, a progenitora, que eu deveria fazer uma radiografia ao tórax.
E eu até concordo. Só não sei é quando. Vou ali marcar na moleskine um dia para pensar nisso. E fumar o primeiro cigarrito do dia, que está quase na hora da aula, e o tema de conversa puxa.

Dica da Semana

E já que isto parece o parente pobre e fútil de uma revista feminina de segunda categoria, não pode faltar um conselho de beleza:
A minha progenitora ofereceu-me uma caixa da Benefit que se chama "Confessions of a Concealaholic". Tendo em conta que às seis e um quarto da manhã já estava de pestana aberta e olheiras até ao queixo, cheia de borbulhas por causa dos chocolates que enfardei em Lisboa e uns papos nos olhos que me lembraram uma boga congelada há um mês... e que, quando cheguei à escola, um duche, duas horas e tal de viagem e um tratamento de concealing depois, sem almoçar e com um mau humor de fugir, me disseram: estás com um óptimo aspecto!... (e eu já tinha tirado os óculos escuros...) o meu conselho é: ide à Sephora. Se comigo hoje resultou, convosco resultará sempre.

Está bem, venha outra...

... que isto hoje está para o consultório sentimental: tenho uma amiga que anda com um "senhor casado". Sim, porque ele é um senhor, ela é que é a cabra: a culpa é sempre das gajas, que são umas invejosas e gostam de roubar o que é alheio. Os "senhores casados" não têm culpa nenhuma, elas é que lhes apontam bazucas à cabeça (sim, à cabeça que eles tanto prezam) e os obrigam a desrespeitar mulher, filhos, família: grandes meretrizes, cortesãs, rameiras! Apedrejadas! Apedrejadas é que era...
Perdi-me? Não. Perguntava-me ela, que é que eu faço, pá? Dei-lhe um sábio conselho que recebi por mail, entre outros itens de uma lista com o título "Como ser feliz", ou coisa que o valha:
- Se a sua relação é secreta, você não devia estar nela.
E mais nada.
(Acredito que para o tema "senhores casados" a Carolina tenha um rol de "sugestões Amélie Poulain" que nunca mais acabe... é que esses são tão fáceis de entalar que até dá pena!)

Frio... sempre frio

De cada vez que tenho uma conversa de mulheres cujo assunto é o crápula-do-gajo-que-nos-trocou-por-outra-que-ainda-por-cima-tem-ar-de-puta-e-nada-na-cabeça, lembro-me de um namorado que tive há uns bons anos atrás, e com quem estive para me casar. A relação acabou por si, não sobreviveu à distância, ao meu feitiozinho insuportável, por um lado, e bastante instável, por outro. Não tinha idade para me casar (nem sei se alguma vez terei) e rapidamente encontrei um novo amor mais perto. Contudo, ainda tivémos tempo para infernizar a vida um do outro: é que demorou uns largos meses, acabar com uma relação de sete anos. E nesses largos meses, ele conseguiu fazer com que o odiasse. (e vice-versa, certamente).
Nunca me esqueci de uma conversa que tive com quatro amigas da altura. Foi num jantar de mulheres e, depois de desfiar o rosário de merdas que ele me tinha dito e feito, e que eu tinha respondido e contra-atacado, estivémos mais de uma hora... acreditem, mais de uma hora, a inventar cenas do arco-da-velha para lhe fazer, mesmo ao estilo Amélie Poulain / A Vingadora.
Foi das coisas mais retemperadoras que me lembro de ter tido na vida. Qual viagem para tratar dor de corno, qual outro gajo para esquecer o primeiro. Dar largas à imaginação maldosa, essa é que é essa! Nunca mais me esqueci de algumas das propostas. E a Carolina, autora das piores, não desfazendo, também ainda se deve lembrar.
Há mais de um ano que não tenho ódios de estimação: batem-me forte mas passam-me rápido, acho que estou cada vez mais imune a grandes sentimentos. Mas quando uma conversa, de repente, se vira para uma mulher infeliz porque o seu namorado a deixou ou, sem a deixar, a magoou, e há um coro de vozes femininas entre o acusatório e o consolador, o justificativo e o "queime-se - em - praça - pública", eu, de há dez anos a esta parte, atrevo-me sempre a dizer, em voz calma e expressão impávida e serena: " E se deixasses passar uma ou duas semanas e lhe partisses uns copinhos de cristal na banheira? Não achas que um mesito de patas para o ar lhe refrescaria as ideias, o ajudaria a pensar melhor na vida? Não? Tu é que sabes..."
Se há coisa que aprendi com as minhas amigas, - já depois de adulta, que a minha mãe me educou para ser a maior tansa do Mundo e foi com elas que aprendi a abrir a pestana, - é que o ódio consome demasiada energia... e a vingança é um prato que se serve, sempre, frio.

Às vezes...

... custa com'ó caraças regressar. Mesmo que se tenha passado o fim-de-semana em casa. Mesmo que nem sequer se tenha conversado grande coisa com a família. Mesmo que nem se tenham visto séries como deve ser na cabo. Só porque faz falta aquele cheiro particular da casa da nossa mãe. E porque apetece chegar a casa e ter um chocolate em cima da cama.

domingo, 18 de abril de 2010

Isto é que é motivação...

O meu agregado familiar lisboeta é constituído por quatro seres, a contar comigo.
De momento, duas estão de orelhas espalmadas em almofadas, respiração regular e olhos fechados.
O mais pequeno, e único macho da casa, grasna, canta, rosna, enfim, deve estar em plena rave semi-primaveril.
E eu estou ao computador, a trabalhar. Com uma vontadinha doida de ser produtiva, não desfazendo... e a culpa é deles, claro.

Só que a família não se escolhe, inveja-se.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

JadeMobile

A máquina infernal foi ao senhor doutor. À entrada das urgências perguntam-me, enquanto "familar-acompanhante":
-Matrícula?
Eu: ehhh... não sei, é aquele ali.
-Modelo?
Eu: ahn? É preto.
-Oh, minha senhora, e a marca, sabe, ao menos?
Eu: ah! É um Seat Ibiza! (Fónix, até que enfim que o imbecil do enfermeiro me fala em Português!)
-Venha buscá-lo dentro de uma hora.
Eu (só pensei, não disse): Tratamento ambulatório, pelo menos não ficas internado, nem chamam a assistência social por negligência parental.
O estúpido do enfermeiro ainda diz "já é um bocado tarde para isto, mas enfim, ainda lhe resolvemos a situação hoje."
Saí muito agradecida, até me aperceber de que o favor me custou quase cem euros.
O Sistema Nacional de Saúde Automóvel é vergonhoso.
Gatunos, ladrões, chupistas!


(Mas a máquina infernal já geme menos, valha-nos isso, que as preocupações de uma mãe nunca acabam...)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

É oficial...

... o meu orientador tem qualidades de Deus. É, pelo menos, omnipotente. Pode tudo. Como é que alguém que dá aulas e conferências, orienta mestrados e doutoramentos às dúzias, escreve livros, ensaios, estudos e blogues, vê todos os CSI e Dr Houses, e ainda vai a Nova Iorque a trabalho nos intervalos, tem tempo para ler e corrigir cem páginas num período de tempo em que eu não consegui escrever nem mais um parágrafo?
Será que dorme? É que eu nem isso, e ainda assim ando há dias sem tempo ara me coçar.
Shit, shit, shit!
Sou tãããão inteligente e jamais perceberei isto...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tenho para mim que..

... num dia em que chove desalmadamente e está um frio de rachar, depois de uma semana de sol e calor a prometer e não cumprir o fim das intempéries;
... num dia de derby lisboeta, à hora das aulas dos EFAs de 12º ano, que acham que a sala de aula é mais ou menos a mesma coisa que a Tasca da Mariquinhas com um LCD a transmitir o jogo;
... num dia de TPM literal e não metafórico, como a maior parte dos meus;
... num dia em que o meu carro não se arranjou por milagre, e continua de fechos e vidros eléctricos avariados e eu me torno católica de tanto rezar para não ficar lá presa;
... num dia em que ainda não jantei, e estou em quebra de açúcar...


... não é fácil que a coisa ainda piore.




(mas tendo em conta que o Sporting ainda vai muito a tempo de levar 3 ou 4 secos na pá, ou de eu ser parada pela brigada e ter que falar com os senhores agentes por gestos, para eles me abrirem a porta do meu próprio carro, ou de ter que estacionar bem longe do prédio e arrastar-me debaixo de baldes de água até casa a alombar com pasta e computador, ou de chegar finalmente a casa e não me apetecer jantar nada do que lá há... é melhor estar caladinha, que a procissão ainda agora vai no adro.)

sábado, 13 de março de 2010

Objectos...

... de desejo.


Sempre fui um bocado fetichista, há objectos que pertencem à minha arquinha de tesouros e perdê-los seria quase trágico. São praticamente insubstituíveis. Senão, vejamos: a Moleskine, os Aviadores e os Vogue, os Merrell, as All-Star, a Pandora, todos os meus relógios, os CDs com capas de cartão, tipo envelope, os DVDs da minha Grey, uma caneca que me trouxeram de Washington, que é branca e diz tão-somente, a azul, "FBI", alguns dos lápis da minha colecção, todas as inoxcrom da Ágata Ruiz de Prada, o meu frasco de perfume do momento, a minha máquina fotográfica, especialmente porque é cor-de-laranja, ou talvez só por isso, todos os livros que tenho por ler, mas são meus, meus, meus, e acaricio-lhes as capas e cheiro-lhes as folhas, prometendo fazer-lhes companhia em breve, o meu saquinho de vernizes, a minha bolsa de maquilhagem, o meu estojo de lápis e, desde hoje...

...o meu MP3 Hello Kitty que, convenhamos, já não bastava ser tão fofo que até faz mal à saúde, ainda me permite andar pela casa de mãos a abanar e a voz do Eddie Vedder a cantar-me ao ouvido "let's just breathe..."
Let's.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Viver em Contraluz

Sei que há muita gente que embirra com vídeos em blogues, e passa pelos posts sem nunca os abrir. Aconselho toda a gente a não fazer isso desta vez. Não se vão arrepender, garantidamente.

Este post foi indecentemente copiado do blogue "Ideias Saltitantes", mas acredito que a autora não se incomode: porque se há mensagem que vale a pena passar a toda a gente que vê noticiários e sai do sério com a vidinha do dia-a-dia, que custa a todos, essa mensagem é, sem dúvida, esta.
Bom fim-de-semana, vivam em contraluz.






quinta-feira, 4 de março de 2010

Ahn?

Ontem dizia à Mzinha que já tinha uma turma favorita. Ela respondia-me, com a sua sensatez habitual, que evitava ao máximo favoritismos. Eu não sou capaz, sou mulher de emoções à flor da pele. Gosto muito de quase todos os meus monstritos, mas há turmas especiais, todos os anos, para as quais vou praticamente a cantar. E já escolhi a deste ano. (também há sempre uma turma para a qual vou aos suspiros, por saber que 9 em cada 1o vezes, vou ter que dar um par de berros... e também já está apresentada)
É um nono ano. Se há coisa que aprendi com a experiência, é que se um miúdo chega ao nono ano sem pescar um chavelho de Inglês, pouco há a fazer, que não seja ir incutindo os mínimos e não o massacrar demasiado. As minhas nódoas são adolescentes com os quais insisto o suficiente para que não passem noventa minutos a apanhar bonés, mas que não chateio demasiado, para não entrar numa batalha perdida de antemão.
Compreendo que esses se distraiam mais, conversem mais e desistam quando o Inglês passa, a partir de certa altura da aula, a chinês.
Hoje dei o Reported Speech. É impossível dar o discurso indirecto a alunos que não me distinguem um tempo do presente de outro do passado. Por isso, quando os pus a praticar, o João desligou.
Perguntou-me se um determinado professor, que lhes daria aulas a seguir, estava na escola, ao que eu respondi, está doido? então o homem foi pai no Sábado, acha que está para vos aturar esta semana? e ele, ó professora, a mulher dele é bonita? (o professor em questão não é uma estampa de homem, daí a pergunta a preto-e-branco, comum nestas idades). E eu, é, por acaso é bem bonita. E ele, a mulherzinha tem hi5? e eu, João, essa expressão é muito desagradável, "a mulherzinha"... ainda mais porque se trata de um "mulherão"! e ele, acto-contínuo, pergunta, um mulherão, como? assim como a professora?
O resto da turma levantou a cabeça mesmo a tempo de ver a minha cara de parva. Se não tivéssemos todos desatado a rir que nem uns alarves, quase tinha precisado que me tivessem feito um desenho para me explicar que "a professora" que era "um mulherão" era, afinal, eu.
No fim, só lhe disse João, nunca há-de perceber nadinha de Inglês... mas estou mesmo muito tentada, mesmo muito, a dar-lhe um três no final do período. Só porque sim.
Esta é a minha turma preferida. Só porque sim... e como não?