sábado, 13 de março de 2010

Objectos...

... de desejo.


Sempre fui um bocado fetichista, há objectos que pertencem à minha arquinha de tesouros e perdê-los seria quase trágico. São praticamente insubstituíveis. Senão, vejamos: a Moleskine, os Aviadores e os Vogue, os Merrell, as All-Star, a Pandora, todos os meus relógios, os CDs com capas de cartão, tipo envelope, os DVDs da minha Grey, uma caneca que me trouxeram de Washington, que é branca e diz tão-somente, a azul, "FBI", alguns dos lápis da minha colecção, todas as inoxcrom da Ágata Ruiz de Prada, o meu frasco de perfume do momento, a minha máquina fotográfica, especialmente porque é cor-de-laranja, ou talvez só por isso, todos os livros que tenho por ler, mas são meus, meus, meus, e acaricio-lhes as capas e cheiro-lhes as folhas, prometendo fazer-lhes companhia em breve, o meu saquinho de vernizes, a minha bolsa de maquilhagem, o meu estojo de lápis e, desde hoje...

...o meu MP3 Hello Kitty que, convenhamos, já não bastava ser tão fofo que até faz mal à saúde, ainda me permite andar pela casa de mãos a abanar e a voz do Eddie Vedder a cantar-me ao ouvido "let's just breathe..."
Let's.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Viver em Contraluz

Sei que há muita gente que embirra com vídeos em blogues, e passa pelos posts sem nunca os abrir. Aconselho toda a gente a não fazer isso desta vez. Não se vão arrepender, garantidamente.

Este post foi indecentemente copiado do blogue "Ideias Saltitantes", mas acredito que a autora não se incomode: porque se há mensagem que vale a pena passar a toda a gente que vê noticiários e sai do sério com a vidinha do dia-a-dia, que custa a todos, essa mensagem é, sem dúvida, esta.
Bom fim-de-semana, vivam em contraluz.






quinta-feira, 4 de março de 2010

Ahn?

Ontem dizia à Mzinha que já tinha uma turma favorita. Ela respondia-me, com a sua sensatez habitual, que evitava ao máximo favoritismos. Eu não sou capaz, sou mulher de emoções à flor da pele. Gosto muito de quase todos os meus monstritos, mas há turmas especiais, todos os anos, para as quais vou praticamente a cantar. E já escolhi a deste ano. (também há sempre uma turma para a qual vou aos suspiros, por saber que 9 em cada 1o vezes, vou ter que dar um par de berros... e também já está apresentada)
É um nono ano. Se há coisa que aprendi com a experiência, é que se um miúdo chega ao nono ano sem pescar um chavelho de Inglês, pouco há a fazer, que não seja ir incutindo os mínimos e não o massacrar demasiado. As minhas nódoas são adolescentes com os quais insisto o suficiente para que não passem noventa minutos a apanhar bonés, mas que não chateio demasiado, para não entrar numa batalha perdida de antemão.
Compreendo que esses se distraiam mais, conversem mais e desistam quando o Inglês passa, a partir de certa altura da aula, a chinês.
Hoje dei o Reported Speech. É impossível dar o discurso indirecto a alunos que não me distinguem um tempo do presente de outro do passado. Por isso, quando os pus a praticar, o João desligou.
Perguntou-me se um determinado professor, que lhes daria aulas a seguir, estava na escola, ao que eu respondi, está doido? então o homem foi pai no Sábado, acha que está para vos aturar esta semana? e ele, ó professora, a mulher dele é bonita? (o professor em questão não é uma estampa de homem, daí a pergunta a preto-e-branco, comum nestas idades). E eu, é, por acaso é bem bonita. E ele, a mulherzinha tem hi5? e eu, João, essa expressão é muito desagradável, "a mulherzinha"... ainda mais porque se trata de um "mulherão"! e ele, acto-contínuo, pergunta, um mulherão, como? assim como a professora?
O resto da turma levantou a cabeça mesmo a tempo de ver a minha cara de parva. Se não tivéssemos todos desatado a rir que nem uns alarves, quase tinha precisado que me tivessem feito um desenho para me explicar que "a professora" que era "um mulherão" era, afinal, eu.
No fim, só lhe disse João, nunca há-de perceber nadinha de Inglês... mas estou mesmo muito tentada, mesmo muito, a dar-lhe um três no final do período. Só porque sim.
Esta é a minha turma preferida. Só porque sim... e como não?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Adendinha

Estou capaz de accionar o alarme de incêndio: assim como assim houve simulacro há uma semana, o pânico não deve matar ninguém... pelo menos, não mata ninguém que não esteja já morto de tédio.

Ridículo

O Conselho Pedagógico está reunido na sala ao lado daquela em que aguardo a hora de ir ter com os meus formandos dos cursos de adultos. Estão dez ou doze pessoas reunidas à porta fechada há mais de quatro horas. Às vezes, ouvem-se vozes exaltadas; outras, gargalhadas; com mais frequência, algo de monocórdico com um silêncio sepulcral por trás. Ainda não ouvi foi nada de interessante. E penso na senhora seca que dois ou três amigos meus estão a apanhar. Nada me tira da ideia que nesta escola se faz de propósito. Só para se poder dizer que se trabalha muito seriamente e que, por isso, as reuniões nunca se fazem em menos de três horas.
Deve ser por isso que temos cem por cento de sucesso. Sim, é das reuniões.