Bem... estou que nem posso, nem sei bem como me chamo. Quais mudanças, quais caminhadas, quais mestrados, quais aulas de Inglês, se querem acabar comigo, ponham-me numa festa duma inocente menina de quatro anos e seus primos, a rondar essas idades!
Cheguei atrasada, claro, a tentar aparecer a uma hora em que os gaiatos já estivessem todos drogados de sono e de doces, cada um a cair para seu lado. Como se diz aqui na Cidade de Deus, "Ora, Adeus", devo ter chegado no pico do Inferno, uma gritaria, uma confusão de balões, papéis de embrulho, adultos com chapelinhos de cartão do Noddy, e eu cheia de embrulhos do meu tamanho, aterro no meio de uma sala apinhada, a tentar não pisar ninguém, a balbuciar um "Boa Noite" de voz bem colocada de stôra, que eram muitos para dar beijinhos, e a ser arrastada por um bando de arruaceiros dos quatro aos catorze anos, olha o que me deram, deixa ver o que trouxeste, Xana dá cá um beijinho, dá cá colo, quero um abraço, tenho sede, posso comer mais um rissol?
Eu vi logo que eles iam acabar comigo. Tive foi a ideia brilhante de oferecer, entre outras coisas, uma corda de saltar e um elástico que parece o sonho de alguém com uma trip de LSD. Um sucesso: foi logo tudo a galopar porta fora jogar ao elástico e saltar à corda! Lá me sentei, lá cumprimentei a família, tão próxima que é como se fosse minha, lá contei as minhas últimas aventuras em Green Acres e lá vieram as costumeiras piadinhas de gente que me conhece há quinze anos, me quer muito bem e acompanha as desventuras e aventuras que periodicamente me entram vida dentro.
Lá me consolaram com uma garrafa de Licor Beirão, que sabem que eu adoro, e me põe bem disposta, depois de fazerem questão de controlar se eu comia em condições e se havia vinho tinto para mim. Vim para casa muito contente, depois de ter cantado e dançado num karaoke infantil, com música selecta que inclui Toranja, Xutos, e também, claro Floribella! Porque eu cá só canto karaoke e dou tristes espectáculos assim, em família!
Valeu-me o meu querido Mestre, o pai da S. que me disse, à entrada, ai, rapariga, estás cada vez mais nova... e à saída, bons olhos te voltem a ver em breve.
Por isso, parece que fui atropelada por um camião tir de matrícula de 2004, mas vim-me embora feliz... de gatas, mas feliz!
2 comentários:
eheheheh!
Uma produção natural de endorfinas!
Festinhas onde se produz e se consome o produto que cansa mas encanta os espiritos dos mais velhos e dos mais novos....
trazemos sempre para nós a alegria da pequenada....
mirovich
Moça, ja não podes com uma gata pl'o rabo! Isso foi por causa do Licor Beirão?...
Enviar um comentário