segunda-feira, 17 de março de 2008

Reuniões de Avaliação

Ei-zi-as!!! Calma, calma, eu sei que é ei-las... mas gosto do erro crasso regional alentejano. Não sei bem é como escrever. Eis-ias?
Bom, as reuniões estão aí, com o stress do costume, os directores de turma a soprar e a olhar os computadores com vontade de os atirar ribanceira abaixo, os professores a ver se têm as notas, os conteúdos, as previstas, as dadas, os relatórios, as declarações para a acta e os horários tudo a postos, a sair de umas salas e a entrar noutras, a disfarçar a fome e a irritação com amendoas de chocolate, e com aquela expressão unânime e devassadora de processo de avaliação em curso.
Eu até gosto das reuniões. Acho graça. São sempre momentos em que na minha cabeça se faz luz. Mas adiante, que não quero entrar por aí.
Hoje passou-me, pela primeira vez, pela cabeça, o que será no dia em que as classificações que atribuímos servirem para a nossa progressão na carreira. Temos um governo que quer cumprir metas de sucesso e que se faz autista a estas questões, mas avaliar uma classe profissional, ou um profissional que seja, pelo desempenho de outros, esta é nova. Vi uma comparação, hilariante, de tão descabida, que é como avaliar os médicos pelos doentes que deixam morrer. Digo descabida porque me parece descabido o processo, não a comparação em si. Na questão dos professores tudo se torna mais grave, porque ninguém pode forjar uma morte, mas pode-se sempre dissimular a ignorância com a atribuição de um nível 3, não? ai, e tal, porque nenhum professor faria tal coisa, isso vai contra a ética profissional. Pois. Os professores são assim, para umas coisas, tratados abaixo de cão, para outras beatificados com o dom da missão. Profissão não temos, ou somos residuais ou missionários. Os nossos filhos, as nossas carreiras, o dinheiro que entra ou não entra no bolso ao fim do mês, isso não interessa, temos que pensar é nos nossos alunos. Pois. Está bem. Com certeza. Mas ao mesmo tempo o Governo conta que medidas como estas melhorem o sucesso dos alunos. Como? obviamente atribuindo níveis inflaccionados, sob pena de não progredir na carreira. Parece-me lógico.
Por mim, está de chuva. Eu não tenho filhos, governo-me com o meu ordenado e adoro ensinar miúdos. Pelo que já percebi, não vou chegar a titular nunca, e não preciso de inflaccionar notas, os níveis de sucesso que tenho tido, por enquanto, chegam para a avaliação que pretendo, e na qual borrifo, por achar que o processo é injusto; não me vai tirar horas de sono, isso garanto.
Mas hoje nas reuniões, retive a imagem dos meus colegas do Conselho de Turma a julgar os alunos pelo mérito e o trabalho que evidenciaram, preocupados com os miúdos e os seus percursos, verdadeiramente empenhados no seu sucesso, a mandá-los para apoio, a ver se ainda conseguem lá chegar, e pensei: até quando? até quando estas crianças terão numa pauta o espelho do que realmente sabem?

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