Depois do jantar de ontem e da conversa no café Marroquino, vim para casa já tarde e estive até desoras a recordar os ambientes que partilhámos, os cigarros...horrorosos, já sei, grande ingrata, e o quase cachimbo (caximbo, pois) de água, tentador, tentador... as velas, os candeeiros bola, os bules a entornar chávenas, as conversas sobre os cães, quadrúpedes e bípedes, os conselhos masculinos, os femininos, os assexuados, as verdades inquestionáveis, as hipóteses, todas tenebrosas, como tenebroso tudo o resto, as gargalhadas, os suspiros e os meios sorrisos.
A vida é rica, faz-me bem; gosto de a partilhar contigo, convosco, de vos confessar os meus erros e as minhas dores, o meu medo, a forma que tenho de não me calar a tempo e continuar à espera que o que digo não seja usado contra mim... para sempre o ser, mas também, que importa, porque a derradeira ironia das amizades de 20 anos foi a que vos expliquei ontem, à luz das velas, com a voz da Sherazade a falar ao Sultão, e o vosso olhar atento com a expressão serena de concordância, de claro, claro, é exactamente isso.
Contudo... a maior ironia está ainda por vir, a possibilidade real da fama se transformar, enfim, no proveito, e algures um par de braços me apaziguar em breve corpo e alma, um certo olhar me dizer "És tu e já o sabes desde que nasceste. Porque demoraste tanto?", "Andei perdida, ao tropeção e ao pontapé, mas aqui estou", um determinado sorriso me acolher num beijo há muito esperado e que já tarda. E poder dizer-lhe tudo aquilo que já outros ouviram e só um soube respeitar, até hoje. Contar-lhe tudo, de fio a pavio, e ter como resposta um abraço, aquele que eu mereço, um "já passou, princesinha" e uma promessa de poço sem fundo, no caso de algo correr mal.
A última ironia, ter o proveito da fama criada, e ser a melhor coisa do Mundo. Porque acreditem, sinto que está para muito, muito breve. Aliás não sinto, sei. Os sinais estão aí, há contactos e agitações, todo o universo está a conspirar por mim.
É a hora!
1 comentário:
Afinal, a ironia foi ainda melhor; muito melhor; melhor seria impossível! Pela boca morre o peixe... e agora que o fulanito atracou ao anzol,-eu não descanso enquanto não descubro o que se passa,e isto de me andarem a fazer de parva já me andava cá a chatear,- agora que foi comprovadamente pescado, eu cá vou finalmente à minha vida, com a sensação de dever cumprido, e cheia de vontade de celebrar a liberdade e o novo amor. Last Comment on Disgusting Subject (25/03/08, 2.07a.m.)
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