quarta-feira, 9 de julho de 2008

De volta a Auster

Hoje, depois de muito tempo de jejum, voltei a abrir a pasta que diz "Dissertação de Mestrado". Primeiro, de forma tímida, a abordar um velho amigo que deixámos afastar-se, por circunstâncias da vida, por preguiça e inércia, embebidos no espírito do "telefono-lhe amanhã", num amanhã que não chega, e o tempo passa, e a distância vence. Depois um dia, certos de que o amigo está furioso connosco, lá arriscamos o tal telefonema, sem saber bem o que dizer, quando não há desculpas plausíveis a não ser, sou assim, mas gosto de ti.
Dei-lhe uns toques, reli algumas partes, pesquisei algumas lacunas, inteirei-me da saúde do meu amigo abandonado. É praticamente impossível recuperar o tempo perdido, tenho essa consciência. Mesmo assim, mesmo que não chegue a completar e a atingir o principal objectivo, tudo o que fizer é lucro: leio, aprendo, escrevo, destupidifico. Analiso textos em Inglês teórico e complexo, raciocino em Português formal, aprendo qualquer coisa de novo, diferente do vocabulário pedagógico que me aborrece sobremaneira.
Enquanto, ao serão, dissecava um ensaio de Fredric Jameson, pensava, será que vale a pena, agora, tão tarde, voltar a dispender energias com isto? Não sei. Depende do que se entender por "valer a pena". Mas gostava que valesse. Que, uma vez na vida, conseguisse chegar ao fim de um objectivo sonhado em conjunto mas atingido só. Já que tanto se perdeu pelo caminho, ao menos o prazer de chegar sozinha a algum lado. Ou aprender qualquer coisa com a luta, se a batalha estiver, como acho que está, perdida à partida.

2 comentários:

Anónimo disse...

Se há folhas que devem mesmo ser viradas, esta é uma delas. Mas só depois de toda escrita e lida, e re lida e riscada e depois outra vez limpa e entregue, depois corrigida e, finalmente classificada. Faz isso. Vira a folha, mas antes acaba de escrever a história. O amigo merece. O professor favorito também merece. E os estudantes futuros também merecem ter mais um calhamaço para ler, que só lhes faz bem.
Depois passará a ser tudo mais divertido...
Esta é a minha amiga soyonandsoyon, mestra em Auster. Ah dá um grande impacto... lá isso dá.
Pertences lá, lá onde estão as cabeças...

Jade disse...

LOL!!! Só tu.
Muito orgulhosa de ter uma amiga passada da cabeça diz... PertenceMOS lá, lá onde estão as cabeças...