Ontem dei-me ao trabalho, que já sabia ser inútil, de fazer uma lista de coisas inadiáveis a cumprir este fim-de-semana. Coisas tão díspares como uma lista de compras para o supermercado e tarefas que iam desde o lavar do carro ao arrumar de papéis, passando por organizar a tese e pôr em ordem as roupas.
Pois sim. O Sábado já lá vai, e correu melhor que a encomenda. A lista lá continua e não lhe risquei nem um itemzinho, para salvar a honra do convento. Foi um excelente Sábado, contudo. Muito melhor do que se me fosse agora deitar com a consciência limpa do dever cumprido.
Estive horas à conversa, não há nada que me dê mais gozo que conversar, a esplanada esteve praticamente por nossa conta, o jantar estava óptimo, fartei-me de comer, mais conversa, e no fim ainda vi quase metade do filme "The Colour Purple", que é, sem dúvida, um dos filmes da minha vida. Deus, como toda a gente, gosta de ser amado e admirado, e aborrece-se quando passamos por um campo de flores púrpura sem reparar nelas. Eu reparo sempre. E acho que Deus é um grande artista. E uma das flores púrpura mais bonitas no meu campo é a que diz respeito aos amigos, aos fins-de-tarde em esplanadas, às conversas noite dentro, aos sorrisos em alturas agrestes, tipo amor em tempos de cólera.
Quando mais nada existe, para além da loucura do dia-a-dia, procuremos a cor púrpura e esqueçamos as listas do "a fazer..."
1 comentário:
E eu a pensar que tinha o meu puzzle feito...
Mas ainda bem que não fizeste nada.
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