terça-feira, 22 de julho de 2008

Primeiros Dias de Férias

Estou imersa em coisas que gosto de fazer e, pela primeira vez em algum tempo, a conseguir relaxar e de facto fazê-las. Estou a ler compulsivamente, por exemplo. Já terminei um livro que tinha começado há mais de um ano, Nem aqui, nem ali, um livro de viagens hilariante de Bill Bryson, e um olhar americano sobre a velha Europa, que nos ensina a nós, que gostamos tanto de apontar o dedo inquisitorial aos americanos, que gostamos tanto de dizer que não gostamos nada deles, a quem fica sempre tão bem e é tão politicamente correcto e bem visto chamar todos os nomes, desde fascistas a capitalistas, a arrogantes, a ignorantes, ensina-nos a nós, dizia eu, a olhar mais vezes ao espelho. A ver como são os alemães tão diferentes dos italianos, e os turcos tão diferentes dos austríacos, e assim sucessivamente. Ora, arrisco eu, se somos nós tão diferentes dos espanhóis, como poderemos pôr os americanos todos dentro do mesmo saco, sejam eles nova-iorquinos, texanos ou hawaianos? A mim parece-me coisa de gente com poucos estudos e ainda menos visão. Gente narrow-minded, como dizem os ... "Amaricanos".
Adiante. Para além de ler que nem uma maluca, já comecei outro do mesmo autor, este em Inglês, The Life and Times of the Thunderbolt Kid, sobre a infância de Bryson, anos 50 na América, uma época que me apaixona, além disto, dizia, tenho dormido que nem uma desvairada e visto séries que nem uma condenada. CSI, Crossing Jordan, Women's Murder Club, Bones, Miss Match, Ugly Betty, The Closer... uma barrigada de Ciência Forense, Policiais e Comédias, até à overdose.
Fui assistir ao concerto de Léonard Cohen e ainda não consegui encontrar as palavras certas, deixo-vos algumas imagens, um pouco de ambiente, uma noite quente de lua cheia e um rio ao fundo, prateado. Seis ou sete homens e três mulheres a entrar em palco, lembrando o gang do Capone, fatos e gravatas pretas, camisas brancas, chapéus pretos. Uns segundos de silêncio absoluto e Dance me to the end of love com uma voz de estúdio, envolvente, sensual, forte, rouca, grave, afinada. Uma voz jovem num corpo já muito maduro. Um sentido de humor experiente, uma simpatia quase latina num nórdico, as raízes de gentleman que honrou todo o tempo. Um público cuja média de idades rondou os quarenta e tal, e que, talvez por isso, tenha sido o público mais bem comportado que já vi num concerto ao ar livre. As minhas músicas favoritas, duas ou três vezes as lágrimas nos olhos, e um sorriso do Tejo ao Saldanha. E um casal à minha frente, na casa dos setentas e muitos, oitentas, abraçados, a acariciarem-se mutuamente, de lés a lés, as faces e as mãos. Uma vida em conjunto? A sua banda sonora? Ou recém-namorados? Ou recém-reencontrados que passaram toda uma vida separados e agora, finalmente, passam o que lhes é derradeiro juntos? Impossível saber o que está por trás daqueles dois seres velhinhos e apaixonados. Seja o que for, é bom, estavam felizes, aguentaram três horas de concerto sem nunca se sentarem e sem nunca se queixarem, ensinaram-me muitas lições sem nunca me terem dirigido a palavra ou um olhar mais demorado.
Nos intervalos, ainda tenho dado uns toques na tese...
Agora sim, isto começa a cheirar a férias, a fazer o que apetece, o que dá prazer, o que faz sorrir, desenvolver, prosperar, evoluir, sonhar, viver a sério. Até já.

8 comentários:

Anónimo disse...

e já foste a praia com o teu novo balde ...
continuação de boas férias
beijinhos

Jade disse...

Nada de praia... mas não tem faltado descanso e relax.

Anónimo disse...

Estou tão feliz por teres sacado esta jade daí de dentro pá!
Agora por pá... sou eu que estou em falta Márcia (mto prazer, presidentedajunta, entre outros), que ainda não lhos dei... Mas garanto-te que até ao fim do verão até fotos vai haver, lol, de balde e pá!

Jade disse...

Olha amiguita, há três coisas que tenho que fazer: se fosse contigo e os teus gajos (ou sem eles, também dá), ia adorar! Museu da electricidade, 2 expo: Arpad+Vieira de Silva com texto do Cézarini; Maria Callas; e no CCB o Berardo.Que dizes, dá? Se não vou na sexta de manhã, by myself. É que no Domingo tenho que regressar...

Anónimo disse...

O Leonardo do "Dance to the end of love" não perguntou pelo coxo que tem uma voz quase superior à sua. Sua, dele, claro. Jade`tu é q não viste bem mas a voz era a minha. Ele só emprestou o corpo q estava dentro do fato e do chapéu. Aquele timbre de voz só podia ser meu ou dele. Mais ninguém. Bem, vê lá se aproveitas para ler tudo agora pq na Croácia n há livros. Lol.
Já tirei a pedra branca com a árvore da miss covilhã e nem me conheço. Ai a minha rica perninha q mingou.Grande foi só o Leonardo.

Jade disse...

Serás sempre o homem mais charmoso do hospital de Leiria. Mesmo coxo e de perna escanzelada!!! Ou achas que só eu é que posso ouvir insultos inerentes à magreza? quanto à voz... nunca te ouvi cantar! Quanto aos livros... já escolhi os que vou levar (O Cemitério de Pianos e talvez o Orlando). Agora: Fisioterapia, quero ver esse pernão em Setembro!

Anónimo disse...

Ola!depois de alguns dias de ausencia, voltei ao mundo da interneite. sim, porque os meus primeiros dias de ferias têm sido de ausência. tenho estado no meu canto a disfrutar de muito descanso e bom trato.ha pouco li que uma das melhores terapias de férias é o ócio. e ja nao devemos ter vergonha de preguiçar. pois eu levei estas palavras muito a sério!a minha praia foi pouca e de pouca sorte.as nuvens e o vento venceram.tal como tu, a leitura e a tv tomam algum(ou mesmo muito) do meu tempo.é esta a altura de voltar a dizer que tenho o teu livro, que continuo a ler.vi que leste o Bill Bryson.tb gosto muito.em setembro e se quiseres empresto-te os livros sobre a história dos USA e sobre uma ultima viagem do autor pela pequena ilha que é a Gra-Bretanha.Na ultima vez que fui a fnac(sim, porque viseu ja tem um afnac) estive com Rapaz Relampago na mão.mas acabei por trazer The Lollipop Shoes da Joanne Harris.ainda bem que o fiz porque agora ja sei a quam pedir emprestado.LOL!
Antes da Croacia, voltaremos a falar/blogar. ate la fica bem. beijocas

Jade disse...

Olá, green-eyes... deves estar a referir-te ao made in america... já li! Mas troco o da Grã-Bretanha pelo Thunderbolt Kid!!! Sempre lês em Inglês, que no nosso caso, é, pelo menos, desemperrante (no meu é desemburrante)