Estou fartinha desta questão das semanas a fio de escola-casa, casa-escola. Sendo que, em casa, estou menos tempo que na escola. Estou farta das dez horas de reuniões semanais, mais coisa menos coisa. Reuniões que não trazem nada de novo, eficaz, eficiente ou produtivo e que cheiram a estratégia para prender pessoas no local de trabalho a pretextos obscuros.
Não é que a minha vida pessoal tenha algo de emocionante ou extraordinário, longe disso. Cada vez mais parece um deserto de emoções positivas. Só chatices, só desgostos, só decepções. Mas, como na vida de toda a gente, e eu não fujo à regra, a vida privada das pessoas tem uma parte, não muito atraente, é verdade, mas muito importante, que é a parte da organização. É aquela parte em que as pessoas vão ao supermercado, arrumam gavetas, põem roupa para lavar, dão um adianto à semana, passando a ferro ou arrumando a loiça que está na máquina, limpando o pó ao quarto ou tirando os cabelos do lavatório do WC. Aquela parte que nos permite viver mais ou menos civilizadamente. E, depois, há a parte do descanso, da saúde: aquela parte em que a pessoa faz opções, tipo ir ao ginásio ou fazer uma sopa em vez de comer outra vez um prato de cereais. Em que precisa de tempo para ir à farmácia, ou ir buscar o édredon de penas que pôs a limpar a seco há mais de um mês atrás. Aquela parte em que se deita numa cama feita de lavado a ler um livro que nada tenha a ver com escola.
Essas partes da vida têm-me sido roubadas semana após semana. E eu não admito mais isto. Se, ainda assim, levo com todas as chatices de uma vida privada, com problemas profissionais, sacanices de pessoas próximas e partos de amigas do peito, peço imensa desculpa, mas tenho que ter vida para me organizar, conhecer pessoas novas para voltar a acreditar na humanidade, comprar presentes para os novos bebés que aí estão não tarda, e dar os presentes de aniversário e Páscoa, antes do Natal, aos meus sobrinhos.
Lamento, mas isto tem que acabar. Dê lá por onde der. Medidas drásticas impõem-se. Para já, para ontem.
2 comentários:
Soubesse eu escrever assim... Excelente!(Também eu ando pelos cabelos!Ah! Se ando!...)Abraço.
Obrigada, Rosário... estava a precisar de um reforço positivo, e de um sorriso. Um abraço igual.
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