quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E a terapia?

Já lá não ia há duas semanas, porque o meu Doc entrou de férias e, na semana passada, ando tão boa da cabeça que aceitei a boleia de uma colega, esquecendo-me de que precisava do JadeMobile para ir à consulta. Entretanto, também me esqueci que os meus comprimidos estavam a acabar e não pedi receita por telefone. O resultado foi que andei dois dias a bater com a cabeça nas paredes, literalmente, que a interrupção dos comprimidos deu-me tonturas e vertigens, estragando-me o radar de morcego que, percebi agora, não é tão mau quanto eu pensava, estando operacional. Voltei aos comprimidos e o efeito foi tipo grande moca de felicidade. (O cancelamento das reuniões também ajudou).
Resultado: hoje fui à consulta armada em chica-esperta, super bem disposta e a pensar que o Doc me ia arregalar os olhos, cair de joelhos e dizer "MILAGRE, MILAGRE! Estás CURADA!". Pois.
Como sou muito honesta, disse-lhe logo que estava sob efeito da pedra, e andava bem-dispostíssima, para que ele não tivesse a tentação de me dar alta logo ali, nos primeiros cinco segundos. Mentalmente, ia-me dando palmadinhas nas costas, muito contente, o tempo a passar, e eu para mim "estás a ver? estás a ver? Hoje não choras, isto é um dia memorável, muito bem, vais no bom caminho, estás mesmo fixe"... enquanto uma das minhas outras personalidades dizia "cala-te, drogada. estás é drogada, grande ursa"... e outra personalidade dizia "tens que parar com os comprimdos mais vezes: o que são uns tombos e a sensação que estás em alto mar no Titanic a afundar depois do bater no calhau de gelo, se depois podes sentir-te tão leve e bem disposta?"... e ainda outra dizia, com escárnio, para o Doc, mentalmente "então, jovem? as férias fizeram-lhe mal, perdeu qualidades, então hoje, não há choro para ninguém? bem feito!".
Passados nem dez minutos, estava a chorar. Uma outra personalidade qualquer resolveu armar-se em parva. Ainda não foi hoje. O Doc não perdeu qualidades. E eu... não as ganhei.

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