Comparando com a escola em que estive anteriormente, considero haver várias vantagens em estar colocada, agora, na minha. A maioria delas prende-se com o facto de ter turmas muito mais pequenas. Os alunos não são mais fáceis: o que têm de bom a nível disciplinar, têm de mau a nível de aproveitamento. São mais desmotivados, muito mais baldas e pouco trabalhadores. Não têm expetativas e estão cheios de vícios. Mas gosto de os conhecer com uma profundidade que seria impossível no contexto anterior. Gosto de conhecer os que não são meus alunos pelo nome. Gosto que esses venham ter comigo, me abordem, me deem os bons dias, sempre, e me sorriam.
Outra coisa a que não estava mesmo nada habituada é ao tipo de relação que tenho com os meus colegas: somos poucos, trabalhamos em equipa e somos solidários. Por uma questão temperamental, sempre fui assim. Mas não estava habituada a que me agradecessem a ajuda que dou, pelo contrário, estava habituada a que essa ajuda fosse dada como adquirida, que ma cobrassem quando não a podia dar, e que ainda me dessem facadas nas costas em retribuição. Por isso, hoje, quando passei os apontamentos de uma reunião a um colega que era o secretário para o ajudar com a ata e por auto-recriação, e ele me agradeceu, olhos nos olhos, a ajuda, estranhei. E essa estranheza por uma atitude tão natural quanto expectável no domínio simples da boa educação e da cortesia, fez-me questionar o quanto, anteriormente , e como diz uma amiga minha, preferia o muito pouco ao nada. Sem dúvida que, pelo menos agora, a minha generosidade é reconhecida em tempo, em vez de ser lamentada postumamente. E isso, para mim, é uma daquelas vantagens que justifica muito de tudo o resto.
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