Este blogue foi criado num dia 13, número de pouca credibilidade no que toca a bons augúrios. Foi criado por uma necessidade de expressão que há muito, desde sempre, me atormenta, e há muito é posta em prática com cartas para amigos, textos pontuais, páginas de diário, notas em envelopes, citações em guardanapos de papel, todo um manacial de palavras que me invadem diariamente, histórias que conto a mim própria e a ninguém, diálogos que idealizo, pessoas reais que ficciono e que, algumas vezes raras, são melhores do que a ficção que delas fiz.
Este blogue não tem ainda dois meses e já me ensinou muita coisa. A primeira é que não estou sozinha, nem nas minhas amarguras, nem nas minhas alegrias. Estive a somar, por alto, os comentários, e tendo em conta que muitos são meus, a verdade é que os dos leitores já roçam a centena e meia. Minha Santa Jade, nunca esperei!!! Para quem, nos últimos anos, em vez de fazer amigos, diverte-se a pôr a andar gente que não quer na sua vida, ando muito bem acompanhada. E isso é reconfortante. Muito reconfortante.
Costumo ter presente, sempre, aquela música do Variações que diz "Muda de Vida".
De há dois anos para cá, não sei se é por ser trintona, virei costas a muita coisa que até então era importante. Fartei-me da quantidade, em prol da qualidade. É um luxo, mas eu mereço-o. Virei costas ao medo de estar só, e preferi correr atrás de quem valia, realmente, a pena. Reconciliei-me com a minha mãe, de uma vez por todas, independentemente de não nos conseguirmos aturar mais que dois ou três dias seguidos. Temos agora, uma plataforma de entendimento, que se baseia num ritual de implicâncias sempre presente, que é hilariante e que um dia descreverei, aliado a um respeito mútuo de espaços e humores, e uma cumplicidade digna de almas gémeas. Essa era uma pessoa que eu queria perto de mim, e que consegui ter, com muito trabalho, sofrimento e tolerância de parte a parte, que as desculpas não são para se evitar, são para se pedir. Não sei quem foi o idiota que se saiu com a frase contrário, ai, e tal, as desculpas nao se pedem, evitam-se. Que cretinice. Nem vou dissertar sobre isto.
Adiante. Pazes feitas com a minha trave mestra, limpar o pó e desinfectar a casa, que não sou alérgica a ácaros mas sou a outros bichos rastejantes disfarçados de gente. E foi cá uma limpeza... acho que os meus amigos do peito, a dada altura, devem ter pensado que eu estava a exagerar, a ser intolerante, inflexível. Mas, como sempre, o tempo foi-me dando razão, e agora já ninguém teima no assunto. À minha mãe fazia confusão outro virar de costas, mais difícil e profundo, mas a vida é assim, e a mim ninguém me diz que tenho que aturar quem não merece, mesmo que os desmerecedores usem o mesmo apelido que eu. Uns escolhem a família pelo casamento; eu não me casei e escolho a minha pelas relações de comunicação e afecto.
Ao contrário do que foi vaticinado pelos piores abutres, e temido pelos melhores amigos, não estou sozinha. Estou muito longe disso, e a afastar-me, cada vez mais dessa situação. A olhos vistos.
No dia antes de ser operada, o meu tmn morreu. De repente, como todas as mortes, até as esperadas, acontecem. Das coisas que mais me dão prazer é ter, neste momento, de volta, 90% dos contactos. Isto porque as pessoas me foram ligando, esta semana. Umas por acaso, outras para saber de mim, outras para me gozar... ouve lá pá, fulano de tal já me disse que ficaste outra vez sem os contactos do pessoal, mas será assim tão cara uma agenda?, e assim, tenho tudo de volta. E foi muito, muito agradável, não ter empreendido grande esforço para recuperar os contactos dos meus. De facto, estamos em contacto. De facto, as limpezas são importantes. Nada me dá mais prazer do que olhar para a minha lista de contactos, de um telemóvel novinho e a brilhar, e ver só nomes de gente brilhante.
Entretanto, vou mudar também o meu vodafone em breve. Não gosto deste cartão, que querem, picuinhices. Depois mando-vos o novo... ou melhor, digo-vos o novo, pessoalmente.
Este fim-de-semana, tudo cheira a novo... até os velhos amigos.
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