sábado, 31 de maio de 2008

É a isto que chamam fim-de-semana?

Sexta-feira. O dia por que todos os seres com um mínimo de neurónios activos anseiam desde Domingo à noite. O dia por que esperam as pessoas com semanas alucinantes, com adolescentes fartos de estar sentados a ouvir um cromo qualquer, como eu, ainda a tentar ensinar seja o que for. Com adultos a barafustar contra as reuniões e as aulas de substituição, e os campeonatos de desporto escolar e os conselhos disciplinares e o "diabo dos gaiatos", e a fila no bar, e a campainha que se adianta quando toca para a entrada, e se atrasa milénios, quando o toque é de saída.
Já ninguém aguenta a escola, já ninguém quer saber de verbos irregulares e da voz passiva, e do Camões e das equações, e do sistema urinário e dos países que compõem a UE. Nem alunos, nem professores. Anda tudo em contagem decrescente, melhor seria que, em vez de reuniões de avaliação, se pusesse no placard das convocatórias uma data de risquinhos alinhados, tipo código de barras, para a malta ir riscando como fazem os prisioneiros nas paredes da cela. Pelo menos, nos filmes.
E eis que chega sexta-feira.
Sôdôna Jade levanta-se a correr, arranja-se a correr, come a correr, e vai para a escola, não a correr, mas de carro. Sente a náusea do costume, ao passar o portão da escola. Para quando o Hawaii, as Seichelles, a Polinésia Francesa? Apre!
O primeiro bloco é de sala de professores, menos mau, põe-se a conversa em dia, dá-se um jeito nos papéis, passam-se os olhos por umas fichas de leitura. Tive um presente lindo, hoje... fiquei muito, muito contente, finalmente vi-me livre do estojo da Debbie, e o Pan vai deixar de me azucrinar o juízo com o dito. Agora, quando preciso de uma caneta, é uma Kitty ternurenta que olha para mim e me faz sorrir a alma.
Uma aula de exercícios e chamadas orais, e JadeMobile, que se faz tarde e tenho a médica à espera em Lisboa. Viagem debaixo de chuva, corrida ao emprego da mãe para um beijo rápido à progenitora, o que disse a médica? de certeza? não me estás a esconder nada? olha lá para mim, que cara é essa? e mais duzentos e cinquenta beijinhos aos colegas todos e às chefias, só faltou a tirada hilariante do "vá, dá lá dois beijinhos a este senhor", eu, uma atrasada mental de trinta anos reduzida a uma miúda de cinco... e o regresso à Cidade de Deus, a todo o gás.
Hoje fez anos, fez ano, que é só um, o meu sobrinho-homem, irmão de Leonoreta. Ficou prometido que eu fazia uma mousse de chocolate, e eu cá gosto de cumprir promessas. Lá vim, desencabrestada (que é um adjectivo que a minha mãe usa para me rotular e eu acho um must... como se alguma vez alguém neste mundo tivesse sido capaz de me enfiar um cabresto... adiante), fazer a mousse, e ala para casa da S. com a dita mousse mais os presentes da praxe. O resto do serão foi passado a cortar fruta, bater natas, mergulhar bolachas em café, lavar louça, pôr a conversa em dia com uma dona de casa desesperada, tipo mulheres à beira de um ataque de nervos, e... é nestas alturas que sorrio na minha condição de solteirona sem filhos, irra!
Finalmente em casa, instalada no puff, penso... mas hoje é sexta-feira à noite, ou fui atropelada por um tractor cheio de palha?
Vi um lindo arco-íris, na viagem de regresso. Abracei duas crianças que fizeram dois sorrisos descomunais quando me viram. Levei um abraço de uma amiga, obrigada pela ajuda, sempre às ordens. A minha mãe disse, não queria que te fosses já embora. E deram-me um estojo da Hello Kitty, por nada, porque sim. Afinal, se calhar, pensando bem, sempre é Sexta-feira. Bom Fim-de-Semana.

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