domingo, 11 de maio de 2008

Semana em Retrospectiva

Segunda-Feira, na Clínica, à frente da médica, as notícias não foram famosas e agarrei um toco de todo o tamanho. Chorei a viagem toda, de volta à Cidade de Deus, lágrimas incontroláveis de revolta, tristeza, sentimento de injustiça e self-pity, a pergunta célebre, repetida até à exaustão, mas porquê eu, fiz mal a alguém? Por outro lado, a auto-admoestação, pareces parva, isto não é o fim do mundo, há coisas tão piores, não sejas infantil, não sejas mimada, Deus castiga, mostra-te grata...
A verdade é que passei a semana neste limbo entre as duas atitudes, a sincera e a supersticiosa, e tendo tão má onda de pensamentos, resolvi entrar em blackout, fazendo jus à mãe do Bambi que lhe ensinou, se não tens nada de agradável para dizer, mantém-te calado.
Continuo amuada. Não me lembro de ter sido desagradável com alguém no decorrer da semana transacta, mas também não acho que em algum momento tenha sido realmente simpática fosse com quem fosse, acho que simplesmente, se isso é possível, não existi em vida. Comi, dormi, vi testes, dei os bons dias, pedi por favor e agradeci, mas tudo de outro sítio exterior a mim mesma, em que pouco mais senti que um vazio imenso, um medo atroz e dois ou três raios de luz provocados por atitudes mesmo queridas e inesperadas, efémeras no aconchego que provocaram, mas especiais no sorriso e nas intenções: um presente oferecido por uma aluna, duas ou três palavras simpáticas de alguém que eu já riscara da minha lista de amabilidades, a compreensão e a paciência sem limites da Mzinha e da Li, sempre comigo, esteja eu de bom humor ou no meio do pior dos dias.
Sexta-feira lá se cumpriram os desígnios superiores, lá ando eu engessada até aos olhos por causa de um ferida de um ou dois milímetros, ridícula, esta doença, insuportável, este mau-humor. É possível que, na falta de um milagre, me remeta de novo ao silêncio, a fim de prevenir textos carregados de fel e auto-indulgência. É possível que, na falta de um milagre, prefira calar esta revolta que me vai na alma de cada vez que este corpo que tenho se torna desconfortável nas suas dores. É possível que, na falta de um milagre, me dê ao luxo de, só por um bocadinho, só por esta vez, fraquejar, chorar tudo o que preciso e bater com os pés no fundo do poço, para ganhar balanço para vir depois à tona. Só desta vez, ceder e assumir que não aguento tudo, não controlo tudo e estou muito cansada. Remeter-me ao silêncio até encontrar coisas boas para dizer.
Ate já.

3 comentários:

Anónimo disse...

Sou a ANAÍSA, e porque é k hj assinei logo no início? Perguntas! Para, mal leias o meu nome te lembres que viveste sim esta semana! Que foste, sim, simpática para alguém, se não foi para mais ninguém, sinto-me uma felizarda, pois para mim foste! "buzzaste" uma foto minha do hi5 com um "hello" e com um "cúcú cúcú" que me fizeram sorrir, mas um sorriso tão bom, tão bom que me doiam as bochechas por não conseguir parar de sorrir! Digamos que poderá ter sido o que chamam de SORRISO PARVO! Para mim são motivos mais que suficientes para saber que viveste, que ainda te lembras de mim, que me mantens na tua memória hi5biana, mas é memória!
Gosto tanto de Ti...
E agora perguntas? Mas desde quando é que eu te trato por TU?
Desde que eu me apoderei da palavra TU com a qual posso resmungar ctgo como estou a fazer hoje aqui! (mas deves lembrar-te do quão tímida eu sou, por isso assim que terminar este comentário voltarei a adquirir o lindo VOCE, com todo aquele respeito, admiração e admiração (eu sei que escrevi admiração duas vezes) com que sempre te vi e que sempre te irei ver!
És mesmo muito especial para mim!
Na verdade não posso dizer que gosto de ti porque é mentira! A verdade é que TE ADORO!
SORRI SEMPRE POR FAVOR, sou eu a pirralhinha de tranças, da aldeia do interior, que te implora.
bjinhos e um abraço tão tão tão apertado que ... sei lá!
bjinhos

(é difícil escrever as palavras direitinhas sem abreviações e com a pontuação toda, mas eu fiz esse esforço :) )

Anónimo disse...

E quase que conseguia!
lol
bjinhos
ANAíSA

Anónimo disse...

Toda a gente precisa de parar e de se encasular para depois renascer. Umas vezes mais outras menos. Take your time. Quando voltares espero que estejas mais verde(jade) que nunca.