segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ainda sobre o mesmo tema

Uma das coisas que aqui a ignorante mais inveja são aquilo a que chama idilicamente "as vidas normais". Tenho a mania de me sair com pérolas como ai, quem me dera ser uma pessoa normal, com uma família normal, e ter uma casinha, um carrinho e um cão, e festejar o Natal com muita gente à mesa e ir de férias todos os anos para o mesmo sítio do Algarve, e ter uma série de meses seguidos de monotonia normal. Esta sou eu, e há muita gente com vontade de me bater agora, e se calhar alguns são, exatamente, seres presos no inferno das suas vidinhas normais.
De Sábado para Domingo, decidi que me ia deixar de merdas e que, durante esta pausa letiva, ia fingir que era uma mulher normal. No Domingo, correu relativamente bem. Levantei-me cedo, como as pessoas normais, fiz tarefas domésticas, fui jantar com uma amiga e beber um licor beirão com ela depois disso. Não fossem as pausas para jogar viciadamente Castleville, teria sido perfeito, mas o meu reino não entra no disfarce, nem as plantações deixam de apodrecer, nem as missões se completam sozinhas, convenhamos.
Hoje a coisa correu muito pior, mas ainda assim, considero que o esforço que fiz valeu a pena. Levantei-me às duas da tarde porque me esqueci de pôr despertador. Logo aí, tudo estragado, ninguém normal se levanta da parte da tarde, não toma pequeno-almoço nem almoça, enfia um galão boca abaixo e sai de casa. Shame on you, Jade-Marie! Mas durante a tarde fui resolver montes de coisas que tinha adiadas, desde ir falar com as moças do ginásio a ir à farmácia, ao supermercado e ao banco, enfim... coisas normais. E, por enquanto, estas preocupações normais estão a ganhar aos pontos a todos os males do Mundo que carrego, invariavelmente, às costas desde o dia em que nasci.

Sobre a inveja

Tenho para mim que a inveja é sempre, mas sempre, produto da ignorância.
O tuga inveja, sobretudo, o sucesso e os bens materiais do próximo. É um povo que eu considero muito invejoso, embora não tenha termo de comparação porque não conheço a fundo outro povo de outra nacionalidade. Estou muito próxima dos ingleses e dos americanos, dos japoneses e dos brasileiros, mas toda a gente sabe que o que se lê nos livros, se vê nos filmes e se filtra em música, noticiários e arte não dá a dimensão correta das coisas. É preciso conviver, conhecer, trabalhar com as pessoas para se deliberar do seu grau de humanidade, no bom e no mau.
A inveja advém da ignorância. Pode ser inocente e incólume. Eu sou uma invejosa ingénua e não faço mal a uma mosca. Invejo a vida amorosa de algumas pessoas que conheço, e todas são minhas grandes amigas e exemplos a seguir. Não é por invejá-las que alguma vez tentaria estragar a sua felicidade, envenenando as suas relações: invejo-as, gostaria de ter um pouco da sua felicidade pacífica, mas fico feliz por elas.
Invejo a cultura de uns, a força de vontade de outros, a energia de muitos, o bom humor que conheço em pessoas que parecem nunca estar zangadas ou tristes. Tudo isto eu gostaria de ter em doses industriais, e não tenho. Não é por isso, contudo, que me esforço por acabar ou prejudicar o que de bom vejo nos outros, por achar injusto que não o tenha eu, também, na mesma proporção. Isso já vai para além da inveja. Isso, digo eu, é maldade, e eu detesto gente má, mesquinha. E ignorante, sublinhe-se.
Quando me ponho a pensar, é com um suspiro e sem qualquer modéstia que concluo que sou, e sempre fui, uma pessoa muito invejada. Atrás do suspiro vem, sempre, uma gargalhada ou uma profunda raiva. Gentinha estúpida e ignorante. Invejam-me a vida independente que tenho, a falta de responsabilidades familiares, o dinheiro que gasto no que me apetece, o facto de me relacionar bem com o sexo masculino. Tudo ignorância e estupidez. Não vou aqui dissertar na forma como, cada uma destas verdades, é uma cruz que tenho que carregar. Está bem, são verdades, invejem-me por isso, no worries.
Invejam-me também a magreza, o que é ridículo e muito mais grave, porque muita dessa gente que suspira por um corpo igual ao meu sabe perfeitamente que luto, diariamente e sem sucesso, contra uma doença autoimune que me faz ter peso de bailarina, sim, mas também me faz conviver com dores crónicas, feridas que não saram, intervenções cirúrgicas anuais e risco eminente de colapsos em órgãos como o coração e os pulmões. Sejam bem vindos à minha agradável e invejável vida, se quiserem trocar, aceito um corpinho com barriguinha e celulite, anytime.
E depois invejam-me as capacidades e a inteligência: muito obrigada, fico muitíssimo envaidecida. O pior é que esta gente, de todos os que me invejam, são os mais perigosos. Porque estes, sim, fazem muitas vezes parte daquele grupo que não se limita a invejar, age para prejudicar. Desde miúda que lido com esta gentalha de perto: os que garantem que as minhas classificações escolares são fruto de graxa; os que comentam que eu tenho a mania que sou boa, uma arrogante; os que adoram atirar-me à cara com os meus falhanços, esqucendo que todos os temos; os que dizem e repetem que eu "tenho a sorte" de os alunos irem com a minha cara e gostarem de mim. Isso é ignorância e é maldade. É ignorância, porque só gente estúpida acha, por exemplo, que o facto de eu me dar bem com os alunos "é sorte". Será sorte a mais, então, já que não há, em doze (serão mais?) anos de ensino, exemplo de um aluno com quem me tenha incompatibilizado. (O que não quer dizer que não venha a acontecer: será então "azar" ou dirão logo que a culpa é minha?) Temos pena, mas não é sorte: eu não tenho a sorte de eles tenderem a dar-se bem comigo, tenho qualidades humanas, muito específicas e muito raras, que abrem caminho a isso. Eu tenho sentido de humor, e sou destemida o suficiente para o usar nas minhas aulas. Sou generosa e preocupada, e tenho abertura suficiente para oferecer tudo de mim aos meus alunos. Tenho duas orelhas que não servem para enfeitar, e estão sempre ao serviço de todos. E sofri horrores na adolescência, não me vou esquecer disso nunca, e ponho a minha experiência à disposição dos que agora estão a passar por ela. Tenho imensa ternura para dar, e eles são um objeto privilegiado de escoamento. Sou um exemplo profissional e alguém que acredita no poder da formação, dos livros e do intelecto para a construção de uma vida melhor, e estou sempre a incentivá-los a prosseguir estudos e a lutar pelos seus sonhos. Lamento, mas isso não é sorte. Se eu fosse uma pessoa de sorte, já tinha ganho o euromilhões.
Ignorância. Disso é feita a inveja. Quando eu digo, a alguém, que digo muitas vezes, porque sou uma pessoa transparente: invejo-te tanto por xpto, a maior parte das vezes a resposta é: se soubesses da missa a metade... as minhas invejas não são diferentes das dos outros, também assentam no que vejo e nem sempre o que vejo existe tal qual o interpreto. Mas, pelo menos, são invejas que jamais prejudicarão seja quem for. Porque sou invejosa, mas nunca fui mesquinha e, com esta idade, suponho que já seja tarde para me dar para isso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Alunos

Esta tem sido uma fase má e longa. Já dura há um ano, e durante este ano houve, primeiramente, uns meses de reabilitação lenta mas constante. Depois, de repente, novo afundanço. Muito diferente do primeiro, a começar pelos motivos mas, uma vez mais, a vida puxou-me o tapete numa altura muito agreste de trabalho e mudanças súbitas e inevitáveis. Posso dizer que estou no fim de três semanas infernais, paralelamente ao trabalho que, se fosse uma pessoa normal, que não sou, daria para três. Com a minha inépcia para produzir quando estou preocupada, triste ou adoentada, mais a exigência das minhas chefias, tenho sarna para me coçar que daria para dez iguais a mim.
Há, contudo, alguns factos que me fazem sorrir, ou dar uma grande gargalhada. E todos se prendem com os meus alunos.
O diabo russo do quinto ano é um fedelho vivaço que só pensa em namoradas, gajas giras e bikinis. Não mede mais de meio metro e não se podia estar a marimbar mais para os estudos. Passo a vida a tentar convencer aquela cabeça loura que tem que decorar palavras durante dois anos para, no terceiro, as poder usar como deve ser. Passei horas da minha vida a explicar aos fulaninhos os numerais cardinais e ordinais, e que nas datas se usava o ordinal. Ensinei-os a abreviar, em Inglês, primeiro, segundo e terceiro, mas aquelas almas de nabo todos os santos dias me perguntam "é com th, nd, st???" com o ar mais inocente do Mundo de quem nunca ouviu falar em números, que dirá em abreviaturas, e fazem tudo em regime-totoloto. O diabo russo aprendeu, por martelanço, que a abreviatura de primeiro é st. E escreveu-me esta pérola no teste: 1st, por extenso, "umst"... e eu ia morrendo. Gozei-o tanto que os colegas de turma agora repetem, para o chatear: umst, umst, umst: IBIZA!!!
Por outro lado, a minha direção de turma está cheia de rapazes. Todos, mas todos, parvos e preguiçosos que dá dó. Sempre achei que o mais fraco, além de sorna e com semelhanças incríveis com o Joker do Batman, porque está sempre com o sorriso Nickolson na cara, que só dá vontade de lhe encher as fuças de estalos, era mesmo de curto entendimento. Hoje, virei-me para outro e disse-lhe, ironicamente e furibunda "Não ouças, Gonçalo, que não vale a pena: logo tu que não pescas nada disto!!!" Resposta imediata do Joker, a quem nunca tinha ouvido uma piada, quanto mais inteligente, "Gonçalo, pá, tens que mudar de barragem!"... e tive um ataque de riso.
Outra das que me aquece o coração, mas agora de orgulho, foi a resposta que me deram a uma pergunta minha. Quis eu saber como estava a ser o percurso escolar de determinada miúda transferida da escola. E a resposta, de alguém que nem vai muito com a minha cara, foi "um caos. Só teve excelente a Inglês. Podem dizer o que quiserem de ti, mas há que reconhecer que és uma professora das boas."
E pronto, a minha vida é decadente, mas ainda vou animando, aqui e ali. Ainda bem que, da minha vida, continuam a constar esses seres insuportáveis que eu aturo, aos grupos barulhentos, todos os santos dias.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Já agora...

Doc, péssimo timing para não fazer sessões. Péssimo. Ainda que acrescente que, enquanto me reconhecer como ser de identidade própria, jamais aceitarei os seus contatos pessoais... isso, para mim, é descer muito baixo na escala da loucura, ou da dependência. Bom trabalho.

Deep down

E agora que o Dia de S. Valentim terminou, posso dizer: a maioria é teatro. Pouco me importa este novo fashionable holiday. Não me faz confusão estar sozinha, não me preocupa a idade, o estado civil, o que as pessoas murmuram, ou não, quando me vêem passar. (acho que vêem já não leva acento gráfico, mas enfim: baby steps). O que me chateia, sinceramente, é não ter quem mimar. Gosto de ter quem inundar de carinho e preocupações. Deixei de ter, e não estou a falar de namorados. (Fazem falta? Epá, sim, fazem uma falta atroz, mas não são tudo nesta vida). Sinto-me pendurada. Sinto-me inútil. Sou tão dragão, no dia-a-dia (isto ainda levará hífens?), que preciso de ter em quem descarregar ternura. Se o fizesse na escola, internavam-me, e uma gaja tem uma reputação a manter. Mas fazem-me falta os telefonemas, as festas, os beijos, as brincadeiras. E a minha vida é mesmo decadente, porque neste momento... só queria mesmo o meu cão, já que tudo o resto está tão longe que, até pensar, ou sonhar, com isso, faz de mim uma pessoa muitíssimo ridícula. E se há coisa que ainda não perdi, por enquanto, é "a noção".

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Agora, sim...

... sem que nada tenha a ver com o Dia dos Namorados, posso dizer que estou numa fase de muito pouco sex-appeal. Olho-me ao espelho e estou tão magra que sinto que pareço um gajo. Estou escanzelada, desengraçada, cansada, desgastada, muito, muito, em baixo de forma. Para mim, é um grande desgosto, e acho que me vou concentrar nessa hipersensibilidade por uns tempos. Sempre traz um pouco de futilidade a uma vida demasiado complicada para eu ter forças para tudo.

Atropelada

Hoje foi das 9.15 às onze e meia da noite. Amanhã é uma dose muito mais leve: das 9.15 às 20.45. Belo conforto. Só me apetece subir aos postes e apalpar o traseiro às lâmpadas. Estaria capaz de chorar se não tivesse a sensação de que fui atropelada por um camião TIR. E ja não me lembro de outro dia em que tenha tido tanto frio. Não estou gelada até aos ossos, isso é fácil, que estou a desaparecer a olhos vistos (agora o meu novo nick na escola é meia-dose... nice.), estou gelada até à alma. Que fase horrorosa.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

House

Mais do que a máxima "Everybody lies", a que me escapa a controvérsia de tão senso comum que é para todos menos os hipócritas, aquela que me custa mesmo, mesmo, a engolir (e nada de piadinhas ao meu esófago, se faz favor), é "people don't change". Infelizmente, hoje, estou muito certa disso. Ainda acrescentaria, nos meus tempos de ingenuidade, ao recusar este facto que tanto me dói, "ok, they may not change... but they can evolute". Hoje acho que não. Ok, House-1, Jade-0.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados

O melhor convite que me fizeram para a noite de S. Valentim que se aproxima reza assim: "olha, na terça depois da reunião metemo-nos no carro e vamos pelas ruas atropelar os casais de namoradinhos felizes à saída dos restaurantes!!!". Lindo, pá. Só isto me tiraria de casa com um frio polar.
Por outro lado, uma amiga minha que mora lá para trás dos calhaus, sugeriu que o fizéssemos naquela cidade que, no meu caso, sempre matávamos casalinhos que valessem a pena. Recusei o convite: deixai-os, a esses, lá estar, que a sua noção de felicidade é bem diferente da minha. Por outro lado, à razão com que enchem os restaurantes por aqui, eu e a minha amiga, mais um carro, faremos tantos pontos que subiremos vários níveis no nosso jogo preferido do momento: anti.loveVille, powered by zynga.
E sim, é verdade: com grande pena minha, mas sem que consiga já lutar contra isso por falta de força e de convicção, transformei-me em mais um cliché: o da encalhada de meia-idade seca e azeda. Temos pena, mas os homens a quem acho (alguma muito pouca) graça nem disponíveis estão. Resta-me ser ácida e ressabiada, que é o único direito que me assiste.

A mim ninguém me cala!

Ontem o dia acabou por correr tão, mas tão, mal que acabei por nem vir para aqui estrebuchar com o único momento em que me lembro de dar uma gargalhada sonora, daquelas que vêm da alma! Quase a acabar a sessão, o DOC diz-me, do nada: olha que para a semana não nos vemos mas eu vou ler o blogue. E eu, ahn? E ele, sim, vou ler o blogue, e nem sei que te faço se lá encontro a palavra xpto (não vou dizer qual é, que não se brinca com a pessoa que nos anda a mexer com os neurónios).
Pronto, eu não digo a tal palavra.
Mas não se escapa de eu denunciar publicamente aqui, neste espaço, que o meu terapêuta me insulta com palavras científicas que acha que eu não conheço, para depois querer emendar a mão, quando se apercebe que eu sou uma tipa cultíssima que percebe que está a ser achincalhada mesmo quando a linguagem utilizada é enciclopédica.
Isso é muito feio, sr. terapêuta, fique sabendo: isso é sonsice! (não sei se isto existe). Para a próxima vez, insulte-me mesmo com vocabulário do Norte, que eu nunca me ofendo. E BE AFRAID... que, como se provou, é muito difícil insultar-me sem eu dar conta.
(Já as chantagens, como pode ver, funcionam muito bem, que eu sou maluca, mas não sou parva, irra!)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Trigo Limpo

Uma sucessão de pequenos contratempos logo pela manhã deixou-me com uma subtil ansiedade em relação ao resto do dia. Era para trazer o JadeMobile, optei por vir à boleia, pensando: má opção, assim não te podes mexer daqui para fora quando te apetecer ou der na veneta. O mau começo do dia não esperou muito para se materializar, foi logo à hora do pequeno-almoço, no bar. Já cá canta um ataque de fúria que só me apetece é partir a cara a muita gente.
Por causa das tosses, hoje não dou nem mais um minuto a esta escola. E vou faltar à formação de moodle, que também sou filha de Deus e a única, até agora, que nunca faltou.
Não, este sistema não merece que aqui passe a tarde toda a trabalhar para ir a uma formação que acaba já bem de noite. No way. Hoje que saia a fava a outro, que esta tansa vai para casa.
E depois ainda querem que eu ande bem disposta a pensar nas atividades de S.Valentim. Pois. Por mim, se o cupido queimasse as asas, caísse aos rebolões de uma nuvem bem alta e enfiasse a seta rabo acima... ainda era pouco!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

fevereiro é o novo novembro

Superstição por superstição, fevereiro está agora no top do mês terribilis do ano. No ano passado, atirou-me para o divã do psiquiatra. Este ano, ainda estou para ver que opção me resta.

Sexto Sentido

O post anterior estava a adivinhar chuva. Reescrevendo o anteriormente dito: oxalá tivesse desaparecido da face da terra. Ontem, preferencialmente.

Seriously...

... deixem-me desaparecer da face da terra. Estou fartinha disto.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Happiness? Ok, right.

Já percebi, e levei três décadas e uns aninhos, que o conceito de felicidade, como diz o outro mentecapto, é coisa que não me assiste.
O de infelicidade, ou o conceito Inglês de "misery", também não. Não nasci nem para vítima nem para mártir.
Agora estou convencidíssima que a vida, a minha, quero eu dizer, sempre foi e será pura gestão de danos. Resta-me aceitar isso, o que não é fácil, e seguir em frente.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Vamos lá esquecer

que este dia existiu. Já só faltam três horas para ele acabar. Ainda agora vi um trailer do novo episódio da Grey, um magistral "what if?", e não pude deixar de o relacionar comigo. What if... all the shit that happens to me and that I just can't control... didn't?". Já nem falo das más opções. Só de toda a trampa que não depende de mim e que me cai em cima.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Sábado

Adoro Sábados, e se alguém me dissesse, como canta o Abrunhosa, "Gosto de ti como quem gosta de Sábados", sentiria estar a ser muitíssimo apreciada e valorizada.
Este fim-de-semana não fui a Lisboa, não achasse a minha mãe que eu fazia um maior esforço económico e físico para estar com o Chico que com ela. Verdade seja dita, precisava de estar em minha casa uns dias, entregar-me, devagarinho, às tarefas domésticas que detesto, mas que começo a entrar em stress quando passa demasiado tempo sem que as cumpra e, claro, ter disponibilidade para resolver uns quantos itens profissionais da lista do a-fazer.
Nos Sábados há tempo para tudo: para levantar cedo (o que para mim são as dez da manhã), para sair e ir tomar café, para matar o vício no facebook, e para ir pensando na vida, enquanto maquinalmente se cumprem lavagens de roupa na máquina, e coisas que metem aspiradores e esfregonas.
Não me sinto só. Não me sinto só e não percebo por que é que não estou alegre. Por que é que não me consigo livrar desta tristeza latente, quando tudo corre nos eixos e nem sequer lamento o que não tenho. Enquanto esfregava o lavatório, pensava (que eu sou muito erudita) no último episódio que vi da Grey, e no Dr Webber a dizer ao Karev: "tem cuidado, porque amanhã posso querer ensinar-te outra coisa nova". Para quem sabe do que estou a falar, é fácil perceber que tenha associado isto a uma frase que o meu orientador me disse há muitos anos, e que é uma citação não sei de quem: "quando o aluno está preparado, o professor aparece". Relacionando isto com o amor, por não me sentir sozinha nem carente, pode até ser que enquanto aluna esteja preparada para um novo mestre; acontece que não me apetece, mesmo nada, ser ensinada à maneira Webber. Not again, right?
E depois penso que, como sempre cresci em contato com pessoas self-centered, sempre fui um bocado o satélite dessas pessoas, adequando o meu humor ao seu humor e tentando passar despercebida sempre que sabia estar de trovoada. Pessoas que me perguntavam se estava bem e nem sempre esperavam pela resposta. Pessoas que prometiam mundos e fundos e dececionavam sempre. Pessoas que diziam, em tal dia, fazemos isto, e depois, quando chegava o dia tão aguardado, esqueciam-se ou tinham mais do que fazer.
Por isso cresci e desenvolvi-me a não ter grandes expetativas em relação a ninguém, mas também a fazer o resto do Mundo não as ter em relação a mim. A gente acaba por transformar-se um bocadinho nos exemplos que tem, certo?
Mas ainda dou comigo a sorrir, com ternura, da minha própria ingenuidade, quando acompanho com atenção alguém que, em troca, me pergunta se estou bem e não espera pela resposta. Ou que está tão habituado a ser sempre quem desabafa e quem tem ombro para chorar, que nem pergunta. Sorrio sem tristeza, porque considero positivo que parte do que fui em criança teime em não morrer, apesar da violência diária por que todos nós passamos.