mais dois dias no hospital, mais uma viagem de carro para o alentejo e eu só queria controlar a mente, só isso. vim em silêncio, rádio desligado, imersa em análises e memórias e mais análises e conjecturas, constantemente em what if de todos os tipos. só queria controlar o espírito e não passar tanto tempo a mastigar pedras, a arranjar desculpas e a pintar cenários de cores mais alegres. costumo dizer que passo noventa por cento do tempo em junk thoughts, coisas que não servem para muito a não ser para me magoar e arranjar maneira de dar sempre mais uma oportunidade a quem não me dedica um infinitésimo do seu tempo, é verdade, eu sei. passo as conversas todas a limpo, faz-me impressão a minha falta de reacção no momento a coisas que me magoam tão profundamente. fico em silêncio e até sou capaz de anuir. só me apetece gritar. faz-me falta gritar até ficar rouca. dizem-me, não tenho objectivos nem me apetece tê-los, percebes? claro que percebo, ninguém há-de perceber tão bem como eu. dizem-me estás sozinha, sentes-te sozinha porque queres, tão gira e atraente que és, e desde quando a solidão se resolve na cama, será que para alguém isso funciona assim, ou será que não me sei expressar bem e é essa a ideia que dou, que preciso é de um gajo a quem dar umas quecas, porque não, não preciso, para isso há com fartura e eu vou evitando todos com muito cuidado para não ferir susceptibilidades. eu quero é gostar de alguém que goste de mim, isso é que me engana a solidão, mas para isso não é toda a gente que serve, não. o que em tempos pareceu tão fácil é cada dia mais dificil, aquele olhar sem cepticismo e sem desconfiança, aquela pesada herança que fica enterrada no passado. dando espaço e tempo toda a gente desilude, essa é que é essa, e assim sendo está tudo torto à partida e não me apetece estar com ninguém, por mais que estar comigo seja insuportavelmente doloroso.
2 comentários:
Anda tudo armado até aos dentes...
:(
é que anda mesmo :(
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