segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fim de semana?


Entre as horas de voluntariado no Banco Alimentar, as tarefas domésticas, as escolares, e as idas ao supermercado... foi-se o fim de semana. É segunda-feira e estou fartinha disto. E cheia de soninho. E com uma semana toooooooda pela frente.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Shadow Genial

"Querido amor, tenho o coração em pedaços, volta, por favor, apenas quando a super-cola secar. De preferência, com a pessoa certa. Caso contrário, não voltes nunca".

Há comentários que dão posts.
Agora isso da pessoa certa... se calhar, é melhor estar caladinha, estou numa "fase má", é o que dizem. Mas das duas, uma, ou há demasiados sapos vestidos de Príncipes, ou de facto os Príncipes que existem já partilham os lençóis com as Cinderelas desta vida. Seja qual for a opção, eu de Princesa Disney tenho pouco, e de sapos não gosto mesmo nada. Bichinhos viscosos, pá.
Tenho que reconhecer que a minha vida tem sido um verdadeiro conto de f*das. E a vogal que falta não é o "a". E estamos a falar metaforicamente, que se fosse na onda do literal, algum proveito se tirava da cena. O que vale no meio de tanta decepção, de tanto abandono, de tanto salve-se quem puder e eu deixei, até, de me conseguir salvar sem comprimidos e terapia, o que vale, dizia eu, é que os santos caem dos pedestais e os pecadores vão ganhando calo. Não acho que haja pessoas certas. Eis Jade, a iconoclasta. Venha a realidade e que se lixem Hollywood, H.C.Andersen e as novelas.

Esclarecimento

Ao reler o texto anterior, fica a ideia de que sou assim uma mescla entre Gandhi e a Madre Teresa de Calcutá. Fica o esclarecimento: não sou. Quando digo que perdoo o imperdoável e me coloco na posição dos outros, na verdade, nada disto abona muito em favor da minha inteligência e é resultado, sobretudo, de uma fraca auto-estima.
Mas também é verdade que, embora não tenha por hábito andar a denegrir a imagem de quem me tenha magoado ou decepcionado muito, tenho uma lista razoável de proscritos. E por proscritos leia-se pessoas de quem não reza a (minha) história, mortas e enterradas nas suas atitudes cobardes, invejosas ou simplesmente maldosas. Não gosto, pronto. Não gosto de gente que para safar a própria pele lixa a vida aos outros, não gosto de gente que não pode ver os outros brilhar, e detesto, sobretudo, gente má porque sim. Quando tenho provas taxativas de que determinada pessoa sofre de um desses males deixo, pura e simplesmente de a conhecer, fazendo do meu mundo um lugar melhor, sem ela. Nunca me dou, sequer, ao trabalho de a informar do sucedido: um dia estou lá, no dia seguinte, deixei de estar. For good.

Bad Deeds

Não sou nada vingativa.
No que diz respeito a ex-relacionamentos, por exemplo, há até quem diga que sou bastante banana, que demoro eternidades a fazer lutos, que perdoo coisas imperdoáveis, que assumo culpas que não são minhas, que defendo pessoas que são autênticas bestinhas, e por aí fora. Está na minha natureza compreender atitudes, ver as duas faces da moeda e, sobretudo, perspectivar se não poderia ser eu a fazer aos outros as merdas que me fazem a mim. Quase sempre chego à conclusão de que poderia, sim, nas mesmas circunstâncias fazer as mesmas coisas. Mas há casos raros, em que se ultrapassam os limites. Não guardo ressentimentos por ser preterida, mas detesto ser maltratada gratuitamente. Fico possessa, magoada, mesmo triste. Depois as pessoas caem no esquecimento, na indiferença.
Hoje tive uma oportunidade de ouro de dar o troco a determinada pessoa. Caiu-me no colo, de presente, a oportunidade. E desta vez dei o troco sem hesitação e sem pestanejar. Ah, como dei! Anos depois de mas terem feito, pagaram-mas. E amanhã, tinha uma lista de assuntos para debater com o Doc, muito na onda de me estar a sentir frustrada, parada, sem iniciativa, de mal com a vida, comigo, com o Mundo. Depois do que fiz hoje, acho que não se justifica. Há muito tempo que não me sentia tão bem. Entrei em casa a rir-me e a apetecer-me cantar, literalmente.
As más acções, afinal, é que compensam. Ou então é o inchaço de fazer finalmente justiça pelas próprias mãos, sem arrependimento absolutamente nenhum, e muito satisfeita por ter sido tão cabra.

domingo, 22 de maio de 2011

Preciso Urgentemente

de férias.
Duas semanas, pelo menos, de praia, piscina, gelados, petiscos, morangos e caipirinhas.
É oficial, estou de rastos e não quero semanas de trabalho. Amanhã começa outra e não sei onde me esconder.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quanto ao Jogo de Ontem

Sempre fui a favor dos pe-que-ni-nos. Claro que fiquei triste com o resultado. Claro que adoraria que tivesse ganho o Braga. Claro que ninguém, a não ser os próprios, já tem paciência para tanto pedantismo, mesmo concordando e levando em conta que cada vitória é merecida. Mas o que é mesmo, mesmo triste, é ouvir conterrâneos meus dizer que foi uma vitória do "Norte contra o centralismo". Nunca ninguém ouve o contrário, "ai, e tal, o Benfica este ano ser campeão é uma vitória de Lisboa contra os grunhos... é a clara supremacia da Capital sobre os bimbos". Claro que se ouvem insultos ao Pinto da Costa. Claro que se fala da corrupção. Mas ninguém grita "Nós só queremos ver o Porto a arder, o Porto a arder." A malta do Porto não desanca no Benfica ou no Sporting, desanca em Lisboa e nos lisboetas. E eu acho que isto é triste, mesquinho e clara dor de cotovelo, da parte de quem, ainda por cima, está em primeiro lugar. Pior que não saber perder é não saber ganhar. E eu, que sempre gostei das gentes (e) do Norte, começo a achar que este país é mesmo um país de gente invejosa, mesquinha e triste.
Cada um tem os políticos que merece, e o nosso primeiro, benza-o Deus pela sua competência, é de uma cidade pequena e de interior, bem a Norte de Lisboa. Devemos então o quê? Implodir a Covilhã? (Ou o Fundão?... que a bem dizer nem sei ao certo de onde é o cromo... como se isso fosse importante, e as pessoas se rotulassem pelo lugar onde nasceram, ou as cidades se limitassem a ser espelhos de dois ou três escroques que lá soltaram o primeiro grito sem ninguém ter a presença de espírito de os afogar como tanta gente faz aos gatos, pobrezinhos, pois).

Free at last

A citação é de Martin Luther King, referindo-se ao fim da opressão do negro americano, e é excessiva e politicamente incorrecta quando comparada ao meu privilegiado e pequeno mundinho, mas foi o que me ocorreu à saída da escola depois de mais um dia infernal.
A vida não espera por quem não está bem, e parece-me injusto que alguém como eu não se possa teletransportar para baixo de um coqueiro a trinta graus à sombra, de frente para um mar azul esverdeado. O mais provável seria cair-me um côco nas trombas, ainda assim.

Detesto...

as quintas-feiras, este ano. São dias que nunca mais acabam, que começam sempre mal depois da costumeira noite mal dormida, em que vejo putos a entrar e a sair das minhas aulas tipo tapete rolante de uma fábrica de parafusos, e em que me apetece sempre fugir. Na semana passada, faltei. Hoje, estou cá. Mas com uma vontade louca de me pôr a mexer. É muita hora rodeada de muita gente. E eu não estou para o social. Apetece-me um cobertor para pôr em cima da cabeça. Ou um quarto escuro para me esconder. Em vez disso, encaro as mais de seis horas ao serviço que ainda me restam com uma neura insuportável.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Singularidades...

... de uma rapariga com madeixas.
Não estou loura nem morena, estou assim como a entremeada, mas com menos gordura. Ultimamente sou tão assim-assim que nem a cor de cabelo escapa ao morno e ao indefinido. Logo eu, pois. Tenho andado a pairar num tanto-faz, não me chateiem, não fervo, nem em muita, nem em pouca água, e os dias arrastam-se iguais e pesados, como anda o tempo antes da trovoada.
Simplesmente hoje, depois de exactamente três meses disto, D. Jade trovejou. Costumava chamar a estas trovoadas o momento em que "via tudo preto" mas, na verdade, conviver com uma depressão como esta que tenho agora, mostrou-me que não, que afinal o que vejo nestes momentos é a luz. Vejo tudo preto quando não vivo, quando sobrevivo indiferente. Costumava dizer que "me passava". Quando realmente "me passei", as coisas foram muito diferentes. Hoje trovejei e senti-me viva, ou melhor, reconheci-me por uns breves instantes. Pisaram-me os calos e eu, finalmente, senti. E aquilo que eu achava antes ser sintoma de desequilíbrio (as explosões, a minha intempestividade, a minha agressividade) é uma singularidade minha, e sintoma de que tudo está exactamente onde deveria estar.
Não quero dizer com isto que esteja curada. Nada disso. Muito, muito longe disso. Dependo de comprimidos para funcionar e funciono nos mínimos e mal. Não há dia nenhum que não me lembre de tudo o que me faz infeliz. Não há dia nenhum em que não lute para mudar o que depende de mim. Não há dia nenhum em que ganhe essa batalha. Como disse ontem, sinto que os progressos são insuficientes, lentos e pouco dignos de orgulho. Na maior parte do tempo, sinto-me frustrada, fraca, estúpida e muito infeliz. Embora esses sentimentos sejam, como tudo o resto, mornos e indiferentes. Mas hoje, pela primeira vez, senti o morno afastar-se por breves instantes. Preferiria que tivesse sido por um bom motivo. Preferiria ter tremido por uma enorme alegria ou um nobre sentimento. Preferia que tivesse sido um sorriso, ou uma gargalhada, ou um corar de orgulho. Mas a fúria fez o mesmo servicinho e para quem é, bacalhau basta. A Jade deu um ar da sua graça, apareceu e desapareceu, mas trouxe a confiança de que nada é definitivo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

(In)Capacidade

Hoje, em therapy, perguntava-me o Doc como me fazia sentir ouvir-me a mim própria dizer de forma tão taxativa "não consigo", "não sou capaz de". Expliquei-lhe que era uma questão contextual. Que não ser capaz de fazer determinadas coisas me fazia, por um lado, mais inteligente. Outras incapacidades me tornavam, sem dúvida, muito melhor pessoa. Nunca fui manipulável e idiota ao ponto de me meter em sarilhos por me dizerem "não és capaz de...". Assumo logo que não sou. Tipo roubar chocolates em supermercados, dizer palavrões em voz alta numa aula ou beber seja o que for a penalti para ser o palhaço de serviço. Também não sou capaz de me calar perante uma injustiça óbvia mesmo que seja com alguém que não simpatize, não consigo passar por cima de ninguém em proveito próprio, nem consigo invejar ou deslumbrar-me seja com quem for pelo que tem. Sou destituída de interesse por dinheiro ou estatuto, por grandes carros ou grandes tachos.
No contexto em que disse hoje "não sou capaz", contudo, senti-me péssima. Sinto-me péssima quando não sou capaz de agir para melhorar as coisas. Quando tenho que assumir que está apenas nas minhas mãos e me sinto, apesar disso, impotente para, por exemplo, deixar de fumar, ou chegar a casa e me agarrar às tarefas domésticas ou às burocracias escolares, ou quando não consigo, como não consigo há meses, pegar no telefone e convidar alguém para tomar um café ou simplesmente conversar. Isso faz-me sentir mal. Tal como me faz sentir mal o próprio "sentir-me mal" sem ter problemas graves que o justifiquem. Tal como me faz sentir mal ser obsessiva em relação a pessoas que se estão completamente nas tintas para mim, me fazem sofrer ou me desejam realmente o pior, pessoal ou profissionalmente. Tudo isto são incapacidades que eu tenho e que são, a meu ver, injustificáveis e sinal de fraqueza de espírito.
Tanta inteligência, tanta perspicácia, para quê, diga-me lá... sou obsessiva sem ser compulsiva?
O meu Doc pergunta-me (é mesmo verdade que os psiquiatras respondem às perguntas com perguntas) se a palavra não será determinada ou persistente em vez de obsessiva.
Respondo-lhe que não, a determinação e a persistência materializam-se na acção e não na desistência e na procrastinação. Verdade, Jade, mas não estarás a agir sempre que optas por vir às sessões, tomar os comprimidos, levantares-te da cama e ires dar aulas?
Parece, afinal, que a juntar a todas as outras incapacidades, as boas e as más, sou incapaz de me contentar com progressos que nem assumo como tal. Que vejo como obrigações absolutas ou questões de pura sobrevivência.
Passados três meses de luta, ainda sou incapaz de me sentir fisicamente capaz de lidar com as minhas incapacidades emocionais. E era só isso que eu queria, ter forças físicas para fazer do quotidiano funcional algo que não me pesasse toneladas. E o Doc riu-se quando lhe disse "Parece que ando mesmo a pedir uma tragédia, para ver se abro a pestana, dou valor ao que tenho ou arranjo um motivo honesto para chorar." Gostou da expressão "andar a pedi-las". Gostou da expressão "abrir a pestana". Acho que sou tragicamente fadada para um "desespero lúcido", que é a maior das contradições, suponho eu. Ele não vê contradições, por exemplo, no facto de eu ser ao mesmo tempo exigente comigo e mesma auto-indulgente que até mete nojo. Eu não consigo perceber como é que ele vê em mim uma pessoa recuperável emocionalmente. Uns mesinhos, dizia ele hoje. Depois de anos a criar vícios emocionais e a repetir erros, uns mesinhos... e a minha tendência para o sarcasmo: mesinhos? que optimismo, Doc, que optimismo!...

sábado, 14 de maio de 2011

Today


I'm like this. And it sucks.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Para o Zeca





A homenagem que faltava, bem merecida, ao meu terceiro mosqueteiro. (antes de resmungares, lembra-te que os U2 continuam no top dos tops das minhas bandas favoritas)

É mesmo à tuga...

O nosso povo tem grandes qualidades, sendo uma das mais importantes a generosidade. Mas é uma generosidade in extremis, em alturas de catástrofe óbvia. Aí, o tuga mobiliza-se, vira-se do avesso, contribui para campanhas, voluntaria-se para dar parte do seu tempo e dinheiro para socorrer os outros. É uma pena que, no dia-a-dia comezinho, o tuga tenha muito mais tendência para a inveja, a chico-espertice e o umbigo. E depois, as coisas acontecem.
Quando o Conselho Pedagógico da minha escola aprovou sem pio a vontade da Directora de fazer dos nossos alunos de nono ano cobaias para testes intermédios a todas as disciplinas teóricas, como bem se lembram, D. Jade vociferou, berrou e deixou longos protestos nas actas das reuniões de todos os órgãos em que tem assento. Também vociferou, berrou e deixou protestos na sala de professores e no gabinete da Direcção. Toda a escola (à excepção da colega de Ciências) se manteve impávida e serena. Ainda vi, na maior parte das vezes, sorrisos paternalistas. Ainda ouvi, algumas vezes e de gente mais frontal, que, se os professores de Língua Portuguesa e Matemática eram "os suspeitos do costume" ano após ano, e passavam a vida a ser pressionados, "era justo" que os outros comessem pela mesma medida. Sei que, como fui eu que mais perdi a cabeça com este argumento, me recusei a ter aulas assistidas e a compactuar com esta avaliação de docentes até onde pude, muita gente deve ter pensado que eu tinha apenas medo dos resultados. Houve muita gente com um gostinho especial, eu sei, por finalmente me ver ser passado o tal atestado de incompetência em praça pública, porque "tenho a mania que sou boa", porque até leio uns livros e não faço disso segredo, porque escrevo bem e não tenho medo de escrever actas, porque corrijo erros de colegas, and so on, and so on.
Amanhã é o teste intermédio de interacção oral de Inglês. Quando pus a questão sobre a organização do mesmo à Directora, e disse que ia ser complicado arranjar tempo e recursos para o fazer, ela respondeu "não se preocupe com isso, que isso é trabalho para secretariado e direcção." Pois.
Se não fosse eu, a andar de um lado para o outro, a fazer perguntas inconvenientes e a tratar de tudo, amanhã não estava nada feito. E ainda ouvi bocas: "tu que és a chefe dos intermédios", "já que tenho que trabalhar na minha tarde livre, depois pagas um café", merdas destas. Até os funcionários da escola vieram ter comigo a perguntar se eu não tinha vergonha de fazer "aquela maldade aos meninos, coitadinhos" (porque eles, funcionários, também têm que ficar mais quarenta e cinco minutos que o horário que cumprem à risca, e toda a gente sabe que quem manda na escola sou eu, por acaso).
Ocorreu-me hoje varias vezes um provérbio tibetano milenar, muito sensato e adequado à ocasião, que começa por "vai para" e acaba em "alho". Mas não o disse. Estou à espera de um momento mais apropriado, que não tenho dúvidas nenhumas que esteja para breve.

domingo, 8 de maio de 2011

Domingos






A cor-de-rosa custam menos.

Pois, mais essa...

E à conta dos Velvet Carochinha, foi mais um tabu ao ar. Fiz as pazes com o youtube. Aos poucos, aos poucos... enche a galinha o papo!

Não percam



O que de melhor tenho visto a ser feito nas escolas portuguesas. Abaixo os projectos para Inglês ver, e a parvoeira que se faz à conta da avaliação docente. O nosso governo, que tanto contribuiu para a nossa desacreditação pública, leva aqui uma enorme estalada de luva branca! (O refrão, ai Nossa Senhora, o refrão!...)

sábado, 7 de maio de 2011

...


A Angela Merkl adoptou um pinguim. Chama-se Alexandra. Gosto mesmo destes simpáticos. Sempre aprumados, sempre de bem com a vida.