Sinto-me feliz, hoje. Nem contente, nem alegre, feliz. Foi um dia pleno de emoções fortes e boas notícias. Foi um dia de partilha, de reforço, de vislumbres de amizade sólida, de gente a dar boas notícias, de acasos felizes e coincidências agradáveis.
Dias assim fazem-me repensar aquele momento amargo em que abro os olhos muito cedo, está um frio de rachar e eu penso, com um suspiro, será que tem mesmo, mesmo, que ser? Será que não é hoje o dia em que vou mandar tudo e todos pastar, e fazer a diferença, promover a quebra na rotina das coisas sempre iguais? E nunca é, nunca consigo arranjar a coragem, ou uma desculpa suficientemente boa, para mandar um dia de trabalho às urtigas em prol da minha sanidade mental e existência mais pacífica.
Tenho andado muito em baixo. Sábado foi dia de defuntos e eu não fui a Lisboa dar dois dedos de conversa junto à campa do meu avô. No próximo dia um faz anos que ele morreu, e este mês é sempre muito complicado para mim, as datas trazem recordações, saudades, sentimentos meio-adormecidos no lufa-lufa do resto do ano. É sazonal, há alturas do ano em que a falta dos que já partiram bate mais forte. Os meus Novembros são pouco doces, e os meus Dezembros, bem, no Natal é melhor nem falar. De modo que o tempo tem estado de chuva e a vontade de me levantar da cama não é grande, não.
Por isso, o dia de hoje, em que me levantei como sempre, mas me vou deitar muito diferente, foi um presente do destino a dizer que a monotonia não existe obrigatoriamente num dia que tem tudo planeado para ser igual aos outros. Que os bombons-rajás pequeninos e iguais, trazem recheios diferentes. E assim são as pessoas. Já lhes conhecemos a embalagem, mas às vezes sai-nos um sabor a morango onde esperávamos baunilha, e a surpresa agrada, ou não fosse o morango o nosso favorito.
Hoje fiquei feliz por dar uma oportunidade ao dia porque ele esteve à altura. Não trocava por nada cada minuto dele, não trocava por nada as palavras que disse e ouvi, as que não disse mas disseram os meus olhos e o meu sorriso, as que não me disseram mas ficaram claras nas entrelinhas. Não trocava por nada, mesmo nada, os dois ou três abraços que dei a uma amiga minha, nem as lágrimas nos olhos com que vim para casa. Lágrimas de saudades de um futuro já tão próximo, de um passado em comum, lágrimas de agradecimento por ainda me conseguir comover quando a minha vida não está para grandes emoções ou ternuras há tanto tempo.
É que eu choro muito, mas choro muito pouco por coisas que valham realmente a pena. E o meu avô, de quem sinto tanta falta, e as pessoas que me comovem porque as amo, como as que me cruzaram hoje o caminho, não são causa de lágrimas vãs. E se elas vêm, ao menos que não sejam vãs.
Dias assim fazem-me repensar aquele momento amargo em que abro os olhos muito cedo, está um frio de rachar e eu penso, com um suspiro, será que tem mesmo, mesmo, que ser? Será que não é hoje o dia em que vou mandar tudo e todos pastar, e fazer a diferença, promover a quebra na rotina das coisas sempre iguais? E nunca é, nunca consigo arranjar a coragem, ou uma desculpa suficientemente boa, para mandar um dia de trabalho às urtigas em prol da minha sanidade mental e existência mais pacífica.
Tenho andado muito em baixo. Sábado foi dia de defuntos e eu não fui a Lisboa dar dois dedos de conversa junto à campa do meu avô. No próximo dia um faz anos que ele morreu, e este mês é sempre muito complicado para mim, as datas trazem recordações, saudades, sentimentos meio-adormecidos no lufa-lufa do resto do ano. É sazonal, há alturas do ano em que a falta dos que já partiram bate mais forte. Os meus Novembros são pouco doces, e os meus Dezembros, bem, no Natal é melhor nem falar. De modo que o tempo tem estado de chuva e a vontade de me levantar da cama não é grande, não.
Por isso, o dia de hoje, em que me levantei como sempre, mas me vou deitar muito diferente, foi um presente do destino a dizer que a monotonia não existe obrigatoriamente num dia que tem tudo planeado para ser igual aos outros. Que os bombons-rajás pequeninos e iguais, trazem recheios diferentes. E assim são as pessoas. Já lhes conhecemos a embalagem, mas às vezes sai-nos um sabor a morango onde esperávamos baunilha, e a surpresa agrada, ou não fosse o morango o nosso favorito.
Hoje fiquei feliz por dar uma oportunidade ao dia porque ele esteve à altura. Não trocava por nada cada minuto dele, não trocava por nada as palavras que disse e ouvi, as que não disse mas disseram os meus olhos e o meu sorriso, as que não me disseram mas ficaram claras nas entrelinhas. Não trocava por nada, mesmo nada, os dois ou três abraços que dei a uma amiga minha, nem as lágrimas nos olhos com que vim para casa. Lágrimas de saudades de um futuro já tão próximo, de um passado em comum, lágrimas de agradecimento por ainda me conseguir comover quando a minha vida não está para grandes emoções ou ternuras há tanto tempo.
É que eu choro muito, mas choro muito pouco por coisas que valham realmente a pena. E o meu avô, de quem sinto tanta falta, e as pessoas que me comovem porque as amo, como as que me cruzaram hoje o caminho, não são causa de lágrimas vãs. E se elas vêm, ao menos que não sejam vãs.