sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ballet

Tropeçaram um no outro, que já nem andavam de tanta pancada lhes caía em cima. Ela reconheceu-o de imediato, ele nem por isso. Seguiram-se meses em que ela dançava graciosamente em pontas, para que ele a visse, para que a deixasse colar-lhe os estilhaços, com toda a paciência do mundo, toda, dançava em pontas para parecer mais alta e esguia, mais bonita, tocava-lhe no ombro, amparava-lhe as quedas, velava-lhe o sono. Nunca a viu. Quando olhou enfim para trás, ela já lá não estava.

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