Há um antes e um depois daquilo a que eu chamo um enorme pesadelo e o resto das pessoas chama férias de Verão de 2015. Toda a gente que tem lido estes posts sabe disso. O que talvez pouca gente saiba, ou queira saber, é que o depois não tem sido muito mais fácil.
Na altura foi a doença, o medo e o abandono. Mas também foi a solidariedade, o apoio e a companhia. Desde aí, foi o vazio e a solidão. Passei cinco fins de semana sozinha em casa e ninguém se lembrou de me telefonar a saber de mim, se respirava, se queria ir beber um café. Se falei com pessoas foi porque existem redes sociais, senão... nada. A ausência, o silêncio, a falta.
Perguntaram-me - é curioso como as mentalidades masculinas se estão tão rapidamente a aproximar das femininas em certos aspectos - que diabo me passou pela cabeça para namorar, (qual namorar, estás parva? tu nem digas uma coisa dessas que é dar demasiada importância a essa besta que arranjaste nem sabes como, mais valia teres torcido um pé nesse dia e passado horas no centro de saúde a ouvir queixas de velhos, qual namorado, isso é lá gajo para ser teu namorado, ensandeceste? - estou precisamente a ouvir a voz da minha amiga mais furiosa com este assunto, que há várias, mas esta juro que qualquer dia me enfia um par de estalos na tromba), pronto, vá, que diabo me passou para gostar (ai, porra, não gostaste nada dele, mas estás tontinha? tiveste uma paragem, foi o que foi... seja), para achar que gostaste dum gajo assim? E por "assim" referem-se às fotografias que eles, outros gajos, viram dele, do tipo de quem eu achei que gostei e me largou praticamente no hospital. É. Os homens agora também avaliam as relações pelas fotografias de ambos e acham que as dele não estão à minha altura. "Se não soubesse o que sei de fonte segura, dizia que o tipo era rico e tu querias era presentes"...
Nunca soube responder à pergunta masculina, curiosa e sádica de "o que é que viste nele?" Até que este fim de semana se fez luz. O que vi nele foi, sobretudo, uma pessoa que me convidava para ir ter com ela, para lhe fazer companhia, que me dizia que tinha saudades minhas, que me desafiava para sair da minha vida e do meu conforto, para passear, para ver outras coisas, para ter longas conversas e apanhar sol. Sim, eu sei que os motivos dele seriam suspeitos e discutíveis, mas bolas, eu era feliz a fazer-lhe esse tipo de vontades porque pelo menos não me sentia sozinha, ignorada e dispensável, como sempre me tenho sentido desde aí. Se trocava, se voltava, se me arrependo? Não, não e não. Mas não me venham com sermões de como é que desceste tão baixo, o que é que viste nele e daí por diante sem calçar os meus sapatos e morrer para o mundo sem que ninguém disso dê conta, cerca de 70 horas a cada 5 dias.
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