segunda-feira, 23 de maio de 2011

Esclarecimento

Ao reler o texto anterior, fica a ideia de que sou assim uma mescla entre Gandhi e a Madre Teresa de Calcutá. Fica o esclarecimento: não sou. Quando digo que perdoo o imperdoável e me coloco na posição dos outros, na verdade, nada disto abona muito em favor da minha inteligência e é resultado, sobretudo, de uma fraca auto-estima.
Mas também é verdade que, embora não tenha por hábito andar a denegrir a imagem de quem me tenha magoado ou decepcionado muito, tenho uma lista razoável de proscritos. E por proscritos leia-se pessoas de quem não reza a (minha) história, mortas e enterradas nas suas atitudes cobardes, invejosas ou simplesmente maldosas. Não gosto, pronto. Não gosto de gente que para safar a própria pele lixa a vida aos outros, não gosto de gente que não pode ver os outros brilhar, e detesto, sobretudo, gente má porque sim. Quando tenho provas taxativas de que determinada pessoa sofre de um desses males deixo, pura e simplesmente de a conhecer, fazendo do meu mundo um lugar melhor, sem ela. Nunca me dou, sequer, ao trabalho de a informar do sucedido: um dia estou lá, no dia seguinte, deixei de estar. For good.

5 comentários:

Shadow disse...

Estar e no segundo seguinte não estar mais, nunca mais. Este, é um lado teu profundamente assustador. Não creio que tenhas essa noção, do quanto assusta e intimida.
É também um lado de inveja. Invejo esse botão que tens, o botão de deixar de estar. Adorava nunca mais estar para várias pessoas. Mas estou. E durante muito tempo, ainda, estarei.
Gostava também de sair de trabalho e poder ligar um botão adaptado: "Caríssimo trabalho, não estou, por favor deixe mensagem ou volte amanhã".
E, já agora, gostava ainda de ter um botão para o amor: "Querido amor, tenho o coração em pedaços, volta, por favor, apenas quando a super-cola secar. De preferência, com a pessoa certa. Caso contrario não voltes nunca".

Depois pergunto-me, quantas pessoas restariam se tivesse esse botão. E não te invejo. Só me assusto. Porque me sobram tantos dedos para gritar o qual mal escolho as pessoas.

Jade disse...

Minha querida,
O assustador é não saber quando deixo de estar porque, como sabes, tenho a minha quota parte de estar tempo demais, vezes demais. Parto as trombas 27635 vezes com a mesma pessoa, e depois há um dia em que digo -Basta! E nunca sei quando é esse dia até ele chegar. Depende das pessoas, das situações, de mim.
Mas sabes... não me arrependo de nenhuma vez que deixei alguém para trás. E jamais me senti mais sozinha por isso. São merdas minhas, que queres? Não é de invejar, nem de temer. Sou assim, há que aceitar, "prontes"

Shadow disse...

É sim de invejar. É sim de temer. Fizeram-me isso duas vezes (já que não foi a mesma pessoa, nem género, nem género de relação, acho que tem mais a ver comigo do que com as pessoas em causa)e é assustador neste ponto: Estão e do nada não estão. Não sabes onde estão, como estão, como não estão, porque não estão. Podes desconfiar, mas não sabes.
Até um morto sabes onde está. Há prova, há razão, há lugar. Alguém assim, não sabes nem saberás nunca. Pode ter sido raptado por ET's. Pode ter evaporado. Desintegrado. Pode tudo...

... a única certeza é que a culpa é tua. Vai daí, talvez não.

e é exactamente isto. Não saber. Não saber nunca. Nada me assusta mais que isto. Nada invejo em alguns casos mais que isto: a ignorância.

ps: quanto a ti, pedia-te que me avisasses à 27634 vez. Mas não creio que abras excepções :-)

Jade disse...

Ahahahah!
Tem juízo! Sabes perfeitamente que nunca, jamais, em tempo algum, deixo de estar "do nada"!!! São sempre coisas graves. O que pode acontecer é "deixar de estar" por uma menos grave que as anteriores... Mas porra, do nada... acho que nunca aconteceu.
E tu não és nem cobarde, nem invejosa, nem má: acho que estás safa!

Shadow disse...

Pois não, mas sou parva. Can u beat that?

E quanto ao nada, o quase nada muitas vezes é um mundo inteiro, é tudo. E o tudo, para alguns é menos que nada. Mas não vamos discutir coisas tão relativas como semântica ou o estar e não estar.