quinta-feira, 5 de maio de 2011

It's official

Abriu a época do ginásio. Fui. Com tanta sorte ou tanto azar que hoje era "Dia de Abdominais" e ia morrendo. No quinto tapete já nem me levantar como deve ser conseguia. Ao décimo, tinha que literalmente rebolar para me levantar de costas. E ao décimo quinto, finalmente, lá resmunguei "e a gente PAGA para isto!!!".
Antes disso, quando vínhamos em bando da escola para casa, comentava no carro com as minhas colegas e companheiras da tortura fit que, ao contrário das pessoas normais, queria ginásio por uma questão emocional e psicológica, e não estética e física, mas que, mesmo quando o frequentava (mais) regularmente não chegava nunca a sentir a explosão de endorfinas, a droga da felicidade. A inércia do sofá+cigarros+séries favoritas deixa-me muito mais feliz. É claro que o coro de protestos e de ameaças "se não fores hoje, vamos buscar-te pelos cabelos a casa e fazes o caminho a pontapé", entre outros mimos, ajudou a que não me atrevesse ao achincalho, que capaz disso e de muito mais são elas.
Fui. Mais uma vez, as endorfinas fizeram greve. Mas não posso deixar de sorrir quando alguém me diz hoje, depois disso, quando estava a resmungar de dores abdominais "És uma grande mulher. Tesa como não conheço mais nenhuma, palavra de honra". Quando perguntei porquê, a justificação foi que, dois meses e pouco passados da minha "travadinha", como eu lhe chamo e os amigos adoptaram, sem me aperceber fiz um percurso, "diz que" impressionante. Levantei-me sempre de manhã. Fui sempre trabalhar. Só faltei uma tarde, que me vim embora. Preparei alunos para testes intermédios dando, inclusivamente, horas extra. Fiz horas do curso da noite a fio, porque uma das minhas colegas meteu um atestado de trinta dias por causa de... uma depressão. Entreguei sempre os testes a tempo. Nunca faltei ao shrink. Nunca deixei de tomar banho e de me arranjar. Fui a todas as reuniões. Não me descontrolei de modo a entrar em colapso físico e a ter outra crise da minha amiga auto-imune. Tudo isto, sempre de coração partido e sem encontrar prazer em absolutamente nada. Tudo isto vazia de tudo excepto de lágrimas. Tudo isto sem apreciar o sabor dos alimentos que sempre adorei, dos cheiros que sempre me enebriaram, dos gestos e olhares que me oferecem todos os dias, e a que sempre fui sensível. Tudo isto sem calor na alma, sem sorrisos no espírito. Sou uma grande mulher. Tesa. Palavra de honra.

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