Abriu a época do ginásio. Fui. Com tanta sorte ou tanto azar que hoje era "Dia de Abdominais" e ia morrendo. No quinto tapete já nem me levantar como deve ser conseguia. Ao décimo, tinha que literalmente rebolar para me levantar de costas. E ao décimo quinto, finalmente, lá resmunguei "e a gente PAGA para isto!!!".
Antes disso, quando vínhamos em bando da escola para casa, comentava no carro com as minhas colegas e companheiras da tortura fit que, ao contrário das pessoas normais, queria ginásio por uma questão emocional e psicológica, e não estética e física, mas que, mesmo quando o frequentava (mais) regularmente não chegava nunca a sentir a explosão de endorfinas, a droga da felicidade. A inércia do sofá+cigarros+séries favoritas deixa-me muito mais feliz. É claro que o coro de protestos e de ameaças "se não fores hoje, vamos buscar-te pelos cabelos a casa e fazes o caminho a pontapé", entre outros mimos, ajudou a que não me atrevesse ao achincalho, que capaz disso e de muito mais são elas.
Fui. Mais uma vez, as endorfinas fizeram greve. Mas não posso deixar de sorrir quando alguém me diz hoje, depois disso, quando estava a resmungar de dores abdominais "És uma grande mulher. Tesa como não conheço mais nenhuma, palavra de honra". Quando perguntei porquê, a justificação foi que, dois meses e pouco passados da minha "travadinha", como eu lhe chamo e os amigos adoptaram, sem me aperceber fiz um percurso, "diz que" impressionante. Levantei-me sempre de manhã. Fui sempre trabalhar. Só faltei uma tarde, que me vim embora. Preparei alunos para testes intermédios dando, inclusivamente, horas extra. Fiz horas do curso da noite a fio, porque uma das minhas colegas meteu um atestado de trinta dias por causa de... uma depressão. Entreguei sempre os testes a tempo. Nunca faltei ao shrink. Nunca deixei de tomar banho e de me arranjar. Fui a todas as reuniões. Não me descontrolei de modo a entrar em colapso físico e a ter outra crise da minha amiga auto-imune. Tudo isto, sempre de coração partido e sem encontrar prazer em absolutamente nada. Tudo isto vazia de tudo excepto de lágrimas. Tudo isto sem apreciar o sabor dos alimentos que sempre adorei, dos cheiros que sempre me enebriaram, dos gestos e olhares que me oferecem todos os dias, e a que sempre fui sensível. Tudo isto sem calor na alma, sem sorrisos no espírito. Sou uma grande mulher. Tesa. Palavra de honra.
Antes disso, quando vínhamos em bando da escola para casa, comentava no carro com as minhas colegas e companheiras da tortura fit que, ao contrário das pessoas normais, queria ginásio por uma questão emocional e psicológica, e não estética e física, mas que, mesmo quando o frequentava (mais) regularmente não chegava nunca a sentir a explosão de endorfinas, a droga da felicidade. A inércia do sofá+cigarros+séries favoritas deixa-me muito mais feliz. É claro que o coro de protestos e de ameaças "se não fores hoje, vamos buscar-te pelos cabelos a casa e fazes o caminho a pontapé", entre outros mimos, ajudou a que não me atrevesse ao achincalho, que capaz disso e de muito mais são elas.
Fui. Mais uma vez, as endorfinas fizeram greve. Mas não posso deixar de sorrir quando alguém me diz hoje, depois disso, quando estava a resmungar de dores abdominais "És uma grande mulher. Tesa como não conheço mais nenhuma, palavra de honra". Quando perguntei porquê, a justificação foi que, dois meses e pouco passados da minha "travadinha", como eu lhe chamo e os amigos adoptaram, sem me aperceber fiz um percurso, "diz que" impressionante. Levantei-me sempre de manhã. Fui sempre trabalhar. Só faltei uma tarde, que me vim embora. Preparei alunos para testes intermédios dando, inclusivamente, horas extra. Fiz horas do curso da noite a fio, porque uma das minhas colegas meteu um atestado de trinta dias por causa de... uma depressão. Entreguei sempre os testes a tempo. Nunca faltei ao shrink. Nunca deixei de tomar banho e de me arranjar. Fui a todas as reuniões. Não me descontrolei de modo a entrar em colapso físico e a ter outra crise da minha amiga auto-imune. Tudo isto, sempre de coração partido e sem encontrar prazer em absolutamente nada. Tudo isto vazia de tudo excepto de lágrimas. Tudo isto sem apreciar o sabor dos alimentos que sempre adorei, dos cheiros que sempre me enebriaram, dos gestos e olhares que me oferecem todos os dias, e a que sempre fui sensível. Tudo isto sem calor na alma, sem sorrisos no espírito. Sou uma grande mulher. Tesa. Palavra de honra.
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