sábado, 27 de setembro de 2008

Sábado

Ora bolas, se escrevo tanto sobre os Domingos, que não deviam existir, como os 13ºs andares nos EUA, não havia de escrever sobre os Sábados? Todos os dias da semana deviam ser como os Sábados. Planos há sempre muitos. Às Sextas está tudo muito planeadinho, levanto-me às tais horas, nem muito cedo nem muito tarde, tomo um grand'a pequeno-almoço, saio de casa ainda de manhã para um cafézinho, vou até ao supermercado à hora em que ele está quase vazio, chego, dou um jeito à casa, trabalho calmamente durante a tarde ao som de um CD calminho, vou caminhar com alguém que tenha ficado na Cidade de Deus, e depois vou jantar fora e, talvez, beber uns copos e até ir dançar. Belo Sábado. Depois sai tudo ao contrário, para poder stressar no Domingo, que não devia existir, repito, com tudo o que ficou por fazer.
Para já, levanto-me sempre duas ou três horas mais tarde que o previsto, o que é uma delícia. Como é Sábado, não me sinto culpada. Depois, o café da manhã acaba por ser com companhia, assim como as compras no supermercado, o que é triplamente mais divertido, mas muito mais demorado. Não me sinto culpada, porque é Sábado. Depois chego a casa, e quando se trata de pôr música, em vez de pôr Sigur Ros, a ajudar à meditação e ao trabalho, espeto com um disco de música comercial no leitor de CDs, a bombar. Aguilera, Pink, Alanis, Avril, todas. It's the Chics Club! Claro que passo mais de quinze minutos a rodopiar na sala, com as cortinas corridas, olh'ó escândalo, a cantar e a dançar como se estivesse na disco onde, inevitavelmente, acabo sempre por não pôr os pés... e não me sinto culpada, porque é Sábado!
Tive uma semana difícil. Tive stresses que não vêm nos livros, e com os quais não contava. Ontem estava de rastos, sentia-me a pessoa mais pequenina e infeliz do Mundo, na ressaca de uma semana que, apesar de ter terminado de forma pacífica, prometia ser um desastre. Passei a tarde com a Li, horas a falar de filmes e de livros, a afastar as conversas de coisas tristes. Ainda assim, quando cheguei a casa, e durante o serão, o ambiente da minha alma estava muito nebulado, com períodos de chuva a passar a regime de aguaceiros fortes. Fui-me deitar a pensar que já era altura de passar a noite de sexta-feira num "date" com um qualquer tipo interessante e denso, que não sei onde anda, o caramelo...
Hoje acordei bem-disposta, o que me faz questionar intimamente a minha sanidade mental e reescrever a definição de "doença bipolar". Cantei no duche, ao som do "The Story" no meu telemóvel. Ia-me matando à saída da banheira, por estar aos saltinhos, a dançar como uma maluca, e ter inevitavelmente escorregado nos mosaicos da casa-de-banho. Depois do primeiro sentido F***-SSSSE!" à boca cheia, ri-me. Ri-me sozinha e continuei a cantar, toda contente, e a dançar (depois de ter calçado umas pantufas...)
Devo ter resquícios de bipolaridade. Ou então são os Sábados, com a sua alegria muito própria, a sua despreocupação, as tarefas que depressa se abandonam ou transformam em verdadeiros prazeres porque acompanhadas de caras amigas com quem discutimos agarradas ao mesmo cesto de supermercado cheio de compras. Aos Sábados, olho-me ao espelho e reconheço uma cara de antigamente, cheia de riso e boa-disposição, num corpo, agora com um peso que não tinha desde os dezoito anos e que me deixa muito orgulhosa... que fixe, estou mais larga, dizia eu à minha amiga à porta do Modelo (não acrescentei, agora que sou, finalmente, uma gaja a caminhar para o "boa", ninguém me pega, cacete!) e ela, quem te ouvir acha que deves ser maluca, ao contrário de toda a gente, e eu, a segurar o meu pneu"zinho", de bicicleta de estrada, 'tás a ver, 'tás a ver? já não há risco de morrer de gripe ou tuberculose, tenho defesas...
Parvoeiras e música. Assim passo os Sábados, para poder justificar as minhas neuras de Domingo.

15 comentários:

Shadow disse...

Sigur rós!? ao sabado pode ser um luxo agradavel... no domingo é perigo de morte (do genero dos mosaicos d WC, dp do banho, acompanhados por musica)

Jade disse...

LOL!LOL! Podes crer... mas não é que os amo? Depressivos e tudo...

Shadow disse...

Sendo assim experimenta The Album Leaf, começa por Twenty Two Fourteen...

http://www.youtube.com/watch?v=3yv6Gn911uc&feature=related

ps: tal como sigur rós pode não "funcionar" à primeira.. precisa do espaço certo ou da noite para entrar em nós. bj

Anónimo disse...

Há muito tempo que os meus sábados nao são assim, mas nao faz mal! É por uma boa causa.
Gostaste do poema?

Sol disse...

Jade:

Adorei, adorei a descrição do Sábado. E como és tão minha gémea vou revelar um bocadinho da minha vida que nem no blog conto...
Aos 18 anos tinha 1.68m (tal como agr pois) e 41 Kgs, estava doentissima a morrer pelos cantos... Pensaram em tudo, desde bulimias a depressões.
Aos 19 e muitas endoscopias depois, fizeram-me o diagnostico de doença celiaca. Em 3 anos engordei 12 Kgs! Tb estou gorda (larga como tu dizes) como nunca estive antes, e tb ja tenho defesas e tudo e tudo e tudo! =) Sou quase uma gaja boa tb =P

Quero com isto dizer que nunca estamos sozinhos na nossa "merda" (dsclpa a expressão)! Eu ando em fase "vida de cão", completamente desconcentrada, a deixar para depois de amanha o que devia ter feito anteontem... Mas tudo passa!

O meu Sábado foi um caos, devia ter feito tudo e não fiz nada. E o grave é que tb nem me preocupo... É por ser Sábado! =)

Um beijinho =)
*

Sol disse...

P.S. Não és nada bipolar. As fases eufórica e a depressiva num doente bipolar não duram 24h lol São coisinhas pa durar anos cada uma! Tu és só uma pessoa normal, daquelas que têm dias e dias =P *

Jade disse...

Qual poema, Vzinha?

Sol, com que então temos uma 'piquena'intolerância ao glúten... epá, todos nós temos as nossas porras, acredita. Tenho uma amiga celíaca um pouco mais velha que eu (cinco, seis anos) que ia morrendo em pequena e que passou uma infância e adolescência muito tristes, entre coisas boas que eram assassinas e nada de bom produzido a pensar nela. Agora já há de quase um tudo, certo?
Eu passei pelo mesmo com a minha Esclerodermia (CREST). O diagnóstico é difícil, e quando vem... parece negro. Como tenho problemas a nível do esófago, sou quase permanentemente, magra demais, e as pessoas chamam-me de um tudo (Como se os complexos não chegassem: já reparaste como a sociedade poupa os gordos de comentários antipáticos e simplesmente arrasa gente 'escanzelada'?). Por isso estou muito contente com o meu peso, embora saiba que quando o meu esófago voltar à sua estenia crónica, e eu para os dilatadores do costume, já devo estar de volta aos 46Kg... Enfim, como dizia o meu ex, todos nós temos as nossas porras! Bj

Jade disse...

Ah, sol, é verdade... a Esclerodermia também se manifestou aos dezoito anos, e como estava com o esófago completamente ulcerado, vomitava pelo menos uma refeição por dia e emagrecia a olhos vistos, também me disseram que eu era bulímica ou anorectica... e eu a dizer, que parvoeira, vocês acham que quando me vejo ao espelho me acho gorda? Tratem é de me engordar de vez, cacete! Pesadelo, pesadelo. Quase prefiro que tenham descoberto o que tenho, embora não seja mesmo nada agradável ou prometa grande futuro...
Quanto à bipolaridade, chega a nem ser diária. De manhã acordo mal, ao almoço exulto de alegria, à tarde estou de neura, à noite choro ao adormecer, de manhã acordo como se nada fosse... enfim, normal? Isso é muito discutível...LOL

Sol disse...

E pronto, viva as porras auto-imunes... Só por causa das coisas hj tou doente, mal-disposta que dói... Aimx!
Pelo que eu sei a CREST é controlável né? Com medicação para a pirose e assim...
De qq maneira, aprende-se a viver com tudo, isto quer é mulheres rijas! =)

Anónimo disse...

Olá Jade. Aos Sábados tenho por habito ir á ginástica, "bodybalance", que é fantastitco, e quando o tempo está
bom vou tomar café á praia e dou uma volta pela beira-mar, sozinha. Ontem ia trocar as voltas, por que à noite tinha um aniversário e noitada, se me apetecesse.
Pos bem, não fiz nada do previsto a não ser a aula de ginática.
Fui aniversário bem vestida, e preparada para a noite, que há muito tempo não ia. Mas dedicidi deixar a noite para outra noite.
Tenho muita necessidade de sair, mas de beber um copo bem acompanhada. Para onde ia, teria muita confusão.
Hoje, também não fiz nada. Acabei de chegar a casa, vim ver mails espreitar os blogs das pessoas com quem costumo partilhar estes coment
ários e vou para o sofá descansar um pouco.
Tal como a Jade , tenho imenso que fazer, a semana foi de preocupações, mas mesmo assim não me apetece pegar em nada que tenha a ver com a escola.
Fez-me falta não ter ido à praia... É um lugar onde recupero energias.
Ah! Eu não costumo dançar no banho, mas na cozinha, enquanto faço o almoço e/ou jantar, sim. Adoro dançar, cantar (com a voz´péssima que tenho, mas que se dane). É o meu cantinho , onde me sinto bem e faço o que me apetece, mesmo não fazendo nada.
Adoro os momentos meu, só meus.
Um bj

Maria

Anónimo disse...

Para um sábado ser completo tem de ter uma longa caminhada. Preferencialmente ao final do dia, com alguma chuva e com uma companhia tão agradável como os intervalos dos pingos prateados da chuva sob o abrigo intermitente e amigo das oliveiras.

Jade disse...

Concordo. E isso não faltou ao meu Sábado de ontem. A companhia é que mudou, o percurso foi mais curto e não chovia. Pelo menos, lá fora ;)

Anónimo disse...

Jade,

Perto da Cidade de Deus, como lhe chamas, tens umas barragens muito simpáticas. numa delas, pelo menos até ha um clube náutico onde suponho que alugam canoas. Experimenta dar um passeio de canoa.

fazes exercício e ainda vais sentir a paz e a calma de estares no meio da água com o "barulho" que quiseres ouvir.

Tretices bem dispostas para ti

Anónimo disse...

Olá Jade, eu sou mais uma cobarde que andava a ler o seu blog pela sombra. Entrava sem ser convidada, lia, relia, revia-me em algumas passagens, engolia calada os sentimentos e saía de fininho, não fosse alguém me ver.

Hoje saí do armário, resolvi comentar.

Jade, pode, até, andar tristonha por não ter um companheiro mas não se rale por isso. Tem amigas com quem conversar, com quem rir, com quem ir às compras ou apenas tomar um café.

Digo-lhe, é uma afortunada!

Eu tenho marido sim, tenho filhos sim, mas não tenho amigos nem amigas.

O meu melhor amigo é o meu portátil que me liga ao mundo e às coisas que gosto. Há lá coisinha mais deprimente?

Gostei de saber que é sagitariana como eu. Percebi isso enquanto lia o post sobre o famosérrimo programa da T.Guilherme, que ainda não vi. O seu desprendimento em relação ao que os outros pensam é típico.

Continue a escrever para eu ter o que ler.

Beijinhos
Ana

Jade disse...

Ana, entendeu-me mal. Eu não acho cobardes os leitores que lêem o blogue silenciosamente e se abstêm de o comentar, longe disso, prezo muito as liberdades indiviuais. Para mim, os cobardes são os que o usam para me deitar abaixo nas minhas costas, de forma suficientemente idiota para eu acabar por saber de tudo por terceiros. Esses é que são tristes. Apareça sempre, comentando ou não. Quanto ao resto, o ser humano é por definição insatisfeito. Todos achamos que a felicidade reside no que nos falta. Possivelmente não será bem assim, mas acho que é inevitável. Beijinhos