Diz que quem arruma a casa, arruma a cabeça. Hoje falei com uma amiga que passou grande parte das suas férias a arrumar os roupeiros e as gavetas em que não mexia há muito tempo... há tempo demais, diz ela, que vergonha, acrescenta, em simultâneo com a frase, andei a deitar contas à vida...
Por todo o lado, as caras que me rodeiam são pouco felizes. Não diria que são infelizes, mas são, sem dúvida, caras preocupadas, cansadas, desiludidas ou ansiosas. A minha não foge à regra. Parece que, em altura de fim de férias, tudo o que vejo é cansaço, e também eu me sinto já cansada, imersa no que tenho para fazer já, e também no que me espera num futuro próximo. Anda muita gente deprimida, triste, insatisfeita com a vida, com os acontecimentos ditados pelos acasos, com as atitudes das pessoas próximas que julgam, em vão, conhecer. Estou eu também a deixar-me levar pelo desânimo geral, pelo meu em particular.
Em tempos, em tempos já idos e, no entanto parecem ainda tão recentes, também eu fui enredada nas teias de uma depressão, que os médicos, na altura, disseram ser leve. Leve, mas demorou seis meses a tratar, felizmente sem deixar marcas ou dependências físicas.
Nunca consegui perceber qual a gota de água que, na altura, fez derramar o copo, causar uma semana de privação de sono e atirar comigo para um médico in extremis, mas sei o medo que permaneceu depois do tratamento, o medo de uma recaída, do regresso a anti-depressivos, da volta à questão essencial, estou aqui porquê? Que sentido tem tudo isto, viver para quê?
É agora altura de começar o tratamento de prevenção: tenho tido demasiados maus pensamentos. É altura de me levantar disciplinadamente de manhã, olhar a luz do dia, sair de casa, agradecer estar viva enquanto a água quente do duche me escorre corpo abaixo, repetir a lista de coisas boas que existem e trabalhar para ser feliz. Ser feliz exige esforço, exige luta, tal como tudo o que vale a pena. E é altura de começar a trabalhar. Duas semanas antes do regresso às aulas. Espantar as depressões que aí vêm com o Outono, ao cair das primeiras folhas e das enésimas ilusões.
Por todo o lado, as caras que me rodeiam são pouco felizes. Não diria que são infelizes, mas são, sem dúvida, caras preocupadas, cansadas, desiludidas ou ansiosas. A minha não foge à regra. Parece que, em altura de fim de férias, tudo o que vejo é cansaço, e também eu me sinto já cansada, imersa no que tenho para fazer já, e também no que me espera num futuro próximo. Anda muita gente deprimida, triste, insatisfeita com a vida, com os acontecimentos ditados pelos acasos, com as atitudes das pessoas próximas que julgam, em vão, conhecer. Estou eu também a deixar-me levar pelo desânimo geral, pelo meu em particular.
Em tempos, em tempos já idos e, no entanto parecem ainda tão recentes, também eu fui enredada nas teias de uma depressão, que os médicos, na altura, disseram ser leve. Leve, mas demorou seis meses a tratar, felizmente sem deixar marcas ou dependências físicas.
Nunca consegui perceber qual a gota de água que, na altura, fez derramar o copo, causar uma semana de privação de sono e atirar comigo para um médico in extremis, mas sei o medo que permaneceu depois do tratamento, o medo de uma recaída, do regresso a anti-depressivos, da volta à questão essencial, estou aqui porquê? Que sentido tem tudo isto, viver para quê?
É agora altura de começar o tratamento de prevenção: tenho tido demasiados maus pensamentos. É altura de me levantar disciplinadamente de manhã, olhar a luz do dia, sair de casa, agradecer estar viva enquanto a água quente do duche me escorre corpo abaixo, repetir a lista de coisas boas que existem e trabalhar para ser feliz. Ser feliz exige esforço, exige luta, tal como tudo o que vale a pena. E é altura de começar a trabalhar. Duas semanas antes do regresso às aulas. Espantar as depressões que aí vêm com o Outono, ao cair das primeiras folhas e das enésimas ilusões.
6 comentários:
Cara Amiga
A vida é damasiado curta para a gastarmos em maus momentos. A nossa passagem é demasiado rápida e quando pensamos que temos o poder de reter e controlar... é como a areia da praia a fugir-nos entre os dedos.
Cabeça levantada e sorriso largo
PS: Conselho de amigo. Talvez estejas a precisar de mudar de ares e deixares a "cidade de Deus" (ainda me vais ter de explcar o porquê desse nome) vem ai um novo ciclo de 4 anos, deverias começar a pensar na tua vida para o ano
Bjs
Sem dúvida, meu amigo. Uma mudança de ares começa a ser, finalmente, levada muito a sério nas minhas conjecturas relativas a um futuro próximo. Beijos
Nunca tentei mudar de ares, nunca vi na "fuga" uma solução... Sempre tentei olhar-me bem lá no fundo e colocar cada peça no seu lugar e assim construir ou reconstruir a imagem (roupeiro) que procuro; ou melhor o rumo para o destino que desejo e assim a vida tem sido por vezes dura mas sempre belíssima...
O livro é fantástico e percorre uma linguagem muito rica, desde os nomes até aos adjectivos toda a frase é um sonho...O texto percorre um mundo muito bonito, não deixando de estar emoldurado numa pobreza muito dura.
Miguel
Olá, Miguel, bem-vindo. Nem toda a mudança é, em si mesma, uma "fuga", nem deve ser assim considerada. Os lugares esgotam-se e não devemos viver insatisfeitos, devemos, sim, lutar por nós mesmos, procurar sítios com que nos identifiquemos mais, não nos deixarmos acomodar por circunstâncias e não ter medo de um diferente que pode sempre ser melhor. Beijinhos,
Jade
Ás vezes vamos abaixo muito depressa e em maior parte dos casos nunca sabemos porque. Já passei por isso e sei o medo que a recuperação traz. No fundo temos que aproveitar cada momento que aqui estamos, a vida passa depressa e apesar de antes nunca o achar a cada minuto que passa cada vez tenho mais certezas disso.
Beijos!
Tens toda a razão, Lil. O pior de tudo é o medo, o termos passado lá, o sabermos o fácil que é tudo desmoronar por pormenores que nem sabemos identificar. O tomarmos consciência de que não acontece só aos outros. Passei 30 anos da minha vida a acreditar que era imune a depressões, e assusta-me agora saber que não sou.
Bjs
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