segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Momento da Verdade

Há uns dias atrás, n' "avidinhadeumagaja", a Susana tinha um post muito breve, mas hilariante, sobre a relação de uma insónia dela com o novo programa da Teresa Guilherme, em que se fazem perguntas indiscretas a pessoas ligadas ao polígrafo, em troca de quantias avultadas de dinheiro. Nessa altura não comentei o post, não tinha visto o dito concurso, não tinha grande opinião sobre o assunto. Ontem, à espera de uma das minhas séries da madrugada, apanhei um "Especial", e fiquei parva da minha vida: o tipo de perguntas, as respostas, os familiares e amigos a participar em directo nos segredos mais íntimos da "vítima", a saída pública do armário, ao que isto chegou.
Prezo muito a minha intimidade. Tenho segredos bem guardados que hão-de morrer comigo. Não se trata de vergonha, não há muita coisa na vida de que me envergonhe, e as minhas vergonhas passam muitas vezes pelo facto de terem sido públicas e, por isso, não se inserirem na categoria de segredos. Os meus segredos não são cabeludos, hediondos ou vergonhosos. São íntimos, são especiais, são meus e de outras pessoas que os partilharam comigo, são factos, acontecimentos, memórias boas e más, situações que me fizeram crescer e aprender, que fizeram de mim o ser humano que sou hoje, permanentemente em construção, que fizeram de mim melhor e pior pessoa. É a tal privacidade, de que eu tanto falo e que tão pouca gente respeita. Os meus medos mais profundos são inconfessáveis. É inconfessável o que considero os meus pontos fracos, para não correr o risco de ser manipulada. Ninguém tem nada que saber o efeito que têm em mim determinadas palavras, sempre as mesmas, ninguém tem nada a ver com a forma peculiar e única com que vivo a minha vida.
A minha mãe passou-se quando soube que eu tinha um blogue. Leitores deixaram comentários a textos dizendo "nunca tinha comentado antes por escreveres coisas muito pessoais". Houve amigos meus que deixaram de fazer comentários porque "havia muita gente a ler". Já várias pessoas me aconselharam "não te exponhas tanto, olha que quem te lê não são só amigos". Compreendo as preocupações de todos. Mas apesar de parecer, muitas vezes, inconsequente e irresponsável, sei bem o que faço, tenho uma ideia bastante aproximada dos olhos que me lêem, e em caso de dúvida, pondero quais as piores pessoas que podem ler o que escrevo e... não me podia estar mais nas tintas.
O facto de tratar as coisas pelos nomes, de assumir desaires sentimentais, de me confessar triste por estar só, de aceitar o facto de ter, provavelmente, levado com os pés do homem da minha vida, de me auto-caracterizar como uma pessoa sem a mínima paciência para a hipocrisia que impera em tudo o que é sítio, tudo isto, faz de mim uma pessoa mais vulnerável? Não creio. Que me importa a mim que gente cobarde leia o blogue às escondidas e aproveite para dizer mal dele e de mim, nas minhas costas? Sou eu, a fraca? Ou são esses, os leitores que não assumem sequer uma ideia original, enquanto batem nas dos outros?
Desengane-se quem acha que este blogue é uma exposição pública da minha vida privada. Para isso tenho um diário, boa? Desengane-se quem acha que, lendo o blogue, tem matéria para lançar o boato e fomentar a escandaleira. Tem matéria para cortar na casaca, isso sim, mas meus amigos, se não fosse pelo blogue, seria por outro motivo qualquer.
Não ligo puto ao que diz de mim quem de mim não gosta. Não ligo pevide a quem me critica e não assume os próprios telhados de vidro, porque não há quem não tenha uma bela estufa recheada de vidros por todos os lados. Que falem. Que critiquem. Que lancem veneno. No fundo, cai tudo em saco roto. Quem me conhece, só se pode rir. E às vezes, avisar-me preocupado "não te exponhas tanto, pá..." Mas sosseguem: se fizerem uma análise cuidada, não me exponho mais aqui do que na sala de professores, onde falo alto e em bom som, só digo baboseiras e passo, muito convenientemente, por atrasada mental.
Porque vos garanto, os meus maiores segredos, o que de mim há de íntimo, no melhor e no pior, nem todo o dinheiro da Teresa Guilherme me faz revelar. Muito menos um blogue para o qual escrevo à borla...

13 comentários:

Shadow disse...

Sagitario ou leão, certo? ;)

Anónimo disse...

Olá Jade.
Cem por cento de acordo com o exposto no seu blog. Eu tenho 2 blogs. Só um amigo conhece o mais româmtico, enquanto o outro dou-o a qualquer um.
Isto para lhe dizer que, escreva o que quiser, dane-se para quem faz comentários.
A grande questão é que a Jade tem coragem, jeito e sensibilidade para escrever.Eles não têm e sente talvez uma pontinha de inveja por ser a mulher que é.
Preserva a sua vida. Faz muito bem. Escreve o que sente e o que lhe apetece, e sinceramente, adoro ler o que escreve. Grandes lições de vida, e acredite sou mais velha... O que leio em si, faz-me reflectir e pensar que há gente jovem com mais siso que muitos maduros(as), que mais não fazem pregar a moral e bons costumes... aos outros, (sabe-sa lá dentro de casa!)

Quanto ao programa da Teresa Guilherme, motivo deste seu post e do meu comentário também, ainda não vi. Vi o comentário em directo com a Rita Ferro Rodrigues e fiquei abismada com o que vi e ouvi. Exploração da vida íntima de cada pessoa em troca de dinheiro???? Mas o povo português gosta disto... Quer ser famoso a todo o custo. Aparecer na TV, nas revistas, ser falado...
Repare nos programas da manhã e tarde da SIC. Raramente vejo porque não tenho tempo para iso, mas nas férias dava uma olhada e verifiquei que falam da vida alheia dos "famosos", como se fossem psicólogos os psicanalistas( eu penso, eu acho, talvez...) seja lá o que for.
Rídiculo.
Estudei, sou professora como a Jade, dou tudo para incutir regras e valores aos alunos, e vêm estes imbecis, desculpe-me a palavra, receber uma dinheirão(não faço a menor ideia quanto) para falarem do penteado de A, da traição de B, da bofetada que C deu em D,... Enfim, é desta forma que se ganha dinheiro e nós, os trabalhadores a sério, descontamos para essas pessoas que adoram ser faladas e ter status.
Orgulho-me de ser uma pessoa humilde, sensata, e viver a vida discretamente
Obrigado pelo seu post.
Leio o seu blog com muito carinho.
Um bj
Maria (a anónima dos comentários)

Jade disse...

Shadow, sagitário... na mouche!
Maria, eu adoro os comentários, acredite. Na esmagadora maioria das vezes são super simpáticos, o que ajuda, claro, mas se forem críticas construtivas e sem maldade são igualmente bemvindas. Eu estou-me borrifando é para os que não comentam, os que não dão a cara, os que me conhecem e usam o que eu escrevo para me denegrir a parca imagem que, confesso, não me preocupa sobremaneira construir como politicamente correcta. Para esses é que me estou nas tintas. Para os cobardes, os maldosos, os infelizes e os frustrados. Para os que não elogiam ninguém, criticam toda a gente e lidam pior com o espelho do que eu mesma, porque nem cara têm para assumir que assim é. Um beijo.

Anónimo disse...

Olá Jade,

O programa em questão é simplesmente lixo.

Dei conta do dito, pelos jornais dos dias seguintes à transmissão da primeira sessão.

Vi uma parte do segundo e de facto é este o lixo que nos oferecem. Por mim, estou esclarecido.

Quanto ao teu blogue, eu que sou mais velho e já avô, desde que o descobri assim como o da Susana, não passo um dia que não os visite.

Agrada-me a forma como escreves e dá-me muito prazer ler as tuas "crónicas".

Bjs
Pelicano

Shadow disse...

lol, não me espanta. Um dia que nos cruzemos numa sala dos professores deste país fica o convite para café ou francezinha hehehe

Anónimo disse...

e quem fala assim não é gago, quero dizer e quem escreve assim não lhe doem os pulsos.
parabens pelo blog e pelas palavras, gostava de já as ter usado quando sou confrontada com a mesmissima situação, agora já as conheço, obrigada.
beijos grandes e boa continuação.
luzia

Jade disse...

Ao Pelicano e à Maria, que se dizem já Séniores, tenho a dizer que me identifico muito com o tipo de ideias da geração que agora tem cinquenta anos, e mais velhos. A minha mãe tem essa idade e sempre me tratou como igual, nunca como aquela filha convencional, que se educa através do "respeitinho", do "medo", da distância. Sempre foi tipo irmã mais velha, sempre me incluíu na resolução dos seus problemas, sempre tivémos uma ligação muito próxima. Não digo que só tenha vantagens, mas um dos resultados é dar-me especialmente bem com a geração dela, compreendê-la muito bem, e muitas vezes identificar-me melhor com os séniores que com os de idade semelhante à minha. Voltem sempre, e vão deixando os vossos pareceres.
Luzia, acredito que muitos bloggers, especialmente os menos convencionais, lidem com gente cretina. Temos pena, mas somos superiores a isso. Como diz uma grande amiga minha, muitíssimo inteligente, "Os cães ladram e a caravana passa".
Beijinhos

Anónimo disse...

Olá Jade. Obrigado pelas palavras que me dedicou. Sabe? Apesar da idade tenho aspecto de menina, porque todo o meu ar é de menima.Claro que o rosto não engana, mas na escola, alguns colegas que me conhecessem há anos ficaram estupefactos quando souberam a minha idade,poruqe tive redução na carga lectiva.
Mas isso não me incomoda. Quando a minha mãe tinha a minha idade eu achava que era uma idade longínqua. Agora, e minha mãe faleceu há bastantes anos, eu sinto que foi tudo muito rápido. Sinto-me bem com a idade que tenho, acho que a pior foi a dos 30s, por motivos amorosos, e por isso dediquei-me á profissão e família.
Tenho aspecto jovem sim, porque, felizmente , e a Jade pode confirmar isso, as mulheres da minha idade têm imensas oportunidades e pontencialidades de parecerem mais jovens. As roupas, os acessórios e principalmente os penteados, tornam-nos muito distante das mulheres de há 30 anos atrás.
Regozijo-me de ser uma mulher actual, sou chata com os alunos, cota, mas fisicamente ainda estou bem e, como acompanho gente de todas as idades também ajuda-me a estar actualizada e aceitar as mudanças.
Obrigado pela atenção que me dá. Fico feliz por isso.
Vou dar-lhe um nick de um blog de uma jovem estudante do secundário. Miúda fantástica, escreve bem e com quem oatilho também os comentários.Tal como a Jade, vou ver o blog dela dia a dia. Vá lá. Leia e veja que ainda há jovens maduros.
Um beijo
Maria

Site do Sapo, escreva em procurar, a palavra "iduna" e aparece o endereço the art of reality.
Vai adorar.

Anónimo disse...

Jade, desculpe-me as falhas.
Escrevo depressa e não me apercebo. Sou professora, não tenho desculpa.
Beijo
Maria

Sol disse...

Jade, esse programa é a imagem da degradação da nossa sociedade. É o retrato mais fiel da inversão de valores que todos os dias encontramos.
Mas quando leio blogs como o teu, percebo que ainda há gente com "as ideias no lugar" mesmo que, às vezes, a toque de caixa de um ansiolítico qualquer.
És coerente. Gosto mt de te ler.
Quanto aos comentários, quem tem um blogue expõe um bocadinho da alma. E ainda bem. Enriquece os outros e ajuda-nos a conhecermo-nos a nós próprios. Há gente pequena em todo o lado. O mundo está cheio de ressabiados que jogam a vida a tentar destruir a vida dos outros. E para tanta frustração não há comprimidos que resultem. É deixá-los estar.
Falem bem ou falem mal, mas falem (adoro este lugar comum)!
Beijinho *
(Pelos vistos sou a junior deste blogue lol)
=)

Anónimo disse...

Nem mais.
É assim mesmo.
Sagitário, mas já do fim do signo, ou não?

Anónimo disse...

Pois eu concordo plenamente contigo! Continua a escrever esses textos fantásticos porque eu gosto muito de os ler!
Bjns!

Jade disse...

Rosa Xhoque, Sagitário puro de 10 de Dezembro... mas arraçado do péssimo ascendente subterrâneo que traz o Escorpião!
Cuidandodemim, muito obrigada, volta sempre. No fundo, o objectivo de um blogue é pôr as pessoas a falar e a debater, a concordar ou a rebater ideias; Gosto é que as coisas sejam feitas de forma limpa. Prezo muito a higiene, gosto de cheirar bem, tanto fisica como, muito mais importante, a nível do carácter.
Sol, costumo dizer que a coisa mais importante da vida é a coerência. Com isto não quero dizer que as pessoas não mudem de ideias, de vida, de espaços, de amigos, de amores, não. Devem é ser coerentes a nível de valores, e, sobretudo, das coisas que apregoam e, de facto, fazem. Palavras leva-as o vento, é nas atitudes que demonstramos quem somos. E se o que dizemos não é coerente com o que apregoamos, aí não passamos de grandes fraudes. E eu detesto sentir-me defraudada. Beijos