Hoje começaram as aulas, e sinto-me um bocadinho mais feliz. Não é que goste de me levantar de madrugada, nem que me apeteça começar a passar o meu tempo de ócio a ver testes diagnóstico, nem que me sinta útil por aí além, é certo e sabido que se há alturas em que me sinto uma perfeita incompetente é no regresso às aulas com alunos que não se lembram de nadinha do que eu disse no ano transacto, e que olham para mim como bois para o Taj Mahal de cada vez que lhes faço uma pergunta básica... mas, ainda assim, é nas aulas que sou mais feliz. Isso revela, por um lado, o triste e deprimente que é a minha vida; mas por outro, dá-me a leve consolação de ter, de facto, uma vocação. Esteja à altura dela ou não. Os alunos continuam a arrancar-me gargalhadas genuínas. É com eles que vou pondo em prática o meu lado terno, que anda esquecido há tanto tempo. É para eles que canalizo os meus sorrisos mais bonitos, a minha paciência mais estóica, uma ou outra meiguice, palavras raras como "querido/a", "lindo /a", "filhote", princesinha", enfim, o melhor de mim. Gosto de mim com eles, gosto de mim entre eles e gosto da ilusão que eles me dão de gostar de mim.
Só não gosto do que vou fazer a seguir, que é trabalhar... por e para eles. A vida é assim. E não é perfeita.
6 comentários:
É importante trabalharmos para os outros. Mas tb é importante trabalharmos por e para nós. Tão importante e tão básico que a gente acaba por se esquecer tantas vezes... Há uns tempos alguém me dizia que estava em epoca de auto-adoração, eu acho que vou começar (só estou à espera de um bocadinho de coragem)!
Boas aulas! =) *
Jade,
entra com o "pé direito" e olha que não deve ser bem ilusão. Embora não saiba as idades deles, mas para pré ou adolescentes, certamente não conseguem fingir muito
Tretices para ti
É sempre difícil distinguir, nestas idades, os graxistas que nos insultam mal viramos costas, e aqueles que, de facto, gostam de nós. Na verdade, é difícil distingui-los em qualquer idade, e não ponho a mão no fogo por nenhum. Mas sei de quem gosto de verdade. E espero ser retribuída. Quanto a trabalhar para mim, Sol... está difícil. Estou com uma profunda crise de auto-estima, embora não pareça: os meus alunos acham-me a stôrinha mais convencida do Mundo, e eu ajudo à festa quando digo, em voz alta e bem colocada: "Agora todos calados e a olhar para mim, que sou linda!" LOL
Olá Jade. Sou professora também. Os meus alunos são do 2º ciclo e como tem acontecido nos últimos anos, vêm com poucas regras de saber estar, pelo que me tiram do sério.Mas adoro-os. Hoje um rapaz, coisa quase invulgar, veio dar-me um beijo no final da aula. Fiquei estupefacta, porque geralmente as raparigas fazem-no. Eles não!
O que me afecta é que estou no início do ano lectivo, passei o fim de semana passado a trabalhar e este vai pelo mesmo caminho.
Em relação a gostar dos bocados que passa na escola, e sendo a Jade uma mulher que parece ser sensata e boa amiga, tente esquecer as mágoas que tem dentro de si. Eles, os homens, nem sempre merecem que nós, mulheres, soframos por eles.
Tente uma companhia masculina agradável, bom falante, humilde...Não precisa de o amar. Precisa de partilhar conversa, segredos, e carinhos, mesmo que ele seja alguém que não possa ter a todo o momento...
Eu tenho, dá-me muitos carinhos, e por vezes tenho saudade de os ter, e faz-me muito bem...nem que seja, a maioria das vezes pela net.
Pense em si, no seu bem-estar, porque a vida passa muito muito depressa...e por vezes, quando acordamos, já estamos "velhos".
Vá em frente, mas olhe para o lado também. Faça como eu.
Anónima
Caríssima anónima, fez-me vir as lágrimas aos olhos, acredite. Não gostaria de ser uma pessoa inundada em mágoa e solidão, mas se calhar, bem no fundo (ou talvez nem tanto) de facto seja. Ultimamente tenho tido muito essa sensação do tempo a passar, de ficar velha. Pequenos pormenores, pequenos detalhes e... contas feitas, terão passado assim tantos anos? (desde que perdi o meu avô, desde que entrei para a Faculdade, desde que dei aulas a determinados alunos... meu Deus, o tempo foge e a minha vida parece não avançar...)
Tenho alguns amigos desses, mulheres e homens, mas quando me diz que não preciso de (o) amar... aí já tenho as minhas dúvidas. Preciso. Preciso mais de amar que de ser amada. Talvez por isso seja tão imensamente infernal aceitar um virar de costas. Porque tenho a capacidade (ou a maldição) de amar muito para além do tempo em que sou amada. Mesmo que não receba nada em troca a não ser uma indiferença abissal. Beijinhos, volte sempre
Olá Jade.
Não queria pô-la com as lágrimas nos olhos. Sou mais velha 2o anos, já passei por situações complicadas, que tentei superar e vencer. Mas nada magoa mais que ficar sem os entes queridos,e quatro já foram, recentemente uma irmã, que também com o tempo aprendemos a viver sem eles.
Já tive amores, tive receeios, estive anos sem querer um homem, ainda tenho, porque não confiei nos homens. Quando digo que não precisa de amar um homem não estou a querer dizer que não se apaixone, nada disso, mas que encontre alguém que seja seu cumplice e que lhe dê alguma paz que a ajude a enfrentar a vida.
Eu tenho um grande amigo, como já lhe disse, em quem confio plenamente. Gosto dele, faz-me falta, sinto necessidade das curtas conversas que temos, do apoio que me deu quando minha irmã estava muito doente, das carícias que , de vez em quando tenho.Não estou apaixonada, mas aquela presença, o bem estar emocional e a calma que ele me dá, são suficientes para me sentir bem.
Lute pelo seu amor, ame , entregue-se, mas não faça o que eu fiz quando tinha a sua idade...desisti dos homnes. Entreguei-me ao trabalho e á família. Nunca me arrependi, mas hoje penso que cometi um grande erro. Agora tenho sido compensada, mas amar de verdade ainda não amo, nem tão pouco tenho a companhia dele, todos os dias ao meu lado... Nem sempre temos tudo o que desejamos.
Um beijo
P.S.: Adicionei-a no meu blog.
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