Todos os santos dias, desde a publicação do último post, venho ao blogue e olho para o écran em branco. Passam-se minutos nisto, e não consigo dar uma para a caixa. Não há tema que me apeteça desenvolver, não há episódios dignos de registo nos meus dias, não há irritações compulsivas, ao menos isso, a merecer grandes e dramáticos desabafos, enfim, não se passa nada. Inédito. Não me apetece escrever. Passo os olhos pelos meus blogues favoritos, rio-me, sorrio, emociono-me e quando abro o meu, puf! Carruagem vira abóbora, e não tenho nada para dizer. Bloqueei. Ando a tomar vitaminas para a memória e, no entanto, cada vez ando mais destrambelhada. Vou ao quarto e a meio do corredor esqueço-me do que lá ia fazer. Abro um caderno e já não sei o que lá ia anotar. Passo horas a olhar para os objectos como um boi para um palácio, a tentar descortinar que raio de uso lhes queria dar quando lhes peguei. Abro e fecho gavetas como uma mentecapta.
Mas consola-me saber que não sou a única. As minhas amigas estão na mesma e parecemos tolinhas completas imersas em conversas de surdos, cada uma a falar de seu tema, a responder a perguntas que nunca foram feitas, a trocar as palavras e a dizer absurdos, demasiado cansadas sequer para nos rirmos das enormidades que nos saem boca fora, já só suspiramos enquanto perguntamos a cada vinte segundos, o que é que ela disse? , e encolhemos os ombros, esquece!
O que mais me preocupa no meio de toda esta confusão mental, em que o Tico e o Teco ora estão de costas viradas, ora andam às turras, ora se armam em autistas e cantam em voz alta melodias diferentes, o que me assusta, dizia eu, é que segunda começam as aulas e continua a não haver coerência no meu discurso.
E, a avaliar por este post, também não há grande assunto sobre que dissertar.
6 comentários:
Veio.me à memoria ao ler estes 2 posts o antagonismo do querer e não querer e…
como alguém que ficou presa à tua escrita desde que li sobre "Uma ilustre menina da aldeia, hoje universitária, com um dos sorrisos mais doces que já conheci, uma inteligência viva e perspicaz, fã dos U2 num sítio em que muitos não conhecem a Benetton, que lia em voz alta O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá com pronúncia do Brasil, que a professora de Português era uma excêntrica de Lisboa que gostava que os alunos tivessem momentos nas aulas que os marcassem para o resto das vidas."
… decidi hoje escrever aqui só para deixar a sugestão de um livro “O monge que vendeu o seu Ferrari” de Robin Sharma.
Bj*
Não serás a minha irmã gémea separada à nascença? Assim com uns anos de diferença e tudo, não há problema nenhum... A tua escrita traduz sempre o meu estado de espírito. É um sossego saber que não sou a unica "bloqueada" do momento! =)
Beijinho *
Acontece a muita gente...
Vá lá, mesmo que não tenhas assunto, faz como hoje porque escreves maravilhosamente bem e "bom".
Descobri o blogue há relativamente pouco tempo, e sinto falta quando passo e não vejo post novo.
Bj
Bem, vamos por partes...
Shadow, que surpresa, alguém novo que me faz uma citação de um post já antigo... essa ilustre menina da aldeia, que foi minha aluna, é hoje minha amiga. Uma daquelas amigas do peito, tão novinha que ela era e já uma mulher. Ela existe, de facto, e eu tenho muitas saudades dela e da professora excêntrica que eu era na altura. Vou tentar ler o tal livro.
Sol, adorei o teu comentário, a sério. Ainda por cima és do Alentejo. Não sei se já percebeste que a Cidade de Deus, de que me queixo tanto, é Portalegre... e sim, surpreende-me que sejas tão novinha, porque escreves como uma adulta já bem medura nas ideias.
Pelicano... deixas-me sem palavras. Fiquei inchada de orgulho. Que bom!
Voltem sempre.
Bjs da Jade
Olá Jade,
Cheguei aqui porque frequentamos algumas "blogotertúlias" comuns.
Já te leio há algum tempo, porque "descreves visualmente" tudo o que te rodeia e tudo o que sentes. Nunca te comentei, porque achava os teus Post muito pessoais, logo sentia-me pouco à vontade para o fazer.
Perdoa-me agora a intromissão, mas eu detesto ver pessoas tristes.
também conheço a cidade de Deus de que falas (..cidade do Alto Alentejo,cercada de serras, ventos, penhascos,oliveiras e sobreiros,...), gosto muito dela, mas hoje, seria incapaz de ir para lá viver.
Escrever é um exercício mental exclente, como como em tudo, muitas fezes, não nos apetece. seja porque motivo fôs, não nos apetece. Eu refugio-me escrevendo TRETAS, a forma como eu vejo as "Tretas da Vida". quando não me apetece, não escrevo. estive 6 meses sem escrever. Falta de motivação e de tempo, foram a razão.
Retomei há pouco tempo e só a restrição de tempo, impede a regularidade que gostava para escrever.
Já me aloguei!...
Toda esta TRETA era para te dizer que gosto de te ler e que o tema de ontem, teve certamente importância para ti. Isso é o mais importante.
Mas atenção!... Não teve importância só para ti. Teve para mim, para os que te comentaram e para os outros que não o fizeram, mas te leram.
Continua, por favor, mesmo que seja com uma foto apenas, ou uma página em branco. Gracejando, pode ser com o título, "Post em branco"... :)))
Tretices para ti, e desculpa o exagero do comentário.
Tretoso mor, já te tinha visto por aí, já... muito obrigada pelo teu comentário. Uma pessoa que intervém porque não gosta de ver uma desconhecida triste, é uma pessoa que conta com o meu respeito e o meu carinho. Quanto ao resto... tens razão. E fiz um esforço, hoje publiquei novamente, inspirada por ti e outros como tu, que têm vindo em maior quantidade ultimamente, e têm deixado palavras simpáticas como as tuas.
Beijinho, e não te inibas com o tamanho dos comentários... eu também faço comentários longos.
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