quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tem mesmo que ser

Este post impõe-se. Depois do dia que tive, só me faltava acabar Setembro com o número treze nos arquivos. Cruz-Credo, lagarto, lagarto, lagarto...
Começou logo bem, o dia. Trocaram-me as voltas e ia levando com uma falta nas trombas por não ler como deve ser as merdas que estão no placard. Resultado: cheguei esbaforida à apresentação de motas e cães dos senhores da Guarda Nacional Republicana, meia hora atrasada e porque enfim, fui mais cedo dar a minha primeira aula.
Lá estive toda a santa manhã, e até gostei. Primeiro, porque os Guardas eram giros, e tanto homem junto parecia saído de um anúncio da Hugo Boss, tudo a trajar preto integral em corpo musculado e olhos escondidos por Ray-Bans muito fashion. Segundo, porque havia cães. Muitos cães lindos e fofos. Finalmente, por causa das motas. E como bónus, um acidente entre motas, muito espalhafatoso, com a bombeirada toda a acorrer em grande estilo e um dos GNR motociclistas a levantar-se, muito combalido, no meio de uma chuva de aplausos, qual Cristiano Ronaldo a simular pénalti no minuto oitenta e nove. E os putos a perguntar, ó professora, aquilo foi de propósito? e eu, foi, foi, é uma aula viva de prevenção rodoviária! (enquanto pensava, estes gajos são um perigo, grandes maçaricos, assentar na moleskine "desviar-me de todas as motas da BT daqui para a frente...")
Pois, ainda me ri. Não me tinha rido tanto se soubesse que me esperavam seis (sim, leram bem) horas de reuniões à tarde. Seis. Dois Conselhos de Turma. Sim, dois. Eu não sou uma gaja que prime pela paciência. Não fiz o meu mestrado por falta de força de vontade, não estou interessada em fazer agora outro em "encher chouriços". A estupidez deprime-me. E eu, agora que tenho vida, fico verde (verde, não, azul, que verde é uma cor linda...) com reuniões onde se discute o sexo dos anjos. E tive que me passar e dar um par de berros àquela gente. Teve que ser.
Por isso, hoje, impunha-se um post. Depois de uma tarde para esquecer, não podia ir deitar-me com o peso de um treze redondo no blogue. Não, isso é que não. Que amanhã entro às oito e meia da manhã, e com isto vou estar menos de doze horas fora da escola. E isso é mesmo muito ruim. Preciso de toda a sorte do Mundo, eu. Primeiro a minha sanidade mental. Primeiro Eu. Eu. O resto... p*ta que os PAREU! Para rimar.

Bloqueador de Conversa

O post anterior fez-me lembrar uma cena. De utilidade pública, diga-se de passagem. Pública porque, aprendi há pouco tempo, há mais seres semelhantes a mim, pessoas que, por muito bem que a vida lhes corra, acordam mal-dispostas. Pronto, acordar é uma violência, e quando é para ir trabalhar, a violência torna-se ainda mais agressiva.
Hoje inventei o contraponto aos fantásticos "desbloqueadores de conversa" do Markl.
Quando cheguei à escola, perguntaram-me "que cara é essa?"
Em vez da resposta do costume à pergunta mais idiota da história da humanidade, respondi "É a da Penélope Cruz, e se não se nota vou processar o cabrão do cirurgião plástico". Magnífico bloqueador de conversa. Uma cara estupefacta entre um coro de gargalhadas dos espectadores.
Há dias em que me levanto a odiar o Mundo e me vou deitar satisfeitíssima comigo própria.
(e amanhã tenho que cá vir, que também não gosto do número treze e este é o décimo-terceiro post. Vida de blogger é canina)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Numerologia, superstição e parvoíces do género

Este post tem apenas um propósito: o de evitar que fiquem no arquivo onze posts escritos em Setembro. É que "11" e "Setembro" são duas realidades que não se misturam. Juntas, arrepiam-me. As minhas torres gémeas estão muito bem de pé, e não me apetecem aviões metafóricos.
A numerologia e a superstição são assuntos muito parvos, mas diz que eu sou uma gaja muito parva. E a verdade é que a minha vidinha me tem corrido bem. Por isso, e porque yo no credo a brujas, pero que las hay, l'ASAE (e quem sou eu sem um trocadilho infame?), aqui fica o décimo-segundo post do mês de Setembro. Só para que conste que o meu WTC firme e hirto é para ficar. De pedra e cal.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cerebrum

Ontem o parvo do Marco Horácio miava em pano de fundo no Salve-se Quem Puder que andava a Cerebrum. Alguma coisa havíamos de ter em comum. (e quem rima sem querer, é amado sem saber... onde é que andas, McDreamy? perto, perto...).
Anyway, eu e a Mzinha, demasiado ocupadas para mudar de canal, ainda tivémos uns ataques de riso à conta da palhaçada decadente que é aquele programa. Ataques de riso esses que a mim me custaram um recorde no Mahjong, mas enfim, ninguém é perfeito. A verdade é que entre Cerebrum e caminhadas à tarde, as sestas para compensar as poucas horas dormidas por noite por causa da terceira temporada de Dexter, e o tempo em que estive a trabalhar, continuo de rastos. Acho que, em vez de Cerebrum, devia era hibernar o fim-de-semana inteiro. Mas, cacete, são as eleições, e professor que se preze não perde estas.
Lá vou eu, de malas e bagagens, para a Capital, a ver se, para além de exercer o meu direito cívico, dou uma vista de olhos ao Museu da Paula Rêgo e compro umas calças de ganga e uns sapatos fechados, que isto de andar de sandaloca é muito bonito mas na semana passada apanhei uma chuvada valente e constipei as patas.
Entretanto, ofereceram-me uma nespresso... e nunca bebi tanto café na minha vida. Verdade seja dita, há muito tempo também que não tinha tanto sono. Definitivamente, ando com o mundo ao contrário. Quando até com o Marco Horácio me identifico, o céu deve estar prestes a tombar. Ou o céu, ou eu.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Para quem se pergunta...

...que treta é esta, nove posts escritos no mês de Setembro, quatro em Agosto... que decadência é esta? Jade responde, que não quero cá dúvidas que vos tirem o sono: ando com a vida aos trambolhões.
Mas isso é bom, reparem, é sinal de que tenho uma vida. Isto para responder aos amiguinhos que passavam o tempo a chatear-me com a frase "Get a Life!". Pois é, got one.
E mete vícios do cacete, tipo ver de empreitada as temporadas do Dexter (ai, merda, são três da manhã... só mais este), ou jogar Mahjong (Fónix, Mzinha, que espécie de batota fazes tu?), ou passar horas a rir-me alarvemente com o meu melhor amigo, (e já te contei aquela vez em que...) ou outras tantas na conversa ao telefone com a outra-que-não-é-minha-amiga-mas-imita-bem (faz-me companhia no regresso a casa... ok, tás fixe? ouve lá, deves estar a gozar comigo: são tantas da noite e estou a ir para casa, achas que tou fixe? Fuod*-se!).
Isto são coisas que consomem o tempo livre de uma pessoa. Tempo livre que, aliás, anda escasso, que chego a fazer cem quilómetros por dia para não ficar no enclave três horas e meia seguidinhas. Fora o tempo em que estou a ensinar a catraios de nono ano a diferença entre "How are you?" e "How old are you?". Detalhes, pormenores. Coisas de somenos importância, na avaliação adolescente da língua inglesa. How are you? I'm fifteen. Depois desta resposta só me apetece dizer "Me too. I'm fifteen times depressed. And a hundred years old".
E é assim que me falta o tempo para posts. Até para escrever coisas idiotas é preciso ter inspiração. E tempo. E vontade. E eu não tenho. É que agora tenho uma vida. E, por falar nisso, vou ali já venho, papar uns Dexters e tentar fazer mais cem pontos no Mahjong. Não páro, é uma maluqueira! Até... um dia destes.

É um pássaro? É um avião?

Não... é SuperJade no Lava-Mão!!!
Sempre me transcendeu a rapidez, a perícia e a acutilância requeridas para lavar as mãos como deve ser com a bendita solução alcoólica: aquela treta evapora antes de teres tempo sequer para entrelaçar os dedos, que dirá para fazer todo o ritual de contingência...
Depois de apanhar várias pedradas com o cheiro do álcool, e andar aos tropeções pela sala de aula com uma bebedeira do cacete, assumindo todas as deficiências que tenho ao nível da motricidade fina, lá me fui orientando. Practice makes perfect, e agora é ver a SuperJade a desinfectar-se em tempo recorde, lembrando, e superando, McDreamy scrubbing for surgery. (Facto a que não será alheia a minha verdadeira obsessão por ganhar à Mzinha no Mahjong do hi5. Ando a mexer os dedos mais rápido que a própria luz...)
Quanto ao jogo, népias, acho que ela tem algum truque que eu desconheço. MAS... sou recordista nos dois-segundos-dez-dedos. Ah, pois sou. É lindo, lindo de se ver. Very impressive, indeed. E digo-vos, se, depois desta, apanhar gripe A, temos o mundo ao contrário.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

PDI

É uma sigla. Toda a gente acima dos trinta a conhece. Dá para muitas situações. Quando engordas:PDI! Quando emagreces:PDI! Quando tens que comprar uns óculos: PDI! Quando te esqueces do que ias dizer, fazer, buscar, comprar:PDI!
E, depois, há PDIs privados.
O meu ficou hoje bem definido.
Entrei, receosa e insegura, às sete da tarde, numa sala de informática a fim de conhecer o meu "grupo de adultos". Entrei com ar cool, mas as pernas bambas, a pensar "Que cara*ho vou eu dizer que preste a esta gente sobre orçamentos e impostos? Eu que, se não fosse a Mzinha, mandava a aplicação electrónica de preenchimento do modelo 1 do IRS com os porcos? Isto vai ser bonito, vai... vai ser um enxovalho! Esta malta vai logo perceber que não faço a mais pequena ideia do que é suposto ensinar-lhes! Grand'a ursa..."
Ainda estava a passar a ombreira da porta quando noventa por cento dos adultos dizem, em coro, estupefactos: STÔRA?????!!!!
PDI.
Os meus adultos foram meus alunos de Inglês, nos bancos desta mesma escola, há seis anos atrás. Tinham, na altura, entre catorze e dezasseis anos.
Educação e Formação de Adultos? Foram meus alunos de oitavos e nonos anos! Serão para sempre GAIATOS!!!
P-D-I!!!
(mas com grande alívio, confesso, porque estes, decididamente, ainda sabem menos do que eu.)

domingo, 13 de setembro de 2009

Borboletas no Estômago?

Hoje passei o dia com uma amiga a trabalhar em matrizes e testes de diagnóstico. Antes de sair de casa, à conversa com outra, referia-me a ela como "um híbrido entre colega e amiga". Isto porque fomos muito próximas no ano em que dei aulas nesta escola em que agora efectivei, mas apesar de morarmos pertíssimo uma da outra, afastámo-nos completamente quando mudámos de escola. Por nada. Porque é a vida. Sem simpatias ou antipatias, sem cobranças, sem telefonemas no aniversário e no Natal, sem cafezinhos ao fim-de-semana.
Hoje, depois de cotações, competências e parâmetros, começámos a pôr em ordem a vida. Seis anos de novidades, por esta altura transformadas em velhos trapos que cheiram a bafio. Recuperou-se a cumplicidade perdida. Falou-se das escolas, das famílias, da saúde, dos amores.
Este último assunto deu, obviamente, pano para mangas. Para a camisola inteira, para ser mais precisa, com um longo cachecol a condizer. Dei por mim a contar-lhe as minhas desventuras e a desencadear ataques de riso incontrolável nesse processo. Dei comigo a fazer piadas e trocadilhos parvos à conta das relações estranhíssimas que tenho tido desde há seis anos para cá. E sempre com ela aos risinhos em pano de fundo, a dizer, não te podes queixar da monotonia; e eu a recalcitrar, ora obrigadinha, só me saem duques e cenas tristes, cacete, achas isto normal?
Já era noite cerrada quando ela remata, muito séria, e não tens saudades das butterflies in your stomach? Calei-me um milionésimo de segundo, a ponderar. Não é assunto em que me apeteça muito pensar, nesta fase da minha vida. Veio-me à cabeça dizer-lhe "In my stomach? Antes queria uma lasagna ou um chao-min com gambas". Em vez disso, respondi-lhe "E se fôssemos jantar ao chinês?'"
No meu estômago, de momento, prefiro alimentos que me dêem boas digestões a insectos coloridos e alados. Seriously. Definitely.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Crónicas Gripais, 2

O Plano de Contingência atirado à cara dos amigos com ar de superioridade:

Esplanada. Jade e S. tomam um café depois de almoço. S. espirra. Põe a mão à frente.
Jade: Não é assim, pá. Espirras para um lenço de papel ou para o antebraço. Não vês TV, não lês jornais, não dás aulas?
S: Dá cá um "passou-bem"!...

Já Churchill dizia "adoro aprender mas detesto ser ensinado".

Crónicas Gripais, 1

O Plano de Contingência explicado às criancinhas:

Aluno-por-enquanto-sem-nome-que-já-lá-vai-o-tempo-em-que-a-minha-memória-dava-conta-do-recado-nos-primeiros-dez-minutos: ó professora, se espirrarmos para o chão, sem pôr a mão à frente, temos que o limpar?
Jade (seríssima): se as solas dos teus sapatos não forem diabéticas, asmáticas ou obesas, e os teus colegas não entrarem na sala a fazer o pino, acho que não é necessário.

(alunos arregalam os olhos, mas não se atrevem a rir ou a comentar. Se fosse no ano passado, não faltaria...)

Corrijam-me se estiver enganada...

... mas hoje é sexta-feira, ou não?
Tenho ideia de que é o que o calendário diz. Vaga, a ideia. Porque se me perguntassem seriamente, e se eu não me envergonhasse da figura triste que faria, responderia, hoje? ora bem, a avaliar pelo trabalho, pelas reuniões, pelos boatos, pelas vezes em que me deram instruções precisas e logo a seguir as retiraram, a avaliar pelas sensações de estar com a cabeça em água e o corpinho a pedir cama, a avaliar pelo número de viagens, pelas horas em frente a écrans, pelo tempo que parece que passou, hoje deve ser décima-oitava-feira. No mínimo. E descontando os tempos de lazer, que eu sei que houve, mas que ficaram perdidos algures na exaustão do Tico e do Teco.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ainda Assim...

... hoje, que já é dia, o tal dia, o meu dia, o dia em que me vestiria de suspiro para fazer os dez metros barreiras (melhor do que o Bolt, que as minhas barreiras iriam enfiadas nas patas sob a forma de salto agulha de vinte centímetros) para ir ter com um gajo vestido de pinguim, hoje, dizia, vou celebrar o dia do meu não-casamento... e vestir-me de branco integral para ir às reuniões de conselho de turma.
Se alguém me perguntar porque vou vestida de enfermeira, hei-de responder que faço parte do plano de contingência anti gripe A... e esperar que nenhum dos meus novos colegas tenha fêtiches com meninas desse ramo profissional.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Anúncio Público

Aos que se lembraram, aos que ligaram, aos que compraram roupas, aos que enviaram presentes em dinheiro e electrodomésticos. Aos que choraram, aos que se desesperaram, aos que tentaram o suicídio, aos que foram internados com depressões. Aos que tentaram demover-me com argumentos racionais, aos que berraram comigo, aos que se riram, aos que gozaram o pratinho e aos que desistiram de me demover.
A todos esses, o esperado anúncio:

O meu casamento, marcado aquando da eleição das Sete Maravilhas do Mundo (se bem se lembram, a sete do sete de dois mil e sete) para a data mágica de nove do nove de dois mil e nove, amanhã, portanto, foi adiado para doze do doze de dois mil e doze. A pedido de várias famílias. Sobretudo da minha, que é pequenina e pobrezinha, mas é minha... e não queiram ver a minha mãe virada do avesso.

Assim, a frase mantém-se, "nesse dia caso, quer tu estejas, quer não estejas". A data é que mudou: "diz que" ainda não estou preparada para semelhante sina.

É Oficial

... encontro-me em estado de negação.
Só um estado de negação absoluta justifica que esteja toda a gente prestes a cortar os pulsos com o trabalho de arranque do ano lectivo e eu me apresente de ar blasé em tudo o que é reunião. Como se nada fosse e aquele filme não me dissesse respeito.
E depois, porque ainda há escolas com algum bom senso, a minha colega de casa tem o descaramento de dizer que esta semana não põe cá os pés, já que as horas que tem de escola são tão poucas e concentradas que justificam fazer a viagem de regresso ao lar paterno.
E eu, sem Mzinha a trabalhar e a inspirar-me a fazer o mesmo, não faço ponta de chavelho. E nem sequer me pesa a consciência, de verdade.
Em vez disso, vou jantar fora. Ou arranjo quem venha jantar comigo. Ou vou caminhar e espairecer. Ou voluntario-me para fazer traduções literárias que me dão um gozo desmedido(basicamente como se estivesse de férias, e me pudesse entregar a actividades lúdicas, a hobbies, às paixões de sempre). Ou vou tomar cafezinhos sempre que sou desafiada. (já devo ter o sangue da cor da cafeína). Ou vejo as temporadas das minhas séries favoritas que me chegam de surpresa à caixa de correio. Ou falo horas ao telefone com os que estão longe.
Ando ocupadíssima. Num virote. Parece é que estou num filme surrealista. Só num filme surrealista eu poderia ser a personagem-zen quando o resto do Mundo está a alucinar histericamente. Por isso, acredito mesmo, e declaro solenemente, que é oficial, estou em negação, e não tarda sou despedida da função pública.
Claro que a culpa será, em último caso, dos meus amigos. Ou deste calor que não me deixa pensar, processo que mesmo em dias frios já é suficientemente raro e doloroso...
E agora vou ali já venho, deitar-me e dormir, que estar ao computador lembra-me das coisas que tenho que fazer... ou melhor, teria, se acreditasse mesmo nisso.

domingo, 30 de agosto de 2009

Friendly Month

Agosto foi um mês amigo.
Em Agosto recolhi-me ao carinho maternal, expresso em quatro refeições diárias, muitas sobremesas e risos, muitas séries de culto a duas, algumas idas ao cinema, infindáveis cafezinhos, horas perdidas em shoppings, muita brincadeira com as mascotes da família. Em Agosto apaziguei saudades da cidade-berço, sem as matar, que as saudades do que está longe são imortais. Vagueei pelas ruas a pé, senti o cheiro próprio do metro, ouvi os ruídos familiares do trânsito, dos aviões, das ambulâncias, sons que não se ouvem por aqui. Os sabores da fast-food, e daquele bitoque específico, dos melhores croquetes do Mundo, dos pastéis de nata verdadeiros. Porque será que os sabores que nos marcam a infância jamais são superados por nada de novo que apareça?
Agosto foi um mês amigo.
Reconciliei-me com as minhas paixões. Li até ter que ir ao optometrista comprar uns óculos fashion por me doer a cabeça de modo infernal. Li, e li coisas brilhantes. Redescobri Marguerite Duras. Fui apresentada a Siri Hustvedt. Emocionei-me com o deserto do Miguel Sousa Tavares. Voltei a dar sonoras gargalhadas com o perspicaz Bryson. Entrei em vários mundos desconhecidos, fiz amizades com personagens estranhas e neuróticas, aventurei-me em estranhas paisagens e outros tempos. E vi filmes, fui ao cinema, abandonei-me ao DVD. Vi dois de que gostei muitíssimo, nenhum no cinema: “Seven Pounds” e “Into the Wild”. Sobre eles nem vou falar, por achar que qualquer coisa que diga fica aquém. Aconselho ambos vivamente, e a banda sonora de “Into the Wild” a duplicar.
Agosto foi um mês amigo.
Depois de sair da escola do ano passado zangadíssima com muita gente e decepcionadíssima com outra tanta, depois de ser testemunha e vítima de deslealdades que não consigo adjectivar de outra forma senão nojentas, e de ter ficado literalmente doente à conta do que a personagem de “Into the Wild” chama “Sociedade” ou a tendência que o ser humano tem de fazer mal aos outros naquilo que pensa, iludido, ser para benefício próprio e só o diminui, empobrece e apodrece, eis que, em Agosto-Amigo, um amigo com quem me tinha desentendido umas semanas antes, me dá provas da sua lealdade e integridade, num momento em que não tinha que o fazer nem eu o esperava. Saiu das suas férias e do seu mundinho, para me defender por escrito e em relatório, de uma acusação pouco justa a uma nota por mim atribuída. E depois de tanta traição, facadinha nas costas ou silêncio desleal por parte de tantos, o meu mundo emocional esboçou um sorriso. Não, nada está perdido enquanto não for eu a única a defender aqueles de quem gosto e houver outros a fazer o mesmo por mim sem precisar de lhes pedir.
Agosto foi um mês amigo.
E foi um mês de amigos. Depois de quase dois anos sem falar ao melhor de todos, depois de muito empenho e luta da minha parte, que sou uma tipa pouco dada a orgulhos e preconceitos, quando os fins são bens maiores, consegui o meu melhor amigo de volta, incondicionalmente. E parte do meu prédio, aquela parte que se assemelhava à Torre de Pisa, a vergar de um dos lados, endireitou, quando o alicerce que lhe faltava se reconstruiu e solidificou. Todo este blogue foi escrito na sua ausência e foi espelho dela, da falta que ele me fez em períodos difíceis. Apesar dos pesares, considero que, por muito errado que seja projectar o nosso equilíbrio em seres extrínsecos à nossa essência, a felicidade só é real quando partilhada, outra frase do “Into the Wild”. E a minha vida é mais colorida e muito mais saborosa com o seu sorriso familiar, o seu mau humor cáustico e a sua visão céptica do mundo e das pessoas, características essas que encontro decalcadas em mim e abolem o meu permanente sentimento de otherness, de alienação.
E foi um mês de amigos. Passei uma semana no Algarve com uma das melhores amigas que tenho, e toda a sua família. Convivi com crianças e adolescentes num plano distinto do ambiente escola. Fez-me bem à sensibilidade, à capacidade de sonhar, à imaginação e ao riso espontâneo, aquele que não tem laivos de ironia ou amargura, e que foi meu companheiro exclusivo durante tanto tempo.
E foi um mês de amigos. E against all odds, saiu-me o euromilhões nos concursos de professores. A Mzinha está de volta a casa. Quem diria? Se cada um tem o que merece, eu devo ser uma gaja mesmo especial.
Agosto foi um mês amigo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

What Makes my World Go Around

Dizem que o amor move montanhas, mas eu nunca vi. As que conheço estão, desde sempre, no mesmo sítio, e agradeço que por lá se mantenham que tenho um verdadeiro horror a terramotos e falhas tectónicas.
O que faz girar o meu mundo é o permanente (des)equilíbrio entre duas das minhas principais características, a inércia e a impaciência. Uma impaciência a que os ingleses chamam restlessness, um tipo peculiar de desassossego para o qual agora não consigo encontrar tradução à altura.
E, se bem que a minha inércia me diga, fica, estás aqui tão bem, no meio da tua cidade, na casa onde nasceste e cresceste, com a pessoa que mais te é familiar e mais te ama e mima, no meio dos teus livros e dos teus shoppings, e dos restaurantes de que sentes tanta falta na província, e dos cinemas e das livrarias, a verdade é que, de há uns dias para cá, a outra voz começou a ser mais insistente. A murmurar praia, noitadas, amigos.
E pronto, do nada, vou para o Algarve e até Setembro não haverá novas por estas bandas, que já andam, de resto, abandonadas quanto baste que, como escrevi ainda hoje numa sms que enviei a um amigo, "tenho lido muito e escrito muito pouco".
Espero voltar revigorada. Gostaria de voltar com uma noção mais tangível àcerca do vocábulo férias. É que as férias ainda não tiveram grande sabor, este ano. Parece que ainda estou em ressaca e já lá vai um mês. Acho que vai ser caso para dizer que quando me estiver a habituar ao ritmo, ei-lo que acaba.
Até ao meu regresso, deixo-vos as palavras queridíssimas do Solnado: façam o favor de ser felizes. Cá estarei para dar notícias na rentrée.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Bilhete Postal para a Sôdôna Gripe A (e não só)

Eu quero que você me ESQUEÇA neste Inverno...

... e que TUDO MAIS vá p'ró Inferno!!!