É que foi uma semana santinha: para além das reuniões canceladas (que me vão lixar a próxima semana toda, mas enfim, quinta é feriado, que se lixe!), hoje a escola não teve alunos por falta de funcionários e passei lá a manhã a adiantar coisas que estavam na lista do a-fazer quase desde Setembro. A formação moodle, agendada para as cinco e meia foi antecipada para as quatro, de modo que estava despachada às sete, a tempo de vir para casa jantar calmamente e beber uma sangria feita pela Mzinha, com frutos silvestres, que estava de estalo. Ai, a canela no fundinho do copo, que delícia!
Assim, julgo que o meu bom humor já não será da moca dos comprimidos: quando as coisas correm bem, a pessoa anda mais leve. E também ajudou, claro, falar dos meus desastres amorosos e ouvir o Doc, há uns tempos, dizer “ a culpa não é tua, devias ter mandado esse gajo tratar-se”… e, desta vez, “mas esses tipos são uns filhos-da-mãe, como podes tomar histórias dessas como exemplo?”, ou algo neste sentido.
A verdade é que são as minhas histórias. Bem ou mal, estou envolvida nelas e não soube, eu também, proceder de modo diferente. O Doc diz-me que não me sei impor, definir um espaço e marcar limites que não podem ser ultrapassados. Eu digo que não sei agir como aquelas tipas que fazem ultimatos e conseguem tudo o que querem dos gajos. Eu dou-lhes liberdade e responsabilizo-os pelas suas ações: jamais vou à procura do prejuízo. Viro costas, se a coisa é mesmo grave. Na maior parte das vezes, engulo em seco e permito que me magoem. Ele diz que não há nada de errado comigo, mas que tenho que aprender a dar coices, mesmo quando tudo está bem. A não fazer concessões no que julgo importante, mesmo quando tenho borboletas no estômago e as pernas a tremer. Eu não sei se sou capaz. Mas também lhe disse que isso não é fundamental agora, não é prioridade, porque depois da última, não acredito que me volte a apaixonar tão cedo. Envolvimentos, então, longe! E o Doc ri-se, faz-me cara de dúvida e aposta no tempo. Eu aposto na sorte, que comigo nunca é muita, e prefiro dedicar-me a outras coisas que me divirtam e me façam rir. E em pessoas que gostem de estar comigo e me mostrem isso.
A verdade é que, assim, ando muito bem humorada e acho que já não é dos comprimidos. Assumir as minhas vontades e os meus limites, conviver com os meus caprichos e as minhas exigências, aceitar que tenho o direito de querer mais e que me deem mais, porque eu também dou e eu também cedo, e eu faço tudo para que não haja dúvidas e confusões e, como tal, dou o exemplo e não peço nada que não retribua, toda esta aceitação, está a fazer de mim uma pessoa muito mais saudável e serena. Quem está, está. Quem não está, estivesse. Esta segurança no que sou e no que dou é novidade para mim. E está a sair-me melhor que a encomenda.