quinta-feira, 10 de março de 2011

Sweet Jade Moments # 16


The Lord knows I need some sweetness today.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Aaaiiiiiii!


Esta é a minha cara, por saber que amanhã tenho que ir trabalhar. Aliás, esta é a cara da minha alma e o espelho da minha disposição por muitas outras coisas que agora não interessam mesmo nada. Que não interessam a ninguém, muito menos a mim. Amanhã lá terei que vestir a pele de um coelho fofinho qualquer e tentar não apertar o pescoço a nenhuma criancinha inocente, ou adulto... também inocente, vá, pelo menos por agora.

Wise Words, part two

Diz a Inês:
"If love isn't enough, it isn't love."
(Desculpa, Inês, mas a língua inglesa fica sempre bem... e nunca atraiçoa ninguém.)

Wise Words

À noite

Tudo parece pior.
Vou passar a ir para a cama às sete da tarde. Evito pensamentos deprimentes e um mal-estar físico de bradar aos céus. Sweet dreams.

terça-feira, 8 de março de 2011

Os 35

Dizem que de sete em sete anos o corpo regenera. Que é esse o tempo que demora a mudar todas as células do corpo humano. Os astrólogos falam de ciclos planetários. Senti tudo isto muito fortemente aos 21 anos, quando o meu avô morreu, num momento em que eu mal acabara o curso e começara a dar aulas. Foi nesse ano também que comecei um relacionamento que quase terminou em casamento, não fora eu achar que aquilo não era para mim, exactamente sete, pois, sete anos depois.
Coincidência ou não, agora, com 35, enfrento uma das piores provas de resistência de que tenho memória. Um acumular de situações e desgostos, muito stress, muita ansiedade e muita tristeza, que incluíram a perda de um animal de estimação que me fez companhia quase trinta anos, a efectivação numa escola de doidos, como há poucas, uma crise de saúde recorrente mas muito incómoda, e uma gota de água infeliz que fez transbordar o copo.
Não sei se me caíram sete anos em cima, mas dois ou três, decididamente, estamparam-se de frente contra mim a grande velocidade. O sentimento é o de completo atropelo, e embora saiba o momento exacto da colisão de um grande anjo mau contra um corpo já frágil de várias pancadas anteriores, as consequências foram, por mim, imprevisíveis. I didn't see it coming.
É fantástico como uma pessoa que se auto-analisa tanto como eu ainda se consegue surpreender a si mesma, e ainda guarda dentro de si tanto sentimento virgem. Posso dizer que nas últimas semanas enfrentei monstros completamente desconhecidos para mim. E que é uma grande treta, dizer que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Não torna. Fragiliza-nos ao ponto de dar medo. De nos sentirmos em pânico só por acordar e termos que sair de casa. Destrói-nos as defesas, tira-nos o chão. Atira-nos à cara com palavras como falibilidade, impotência, exaustão. Abraça-nos um cepticismo atroz, uma raiva incontrolável, uma clara sensação de injustiça, desânimo, decepção com tudo aquilo que pautava, anteriormente, a nossa existência.
Por vezes, o que não nos mata, simplesmente, não nos mata. Só isso. Quem quase morre ainda vive, como diz um texto que tenho há muito tempo no rodapé deste blogue. Mas quem quase vive...
Há muitas formas de dourar a pílula, muitos modos de lavar as mãos, como Pilatos, de deixarmos as nossas culpas e as nossas responsabilidades nas mãos do tempo, que tudo cura. Mas há coisas que o tempo jamais apaga. E se ainda hoje recordo o momento em que me morreu o meu avô, não é difícil perceber que jamais esquecerei este tornado de 35 anos que se abateu sobre mim, a gota de água que o despoletou, e a inacreditável implosão do meu mundo, em consequência. Jamais esquecerei esta sensação infernal de todas as células novas que tenho no corpo a latejar, das dores violentas de um nascimento feito a fórceps.

Dia da Mulher





Haver um Dia da Mulher é, por si só, bastante chauvinista. Sempre olhei para este dia com um desprezo característico de quem sempre viu a igualdade de direitos como um dado adquirido, ridicularizando aquilo que achava ser um paternalismo machista. Mas, a verdade, é que as mulheres lutaram muito pelo seu estatuto de iguais, pelo respeito, pelo voto, pela aceitação. E há lugares onde essa luta continua a ser inglória. Há lugares em que continuam em posições de subalternidade. Há casas, mesmo aqui, neste nosso país, tão democrático, em que só o facto de serem fisicamente mais frágeis, as coloca no lugar de um saco de boxe. Por isso, para lembrar as que continuam oprimidas, e agradecer às que lutaram para que eu olhe para este dia com o profundo escárnio de quem nunca sentiu na pele ser menos que homem nenhum, bem pelo contrário, e tem voz e voto e é ouvida, trabalha, paga impostos e decide os seus caminhos, aqui fica o meu post de Feliz Dia da Mulher.

segunda-feira, 7 de março de 2011

E sim, eu sei.


Eu sei que tanta raiva não é saudável. E toda esta história do que é, e não é, saudável, só me dá uma escarninha e amarga vontade de rir. Quero lá eu saber o que é e não é saudável, como se a minha saúde dependesse apenas de mim, como se das minhas boas decisões houvesse um resultado tipo causa-efeito, pois. Como se, já agora, toda a minha vida ter sido em função do que está certo, do fazer tudo o que me ensinaram, como me ensinaram, da infinita luta e supremo sacrifício de ter passado metade da minha esperança de vida a ser uma boa menina, algum dia me tivesse trazido, sequer, um vislumbre de felicidade. Porque eu fui uma boa menina. Sempre. Por mais que isto pareça o cúmulo do ridículo a quem lê. Fui. Defendi os outros. Defendi o diabo. Pus-me na pele do outro. Entendi-o. Desculpei-o. Aceitei-o. Respeitei-o. E quê? Recebi na proporção que dei? Algum dia, alguma vez? Sim, raras. Dos amigos que tenho e cabem na palma de uma mão (talvez duas). E o resto? Família, colegas, amores, vida? Bola. Zero. Círculo. Ciclo. Viciado e vicioso.
E o mais irónico... pelos amigos que tenho, pelos verdadeiros, aqueles raros, nunca fiz nada que se visse, só recebi. Todos eles, há séculos, são fontes inesgotáveis de dívida. Só lhes devo. Então... nesse caso, é altura de reverter atitudes e acções. De, em vez de estar permanentemente zangadinha com o Mundo, me enfurecer de vez. Com quem merece, quando merece. A começar ontem. De me passar de vez o politicamente correcto, os diferentes pontos de vista. Deixar de dar ouvidos a fraudes, a aldrabices, aos políticos desta vida, os que governam, influenciam, manipulam, tiram, sugam e jamais, quando chega a altura de dar, de realmente retribuir, estão., dão, ficam. Que se lixe o que é saudável ou correcto. Ganhei o direito a ficar pissed like hell. Por tempo indeterminado.


The second stage of grief, ANGER







The five stages of grief

Meredith: There are five stages of grief. They look different on all of us, but there are always five.
Alex: Denial.
Derek: Anger.
Bailey: Bargaining.
Lexie: Depression.
Richard: Acceptance.


E pensar que estou convencida, há semanas, que me encontro na quarta e ainda não passei da segunda. Acho que inverti as coisas. Nunca estive em negação, comecei por deprimir e agora... agora veio a fúria.

Sweet Jade Moments # 15

domingo, 6 de março de 2011

(In)Human

Se hoje fosse um dia igual a tantos outros, amanhã teria que ir trabalhar. Quando me vim embora da escola, na quinta, não pensei que isso fosse possível, mas hoje, se tivesse que ser, acredito piamente que amanhã lá estaria.
Ao longo destes dias, descobri que temos em nós muito mais de animal irracional do que pensava. No fundo, é a natureza, e não a racionalidade, que nos domina.
Ser bicho compensou. Muito sono, boa alimentação, luz, preguiça, escuridão. Rendeu. Depois de muitas horas de sono e algumas refeições completas, já via as coisas de outra forma. Depois veio o humano que tenho em mim: os meus livros, os meus filmes, as minhas séries,. Por outro lado, tive que exercer também o controlo da mente, o evitar do "this is me, overthinking".
O humano que há em nós, por vezes, atrapalha. Atrapalha quando colocamos os nossos medos à frente dos nossos desejos. Atrapalha quando pautamos a vida pelo que temos e não pelo que somos. Atrapalha quando raciocinamos, como é o meu caso, baseados em falsas premissas. Atrapalha quando, como é o meu caso, deixamos que os outros façam de nós pessoas que não somos, e nos vemos por esses olhos, esquecendo o nosso próprio olhar.
Durante umas semanas carreguei o peso de me terem transformado num cliché. Contudo, livrei-me dele em poucas horas. Horas que incluíram luz, sombra, sono, vigília, livros, filmes.
E amigos. Dos verdadeiros. Dos que ficam. Dos que pertencem e se orgulham disso. Dos que acarinham o que temos. Dos que escrevem mensagens no telemóvel, cobram cafés cá em casa e te invadem a toca com ingredientes para um arroz de marisco e uma garrafa de vinho. Amigos que falam naturalmente contigo mesmo quando as lágrimas te caem cara abaixo, ou pior, quando não caem mas tens o olhar vazio e a mente ausente. Amigos que te amam e arranjam sempre formas de estar. Ainda que longe. Mesmo que o longe seja estar sentado ao teu lado no sofá, ou numa cadeira da sala de professores, e saber que tu estás noutra galáxia, perdida.
Hoje estou grata por ter amigos desses que, ao contrário de outros, sabem que amar é estar.

Jade's Therapy - part 5