Dizem que de sete em sete anos o corpo regenera. Que é esse o tempo que demora a mudar todas as células do corpo humano. Os astrólogos falam de ciclos planetários. Senti tudo isto muito fortemente aos 21 anos, quando o meu avô morreu, num momento em que eu mal acabara o curso e começara a dar aulas. Foi nesse ano também que comecei um relacionamento que quase terminou em casamento, não fora eu achar que aquilo não era para mim, exactamente sete, pois, sete anos depois.
Coincidência ou não, agora, com 35, enfrento uma das piores provas de resistência de que tenho memória. Um acumular de situações e desgostos, muito stress, muita ansiedade e muita tristeza, que incluíram a perda de um animal de estimação que me fez companhia quase trinta anos, a efectivação numa escola de doidos, como há poucas, uma crise de saúde recorrente mas muito incómoda, e uma gota de água infeliz que fez transbordar o copo.
Não sei se me caíram sete anos em cima, mas dois ou três, decididamente, estamparam-se de frente contra mim a grande velocidade. O sentimento é o de completo atropelo, e embora saiba o momento exacto da colisão de um grande anjo mau contra um corpo já frágil de várias pancadas anteriores, as consequências foram, por mim, imprevisíveis. I didn't see it coming.
É fantástico como uma pessoa que se auto-analisa tanto como eu ainda se consegue surpreender a si mesma, e ainda guarda dentro de si tanto sentimento virgem. Posso dizer que nas últimas semanas enfrentei monstros completamente desconhecidos para mim. E que é uma grande treta, dizer que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Não torna. Fragiliza-nos ao ponto de dar medo. De nos sentirmos em pânico só por acordar e termos que sair de casa. Destrói-nos as defesas, tira-nos o chão. Atira-nos à cara com palavras como falibilidade, impotência, exaustão. Abraça-nos um cepticismo atroz, uma raiva incontrolável, uma clara sensação de injustiça, desânimo, decepção com tudo aquilo que pautava, anteriormente, a nossa existência.
Por vezes, o que não nos mata, simplesmente, não nos mata. Só isso. Quem quase morre ainda vive, como diz um texto que tenho há muito tempo no rodapé deste blogue. Mas quem quase vive...
Há muitas formas de dourar a pílula, muitos modos de lavar as mãos, como Pilatos, de deixarmos as nossas culpas e as nossas responsabilidades nas mãos do tempo, que tudo cura. Mas há coisas que o tempo jamais apaga. E se ainda hoje recordo o momento em que me morreu o meu avô, não é difícil perceber que jamais esquecerei este tornado de 35 anos que se abateu sobre mim, a gota de água que o despoletou, e a inacreditável implosão do meu mundo, em consequência. Jamais esquecerei esta sensação infernal de todas as células novas que tenho no corpo a latejar, das dores violentas de um nascimento feito a fórceps.
Coincidência ou não, agora, com 35, enfrento uma das piores provas de resistência de que tenho memória. Um acumular de situações e desgostos, muito stress, muita ansiedade e muita tristeza, que incluíram a perda de um animal de estimação que me fez companhia quase trinta anos, a efectivação numa escola de doidos, como há poucas, uma crise de saúde recorrente mas muito incómoda, e uma gota de água infeliz que fez transbordar o copo.
Não sei se me caíram sete anos em cima, mas dois ou três, decididamente, estamparam-se de frente contra mim a grande velocidade. O sentimento é o de completo atropelo, e embora saiba o momento exacto da colisão de um grande anjo mau contra um corpo já frágil de várias pancadas anteriores, as consequências foram, por mim, imprevisíveis. I didn't see it coming.
É fantástico como uma pessoa que se auto-analisa tanto como eu ainda se consegue surpreender a si mesma, e ainda guarda dentro de si tanto sentimento virgem. Posso dizer que nas últimas semanas enfrentei monstros completamente desconhecidos para mim. E que é uma grande treta, dizer que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Não torna. Fragiliza-nos ao ponto de dar medo. De nos sentirmos em pânico só por acordar e termos que sair de casa. Destrói-nos as defesas, tira-nos o chão. Atira-nos à cara com palavras como falibilidade, impotência, exaustão. Abraça-nos um cepticismo atroz, uma raiva incontrolável, uma clara sensação de injustiça, desânimo, decepção com tudo aquilo que pautava, anteriormente, a nossa existência.
Por vezes, o que não nos mata, simplesmente, não nos mata. Só isso. Quem quase morre ainda vive, como diz um texto que tenho há muito tempo no rodapé deste blogue. Mas quem quase vive...
Há muitas formas de dourar a pílula, muitos modos de lavar as mãos, como Pilatos, de deixarmos as nossas culpas e as nossas responsabilidades nas mãos do tempo, que tudo cura. Mas há coisas que o tempo jamais apaga. E se ainda hoje recordo o momento em que me morreu o meu avô, não é difícil perceber que jamais esquecerei este tornado de 35 anos que se abateu sobre mim, a gota de água que o despoletou, e a inacreditável implosão do meu mundo, em consequência. Jamais esquecerei esta sensação infernal de todas as células novas que tenho no corpo a latejar, das dores violentas de um nascimento feito a fórceps.





















