segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Acho injusto...

... que a neve não seja como o sol, que quando nasce é para todos. Assim, algumas escolas fecharam. A minha não. Alguns colegas do distrito ao lado ficaram em casa, que as estradas fecharam. Eu não.
Logo, queria aqui dizer que a neve quando cai... devia ser para todos. Eu nem sinto as patas, que devem ter congelado. Isso não dá para ficar retido? perguntei. Nem se dignaram a responder-me. Humpf!

domingo, 10 de janeiro de 2010

E também assumo...

... que tenho uma inveja medonha do inglês falado pela Daniela Ruah. Que nervos, pá, a rapariga é mesmo cinco estrelas! (já para não falar na equipa com que contracena no NCIS LA, que também é bastante invejável...)

Assumo...

... que também gosto de blogues fúteis. Sobre moda. Sobre compras. Sobre sapatos. Gosto. Mas não vou pôr aqui os links para poder comentar à vontade, sem estar preocupada que fulano e sicrano também lá possam estar a ler parvoeiras, ou a escrever idiotices. Já tenho saudades de algum anonimato, palavra. (até parece que sou uma figura pública, mas em sítios pequenos é a sensação que dá)

Fuge, fuge...

Há dois tipos de pessoas de fugir:
  • os ciumentos possessivos, que acham que só há lugar no mundo para eles próprios e minam tudo o que há à volta do objecto da sua obsessão, seja ele o namorado, o melhor amigo, o filho ou um colega de trabalho que nem sabe da sua existência; gente insegura e ressabiada, com um profundo sentimento de inferioridade e uma inveja pouco consciente das relações saudáveis existentes entre as pessoas, passam a vida a envenenar com palavras, atitudes e artifícios aqueles que os obcecam. O melhor a fazer é ignorá-los e, de vez em quando, dar-lhes o troco, como se nada fosse.
  • os cobardes, que são normalmente também sonsos e hipócritas, que fazem sempre o que lhes apetece porque sabem que, na hora da verdade, lhes basta fazer cara de santos e insinuar as culpas para a alminha mais próxima. Vendem a própria mãe, juram em falso e não têm escrúpulos, embora digam que têm consciência e remorsos. Talvez porque se assumissem que nem isso, só lhes restasse atirar-se de uma ponte. O melhor a fazer é denunciá-los e cuspir-lhes na cara quando começarem a chorar.

A realidade é rica demais para não virar ficção. Estou a começar a escrever um livro, e já tenho os meus vilões.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Esta agora...

Eu, que sou apartidária e apolitizada, desta vez estou a cem por cento com a esquerda. O que é que passou pela cabeça dos partidos de direita para votar contra a lei que permite o casamento homossexual? Quem se julga esta gente para opinar sobre a vida e os afectos, os direitos e as liberdades do próximo, no sentido de os cercear? Não diz a constituição que, aos olhos do estado, todos somos iguais? All men are created equal? A dos EUA diz, disso estou certa, e parece-me um princípio básico. E parece que os cretinos do PSD querem declarar inconstitucional a lei hoje aprovada.
O que devia ser considerado inconstitucional era a estupidez do preconceito humano. Isso é que era radical...

Atrasada

Para variar, hoje, duas semanas depois do Natal, vou distribuir os presentes em atraso. E se pensam que me fico por aqui, é bom que saibam que há alguns que ainda nem comprados foram. Não sei como é que me arranjo, para andar sempre em falha com as pessoas e mesmo assim não ter tempo para me coçar. Parece que só sou pontual nos encontros que marco e nas aulas que dou. Para tudo o resto, ando sempre a correr atrás do tempo, e o gajo está muitíssimo mais em forma do que eu.

Só me faltava esta...

No concurso anterior, efectivei numa escola. Já a descrevi, e ao ambiente familiar que lá se vive. Também já disse que levei com o horário da noite, e expliquei porque é que não o suporto. Mas estava preparada para lá ficar quatro anos, a levar com ele e com reuniões de três horas e tal que acabavam comigo a dar três murros na mesa e outros tantos berros, para não partir o focinho ao colega mais à mão.
Hoje ouvi que para o ano volta a haver concurso. E os meus coleguinhas deste ano já me começaram a encher a paciência: tu livra-te de te ires embora, agora que os miúdos começam a gostar de Inglês e a aprender alguma coisa no terceiro ciclo...
Pois sim. Parece-me que vai haver novo dilema, bem mais cedo do que eu esperava...

Intimidade

O que é que passou pela cabeça da Clara Pinto Correia e do marido para exporem no Expresso a sua intimidade conjugal, com imagens do arco-da-velha? Como é que se pode discutir a intimidade das pessoas, o segredo de justiça, os limites do privado, quando num país uma figura pública publica fotos dos seus orgasmos no jornal?
Há coisas que eu não acho normais, chamem-me lá bota-de-elástico.

Solidariedade

Quanto ao acordo entre ministra e sindicatos, a maior parte das propostas parece-me bastante mais razoável. Achei bem as alterações feitas à condição de avaliador, achei aceitável todo o regime de avaliação, se excluirmos as cotas para a subida a determinados escalões, mas já se sabe que por questões financeiras as injustiças são inevitáveis, enfim, tudo, no geral, me parece bastante melhor que a antiga legislação feita às três pancadas e que suscitou a revolta de toda uma classe que, não me esqueço, foi durante quatro anos ignorada e humilhada.
Mas continuo a achar revoltante a prova de ingresso na carreira. Estou solidária com os milhares de contratados que, depois do ano de estágio, que é penoso, trabalhoso, stressante e muitíssimo exigente, ainda têm que proceder a mais um exame para provar o que é redundante, até podendo correr mal e dar para o torto, indo por água abaixo um investimento de anos a fio. Parece-me que é desacreditar o trabalho de professores e universidades, para além de ser mais uma burocracia que pode levar a injustiças atrozes. Já não sou contratada há muitos anos, mas parece-me uma medida muitíssimo imbecil.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O melhor que vos ofereço hoje...

... é o post da Teia. Não sei pôr links aqui, por isso, ide aos meus favoritos e procurai o post de hoje. A qualquer hora de um dia bom ou mau. É brilhante.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estava à vista...

Continuo sem Moleskine. Por isso, não me surpreendi, embora me tenha chamado todos os nomes e mais alguns, quando percebi que ainda não paguei a renda de casa, e a inspecção do meu carro termina sexta-feira. Tal como o sêlo já deve ser comprado com multa. E se me lembrei destas, até tenho medo de pensar nas coisas de que me terei esquecido. Fora o facto de andar cheia de tempo livre para tratar da merda das trivialidades da existência...

Um/O Princípio da Normalidade

Eu, que sou esquisita, resolvi atinar. Nivelar os meus ponteiros pelos ponteiros sociais. Começar, neste início de segundo período lectivo, a fazer o que as "pessoas normais" fazem: comer bem e a horas certas, comprar frutas no supermercado e mentalizar-me que tenho que ser eu a ingeri-las, e não o caixote do lixo depois de estarem semanas a apodrecer, dormir só, mas sempre, oito horitas, e não deixar para amanhã o que posso fazer hoje. Sejamos honestos, com o tamanho da lista de coisas que tenho para fazer, não deve haver nem hojes nem amanhãs que me cheguem, mas isso é um pormenor, e as "pessoas normais" não se deixam obcecar por pormenores.
Por isso, aqui estou eu, a estas horas da noite, a escrever um post no blogue para descansar do trabalho anterior e me preparar para o próximo. Aqui estou eu, no fim de um dia de aulas em que não me esqueci, pela primeira vez em onze anos de ensino, de marcar os testes atempadamente. Aqui estou eu, num dia em que passei só uma horita, ao todo, na net, entre mails, blogue e jogos de mahjong. Aqui estou eu, depois de passar um dia inteirinho sem me desesperar com a natureza humana, aceitando-a como irremediavelmente estúpida e seguindo em frente, mais preocupada com a minha vidinha que com aquilo que os outros dizem ou pensam dela.
Uma coisa que me fez despertar para a normalidade foi ter ganho uns quilinhos na altura das festas, coisa que nunca me aconteceu antes mas diz que "é normal". Parece, então, que o meu metabolismo e a minha saúde em geral estão "normais". Parece que estou a entrar no ritmo "normal" das pessoas pós-Natal.
Oxalá não me mate a cura para a doença da anormalidade, que isto de ser normal dá um trabalhão do caraças e muito pouco prazer, convenhamos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lei-de-Fucking-Murphy

Alguém me diz porque é que é exactamente nos dias em que dou aulas à noite, vou a correr ao supermercado da vila encher três ou quatro sacos de coisas pesadas e trago uma palette de leite, chove e venta com'ó cacete, e carrego com o portátil para além da pasta e da carteira, que o restaurante aqui da rua está cheio de gente e que parece que cada pessoa que lá está dentro trouxe o carro? Porque é que é precisamente nestas noites que tenho que carregar com tudo ao lombo dois ou três quarteirões com um frio horrível, antes de subir dois andares a pé, a ponto de cuspir os pulmões? (de preferência no prato de um dos gajos que está todo contente no restaurante e me tirou o lugar de estacionamento.)

Picardias

Deixei de ter paciência para elas. Como sou muito opinativa e demasiado assertiva, sou alvo fácil de picardias, quer de gente que gosta de argumentar para mostrar a um público que é muito inteligente, quer de outros que simplesmente gostam de contrariar para exaltar os ânimos, quer ainda de outros que tão simplesmente "são do contra".
As picardias não nascem apenas da diferença de opinião, mas da vontade de chatear o próximo. Ou, pelo menos, de o provocar. Tenho um amigo com quem estou em desacordo muitas vezes, mas com quem nunca entro em picardias, limito-me a apresentar os meus pontos de vista, ele os dele, e pronto. E duas pessoas podem discordar sem se irritar, se não entrarem no tal joguinho de provocações com expressões subliminares que significam "o que estás a dizer é de perfeita anormal", "não sabes o que dizes e mais valia estares caladinha".
Eu, pela parte que me toca, sou um bocadinho provocatória, mas já me passou a fase de levar as picardias ao expoente máximo do descontrolo total.
Sinceramente, com a falta de paciência com que ando para gente que quer chatear gratuitamente, para críticas à minha pessoa ou conselhos que eu não pedi, ou intromissões descabidas, que eu já sou adulta e nota-se bem, ou, simplesmente, atitudes idiotas de malta ressabiada que depois gosta de se colocar em bicos de pés espetando os cotovelos nos ombros do mais próximo, com isto tudo, dizia, deixei de entrar em picardias. Agora calo-me e rio-me de mim para mim. E se me achavam arrogante antes, eu acho que o cúmulo do sentimento de superioridade tenho-o agora: achar tudo isso patético e só me dar vontade de rir e encolher os ombros.
(também acho que deve ser porque não tenho tempo para me chatear. Se tivesse mais tempo, coçava-me, em vez de me chatear. E se tivesse mesmo muito, muito, tempo, então aí talvez me desse para voltar a responder a provocações, coisa que nunca me levou a lugar nenhum: um vintém é um vintém, e um cretino será sempre um cretino, como dizia o outro...)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ano Novo, Compromissos Velhos

Para mim, das coisinhas melhores das férias é não usar relógio. Adoro relógios, são parte da minha vaidade feminina, tenho muitos e uso-os sempre, mas nas férias uso-os como se fossem mais uma pulseira. Não olho para eles sequer. E nestas férias, embora curtas, aconteceu-me o que só costuma acontecer nas férias de Verão: perdi a noção dos dias da semana. A minha mãe esteve em casa a maior parte dos dias, o que também não ajudou, e tudo me parecia um fim-de-semana eterno.
Foi com uma neura do tamanho de um "camiõ atrabexado", como diziam os meus meninos no norte, que ontem carreguei e descarreguei carro, consciente de que, depois de dormir, ia acordar num domingo. Num domingo daqueles, igual aos outros, véspera de dia de trabalho.
Não estou preparada para recomeçar. E pensei que era só eu, que sou preguiçosa, adoro inércia, aquecedores com mantas por cima, sofás, almofadas a construir montanhas e gatos a dormir ao colo. Culpabilizei-me: és mesmo uma inútil, pá, só os inúteis não gostam de fazer nada, ainda nem começaste a trabalhar e já te lamurias intimamente.
Depois falei com a Mzinha, que está com uma telha parecida. Depois recebi uma sms da Shadow, a queixar-se de Domingos de Liberdade Condicional.
E como estas são duas das pessoas mais activas que conheço, dei-me umas tréguas, refastelei-me no sofá e comecei a mentalizar-me que este desgosto é, afinal de contas, normal

sábado, 2 de janeiro de 2010

Então, mas afinal...

... alguém me explica porque é que quando a nossa resposta, à pergunta "tudo bem?", é "tudo óptimo!", as pessoas ficam completamente desconcertadas? A malta não abdica de um bom drama, essa é que é essa. Ou talvez achem que uma pessoa, para estar óptima, precise de andar aos saltinhos, aos risinhos e a atirar malmequeres pela janela do carro. Para mim, estar óptima é estar calma, sem agruras, com as preocupações triviais. Quando não há tempestades emocionais, estou óptima. Pronto. Live with that.
(tenho uma amiga que me dá essa mesma resposta, sempre. E embora me irrite um bocado, porque o diz com o mesmo grande sorriso de felicidade há vinte anos, não deixa de ser o meu exemplo de mulher de sucesso. Lembro-me sempre dela, quando digo esta frase e me abrem os olhos com espanto. Será que ser positivo é mal-visto... ou dará azar?)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010...

...chegou tão depressa e de repente que só hoje dei conta que não tenho Moleskine. A minha, vermelha, de capa dura e muito pequenina, suscitava os mais diversos comentários: trazes a Bíblia? O livro do Mao? O caderninho do Auster? e era a inveja de todas as meninas perdidas, como eu, por mariquices do género: ah, e tem autocolantes coloridos, ai, que fofa, que prática, que fashion!...
2010 chegou e estou sem Moleskine. O mesmo será dizer que estou feita ao bife, sem ter onde assentar compromissos, guardar bilhetes de cinema usados, colar post-its, escrever a várias cores e despejar veneno. Pode vir a tornar-se razão de catástrofe. Por isso, amanhã logo pela fresquinha vou às Amoreiras e não saio de lá sem uma. E levo a minha mãe, para ela me ir lembrando quem sou, como me chamo e o que fui lá fazer que, sem Moleskine, é bem possível que me perca.