...chegou tão depressa e de repente que só hoje dei conta que não tenho Moleskine. A minha, vermelha, de capa dura e muito pequenina, suscitava os mais diversos comentários: trazes a Bíblia? O livro do Mao? O caderninho do Auster? e era a inveja de todas as meninas perdidas, como eu, por mariquices do género: ah, e tem autocolantes coloridos, ai, que fofa, que prática, que fashion!...
2010 chegou e estou sem Moleskine. O mesmo será dizer que estou feita ao bife, sem ter onde assentar compromissos, guardar bilhetes de cinema usados, colar post-its, escrever a várias cores e despejar veneno. Pode vir a tornar-se razão de catástrofe. Por isso, amanhã logo pela fresquinha vou às Amoreiras e não saio de lá sem uma. E levo a minha mãe, para ela me ir lembrando quem sou, como me chamo e o que fui lá fazer que, sem Moleskine, é bem possível que me perca.
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