Hoje é Terça e fez no Sábado uma semana que fiquei doente. Doente é uma forma de expressão, que a gripe anda literalmente a gozar comigo. Como quando estou bem já tenho que tomar uma lista de medicamentos que impõe respeito, não sou lá muito adepta de me envenenar com mais químicos que os que têm que ser. Por isso, não ataco logo coisas sazonais, e ando que tempos nesta morrinha, num estado assim-assim a dar para o torto. A primeira coisa a cair é o meu humor. As piadas parvas que são o meu ex-lybris vão logo à vida e a paciência, não sendo nunca uma das minhas melhores qualidades, torna-se inexistente. Fico super sensível ao barulho. Fico extra-sensível à agressividade. Fico ultra-sensível ao desrespeito. Tudo me cai mal e é pretexto para ataques de fúria silenciosa, que quando é assim, torno-me a verdadeira lady, não respondo a provocações, ignoro bocas foleiras, passo por cima de atitudes idiotas. Tudo muito estoicamente. Com um ar indiferente e distraído de quem não ouviu nem deu por nada. (Estás doente? perguntam-me as pessoas mais frequentemente quando estou calada do que quando tenho ataques de tosse ou espirro duzentas vezes com alarido).
Mas fervo. Fervo e são alturas destas que normalmente dão para o torto na minha convivência com o resto do Mundo. Ataco em silêncio à chapada os meus colegas de escola. Dou-lhes murraças no alto da cabeça. Saco da minha pistola desintegradora e mando-os para a quinta dimensão, PUM, tiro mesmo no meio dos olhos, TRÁS, patardo mesmo em cheio no focinho, ZÁS, já foste, bilhete para Marte só de ida, grande imbecil.
Ontem a Mzinha perguntava-me porque não escrevia eu desde Sexta-Feira. Não me apetece, respondi. Tenho uma dor de garganta tão grande que a sinto até aos pés.
Porque não escrevo há tanto tempo? No fim deste post do arco-da-velha, a razão é óbvia: estou doente. E quando estou doente fico agressiva. E se bem que a agressividade faça parte da minha normalidade, quando estou doente, torna-se assassina.
CATRAPUM. Implosão da escola para construir um shopping. Não há nenhum, na Cidade de Deus, e escolas há mais três.