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terça-feira, 10 de março de 2009

Onomatopeias

Hoje é Terça e fez no Sábado uma semana que fiquei doente. Doente é uma forma de expressão, que a gripe anda literalmente a gozar comigo. Como quando estou bem já tenho que tomar uma lista de medicamentos que impõe respeito, não sou lá muito adepta de me envenenar com mais químicos que os que têm que ser. Por isso, não ataco logo coisas sazonais, e ando que tempos nesta morrinha, num estado assim-assim a dar para o torto. A primeira coisa a cair é o meu humor. As piadas parvas que são o meu ex-lybris vão logo à vida e a paciência, não sendo nunca uma das minhas melhores qualidades, torna-se inexistente. Fico super sensível ao barulho. Fico extra-sensível à agressividade. Fico ultra-sensível ao desrespeito. Tudo me cai mal e é pretexto para ataques de fúria silenciosa, que quando é assim, torno-me a verdadeira lady, não respondo a provocações, ignoro bocas foleiras, passo por cima de atitudes idiotas. Tudo muito estoicamente. Com um ar indiferente e distraído de quem não ouviu nem deu por nada. (Estás doente? perguntam-me as pessoas mais frequentemente quando estou calada do que quando tenho ataques de tosse ou espirro duzentas vezes com alarido).
Mas fervo. Fervo e são alturas destas que normalmente dão para o torto na minha convivência com o resto do Mundo. Ataco em silêncio à chapada os meus colegas de escola. Dou-lhes murraças no alto da cabeça. Saco da minha pistola desintegradora e mando-os para a quinta dimensão, PUM, tiro mesmo no meio dos olhos, TRÁS, patardo mesmo em cheio no focinho, ZÁS, já foste, bilhete para Marte só de ida, grande imbecil.
Ontem a Mzinha perguntava-me porque não escrevia eu desde Sexta-Feira. Não me apetece, respondi. Tenho uma dor de garganta tão grande que a sinto até aos pés.
Porque não escrevo há tanto tempo? No fim deste post do arco-da-velha, a razão é óbvia: estou doente. E quando estou doente fico agressiva. E se bem que a agressividade faça parte da minha normalidade, quando estou doente, torna-se assassina.
CATRAPUM. Implosão da escola para construir um shopping. Não há nenhum, na Cidade de Deus, e escolas há mais três.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Interregno? Interregno, o tanas!

É muito triste a vida de uma mulher quando nem se pode dar ao luxo de parar e deprimir. De bater no fundo do poço, para poder ganhar impulso e voltar a manter a cara acima da linha de água. Mais triste que estar deprimida e exausta é não o poder fazer por falta de tempo. Falta de tempo aliada a centenas de seres em idades parvas a dizer coisas alarves e a rir-se das nossas falhas.

Hoje, quando cheguei à escola, a pergunta não tardou: que olhos são esses, está tudo bem? parece que passaste a noite a chorar...por acaso não, passei foram as quarenta e oito horas antes dela, contam para as estatísticas? De manhã, a minha cara era gémea da de um pargo congelado há três semanas. Ao espelho, enquanto pensava, bonito serviço, mentecapta, e me enchia de base e corrector, e mais pó compacto e mais corrector, preparava-me psicologicamente para uma segunda-feira que, - logo hoje, cacete, és mesmo atrasada mental! - fruto de umas trocas com colegas, prometia nunca mais acabar: aulas das oito e meia às cinco e quarto, com uma hora de almoço, ola-ri-la... só te metes em estopadas, a tua vida não te chega!... Mas eis que, depois dos quarenta e cinco minutos da praxe, entre duche e secador e maquilhagem, vou ao quarto e ... está sol! Ainda a resmungar, lá disse em voz alta, agora é que apareces, palerma (para o sol, bem visto), deve ser para me verem melhor a cara de idiota...

Com um humor muito pior que o do House e a Nazi juntos e nos seus piores dias, lá fui para a escola, a adivinhar tempestades. Mas não. Venceu o cansaço. Às dez da manhã tinha dificuldade em raciocinar mais que cinco minutos. À uma, já só queria um chão qualquer para me deitar. Às três, não sabia já há muito como me chamava. E às cinco... às cinco qualquer pessoa de bom senso me teria proibido de conduzir, para me levar directamente para o hospício mais próximo.

Sobrevivi. À conta de muitos risos e boa-vontade adolescente. Ao meu centésimo desabafo de "Opá, vocês tenham dó de mim e internem-me", os pirralhitos riam-se e diziam, "deve pensar que hoje está pior que o costume, não? Fique sabendo que continua igual, e má como as cobras!!!". E pronto, arrumavam logo o assunto, e eu, que remédio, trabalhava com eles e pensava, é só mais um bocadinho, calma, está quase a acabar.

Quando cheguei a casa, adormeci instantaneamente. Dormi umas horas e levantei-me para... trabalhar! Interregno? Interregno uma ova. Se nem tempo tenho para pensar, que dirá para me chatear... mas ao contrário do que parece, isso não é bom. Não é mesmo nada bom. É por andar a cristalizar m*rdas a toque de caixa que nunca mais saio delas. Valeu o fim-de-semana. Foi deprimente, foi, mas as lágrimas que eu chorei deram espaço a mais uns quantos mesitos, espero eu, de controle e equilíbrio. (a começar na semana que vem, que esta, meus lindos, está apresentada).