domingo, 13 de maio de 2012

Sunday sem Sundaes

Como sou muito procrastinadora, vai para anos que os domingos são, para mim, dias de trabalho. De há umas semanas para cá são dias de trabalho muito rentável, que a criança acorda-me às seis e meia da manhã e só sossega quando me passa o sono de vez, por volta das onze. Por esta hora, hoje, já tenho uma turma de testes vista, roupa a secar e loiça lavadinha, para além de dois passeios e muita brincadeira no lombo.
Apesar de me custar muito, os passeios antes das sete da manhã são os meus favoritos. Disfruto do fresco e do silêncio. O último passeio da noite, por vezes, deprime-me: vocês não fazem ideia do que é passear num bairro vazio e ouvir gente a discutir dentro de casa, crianças a chorar, adultos a resmungar. Parece que a noite acorda todos os fantasmas e desperta todas as tensões. Pergunto-me se este país não estará, mesmo, à beira de um ataque de nervos.
Esperei muito pelo homem que julgava ser para mim. Muito mais do que era suposto, esperei muito tempo após ele se ter ido de vez, e muito tempo depois de me convencer disso, o que só por si não foi de um dia para o outro. Depois, esperei mais tempo por um homem indefinido, sem face. Não por um qualquer, mas por um que me fosse suficiente. O suficiente não é, nunca, o bastante.
Agora, ao deambular pelas ruas à luz da lua, ouvindo sem querer as vozes exaltadas dentro de tantas casas, o bastante existe para mim. Sempre disse que quero é paz e sossego e, finalmente, acredito nas minhas próprias palavras. Há muito tempo que não me sinto só. E isso, para mim, é muito mais que suficiente, por isso, basta-me.

Sem comentários: