quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mudanças no ritmo

Fez ontem uma semana que trouxe o Chico cá para casa e pareço um zombie. Começo a compreender aqueles pais que desabafam com os diretores de turma "eu já não sei que lhe hei-de fazer", a referir-se aos filhos. Condescendentemente, os professores dão-lhes avisados conselhos e, depois, nas reuniões, julgam-nos e condenam-nos: "não os sabem educar e depois a gente que os ature". Pois. Mas se tiverem filhos tão teimosos e intratáveis como o Chico, que só se porta bem quando quer alguma coisa ou está podre de sono, e no restante tempo é teimoso que nem uma mula e só faz o que lhe dá na veneta, quer a gente se zangue, tenha pachorra para teimar com ele ou lhe dê umas valentes palmadas... que lhes resta? A mim não me restam muitas opções, a não ser esganá-lo, pegar-lhe fogo ou lhe dar uns valentes pontapés na cabeça até ele cair desmaiado com um fio de sangue a escorrer-lhe pelo focinho desafiador.
Hoje, depois de uma semana de gritos e puxões na coleira, e chapadas no lombo e no focinho, e esfregonas e castigos... a minha paciência está de tal modo por um fio que, depois de  perguntar a um aluno o que significava determinada sigla que estava explícita no parágrafo anterior do texto que estávamos a analisar, à resposta dele de "não sei", lhe respondi, de imediato, num tom de voz imperturbável: "Olha, D., espero sinceramente que limpes o rabo melhor do que lês textos".
A turma toda, incluindo o D., que é adorável, desatou a rir incontrolavelmente, enquanto eu pensava que, felizmente, era a última aula da semana, que a coisa estava mesmo a descambar para o lado da minha sanidade mental, e que a minha sorte era dar aulas a um grupo de miúdos impecáveis que me conhece bem o suficiente para saber que nada do que eu digo é com intenção verdadeiramente insultuosa.

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