quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cá se fazem...

Hoje, um quarto de hora passado da minha hora de terapia semanal, ainda sem as lágrimas com que brindo sempre o simpático que me atura no gabinete, ele pergunta-me: é esta a parte fundamental da tua vida, o trabalho, não? quero dizer, começamos as conversas sempre por aqui...
Ó diabo! Comecei-me a rir e contei-lhe a história do meu círculo de amigas da Faculdade, e dos nossos jantares de gajas, que na altura éramos mesmo um gajedo do pior, e os nossos jantares eram uma versão hardcore dos das meninas d'"O Sexo e a Cidade": desfiávamos um rosário de pormenores escabrosos dos nossos namorados, dos nossos ex, dávamos palpites do piorio para consubstanciar vinganças do arco-da-velha e, no fim... aturávamos uma amiga virgem que só falava de trabalho e gozávamos com ela. Quero dizer, não era bem gozar, porque nós gostávamos realmente umas das outras, mas chateávamo-la qb, mandávamos bocas foleiras e machistas, dizíamos-lhe as últimas e ríamos todas muito, incluindo ela. Afastei-me entretanto de algumas delas, dessa rapariga inclusivamente, mas a dura realidade é que o afastamento não impediu que me transformasse nela.
O meu terapêuta riu-se, mas não me gozou. E eu tive pena que ele não o fizesse, porque cá se fazem, cá se pagam, e eu não me admirava mesmo nada se essa miúda, a quem eu chateei o toutiço tantas vezes, estivesse agora casada, mãe de filhos, e feliz, enquanto eu sou a paciente que lhe entra pelo consultório uma vez por semana, lhe fala de trabalho e, quando o assunto muda para as coisas do coração, chora como uma madalena arrependida.
A terapia serve para nos auto descobrirmos. Descobri que tenho o karma de uma rameira, que estou a pagar nesta vida com um feitiozinho da treta num corpinho desminliguido e uma atitude de grande tansa. O nome científico que consigo dar a isto é que sou A Ursa Maior da Constelação Não-Te-Trates,-Não,-Que-Vais-Longe...
(e o meu terapêuta ainda me diz, sessão-sim, sessão-não, que quando achar que não pode fazer mais nada por mim, me diz de imediato, que não gosta de enganar ninguém. Belo consolo... no dia em que ele me disser isso, e me estampar no focinho o rótulo de "doida varrida incurável", ou me explode uma veia, ou trato logo de cortar os pulsos... mentirinha, shrink, mentirinha, que gosto pouco de javardeira e depois lá vinha o CSI Cidade-de-Deus investigar as pistas no meu quarto que não é limpo há quinze dias, e isso era uma vergonha... até para uma leide-cadáver! (leide que é leide não perde a pose nem MORTA!))


Onde se lê "hoje", leia-se "ontem", que só agora dei conta que já passa da meia-noite, porque me parece que ainda agora cheguei e jantei, o que não está muito, muito, longe da realidade.

2 comentários:

Isa disse...

Eh pá eu tenho pensado em psicoterapia porque ando uma merda mas além dos euros que não tenho, penso que me vai dizer todas as merdas que já sei e que andaria lá anos para sair disto (se é que algum dia saíria porque se já sei e não altero as coisas). E tu não me estás a ajudar :)

Um beijinho para ti

Ps:E sim a vida ás vezes é mesmo f-o-d-i-d-a.

Jade disse...

Isa, se não te estou a ajudar, não me estou a fazer entender. Sim, é possível que ande anos em terapia, se o terapêuta não me mandar internar, ou desistir de todo de me tentar tratar, mas te digo que, se excluirmos a questão do dinheiro, vale a pena. Eu adoro, faço um esforço enorme, acredita, para nunca faltar. Há seis ou sete meses que la ando e só faltei uma única vez. Beijinhos