quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Relativizando...

As quartas-feiras são o último dia da semana em que entro mais tarde, por ter horário da noite às terças. Ontem adormeci tardíssimo, e quando me sentei no carro hoje, a bater as dez da manhã, nem sequer ia mal-disposta.
Claro que o noticiário da rádio me pôs logo doente, com o horror que se passou no Haiti. E o medo, que me tem perseguido desde o nosso tremor(zinho) de terra de há umas semanas, regressou. Na altura, comecei a ligar a queda da falésia no Algarve este Verão, as quebras de energia cá na cidade, cada vez mais frequentes, o tempo que parece maluco ultimamente, os polvos a dar à costa às centenas, enfim, tudo, a um mau presságio em geral.
Não me sinto segura, confesso. Detesto profetas da desgraça, abomino teorias esotéricas New Age, não suporto aqueles mails tipo corrente "serás infeliz nos próximos três séculos" se não enviares isto a 384638499 pessoas; odeio, acho mesmo ridículo e, no entanto, acabo por ser sensível a tudo isto. Não é que cumpra, não é que obceque, mas fico sempre com um receio irracional. A isso chama-se superstição, que é a coisa mais idiota que existe à face da terra, e mete rituais parvos, alguns hilariantes de tão ridículos, e eu desprezo o ridículo.
Mas, repito, a minha parte animal anda desassossegada, com um medo plácido mas constante, uma sensação parva, não de premonição, mas de desagradável expectativa.
E resta-me relativizar. Racionalizando, tudo é incerto, nada está nas nossas mãos.
Para mim é um esforço racional intenso, o de pôr em prática as teorias do carpe diem. Ando sempre a correr atrás do tempo que me falta e sou saudosa do que passou. O presente acaba sempre por me passar ao lado.
Ao olhar as imagens do Haiti, convenço-me que a melhor qualidade humana será "saber viver". Aproveitar o agora, sem medos. Porque um dia tudo poderá ruir como um castelo de cartas. E esta ideia do mundo, as we know it, poder terminar, uma ideia que é hoje uma realidade haitiana, tem mesmo que relativizar os nossos grandes problemas quotidianos. Aqueles tão importantes que nos tiram o sono, tipo o seguro do carro por pagar, ou aquele trabalho por fazer e que, quando a terra ruge e a mãe-natureza se zanga a sério, mostram a sua cara, de uma futilidade embaraçosa.

4 comentários:

Shadow disse...

Diz, que a ignorância é uma bênção. E eu dos cinco jornais diários já não leio nenhum desde Domingo.

Não faço ideia o que se passou no Haiti. Pelo que escreves.te suponho que as placas tectónicas foram para a disco. Mas quero continuar sem saber... que a minha vida é mais leve assim. E a tic tac da bomba do Doutoramento começou.

Jade disse...

Pois acho bem que te actualizes, porque foi uma catástrofe de nível mundial, e a pior dos últimos duzentos anos. Não te vale de nada um doutoramento se não sabes o que se passa à tua volta. Digo eu, que só tenho uma licenciatura, mas gosto de estar informada. Bjs

Shadow disse...

A culpa não é do doutoramento... mas cansei de tanta informação. Não ligo a tv há 4 dias, e se ligar nos proximos só FOX ou AXN.

48 canais, 5 jornais, + internet, + paginas de legislação e documentação sobre a antiga e nova carreira...

preciso de férias. Que seja o que tenha acontecido já lá não vou ajudar... e chegou ver o atentado em Cabinda. E pensar que era a província que ia escolher, e que aquelas atitudes são normais.

Jade disse...

Tu é que sabes. Eu acho que o que é demais é como o que é de menos. E fazer como as avestruzes nunca foi para mim. O que te servir melhor... na boa.
Bj