quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ainda Hemingway

Embirro com o homem desde sempre. O tipo era obcecado por quase tudo aquilo que me revolta o estômago e a sensibilidade. Caça grossa e touradas, por exemplo. São questões indiscutíveis como religião, futebol ou política. Para mim, com uma diferença: tenho amigos de todos os clubes, religiões (ok, isto não é bem verdade, mas só porque não conheço judeus nem budistas) e partidos. Pessoas de quem gosto mesmo. Já gente que goste de touradas ou de caçar... também conheço, sim, também convivo, pois, mas confiar confiar, assim absolutamente... não confio em ninguém que ache piada a ver um animal sofrer. Acho sempre que tem um instinto cruel mais ou menos refinado, mais ou menos civilizado, mais ou menos escondido. A caça, ainda engulo. Primário, primitivo, triste, mas ok, tiro certeiro, morte imediata. Tourada, não. Venham lá falar de tradições e de raça, e da extinção do touro bravo. Pois. Aqueles aficcionados que conheço são todos ambientalistas convictos, sem dúvida, é logo do que me lembro quando penso assim de repente, em dois ou três deles.
É muito por isto que sou uma ignorante de Hemingway. Por causa do preconceito. A bossalidade atrai a bossalidade, está provado. E, para que conste, a ignorância é tal que nem sei se bossalidade se escreve assim: vou ali já venho, verificar.

1 comentário:

Carolina disse...

LOL, nem de proposito... ontem ao ver uma tourada na televisão o meu filho perguntava-me: ò mãe, porque é que os bois não gostam daqueles homens?! São selvagens?
Eu: então, eles não gostam porque os homens estão a magoá-los com os espetos, que são como alfinetes... olha o sangue e tudo.
Avô: aquilo é mesmo assim neto, os bois não se importam!
filho: assim não estão a ajudar, mas eu bem vejo que eles gostar, não gostam muito!